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4 de agosto de 2026
O REI CORVO, de Maggie Stiefvater

Finalmente, chegamos ao final da Saga dos Garotos Corvos, finalmente, chegamos ao tão esperado desfecho das histórias de Blue, Gansey e companhia e, infelizmente, mais uma vez, dona Maggie Stiefvater decepcionou, mas decepcionou muito! 

O Rei Corvo começa uma semana após o término de Lírio Azul, Azul Lírio: Blue encontrou a mãe e o pai a tiracolo, para surpresa de todos; Colin Greenmantle fugiu com o rabinho entre as pernas ao se deparar com um perigo real, deixando a esposa, Piper, para morrer em Henrietta; Perséfone realmente morreu; e Gansey, Adam e Ronan sentem, cada dia mais, que precisam encontrar Glendower o quanto antes. 

Todos pensam que Piper morreu na caverna do adormecido que não deveria ser acordado, contudo, o que nós descobrimos é que ela não apenas está viva, como despertou um demônio com a ajuda de ninguém menos que Neeve, a tia desaparecida de Blue! O problema é que a supracitada tia se arrependeu de despertar um demônio, afinal, ninguém se dá bem ao fazer pactos, não é mesmo? E Maggie Stiefvater não foi nem um pouco generosa com essa personagem, só digo isso. 

Mais uma vez temos uma narrativa na qual “nada acontece” até que, BAM, tudo acontece, fim. Essa foi a sensação que tive enquanto lia O Rei Corvo. Sério, eu lia, lia e parecia que não tinha desenvolvimento, até ver que já estava em 50% do livro! Ai, tive um breve refresco ao ver o “desabrochar” do “relacionamento” de Adam e Ronan, porém, tudo se resumiu a uns dois beijões e um monte de palavras não ditas, mas sentidas. Que ranço! Sendo bem sincera aqui: tenho ranço de histórias que trazem personagens LGBTQAP+ e não mostram isso de forma clara e BEM DESENVOLVIDA, fiquei bem chateada e decepcionada mesmo! 

E falando em decepção…. minha gente, que final HORROROSO! Nossa, o resultado da busca por Glendower foi tão anticlimático, mas tão anticlimático que quase larguei o livro na hora. Só segui com a leitura porque faltava pouco para ela acabar. A “batalha” contra o demônio foi beeem morna e o final dos casais Blue e Gansey, Adam e Ronan foi no mínimo, insosso para caramba. 

Não gosto de falar mal de histórias que comecei gostando, mas não dá para fugir da realidade: para mim, a Saga dos Garotos Corvos só brilhou mesmo nos dois primeiros livros. Não pretendo ler o spin-off nem tão cedo, contudo, um dia volto para a escrita de Maggie Stiefvater


23 de junho de 2026
LÍRIO AZUL, AZUL LÍRIO, de Maggie Stiefvater




Pois bem, não me aguentei e engatei a leitura de Lírio Azul, Azul Lírio, terceiro volume da Saga dos Garotos Corvos, mas, dessa vez, a leitura não foi assim não deslumbrante e o brilho da escrita de Maggie Stiefvater se esvaiu aos poucos para mim… 

Lírio Azul, Azul Lírio começa exatamente um mês após o desaparecimento de Maura Sargent, a mãe de Blue. A garota está muito, mas muito brava com a mãe, além de muito preocupada também. Os sentimentos se misturam e entrelaçam e a estão fazendo enlouquecer! Em contrapartida, os garotos corvos também estão todos muito preocupados com a mãe dela e cada dia mais desesperados por encontrar Glendower, pois todos eles sentem que algo grande e muito ruim está pairando ao seu redor. 

Eles não estão errados. Chegam à pequena cidade de Henrietta o casal Greenmantle, formado por Colin e Piper. O primeiro era o “chefe” do Senhor Cinzento e foi ele o mandante da morte do pai de Ronan. Ele se torna professor de latim na Academia Aglionby. Piper, parece ser uma típica socialite cabeça de vento, loura e padrão, mas, minhas amigas, essa mulher é um PE-RI-GO! Obviamente, esses dois vão inaugurar um triplex de preocupação e revolta na cabeça dos nossos corvos. 

