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15 de janeiro de 2026
O Ladrão de Raios

 Olá, pessoal! Samu aqui!





Entrei em uma leitura coletiva da série Percy Jackson e os Olimpianos, por isso a resenha de hoje é o primeiro livro: O Ladrão de Raios. Eu já tinha uma noçãozinha de como era a história por causa do filme, sabe? Não cheguei a assisti-lo, mas já aconteceu de eu passar na frente da TV enquanto alguém assistia, daí peguei alguns spoilers. Em todo caso, acho que isso não chegou a comprometer a leitura.


Então vamos lá! O livro é narrado em primeira pessoa (coisa que não gosto) e nosso narrador é o Percy Jackson, um menino de 12 anos (guarde isso: 12 anos). Ele mora com a mãe, uma mulher super legal, e com o padrasto, um cara podre de podre. Contudo, desde criança… digo, desde mais novo, Percy sempre estudou em colégios internos daqueles que o condenadinho mora na escola e só volta para casa nas férias. Ou seja, apesar de amar muito a mãe, o Percy está meio que acostumado a ficar meses e meses longe dela.


A vida do nosso herói é um tanto complicada, pois vira e mexe acontece uns bagulhos inexplicáveis (tipo o Harry Potter antes de conhecer Hogwarts, sabe? Os primeiros capítulos da história são bem nessa vibe). O fato é que todo ano acontece alguma parada sem sentido que vira motivo para o Percy ser expulso da escola, sendo assim agora ele está na sexta série e essa é a sexta escola que frequenta. Nesse início do livro nós leitores somos apresentados aos personagens e aos mistérios que cercam o protagonista, como por exemplo o porquê de a professora de Geometria ter explodido no meio da excursão ao museu ou por que a caneta emprestada do professor de História se transformou em uma espada.


Após esses capítulos iniciais e uma cena de perseguição das mais eletrizantes envolvendo um minotauro brabíssimo, Percy chega em um acampamento bem diferentão e lá ele descobre uma coisa arrebatadora: os deuses gregos que Percy estudou tanto na escola são reais! Sendo assim, o lugar onde ele está agora, conhecido como Acampamento Meio-sangue, trata-se de um refúgio para os filhos dos deuses, visando protegê-los da ameaça dos monstros do Hades. Pois é, nosso herói mirim (de 12 anos) é um semideus. Sendo assim, após uns 30% da história, Percy recebe uma missão bem importante: acontece que Zeus, o deus dos deuses, teve o raio roubado e caberá a Percy Jackson resolver esse problema.


Confesso que daí pra frente o livro ficou meio chatinho, pois tudo virou uma road trip pelas cidades do Estados Unidos. Percy se junta com seus amigos Grover e Annabeth e esse trio parada dura inicia uma viagem passando por Nova York, Las Vegas, Los Angeles e por aí vai. Como eu não curto muito esse tipo de road trip, achei a parte mais fraquinha da história. Contudo, o final é bem legal! Vai aparecer o Hades e o Olimpo, e a resolução de tudo é muito empolgante com direito a várias cenas de ação e aventura.


Existem alguns pontos que achei forçado, sabe? Por exemplo, é difícil imaginar um garotinho da idade de Percy fazer a maioria das coisas que ele faz (e aqui estou falando de matar monstros de 2 metros de altura na base da porrada). Apesar de nosso herói não estar sozinho, muitas vezes as cenas ficam difíceis de engolir por causa dessa questão da idade dos personagens. Se eles fossem uns 3 ou 4 anos mais velhos, quem sabe as coisas ficassem mais verossímeis, né? De qualquer modo, eu gostei da história e pretendo continuar com a leitura da saga.


6 de janeiro de 2026
[ANIMA] TORADORA

 O que acontece quando o tigre e o dragão param de brigar e se apaixonam? 



        Socorro! Eu realmente sou muito marcha lenta quando o assunto é assistir as coisas! Conheci Toradora logo de seu lançamento, entre 2008 e 2009, quando ainda era adolescente, e nunca terminei! Os anos passaram e esse anime super fofinho entrou no catálogo da Netflix e, finalmente, consegui assisti-lo até o fim.
        Em Toradora conhecemos os adolescentes Ryuji Takasu e Taiga Aiasaka, que não têm uma popularidade positiva na escola; ele, porque, apesar de ser um dos melhores alunos e um filho maravilhoso e extremamente responsável, tem cara de "bad boy", por isso quase todos têm medo dele; enquanto ela é a "tigresa de bolso", pois arranja briga com todo mundo e é muito baixinha. 

        As únicas pessoas que não temem nossos protagonistas são Yusaku Kitamura e Minori Kushieda, ambos interesses amorosos deles e são seus totais opostos, sendo muito queridos e admirados por todos na escola. Esse interesse ajuda a aproximar Ryuji e Taiga e eles criam uma relação de amizade muito forte. Os dois têm problemas familiares sérios, porém, diferentes, o que vai fortalecendo ainda mais esse relacionamento conturbado e divertido bem parecido com Lovely Complex. 

        Toradora traz traços muito fofos e um foco grande na comédia, ainda assim, também faz muitos questionamentos interessantes e importantes sobre relacionamentos familiares e problemas comuns da adolescência. Adorei esse anime! Foi muito divertido acompanhar seus 25 episódios e fiquei feliz por ter consigo assisti-lo até o fim dessa vez. Em nenhum momento se torna cansativo, muito pelo contrário, se você estiver em um dia de bobeira, vai acabar maratonando metade dele sem nem perceber. Então fica ai a dica de um shoujo super fofinho e divertido para assistir nesse verão! 

30 de dezembro de 2025
[EU ASSISTI] OVOS VERDES COM PRESUNTO

 



    Sabe aquele tipo de série que já te cativa na abertura? Pois é, foi essa a sensação com a muito divertida e super maluca, Ovos verdes com presunto, série animada da Netflix, adaptação de um livro do incrível Doctor Seuss. 