Em meio às buscas pela mãe de Blue e pelo túmulo de Glendower, o grupo se depara com uma profecia na qual existem três adormecidos, um que deve ser acordado, um que não deve ser acordado e outro que não importa se acordar ou não. É assim que eles encontram, de modo até que bem fácil, um suposto túmulo do Rei Corvo, contudo, a pessoa na tumba é a filha de mais de 600 anos do cara, que ficou lá presa e ACORDADA esse tempo todo! A jovem é uma incógnita para todos, mas não parece ser de todo má… 

Quem é má mesmo é a Piper, socorro, que pessoinha mais sem noção e insuportável! Ai, gente, li o livro todo colocando a cara da Blake Lively nessa personagem… Enfim, uma coisa que percebi lendo de forma meio que contínua a Saga dos Garotos Corvos, é que não acontece muita coisa na narrativa, sabe? A Maggie Stiefvater tem essa capacidade única de escrever um livro no qual quase nada acontece, até 70% da história, mas você continua preso à leitura porque quer saber o que vai acontecer com os personagens, o que eles estão fazendo, pensando, é bem estranho. Dessa vez, contudo, não gostei tanto dessa leitura e achei que a narrativa foi parada demais. É lógico que lerei o final, até porque quero muito saber se eles encontrarão o Glendower e se Ronan vai se declarar para o Adam… Só que não estou mais com aquela empolgação….


26 de maio de 2026
[EU ASSISTI] AGATHA DESDE SEMPRE




Você aí, millennial, lembra quando a gente era criança e assistia filmes na televisão como Abracadabra, Halloweentown, Jovens Bruxas ou séries como Os feiticeiros de Waverly Place ou As visões da Raven? Pois é, eu não esperava, mas Agatha desde sempre, uma série do Universo Marvel, tem essa pegada e, mais incrível ainda, eu gostei! 

A última produção da Marvel que assisti, antes de Agatha desde sempre, foi Eternos, e eu detestei. Eita, filme chato da gota! Por isso não dei atenção a nenhum outro trabalho do estúdio, passei batido por Loki e WandaVision, apesar de saber que muito provavelmente gostaria dessas obras, só que não estava com tempo para me arriscar.

Como dito acima, Agatha desde sempre tem muito essa atmosfera de obra televisiva do começo dos Anos 2000, chegando a ser até bastante cartunesca e exagerada em alguns vários pontos, credito isso ao fato de que, ao meu ver, todo mundo na produção estava se divertindo muito com esse trabalho! É visível o quando a atriz que interpreta a personagem-título, Kathryn Hahn se diverte com esse papel e os demais membros do elenco não ficam atrás. As atuações são canastronas? São. Mas tem a Patti LuPone, gente! Como não gostar? 

Agatha desde sempre começa algum tempo depois do final de Doutor Estranho e o Multiverso da Loucura, pois, Wanda Maximoff é tida como morta e descobrimos (no caso eu né, porque quem viu WandaVision já sabia) que ela amaldiçoou a infame bruxa matadora de bruxas, Agatha Harkness, a viver em uma realidade alternativa dentro de sua cabeça, sem nunca se dar conta disso. A nossa anti-heroína é salva, porém, por um garoto, interpretado pelo querido Joe Locke (o Charlie de Heartstopper) que é um jovem bruxo, sedento por poder e vai ao encontro dela porque quer encontrar O caminho das bruxas e ele sabe que ela foi a única a completar os desafios e sair de lá com vida. 

No começo, Agatha não quer ajudá-lo, porém, ela fica intrigada com o fato de o garoto ter um sigilo que impede qualquer bruxa de saber seu nome e origem, logo, ela lhe diz precisar de um coven e lá vão eles atrás de outras bruxas. O coven é formado, entretanto, durante o ritual, o qual nos apresenta a icônica música The ballad of the witches’ road, sete bruxas de Salém, descendentes das originais que, nesse multiverso, foram mortas pela Agatha, a encontram e querem vingança. O portal para o caminho se abre e todas entram, sem pensar muito, para se salvar da ameaça. 

Dentro do caminho, que é muito bonito e completamente construído com efeitos práticos, tudo lá está ali de verdade, zero CGI, as bruxas e o garoto devem passar por algumas provas de aptidão de suas práticas mágicas, até chegar ao final do caminho onde receberão aquilo que mais querem. 

Eu, como fã da Feiticeira Escarlate, já sabia mais ou menos onde esse Caminho das Bruxas ia dar e como ele surgiu, mas ver isso em tela foi mágico! Agatha desde sempre tem uma carinha de produção de baixo-orçamento dos anos 2000 e as atrizes estão bem overacting, mas não sei, a série me cativou e por mais vergonha alheia que eu sentisse com as caretas e gargalhadas de Kathryn Hahn, eu adorei a experiência de assistir a essa produção e me diverti muito durante os dois dias que levei para vê-la, afinal, são apenas 9 episódios e alguns deles têm duração de sitcom. 

Enfim, Agatha desde sempre é uma série bonita, com uma vibe Abracadabra e Jovens Bruxas que me deixou nostálgica e  me fez passar pano para várias coisas que achei cringe, mas dane-se, a produção é boa, é bem feita, a história é divertida e te prende do início ao fim, The ballad of the witches’ road é um hino divônico e eu espero que tenha uma segunda temporada, ou uma série específica do garoto, pois, ele promete, só digo isso. 

19 de maio de 2026
LADRÕES DE SONHOS, de Maggie Stiefvater




Pois bem, não me aguentei e deixei todas as outras leituras de lado para dar atenção ao segundo volume da tetralogia de Maggie Stiefvater: Ladrões de sonhos. Já posso dizer que, se o volume anterior já foi cheio de aventura, esse, querides, é cheio de aventuras e de perigos também! 

Ladrões de sonhos começa alguns meses após o final do primeiro livro, ou seja, a Linha Ley foi despertada pelo sacrifício de um dos garotos e Ronan revela um segredo surpreendente: ele pode retirar coisas de seus sonhos! Inclusive, seu corvo de estimação, Motosserra, foi retirado de um deles. 

Se existiam pessoas inescrupulosas atrás de Glendower, obviamente, existem também aquelas atrás do que vão chamar de “Greywaren”, que elas não sabem o que é, mas sabem o que faz: materializa sonhos… 

Ao longo de Ladrões de sonhos, vamos nos aprofundar mais na história de vida de Ronan e entender porque ele é um cara chato para cassete e super violento. Para mim, independente de tudo o que ele passou, não justifico suas ações irracíveis e mesmo depois de saber que ele é do Vale, ainda assim, não gosto dele, como disse, o cara é chato para cassete! 

Além de desenvolvê-lo bem, Maggie Stiefvater também dará um pouco mais de atenção ao triângulo amoroso Adam-Blue-Gansey e dá um desfecho, por hora, satisfatório para eles, afinal, existem coisas muito mais importantes acontecendo e assassinos estão à espreita atrás deles. 

Como o segundo volume de uma série, Ladrões de sonhos cumpre seu papel muito bem ao introduzir um novo conceito, uma nova busca/ferramenta para os protagonistas e desenvolver um pouco mais suas relações. O final, mais uma vez, é chocante. Maggie Stiefvater faz a gente de trouxa ao jogar na nossa cara mais uma informação bombástica e você fica com a sensação de “preciso ler o próximo livro logo!” Vou tentar me segurar, já que tenho outras três leituras em andamento no momento e também quero muito concluí-las. Estou encantada por essa série e muito feliz por ter encontrado mais um YA recentemente que me entreteu e não feriu nenhum direito humano ou romantizou situações/relacionamentos abusivos. 


21 de abril de 2026
[ANIMA] SANGUE DE ZEUS - todas as temporadas



Uma das minhas maiores paixões literárias, além de contos de fadas e suas releituras, é claro, é mitologia. Gente, como eu gosto de ler sobre mitologias! Comecei esse interesse na adolescência, com a grega e romana, depois passei para nórdica, celta, indígena, africana, asiática e por aí vai. Logicamente, uma série animada sobre esse assunto não passaria despercebida e já vou avisando que vou rasgar muita seda para Sangue de Zeus e darei muitos spoilers

Meu primeiro contato com essa obra foi através de um shorts no YouTube. Estava eu passando pelos vários vídeos curtinhos, quando me deparo com uma cena tocante de despedida entre Hades e Perséfone, para quem não conhece o mito original, Hades, senhor do Submundo, sequestra Coré, deusa da Primavera, filha de sua irmã de sua irmã, Deméter (sim, os deuses gregos eram bem incestuosos, tanto é que Coré é filha de Zeus com Deméter, ambos irmãos), por causa disso, a deusa fica devastada e começa a devastar a Terra também, para aplacar sua ira fica decidido que Coré, agora Perséfone, ficará seis meses no Hades (período do Outono e Inverno) e seis meses na superfície (período da Primavera e do Verão). Aquele shorts de Sangue de Zeus subverteu o mito de uma maneira tão instigante que não me contive e decidi assisti-lo, mas essa cena só aparece na segunda temporada hahahaha. 