    Pode ser um pouco repetitivo eu falar sempre de produções da Netflix, mas sou assinante, então, preciso aproveitar o que ela tem a oferecer. A inflação chegou até nos streamings, minha gente, tá uma loucura! 

    E falando em loucura, isso define bem as adaptações dos textos do icônico Doctor Seuss, visto que O Grinch, um dos meus filmes de Natal favoritos, tem essa mesma pegada de rimas, um pouco de loucura, muitos absurdos e diversão garantida. 

    Ovos verdes e presunto começa com o sequestro de um animal raro do zoológico de Gorfolândia: a Galirafa. Enquanto todos os jornais noticiam isso, somos apresentados a João Sei-Não, um inventor mal sucedido que vê sua última tentativa de participar da importante Snerzfeira ser frustrada. Humilhado, ele vai a uma lanchonete comer e acaba conhecendo o simpático e irritante Romeu Sou-Eu. Eles conversam um pouco e distraídos acabam trocando suas malas e é a partir daí que toda a aventura começa, pois quem roubou a galirafa foi Romeu! E João vai descobrir isso da pior maneira...

    No dia seguinte, ele tenta devolver o animal, mas é supreendido por uma dupla mal encarada que se auto-intitula "Os malvados", sem saída, João e Romeu fogem juntos e se unem para levar a galirafa de volta a seu habitat natural. Paralelamente a isso, conhecemos Michelle, uma mãe sufocante e super protetora e sua filha, E.B., uma menina com sede de aventura. Não me perguntem como, mas elas vão entrar nessa confusão também. 

    Ao longo dos 13 episódios de Ovos verdes com presunto percebemos a evolução dessas personagens e ficamos cativados por causa de todas as trapalhadas nas quais elas se metem. Para incentivar ainda mais nossa curiosidade, cada episódio termina com um cliffhanger e com o último não poderia ser diferente! Deixando um gancho e tanto para a segunda temporada. 

    Ovos verdes e presunto traz uma história simples e bem pensada em todos os detalhes, tornando-se única. Apesar de conhecer a escrita de Doctor Seuss estou chocada com a criatividade dessa produção até agora! Essa é o tipo de série animada que vai agradar a todos os públicos com certeza! 

Então é isso, minha gente! Feliz Ano Novo e que 2026 traga muitas realizações para todos nós! 


9 de dezembro de 2025
O QUEBRA-NOZES

 


    Eu já falei aqui que um de meus filmes de Natal favoritos é Barbie: O Quebra-Nozes, mas ainda não tinha lido o conto original que deu origem ao longa e ao belíssimo ballet de Tchaikovski, felizmente, a editora Zahar publicou esse clássico em uma edição de bolso de luxo em capa dura e eu não resisti e comprei. 

    Já na capa da edição de O Quebra-Nozes fica claro que vamos ler a versão clássica, escrita por Alexander Dumas, e a versão original, escrita por E.T.A. Hoffmann, o que torna a experiência ainda mais interessante, pois podemos comparar as versões. 

    Em História de um quebra-nozes, Alexander Dumas inicia a narrativa de forma irreverente e deixa claro que esta não uma criação sua. A história de O Quebra-Nozes , já bem conhecida, aparece aqui, mas mostrando como a personagem-título se tornou o que é e o porquê. O enredo tem elementos bem característicos do século XIX, algo interessante. a escrita de Dumas é bem simples e dentro do imaginário dos contos de fadas. Essa versão é repleta de magia, moralidade e elementos maravilhosos.

    Já em O Quebra-Nozes e o Rei dos Camundongos, de E.T.A. Hoffmann, temos, a mesma história apresentada por Dumas, as únicas diferenças são os nomes das personagens e o acréscimo de uma irmã mais velha para a protagonista. Achei os capítulos de batalha muito chatos em ambas as versões e aqui, mais uma vez, temos várias questões de gênero relacionadas ao período e que, hoje em dia, já não cabem mais na sociedade. 

    A edição da Zahar é muito linda, cheia de ilustrações, com uma ótima revisão. O Quebra-Nozes para mim é uma história que traz toda a magia do Natal e foi muito bom conhecer as origens literárias dela. Apesar de não ter gostado das cenas de batalha, isso não tirou o brilho dessa narrativa para mim. 


6 de novembro de 2025
O Talismã do Poder

 Olá, pessoas! Samu aqui!



E acabou. Esta vai ser a resenha do último livro da trilogia Crônicas do Mundo Emerso, minha mais nova trilogia favorita, diga-se de passagem. Sendo assim, ao criar a conclusão da narrativa, a autora Licia Troisi não nos decepcionou, trazendo um final de peso que mantém o mesmo clima de aventura, ação, muitos conflitos entre personagens e muita emoção a cada capítulo!


Neste terceiro livro, chamado O Talismã do Poder, nossa querida protagonista Nihal inicia uma nova jornada pelas oito terras do Mundo Emerso. Acompanhada por ninguém menos que o mago Senar, a guerreira de cabelos azuis e olhos violeta tem como novo objetivo encontrar os templos secretos dos deuses que estão espalhados, cada um em uma das oito terras. Guiados pela magia de um talismã misterioso, a dupla (ou casal, se você preferir) vai ter de enfrentar inúmeros perigos ao atravessar as terras da Noite, dos Dias, do Fogo, dos Rochedos e do Vento, todas sob o domínio do terrível Tirano (o “vilão supremo” da trilogia).


Além disso, enquanto Nihal e Senar seguem nessa viagem, também temos alguns capítulos voltados para o gnomo Ido, o mestre de Nihal. Na minha opinião, estes capítulos foram essenciais para o equilíbrio da narrativa, já que ficaria meio chato se o livro inteiro mostrasse apenas a aventura dos dois protagonistas. Com isso, aprofundamos mais um pouco o passado de Ido, havendo inclusive um novo vilão para rivalizar nos combates. Gostei especialmente da parte em que Ido se torna professor na Academia dos Cavaleiros de Dragão.