Na primeira temporada de Sangue de Zeus, somos apresentados a Heron, o nosso herói. Um rapaz humilde que vive em situação de miséria ao lado de sua mãe, Electra, e um velho. Eles são rejeitados pela comunidade local, pois, após a chegada de Electra com seu bebê de colo e nenhum marido, todo o vale foi coberto por nuvens espessas, impedindo a passagem da luz do sol, o que fez os aldeões acreditarem ser ela uma feiticeira e seu filho um bastardo. 

Na verdade, ao longo dessa primeira temporada de Sangue de Zeus, descobrimos que Electra teve um caso com o Senhor do Olimpo e deu à luz a gêmeos, contudo, ela já era casada e um dos filhos era do marido. Zeus salva a vida dela e de sua criança escondendo-os no vale, até porque ele tem um medo mortal da esposa, Hera. Mas, a outra criança ele não salva, pois queria Electra apenas para si a para seu filho. Anos passam, e o outro garoto se torna o vilão desse primeiro arco, Serafim, um demônio, criado pelo sangue de um titã, ou seja, um inimigo dos deuses do Olimpo. Nessa primeira temporada, vemos Heron aprendendo o que é ser filho de um deus e se ressentido muito por seu pai ter feito o que fez com sua mãe; ele também descobre como os deuses são egoístas e caprichosos, no sentido, de serem mesquinhos mesmo, o que o faz nutrir muito rancor contra eles, contudo, ele é um herói, por isso sempre faz o que é certo, e o certo aqui é destruir os demônios que ameaçam as vidas das pessoas. 

Na segunda temporada, a que eu estava esperando, Heron está aprendendo a ser um semideus ao lado de seus meios-irmãos outros bastardos de Zeus. Enquanto isso, no Submundo, Hades e Perséfone arquitetam um plano para destronar Zeus e Hera para que possam eles mesmos se tornarem os Senhores dos Céus, podendo assim ficar juntos sem a restrição dos seis meses, para isso, eles precisarão da ajuda de Serafim, pois, seu plano depende do sangue dos gigantes… Gostei bastante dessa temporada de Sangue de Zeus, achei bem eletrizante mesmo como eles introduzem as figuras dos gigantes e o desenrolar da guerra entre os Olimpianos e eles me pegou de surpresa. 

Logo em seguida, já engatei na terceira temporada e aqui temos o final do arco de Heron e Serafim e todo o aprendizado dos dois. Por causa dos últimos acontecimentos que culminaram em um desastre bem grande, a deusa Gaia decide vingar-se dos olimpianos por suas corrupções e permite que Cronos se liberte. A partir daí é um "Zeus nos acuda"! Cronos está com sangue nos olhos, liberta todos os titãs e decide que vai acabar com os deuses do Olimpo um por um, enquanto isso, Serafim quer apenas uma coisa: libertar sua outrora amada da condenação de viver em um limbo sem poder entrar no submundo, para isso, ele contará com a ajuda de Heron e vemos como os irmãos amadurecem e deixam seus ressentimentos de lado para enfim, alcançarem a justiça. 

Eu devorei Sangue de Zeus tal como Cronos devorou todos os seus filhos na mitologia grega! Mas já aviso que essa série é muito sanguinária, tem muita, muita violência, é sangue e tripas voando para todo lado, logo, não assista comendo. No mais, gostei do modo como os roteiristas caracterizam os deuses gregos, como criaturas com poderes sobre-humanos, mas essencialmente muito humanas em suas atitudes e personalidades. Achei tudo bem verossímil e gostei do final dos irmãos, só senti falta de ver o Serafim com a amada dele, Gorgor, mas entendi que naquele momento ele precisava pedir perdão à mãe por tudo o que fez.



7 de abril de 2026
[ANIMA] Heaven Official 's Blessing




Animação chinesa lançada pela Netflix no começo de abril de 2021, Heaven Official 's Blessing conta com duas temporadas; neste post vou falar apenas da primeira, que tem 12 episódios e um especial. 

Em Heaven Official‘s Blessing acompanhamos as aventuras do príncipe herdeiro Xie Lian que, em vida, foi muito querido por seus súditos, logo, após uma morte prematura, ele ascende ao Reino Celestial, contudo, não tem muita sorte nisso e acaba sendo banido de lá duas vezes. 