Outro ponto alto da narrativa são os encontros de Nihal com cada guardião dos oito templos. Em cada um deles ela é posta a uma prova diferente que lhe obriga a enfrentar suas dúvidas e inseguranças. São momentos bastante criativos, tendo cada guardião características e personalidade diferentes, e as tarefas que eles impõem a ela fazem com que a jovem aprenda lições importantes para o dia do confronto final com o Tirano. E que final!


O Talismã do Poder fechou as Crônicas do Mundo Emerso de forma magnífica, eu adorei essa leitura. Estou ansioso para, no futuro, iniciar as outras duas séries de livros que a Licia Troisi escreveu sobre esse universo, chamadas Guerras do Mundo Emerso e Lendas do Mundo Emerso (sim, ainda tem muito livro pela frente e eu sei que vou continuar amando).


14 de outubro de 2025
MALUCOS E MALDIÇÃO




Ainda num clima Dia das Crianças/Halloween vou apresentar para vocês hoje Malucos e Maldição, um livro escrito por Marcus Sedgwick que, diferente de Um conto sombrio dos Grimm, é uma obra infanto-juvenil que dificilmente vai agradar a todos os públicos, sendo mais indicada para crianças mesmo. 
A história de Malucos e Maldição começa nos apresentando ao corvo Edgar, que vive no Castelo Outramão juntamente à família homônima, composta por Lorde Outramão, um "inventor", sua esposa Menta e seus quatro filhos: a adolescente Solstícia, o menino Maltinho e dois gêmeos cujos nomes não me lembro. Eles vivem num estilo que tenta emular a Família Addams, só que não convence. Isso porque por mais "estranhos" e "peculiares" que os Addams sejam, eles se amam, principalmente os pais, agora, Lorde e Lady Outramão não parecem se importar muito com seus filhos, nem com eles mesmos, o que não nos faz simpatizar muito com o casal.
Após um incidente, o pai da família decide contratar um professor particular para ensinar seus filhos. Essa decisão desencadeará uma série de acontecimentos mórbidos e sinistros sem explicação, como, por exemplo, a morte de 8 empregados da casa... 
Infelizmente, a narrativa não me interessou, a escrita de Marcus Sedgwick não despertou minha curiosidade pelo enredo e acabei lendo Malucos e Maldição só mesmo porque estava na minha meta de leitura. Não recomendo para adultos, pois é tudo muito bobinho e previsível e, se você foi criança nos anos 90 e assistia aos filmes da Família Addams, o desinteresse será ainda maior, mas, talvez, as suas crianças gostem dessa experiência de leitura.
 

10 de outubro de 2025
UM CONTO SOMBRIO DOS GRIMM




    Não poderia faltar uma releitura de contos de fadas nesse Halloween né, gente! Quem acompanha o blog a mais tempo sabe que eu amo esse gênero, mas não esperava gostar e me surpreender tanto com a escrita de Adam Gidwitz! Sério, Um conto sombrio dos Grimm é simplesmente incrível! Bem macabro, mas incrível! Se você tem uma criança trevosa em casa, vocês vão gostar de conhecer essa história juntos. 
    Em Um conto sombrio dos Grimm conhecemos a história dos irmãos João e Maria de um jeito bem diferente: eles não são aquelas crianças pobres abandonadas pelo pais para serem devoradas por lobos na floresta, aqui, eles são decapitados pelos pais e, depois, quando magicamente voltam à vida, fogem desses adultos insanos. Achei justo, inclusive, faria igual. 
    Depois dessa fuga, sem dar chance aos pais de se explicarem, os dois vão para floresta e lá, minha gente, o negócio vai ficando cada vez mais e mais bizarro: eles encontram a bruxa canibal? Sim. Ela é sinistra? Sim. Ela é a grande vilã do rolê? Mas nem de longe! Isso porque o próprio capiroto é que vai fazer de tudo para infernizar a vida dos irmãozinhos e teremos mais alguns outros feiticeiros e meninos se transformando em feras... Enfim, a escrita de Adam Gidwitz é frenética e não te deixa largar o livro, pois as reviravoltas são muitas e você quer ver João e Maria ficando bem. 
    Li Um conto sombrio dos Grimm muito rápido. Realmente devorei essa narrativa e fiquei muito satisfeita com o final, com o desenvolvimento, com as intromissões do narrador na história, gostei de tudo! Adam Gidwitz já se tornou meu autor favorito e vocês também precisam ler esse livro!! 

PS.: a Netflix lançou a série animada de Um conto sombrio dos Grimm, a qual eu já assisti e gostei muito, muito mesmo! Vale a pena conferir ambas as obras. 


23 de setembro de 2025
A HISTÓRIA SEM FIM

 



    Sabe aquele filme que você só assistiu na infância e te deixou uma memória afetiva tão forte que você a carregou por toda a vida? A história sem fim é um desses exemplos para mim. Contudo, por algum motivo que não sei, nunca tinha lido o romance de Michael Ende, o qual deu origem ao longa de 1984.
    A história sem fim, apesar de ser um livro curto, tem uma narrativa complexa e repleta de simbolismos. Bastian é um menino gordo e sofre muito bullying na escola por causa disso; acabou de perder a mãe e precisa conviver com um pai em profunda depressão, totalmente alheio às necessidades do filho. 
    Um dia, ao fugir de seus agressores, ele entra na livraria do antipático senhor Koreander. Ao ficar sozinho entre os livros, nosso protagonista, um leitor ávido, encontra o livro de seus sonhos, um volume intitulado A história sem fim. Sem dinheiro e sabendo que mesmo se o tivesse, o velho rabugento não lhe venderia o livro, Bastian não pensa duas vezes e sai correndo com o volume em mãos. 
    Na escola, não querendo encarar os demais alunos e professores, o garoto se esconde em um sótão e dá início à leitura. A história sem fim, em sua primeira parte, narra a busca do jovem Atreiu, um caçador pele-verde de 10 anos, ao qual foi confiada a missão de encontrar a cura para a Imperatriz Criança, a governante do reino de Fantasia. Em sua aventura, Atreiu vai se deparar com grandes perigos, perder um amigo, mas vai ganhar outro também. 
    Enquanto isso, em sua leitura, Bastian percebe que algumas coisas estranhas estão acontecendo ao seu redor, e que talvez ele seja a chave para encontrar a cura que a Imperatriz Criança tanto precisa. Como dito no início, A história sem fim é repleta de simbolismos e alegorias, sendo as mais gritantes aquelas relacionadas à depressão e ao luto. É interessante e emocionante acompanhar Atreiu e o dragão da sorte, Fuchur, em sua busca. 
    Quando a narrativa passa a centrar-se em Bastian como herói, porém, para mim, ela perde muito de seu brilho e confesso ter me arrastado ao longo da leitura dessa segunda parte. Além dessa ressalva, preciso externar minha indignação com a demora em fazer uma edição bem feita dessa obra. Gente, A história sem fim foi publicado pela primeira vez, na Alemanha, em 1979, e só veio para o Brasil em 2011! Apenas em 2020 a editora Martins Fontes publicou, para os leitores brasileiros, uma edição semelhante à idealizada por Michael Ende.
    Ressalvas à parte, a leitura de A história sem fim reavivou minha vontade de assistir mais uma vez ao filme homônimo e me deu mais dois personagens literários para guardar no coração: Atreiu e Fuchur. Com certeza, esse livro é mágico e muito especial e, se você ainda não o leu, leia!

11 de setembro de 2025
A Missão de Senar

 Olá, pessoas! Samu aqui!



Hoje trago a resenha do segundo livro da trilogia Crônicas do Mundo Emerso, chamado A Missão de Senar. O livro anterior me surpreendeu bastante, contendo uma narrativa muito bem construída (inclusive você pode ler a resenha dele clicando aqui), e agora essa continuação tratou de manter o mesmo ritmo. Adorei cada capítulo!


Enquanto no primeiro livro o foco estava inteiramente na personagem Nihal e seu treinamento para se tornar uma cavaleira de dragão, este segundo volume já começa a dividir a narrativa em dois núcleos. Ou seja, em alguns capítulos continuamos acompanhando Nihal, afinal, ela é a protagonista da trilogia, mas além dela também temos capítulos cujo foco está na viagem de Senar em busca do lendário Mundo Submerso.


Senar é um jovem mago que no livro anterior havia se tornado o representante da Terra do Vento no conselho de magos do Mundo Emerso (uma espécie de ONU que visa manter a paz das oito terras). Contudo, no momento da narrativa já faz 40 anos que um mago do mal conhecido como Tirano tem dominado as terras uma a uma, de modo que o Mundo Emerso está em guerra por todo esse tempo.





Depois que o exército do Tirano finalmente dominou a Terra do Vento (evento que ocorre no livro 1 da trilogia), os governantes das poucas terras que ainda são livres já não sabem mais o que fazer e estão sem recursos para virar a guerra a seu favor. É nesse contexto que Senar tem a ideia de buscar a ajuda do lendário Mundo Submerso, um reino secreto que existe nas profundezas do oceano.


-- Fim do Spoiler --


Com isso, Senar se alia com um grupo de piratas (os mais loucos do rolê) e juntos partem para a Voragem, o local onde supostamente nosso herói encontrará a passagem para o Mundo Submerso, pretendendo pedir auxílio dos habitantes desse reino mítico na guerra contra o Tirano. Enquanto isso, Nihal continua seu treinamento e finalmente se torna cavaleira de dragão. Em suas primeiras batalhas como cavaleira, nossa protagonista vai conhecer um novo e poderoso inimigo: o gnomo Dola, um cavaleiro de dragão negro a serviço do Tirano.


Daí pra frente muitas reviravoltas e cenas emocionantes vão rolar. Batalhas muito bem descritas, conflitos psicológicos entre os personagens, provações, aventura, enfim… na minha opinião, um livro sem defeitos! Mentira, tem um defeito sim, a capa. Nossa, pense numa capa feia, meu Deus do céu! Não sei quem foi o capista desse trem, mas tanto o primeiro quanto o segundo livro têm capas terríveis de causar revertério em qualquer leitor. Por isso estou usando as da versão original em italiano. Torço para que algum dia haja uma nova edição, em português, com capa melhorzinha. No mais, continuo super recomendando esta trilogia!



19 de agosto de 2025
A OUTRA FACE

 História de uma garota afegã


     Há décadas as atenções mundiais têm se aglutinado em torno dos conflitos no Oriente Médio e em alguns países mulçumanos da Ásia, como é o caso do Afeganistão, contudo, o que jornais e revistas muitas vezes não divulgam é a vida cotidiana das pessoas comuns, sendo as mulheres aquelas que mais sofrem. A outra face, história de uma garota afegã, da autora Deborah Ellis, nos mostra de forma delicada e sensível a dura vida da população afegã durante o regime Talibã. 
    Através de um narrador em 3ª pessoa, acompanhamos a vida de Parvana e sua família. Pouco tempo após a tomada da capital Cabul, seus pais perderam os empregos, as mulheres foram obrigadas a ficarem presas em casa, escolas femininas foram fechadas e qualquer pessoa do sexo feminino só poderia sair de casa estando completamente coberta, as adultas, de burca, e sempre acompanhadas por um homem, ou rapaz, JAMAIS sozinhas. 
    Todos vivem em estado de extrema tensão, perderam seu padrão de vida bom de outrora, sua liberdade e um filho, morto por uma mina terrestre. Porém, pelo menos o pai de Parvana consegue um trabalho lendo e escrevendo cartas, logo, fome eles não passam. Inesperadamente, em uma noite agradável e tranquila, a casa da família é invadida por membros do Talibã, que levam seu pai preso e ainda espancam sua mãe. desesperadas, elas não sabem o que fazer: há cinco bocas para se alimentar e nenhum homem para ganhar dinheiro. Quando tudo parece sucumbir, uma amiga da família define um plano: Parvana se tornará um menino, podendo assim trabalhar e sustentar a família. Ademais, sua mãe e a amiga iniciam a produção de uma revista a fim de denunciar toda a opressão e barbárie causadas pelo Talibã. 
    Assim, vemos de que maneira nossa protagonista se arranjará trabalhando e enganando o regime, sempre de olhos bem abertos e alerta diante de qualquer ameaça. Além disso, outras situações nos são mostradas, tais como punições brutais, usadas como "espetáculo", a terrível sombra da venda de meninas muito jovens com o objetivo de se casarem e com o dinheiro sustentarem suas famílias; as prisões injustas, os desaparecimentos...
    Tudo é muito realista e não poderia deixar de ser, já que A outra face, história de uma garota afegã é fruto de um minucioso trabalho da ativista Deborah Ellis, ao reunir diversos relatos contados por mulheres afegã. A vida de Paravana , de sua família e amigos, infelizmente, não é mera ficção, mas sim uma colcha de retalhos de fatos cotidianos de muitas pessoas que perderam tudo, menos a esperança de um Afeganistão justo e pacífico para todos novamente. 