Mesmo assim, Xie Lian consegue ascender uma terceira vez, já criando confusão de novo… Por isso é designado à tarefa de ser um Oficial Celestial na Terra para resolver problemas relacionados à fantasmas, demônios etc. 

Essa primeira temporada de Heaven Official 's Blessing tem dois arcos; No primeiro, Xie Lian deve enfrentar um fantasma que está matando jovens noivas. É aqui que ele conhece Hua Cheng, um rei fantasma extremamente poderoso e interessado no príncipe herdeiro. Eles continuam a jornada juntos e  ajudando um ao outro, eles acabam por se apaixonar e vemos cenas de carinho muito bonitas e delicadas entre eles. 

Heaven Official 's Blessing é uma animação muito bonita, mas, verdade seja dita: é muito difícil distinguir os celestiais uns dos outros! Isso porque o traço é idêntico! Outro ponto complicado é a questão da cultura chinesa em relação à vida pós-morte, que pode ser bem confusa para quem não conhece nada sobre o assunto. 

Em suma, gostei muito dessa primeira temporada de Heaven Official 's Blessing e apesar de não estar mais disponível na Netflix por aqui, você pode assistir a essa animação facilmente na Crunchyroll, vai valer a pena!




31 de março de 2026
A BIBLIOTECA INVISÍVEL, DE GENEVIEVE COGMAN


 

Vamos testar agora a minha memória, que já não é mais a mesma de antes, falando sobre um livro cuja leitura conclui há algum tempo… A Biblioteca Invisível, de Genevieve Cogman, que longe de ser uma história chata, ou enfadonha, só não ganhou um lugar aqui antes porque ano passado estive muito sobrecarregada com o trabalho. 

Nesse livro, Genevieve Cogman nos apresenta a um mundo, ou melhor, a vários mundos onde a magia existe, ou não; em maior ou em menor escala e em todos eles há livros: os mais diferentes, controversos e perigosos exemplares e cabe à Biblioteca Invisível a função de reunir e proteger todos eles. 

Conhecemos, então, Irene, nossa protagonista e bibliotecária júnior; nessa função, a jovem deve cumprir missões entrando de maneira furtiva em outros mundos e “conseguindo”, do modo mais conveniente e rápido possível, o livro solicitado por A Biblioteca Invisível, entretanto, o que a moça quer mesmo é tornar-se pesquisadora e deixar as aventuras de lado. 

Assim que retorna de uma missão, LITERALMENTE, ela é enviada para outra! Não dá tempo nem de ir ao banheiro! (hahahahaha, coitada!) Dessa vez, em um mundo onde magia e ciência caminham lado a lado, em uma Londres Vitoriana e steampunk. Lá, com a ajuda de seu mais novo assistente, Kai, nossa bibliotecária deve capturar uma versão de um livro dos Irmãos Grimm, sobre a qual ninguém quer dar detalhes, mas que com certeza é muito importante. 

Nesse mundo, Irene e Kai se vêem rodeados por intrigas, roubos e sociedades secretas, além de terem a ameaça adicional de Alberich, um ex-bibliotecário que uniu-se às forças do Caos e que também está atrás do livro e não medirá esforços, nem crueldades para consegui-lo. 

A obra de Genevieve Cogman foi uma grata surpresa para mim, pois não se trata apenas de um livro de capa bonita e só. A Biblioteca Invisível é uma leitura instigante e divertida na qual, felizmente, o foco da protagonista está todo voltado para o sucesso de sua missão e não sobre romance, inclusive, Irene rejeita as investidas de Kai, por acreditar que isso poderia comprometer o trabalho deles. 

Ainda bem que Genevieve Cogman nos entrega uma narrativa divertida, repleta de aventuras e mistérios, com uma protagonista feminina bem construída e nos deixa ansiosos para conhecer mais sobre os diversos mundos e para acompanhar Irene em cada etapa de sua fascinante jornada! 


17 de março de 2026
OS GAROTOS CORVOS, DE Maggie Stiefvater

 



Sabe aquele tipo de livro que você bate o olho, lê a sinopse e tem a certeza de que vai gostar da história? Mas por algum motivo estranho, sempre protela a leitura? Pois bem, esse é o caso de Os garotos corvos para mim! Há anos olho para a capa desse livro e penso “um dia vou lê-lo” e, finalmente, esse dia chegou e minha intuição estava certa: amei a história criada por Maggie Stiefvater e é claro que já adquiri os demais volumes! 