7 de agosto de 2025
A Garota da Terra do Vento - Crônicas do Mundo Emerso vol.1

 Olá, pessoas! Samu aqui!



Pense numa personagem braba, daquelas que bate primeiro e pergunta depois. Agora coloque essa personagem em um mundo mágico, para protagonizar uma história cheia de ação, aventura, romances não correspondidos e tudo o mais. Pois essa é Nihal, a jovenzinha que acompanhamos em A Garota da Terra do Vento, primeiro livro da trilogia Crônicas do Mundo Emerso.


Nihal é uma menina de treze anos que vive na cidade de Salazar na Terra do Vento, a região mais a oeste do continente. Mora com seu pai Livon, o melhor ferreiro da região. Sendo assim, ela cresceu com as crianças de Salazar, um grupo de meninos que adora brincar de guerra. Ela, logicamente, era sempre a comandante do exército de crianças. Tais brincadeiras vão influenciá-la a ter um sonho: tornar-se uma guerreira!


Com o passar do tempo ela vai descobrir que existem mistérios sobre seu passado compartilhados apenas entre seu pai e uma certa feiticeira que vive na floresta. Mistérios que explicam o motivo de Nihal ter a aparência tão diferente: uma garota de cabelos azuis e orelhas pontudas. Além disso, a jovem aspirante a soldado também vai descobrir o que é ter um sonho que vai contra a cultura machista de uma sociedade. Mas, por outro lado, no decorrer de suas aventuras, enfrentará muitos desafios para alcançar seus objetivos, além de perceber que a guerra não é aquilo que ela fantasiava.


A narrativa desse livro é espetacular! A autora Licia Troisi (nascida em Roma, Itália) tem uma escrita muito equilibrada. Os diálogos vêm no momento certo, sempre contribuindo com o desenrolar da história em vez de só "encher linguiça", como ocorre em outros livros do gênero fantasia (cof cof, ACOTAR, cof cof). Além disso, as descrições também são muito bem dosadas, ou seja, você não vai dormir nesse livro. As ações dos personagens condizem com suas respectivas personalidades e, mesmo quando a protagonista toma as atitudes erradas, a gente compreende seus motivos. Enfim, esse livro me surpreendeu bastante, sendo um dos melhores que li em 2020.


Minha única ressalva é a capa da versão brasileira que, meu Deus do céu… que tragédia! Não entendo o porquê de terem escolhido uma ilustração tão feia, com uma cor tão horrível para a fonte do título. Fora que a capa original, da edição italiana (usada nesse post), é super linda e deveria ser o parâmetro.


Realmente não sei o motivo dessa falta de tato da editora. Mas em todo caso, se você relevar a capa feia, tenho certeza que também se apaixonará pela história de Nihal, A Garota da Terra do Vento, e será tragado(a) para dentro das Crônicas do Mundo Emerso assim como eu fui. Livro mais que recomendado!


29 de julho de 2025
[EU ASSISTI] MEMÓRIAS DE IDHÚN


     A Espanha tem se mostrado, nos últimos anos, muito competente no quesito entretenimento em suas parcerias com a Netflix. La Casa de Papel, As telefonistas, e Elite são alguns exemplos disso, mas em 2020, a animação Memórias de Idhún entrou no catálogo do streaming e parece que não fez muito alarde não... Por aqui, como gostamos de fantasia, decidimos dar uma chance e, é claro, foi amor à primeira vista! 
    Memórias de Idhún começa de forma frenética nos apresentando a um de nossos protagonistas, Jack, perdendo os pais e quase sendo assassinado também pelo vilão, Kirtash. Contudo, o jovem é salvo por dois homens misteriosos: o príncipe Alsan e o mago Shail. Eles o levam a uma outra dimensão, uma espécie de santuário onde Jack conhece também, Victória, e descobre suas verdadeiras origens. 
   Idhún é um planeta em uma dimensão paralela à Terra, na qual a magia existe. Infelizmente, porém, magos e semimagos nunca foram muito bem vistos por lá e sempre tiveram de fugir, eventualmente. Há três anos, um tirano dominou o planeta e incumbiu a seu filho, Kirtash, a missão de encontrar as últimas duas fontes de magia de Idhún enviadas para a Terra: um unicórnio e um dragão. No meio do caminho, ele também deve matar os refugiados que encontrar. É assim que os caminhos de Jack, Victória, Alsan, Shail e Kirtash se cruzam, com este último tentando eliminá-los, mas curiosamente, de forma bem inesperada, ele se apaixona por Victória, o que, óbvio, complica toda a missão... 
    Memórias de Idhún tem apenas 10 episódios divididos em duas temporadas. A animação é bem interessante e nos apresenta uma história que, apesar de seguir os clichês da jornada do herói e ter um triângulo amoroso entre adolescentes, instiga nossa curiosidade em saber mais sobre Idhún e seus habitantes. Mesmo não sendo inovadora, a Netflix acertou ao trazer memórias de Idhún para o seu catálogo, mas, como não poderia deixar de ser em se tratando desse streaming, não há notícias de uma terceira temporada... o que é uma grande sacanagem! E nenhum dos livros que originaram a animação foi publicado aqui no Brasil, ou seja, essa é uma indicação perigosa... Pois se você gostar, vai ficar sofrendo como eu. 