Em Os garotos corvos a autora faz uso de um recurso narrativo semelhante ao usado pelas autoras de Bruxaria, ao contrário delas, porém, Maggie Stiefvater o faz de maneira muito respeitosa e verossimilhante, pois aqui o mote da história é conduzido pelas Linhas de Ley e seu suposto (no volume confirmado) poder enérgico e místico e como as localidades por onde elas passam são muito influenciadas por sua magia. 

Maggie Stiefvater começa a história nos apresentado a Blue Sargent, uma adolescente de 16 anos que tem uma vida bem incomum. Apesar de morar na pacata cidade de Henrietta, Virginia, Blue vem de uma extensa linhagem de médiuns, sendo sua mãe uma cartomante, sua tia uma médium pop com um programa na TV e as melhores amigas de sua mãe também sendo médiuns, logo, nossa protagonista não se encaixa muito bem na sociedade moralista de onde mora e acaba não tendo muitos amigos, ou melhor, nenhum amigo. Ademais, a casa de Blue é uma grande e acolhedora confusão feminina, com sua mãe, as amigas dela, sua prima Orla, a própria Blue e, posteriormente, sua misteriosa tia; assim, a menina passa anos sem se importar muito com o fato de ser uma outsider, afinal, já tem bastante amor e companheirismo em sua vida com as mulheres que a cercam, contudo, há algo que intriga e irrita Blue ao mesmo tempo: Os garotos corvos

Richard Gansey, ou só Gansey, como ele prefere, é nosso outro adolescente protagonista, mas, diferente de Blue, ele é muito popular, o típico garoto boa praça que fala com todo mundo e é bem quisto por todos, além de ser podre de rico. O garoto é tão rico que acaba sendo um pouco sem noção para as outras pessoas, meros mortais, que não têm os mesmos privilégios que só muito dinheiro pode proporcionar e que para Gansey são absurdamente normais e corriqueiros. Como não poderia deixar de ser, ele é um dOs garotos corvos, afinal, esse é um apelido dado a todos os estudantes da Escola para garotos Aglionby, uma instituição de elite onde só estudam os mais ricos e abastados, ou garotos pobres muito, muito inteligentes e esforçados. 


Mas como essas duas pessoas tão diferentes têm seus destinos interligados? 


Todos os anos, na noite da Véspera do Dia de São Marcos, Blue e sua mãe vão até o terreno de uma antiga igreja abandonada da cidade a fim de observar uma espécie de “procissão das almas” que passa por um caminho específico que é uma Linha de Ley. Nessa noite em específico, algo muito estranho acontece, porque, mesmo vindo de uma linhagem de médiuns, Blue nunca apresentou mediunidade, ela “apenas” consegue aumentar os poderes paranormais de outras pessoas, mas nessa noite ela consegue ver uma alma, a de Gansey, e isso é muito preocupante já que desde os seus 5 anos a garota é assombrada por uma profecia que diz que ela vai matar ou ser responsável pela morte de seu verdadeiro amor se o beijar e, segundo sua tia, só há duas explicações para um não médium ver uma alma na Véspera do Dia de São Marcos: ou você vai matá-la, ou ela é o seu grande amor. 

Gansey, por acaso, está muito envolvido com questões paranormais já que ele é um caçador de Linhas de Ley e por esse motivo está em Henrietta. Ele busca comprovar que a lenda do rei galês “Glendower” é real e pretende lhe fazer um pedido quando encontrar seu túmulo e despertá-lo. Obviamente, ele não está sozinho, contando com a ajuda de seus amigos: o esquentadinho, Ronan; o certinho, Adam e o esquecível, Noah. Esses são Os garotos corvos do título e eles vão contar com a ajuda de Blue para tentar encontrar esse “Santo Graal”, eles só não sabem que existem outras pessoas bem inescrupulosas que também estão atrás de ter seus desejos realizados e serão capazes de qualquer coisa para isso. 

Eu simplesmente amei cada minuto dessa leitura! Imaginava que iria gostar dessa história, só não imaginava que ficaria tão fascinada pela escrita de Maggie Stiefvater! Comecei a leitura sem grandes expectativas e terminei totalmente deslumbrada e ansiosa para continuar com o próximo volume. Se você gosta de narrativas de fantasia urbana, uma leve pitada de romance adolescente, personagens cativantes, mistérios e plot twists, com certeza Os garotos corvos é a leitura perfeita para você! É entretenimento de qualidade em todos os capítulos! 