15 de julho de 2025
[ANIMA] MEU CASAMENTO FELIZ


 

Não sei vocês, mas sempre que estou meio deprê, ou chateada, ou doente, eu gosto de deitar no sofá e assistir a uma animação fofinha e colorida para dar aquele quentinho do coração. Foi em uma dessas ocasiões que conheci Meu Casamento Feliz, produção da Netflix. 

Em Meu Casamento Feliz somos apresentados a um Japão da Era Taisho um pouco diferente, isso porque nessa trama existem pessoas que conseguem usar magia e elas são muito importantes cheias de prestígio nessa sociedade. Miyo Saimori é filha de Shinichi Saimori e Sumi Usuba, esta última sendo membro da lendária e temida família Usuba por causa de seus poderes psíquicos de controle da mente e dos sonhos; Sumi aceita casar-se com Saimori apenas para tira sua família da decadência financeira e morre alguns poucos anos após o nascimento de sua única filha. 

Meu Casamento Feliz traz uma versão japonesa e ambientada na Era Taisho com elementos de fantasia do conto Cinderela, já que após a morte de sua primeira esposa, Saimori se casa com seu primeiro amor e esta mulher irá hostilizar e infernizar Miyo durante toda a vida da garota, inclusive aceitando uma proposta de casamento seu consentimento da mesma com Kiyoka Kudo, conhecido por ser rude e cruel com todas as noivas que seus pais arranjaram para ele. Nossa protagonista vai sozinha e desamparada até a casa de seu prometido e, no começo, também é muito hostilizada por ele, mas com o tempo os dois começam a se entender e Kiyoka percebe que ela não é uma metida; e Miyo percebe que ele não é cruel, é só uma pessoa traumatizada como ela e muito desconfiada. 

A primeira temporada de Meu Casamento Feliz é muito fofa e bonitinha, mesmo com todo o sofrimento que Miyo passa nas mãos do pai isentão e da madrasta e irmã encruadas. Contudo, as próximas temporadas já não me conquistaram tanto assim: Miyo é mais uma vez hostilizada por uma figura feminina, agora, a mãe de Kiyoka, o que eu, particularmente, achei desnecessário e muito sofrido de assistir. 

A trama política envolvendo a família real e a família Usuba é muito instigante, só que o protagonismo de Miyo é muito eclipsado pela personalidade de “menina bela, recatada e do lar” que ela tem. É muito desconfortável ver como ela não consegue alcançar o máximo de seu poder porque está sempre esperando ser salva e depois se sente culpada por precisar de ajuda. É muito sofrimento com um traço bonito, colorido e delicado. Perdi o feeling de Meu Casamento Feliz. Comecei gostando muito na primeira temporada e agora peguei ranço, até porque comprei em pré-venda os primeiros volumes do mangá e até agora nada da dona Panini me enviar! Sério, peguei abuso mesmo dessa série e da editora e não pretendo comprar mais nada dela!

27 de maio de 2025
O LABIRINTO DO FAUNO

 


        Assisti a O labirinto do fauno na infância e foi uma experiência impactante, mágica e um pouco assustadora, mas ler essa história com o estilo incrível de Cornelia Funke tornou o que já era bom, em algo ainda melhor. 

    Ao final de O labirinto do Fauno, Cornelia Funke nos diz ser fã da obra de Guilhermo Del Toro e que, ao ser convidada por ele para transformar o roteiro cinematográfico em um romance, ficou apreensiva por não saber como reverenciar a obra e dar-lhe algo além de uma mera réplica de roteiro original.

    Para resolver esse dilema, Cornelia Funke assistiu ao filme dezenas de vezes, não lendo o roteiro, a fim de captar e descrever em seu livro a essência das personagens apenas através da interpretação dos atores. Assim, ela trouxe também o passado de Ofélia, sua mãe, Vidal e Mercedes para O labirinto do fauno, além de criar alguns contos de fadas inéditos utilizando elementos simbólicos que apareceram no filme. 

    Revemos a história de Ofélia por meio de uma escrita delicada, típica de Cornelia Funke, seu desespero ao chegar ao moinho e conviver com Vidal, além de suas três provações para retornar ao Reino Subterrâneo, tudo descrito de forma poética e sempre deixando a ambiguidade que os contos de fadas modernos suscitam: seria real a ida de Ofélia ao reino mágico, ou apensas alucinações de uma mente infantil de imaginação fértil e perturbada pela dor e pelo abandono? Sinceramente, eu espero que seja primeira. A mensagem construída em O labirinto do fauno é agridoce, mesmo assim, o destino de Ofélia acaba trazendo um pequeno sopro de esperança que seria triste demais se não fosse real. 

    Outro ponto que deve ser ressaltado é o trabalho belíssimo da edição da editora Intrínseca. O acabamento em capa dura, relevo, as ilustrações ao longo do livro e a paleta de cores conseguem evocar também a aura mágica e ao mesmo tempo sombria de O labirinto do fauno. 

18 de fevereiro de 2025
ANNE DE AVONLEA

 


        A leitura de Anne de Green Gables foi extremamente recompensadora e deixou-me com um imenso "gostinho de quero mais", por isso, assim que a terminei já dei início a sua continuação, Anne de Avonlea e, sinceramente, este volume conseguiu me conquistar ainda mais do que seu antecessor e posso dizer seguramente que a escrita de Lucy Maud Montgomery sempre estará em meu coração. 