24 de fevereiro de 2026
[ANIMA] MY DRESS-UP DARLING



No ano passado, comecei a assistir muitos animes e a ler muitos mangás e acabei pegando, no Instagram, a recomendação de My Dress-Up Darling e resolvi dar uma chance para essa história. 

Em My Dress-Up Darling, conhecemos Wakana Gojo, um garoto do Ensino Médio com aquele mesmo perfil de sempre: super tímido, sem amigos, sofria bullying na infância, por causa disso na adolescência é solitário… O diferencial dele é ser um artista. Gojo trabalha na loja de seu avô criando bonecas Hina, uma arte muito antiga e respeitada no país e muito linda também. O problema é que além de não ter amigos, o rapaz acredita não ter muito talento para o ofício de artesão, apesar de ser completamente apaixonado pelas bonecas desde a infância, sendo este o motivo de todo o bullying do qual foi alvo. 

Conhecemos também Marin Kitagawa, adivinhem? O total oposto dele! Ela é super popular, cheia de amigas e admiradores, linda, confiante e muito estilosa. Os caminhos desses dois se cruzam porque Marin descobre que Gojo sabe costurar e ela quer se tornar uma cosplayer e, apesar da timidez, ele decide ajudá-la a realizar seu sonho e é assim que My Dress-Up Darling começa. 

Essa história poderia ser só mais um anime shoujo padrão, mas, My Dress-Up Darling tem um conteúdo bem sugestivo, porque os cosplays que Marin quer fazer são, em sua maioria, de jogos pornográficos, isso mesmo, não são nem eróticos, são pornôs mesmo, e isso é falado de forma bem natural por ela no anime, algo que achei até inovador. O problema é que os corpos femininos são muito objetificados aqui, o que incomoda bastante e o modo como Marin fala também é muito sugestivo e incômodo. 

Aparentemente, a futura história de amor entre Marin e Gojo será fofinha e tudo o mais, só que a objetificação de corpos femininos do anime não me deixou muito entusiasmada para assistir a uma próxima temporada de My Dress-Up Darling, ou mesmo para procurar pelos mangás, mas esses personagens formam um casal muito lindinho, isso não posso negar.  




3 de fevereiro de 2026
HERDEIRO DE SEVENWATERS, de Juliet Marillier



Ah! Como é bom continuar a leitura da Saga de Sevenwaters, de Juliet Marillier! A sensação para mim é de estar voltando para casa depois de um longo, longo afastamento. Em Herdeiro de Sevenwaters somos transportados mais uma vez para a densa e misteriosa floresta, agora, cheia de intrigas e perigos. 

A história de Herdeiro de Sevenwaters se passa alguns anos após os acontecimentos de Filha da Profecia. Aqui, vamos acompanhar Clodagh, terceira filha de Lorde Sean e Lady Aisling. A jovem é encarregada de cuidar do forte e das demais irmãs e da mãe que está grávida e esta é uma gravidez que gera grande ansiedade em todos, pois Aisling não é mais tão jovem e acredita piamente que após seis filhas, terá um menino, o Herdeiro de Sevenwaters

É durante o casamento de sua irmã gêmea que Clodagh conhece os amigos Aidan e Cathal, dois jovens guerreiros do grupo de seu primo. Ela se encanta pelas maneiras gentis do primeiro e se irrita e ao mesmo tempo fica intrigada com as maneiras rudes e não muito sociáveis do segundo. Após as festividades, sua mãe dá à luz a um menino forte e saudável, cujo nome será Finbar, todos ficam felizes pois mãe e filho estão bem, contudo, essa alegria não dura muito tempo: um dos territórios de Sevenwaters é atacado e muitas pessoas morrem e, sob a proteção de Clodagh, o bebê Finbar é sequestrado e, em seu lugar é deixado um changeling, que para todos parece apenas um boneco de galhos e folhas, sendo nossa protagonista a única que pode vê-lo como um ser vivo real que respira e chora. 

A partir deste ponto, sentindo-se muito culpada e confusa, Clodagh decide iniciar sua jornada para o Outro Mundo a fim de resgatar o irmão, inesperadamente, porém, ela encontra Cathal no meio do caminho, o mesmo havia fugido sem deixar qualquer explicação e agora é um suspeito de todos os crimes ocorridos em Sevenwaters, mas o rapaz misterioso deixa claro que ficará ao lado dela e a protegerá custe o que custar. 