       No livro anterior, deixamos Anne com a dura realidade da morte do querido Mathew e com a decisão de não ingressar na faculdade para cuidar de Marilla em Green Gables. Era o certo a ser feito e como a própria disse: " apenas uma curva no caminho." Nossa ruivinha torna-se, então, professora da escola de Avonlea e está determinada a fazer um trabalho tão bom quanto o de Miss Stacy. Ela verá que a carreira docente não é nada fácil, mas tem suas alegrias. Uma delas é o pequeno sonhador Paul Irving, um aluno recém-chegado de Boston, que rapidamente mostra ser uma "alma irmã" para a protagonista. 

        Se já não bastassem as confusões na escola, Anne e Marilla, por acaso do destino, se veem obrigadas a acolher dois irmãos órfãos, parentes distantes dos Cuthberts: o endiabrado Davy e sua gêmea, a sensata Dora. A menina é um amor, já seu irmão será um desafio e tanto para as moradoras de Green Gables 

        Em Anne de Avonlea vemos o amadurecimento de nossa ruivinha que, mesmo chegando a vida adulta, continua sonhando e mudando a realidade e as pessoas ao seu redor com seu jeito único de ser. Ao contrário do volume anterior, do qual já tínhamos um bom conhecimento dada a série da Netflix, aqui Lucy Maud Montegomery nos apresenta fatos inéditos da vida da nossa protagonista e de nossas demais personagens queridas, além de nos apresentar outras novas com enredos dignos de contos de fadas... 

        Os caminhos da vida sempre estão cheios de curvas e ninguém melhor do que Lucy Maud Montgomery para preenchê-las com aventuras fantásticas cheias de risadas, beleza, um pouco de drama e muita confusão, porque se você pensou que Anne ficaria mais sensata aos 16, se enganou feio! 

        Permaneço fielmente apaixonada por essa personagem e é óbvio que logo após o término deste já iniciei a leitura do terceiro livro da série. Anne é tão encantadora que é impossível não querer acompanhá-la em todos os momentos de sua vida. Aos também órfãos da série da Netflix: leiam Anne de Avonlea e descubram como será a vida de nossa ruivinha como professora, prometo que vai ser muito legal! 


7 de janeiro de 2025
Anne de Green Gables


        Eu sou completamente apaixonada pela série Anne with an E e fiquei muito decepcionada com o cancelamento dela. Meus lamentos foram tantos que o Samu comprou os cinco primeiros livros da série escrita pela autora Lucy Maud Montgomery, lançados aqui no Brasil pela querida editora Pedrazul  e é óbvio que eu já devorei todos eles e pretendo comprar os demais cinco ainda esse ano. 

        Anne de Green Gables começa com a decisão dos irmãos reclusos e "solteirões", Mathew e Marilla Cuthbert de "adotar" um menino para ajudá-los nas tarefas de sua fazenda, mas ao chegar na estação para buscar a criança, Mathew encontra uma menina de 11 anos, cabelos ruivos, muitas sardas e uma imaginação esplendida, essa é Anne Shirley, a nossa querida Anne de Green Gables. 

        O ano é 1876 e a história se passa na paradisíaca Ilha do Príncipe Eduardo, um lugar cheio de natureza, bem cottagecore mesmo, onde Lucy Maud Montgomery escolheu criar a fictícia Avonlea, uma cidade típica de interior: todo mundo se conhece, a grande maioria é avessa a forasteiros e pessoas diferentes, além das personagens arquetípicas como a fofoqueira (Rachel Lindh), os "criadores de caso", como os Pye e, claro, a travessa "cabecinha de vento", Anne. 

        O mais interessante dessa série de livros é que Lucy Maud Montgomery nos propõe acompanhar toda a vida de Anne, da infância até a velhice. Enquanto a série televisiva nos mostrou a vida da jovem até os 16 anos, os livros nos apresentam aos netos dela, e pasmem: as três temporadas de Anne with an E nem chegam ao final de Anne de Green Gables, que termina com o retorno da nossa querida protagonista à casa após completar seu curso de magistério na Queen's Academy. 

        Por se tratar de uma narrativa escrita no início do século XX e ambientada em 1876, Lucy Maud Montgomery aborda de forma bem amena as consequências das trapalhadas de Anne e em pouco tempo ela se torna querida pela comunidade de Avonlea (salvo pelos Pye, mas ninguém gosta deles também) e motivo de orgulho para todos. É muito divertido acompanhar o crescimento da menina, que chega à Ilha do Príncipe Eduardo esquálida e em farrapos, para depois se tornar um símbolo do que um ambiente saudável e amoroso podem fazer a alguém. 

        Atentar-se à época em que Anne de Green Gables foi escrito e por quem foi escrito é muito importante para compreender a enorme quantidade de "lições de moral" contidas no enredo e a presença tímida de uma semente feminista encontrada nas ações e palavras de Anne e Marilla. Sei que para aqueles desacostumados com a leitura de clássicos do século XIX e começo do XX, e órfãos da série televisiva super conceitual e com diversas pautas sociais importantes sendo abordadas de maneira franca, pode ser estranho ver nossa Anne Shirley em uma versão menos empoderada, contudo, vá em frente e continue a leitura, pois a essência da ruivinha continua lá e, infelizmente, depois de tanto tempo, acredito que Anne with an E não terá mesmo continuação. Outra grande diferença entre as duas obras é que em Anne de Green Gables, Gilbert Blythe é claramente  apaixonado por Anne desde sempre e isso será bem desenvolvido ao longo dos demais volumes. 

        Sobre a edição da Pedrazul, as capas têm artes muito bonitas, o papel é amarelo e as letras de bom tamanho, o que ajuda bastante a vida de nós leitores míopes e astigmatas! Ademais, recebemos muitos marca-páginas junto com a compra, o que amei! 

        A escrita de Lucy Maud Montgomery consegue nos divertir e emocionar na mesma medida. Confesso ter chorado copiosamente durante a leitura do penúltimo capítulo desse livro e toda vez que o momento é mencionado nos demais, as lágrimas já começam a se formar em meus olhos, engraçado como personagens fictícios conseguem suscitar tantos sentimentos na gente! Assim é a nossa ruivinha, que mesmo crescida nunca deixará de ser a querida sonhadora Anne de Green Gables.

        

17 de dezembro de 2024
Um Conto de Natal

Olá, pessoal! Samu aqui!



        Um Conto de Natal foi meu primeiro contato com a escrita de Charles Dickens e eu achei uma experiência legal. Essa história não chegou a me encantar ou despertar em mim o “espírito natalino”, como muita gente diz por aí. Contudo, apesar de alguns pontos que pretendo comentar logo mais, eu gostei bastante do ritmo com que o autor conduziu a narrativa. O conto evolui de maneira constante.


Essa história tem como protagonista um velhinho pão-duro e rabugento chamado Scrooge, um senhor muito bem sucedido financeiramente, mas, por outro lado, vive seus dias solitário. Todavia, ele não se importa com isso, pois na opinião dele qualquer companhia é dispensável, um velho bem misantropo mesmo! Seu costume é distratar todas as pessoas que tentam lhe ser gentis, até mesmo os poucos membros da própria família, porém isso vai mudar na fatídica noite de véspera de Natal em que ele receberá uma visita inesperada.


Desde o início o conto é bem dividido, me parecendo até uma daquelas monografias acadêmicas com introdução, desenvolvimento e conclusão. Sendo assim, a história segue em cinco capítulos: no primeiro (introdução), nosso protagonista se mostra como uma pessoa ranzinza e egocêntrica; os três capítulos seguintes (desenvolvimento) levam Scrooge a repensar seus atos ao se encontrar com três fantasmas que irão levá-lo a uma aventura por lembranças há muito esquecidas; e, por fim, o último capítulo (conclusão) nos mostra as mudanças na atitude dele ao repensar seu jeito de ser no fim da narrativa.


Um ponto interessante que notei em Um Conto de Natal é a Jornada do Herói que nosso protagonista atravessa. De fato, ele passa pelas principais etapas descritas por Joseph Campbell, como o chamado da aventura, a recusa do chamado, o encontro com o mentor, a travessia do limiar e assim por diante. Tudo isso é bem marcado no decorrer do conto, portanto, caso você já tenha estudado o Monomito ou tenha curiosidade de estudá-lo, recomendo muito a leitura desta história do Dickens como exercício para análise.


Apesar de ter gostado da narrativa de um modo geral, tive certo estranhamento com a forma com que os personagens se relacionam. Confesso que me incomodou um pouco algumas atitudes deles em determinadas cenas. Além disso, alguns diálogos, principalmente na parte em que Scrooge assiste à ceia de Natal do sobrinho, ficaram forçados demais para meu gosto. Em todo caso, sempre que leio um autor estrangeiro procuro ter em mente que minha experiência de leitura está sendo intermediada por um tradutor (afinal, não li o original em inglês), portanto evito ao máximo atribuir problemas da escrita unicamente ao autor. Por fim, acho Um Conto de Natal uma boa leitura para essa época do ano!


30 de janeiro de 2019
Os Meninos da Rua Paulo - Ferenc Mólnar

Mais um livro infanto-juvenil de cortar o coração...



Definitivamente, eu sou uma péssima pessoa para sortear leituras! Há poucas semanas atrás li O Meu Pé de Laranja Lima, um infanto-juvenil muito triste e comovente e, hoje, acabo de terminar a leitura de Os Meninos da Rua Paulo, uma história que conseguiu ser ainda mais trágica! Essa foi a primeira obra do senhor Ferenc Mólnar que tive a oportunidade de ler e o cara já quebrou meu coração!

[…] “Assim, decidiram a luta por motivo semelhante ao que desencadeia as guerras de verdade. Os russos precisavam de mar, por isso atacaram os japoneses. Os camisas vermelhas precisavam de um terreno para jogar pela, e como não havia outro jeito, iam recorrer à guerra. “ […]

Considerado o livro mais famoso da literatura húngara ao redor do mundo, Os Meninos da Rua Paulo, publicado em 1907, narra de maneira metafórica a difícil transição da inocência da infância para as agruras da vida adulta, além de tratar também dos efeitos das guerras constantes no imaginário da população, principalmente, das crianças.
Um grupo de garotos, em sua maioria, de origem humilde que tem como refúgio um terreno abandonado, esses são Os Meninos da Rua Paulo. Lá, comandados pelo mais velho de todos, João Boka, eles acreditam fazer parte de um exército que tem como únicos soldados rasos o pequeno lourinho, Ernesto Nemecsek, e o cachorro do vigia do terreno...
A vida dos meninos transcorria tranquila, até que estes descobrem que o grupo rival os "camisas vermelhas" querem atacá-los para roubar-lhes o espaço de brincadeiras e diversão. Ademais, para surpresa de todos, há um traidor entre eles, capaz de ajudar o inimigo a conquistar seu objetivo vil.
Por ser o único em um posto baixo, Nemecsek decide provar seu valor para o grupo a fim de subir de posição, contudo, ninguém imaginava o quão leal e corajoso era o lourinho, e muito menos as consequências de suas ações...

[…] “Boka fitava com gravidade a própria carteira, e na sua alma de menino pela primeira vez vislumbrou uma vaga ideia do que é, afinal, a vida, da qual todos somos os soldados e os servidores, ora tristes, ora alegres.” […]

Os Meninos da Rua Paulo é uma novela incrivelmente emocionante e cheia de valores e muita honra. O modo como os meninos se tratam, mesmo os inimigos é algo para se espelhar, pois essas crianças são de uma dignidade que falta em muitos adultos!
A escrita de Ferenc Mólnar é linda. Começa de maneira bem tranquila e corriqueira e termina de maneira comovente, deixando uma tristeza grande em nossos corações. Há diversas adaptações da obra para filmes e peças teatrais. Com certeza, esse é o tipo de história infanto-juvenil que também agrada ao público adulto e deve ser lido por todos.