Em Herdeiro de Sevenwaters descobrimos que os Seres da Floresta já não são mais governados por criaturas benevolentes, mas sim pelo sádico Mac Dara, responsável pela troca dos bebês. Ninguém entende o porquê dele ter feito isso, mas uma coisa é certa: Cathal está realmente envolvido nesse mistério… 

Como dito antes, é muito bom voltar a essa narrativa, a esses personagens! A escrita de Juliet Marillier me é muito querida! Não existe um único livro dela que eu não tenha gostado e, inclusive, estou devendo as resenhas de alguns deles (um dia organizo bem direitinho essa saga por aqui). Acompanhar a aventura de Clodagh, uma garota bem comum, pelo Outro Mundo e o modo como ela se descobre uma excelente estrategista é muito envolvente e divertido, sério, não conseguia parar de ler esse livro! Herdeiro de Sevenwaters é uma leitura fluida e muito cativante, com certeza, ao lado de Filho das Sombras, é uma de minhas histórias favoritas dessa autora. 


20 de janeiro de 2026
[EU ASSISTI] THE WITCHER: SEREIAS DAS PROFUNDEZAS

 


Essa animação é um ótimo exemplo de quando você assiste algo não esperando nada e termina recebendo tudo e mais um pouco! Às sextas-feiras, para minha grande felicidade, saio do trabalho bem mais cedo e consigo aproveitar um pouco da tarde descansando ou fazendo qualquer outra coisa que não seja trabalhar. Em uma dessas sextas, estava comendo um lanchinho e decidi zapear na Netflix para ver se tinha algo legal que me interessasse e acabei caindo direto em The Witcher: sereias das profundezas! Como eu assisti à Lenda do Lobo e gostei bastante, dei play pensando que assistiria a essa animação apenas enquanto comia e depois a terminaria ao longo do final de semana, que nada! Fiquei vidrada na história e nem vi o tempo passar de tão boa que foi! 

The Witcher: sereias das profundezas faz uma releitura “dark” do famoso conto de Hans Christian Andersen, A pequena sereia. Aqui, começamos a história acompanhando Gerald em uma de suas aventuras, acompanhado do bardo Jaskier, eles vão até uma cidade costeira para destruir um monstro que está atacando os marinheiros, contudo, ao chegar lá, Gerald constata que a verdadeira ameaça não são as criaturas que vivem no mar, mas sim os seres humanos que estão destruindo seu habitat com uma falta de respeito atroz bem típica nossa… 

Se você já assistiu ou jogou The Witcher sabe que os humanos nesse universo detestam feéricos, elfos e qualquer criatura diferente, ou seja, com os sereianos não poderia ser diferente! Mas o negócio fica muito mais complicado porque o príncipe herdeiro do reino onde Gerald e Jaskier se encontram está apaixonado pela princesa herdeira dos sereianos e os pais de ambos não estão gostando nem um pouquinho dessa história… Para piorar, a nossa “pequena sereia” também tem uma tia sacana que vai tentar de aproveitar dessa situação a todo custo para conseguir poder… 

Como fazia muito, mas muito tempo que não tinha contato com esse universo, confesso que a narrativa de The Witcher: sereias das profundezas me surpreendeu muito! Fiquei completamente encantada pela história em cada detalhe, desde o desenvolvimento até o desfecho maravilhoso e sugestivo que ela tem. Além disso, ô desenho bonito, viu! Nossa, eu sou apaixonada por produções que mostram o oceano, mas essa é um desbunde! Linda demais e como já disse, é uma releitura dark de um conto de fadas muito querido, logo, vale muito a pena mesmo assistir. 



15 de janeiro de 2026
O Ladrão de Raios

 Olá, pessoal! Samu aqui!





Entrei em uma leitura coletiva da série Percy Jackson e os Olimpianos, por isso a resenha de hoje é o primeiro livro: O Ladrão de Raios. Eu já tinha uma noçãozinha de como era a história por causa do filme, sabe? Não cheguei a assisti-lo, mas já aconteceu de eu passar na frente da TV enquanto alguém assistia, daí peguei alguns spoilers. Em todo caso, acho que isso não chegou a comprometer a leitura.


Então vamos lá! O livro é narrado em primeira pessoa (coisa que não gosto) e nosso narrador é o Percy Jackson, um menino de 12 anos (guarde isso: 12 anos). Ele mora com a mãe, uma mulher super legal, e com o padrasto, um cara podre de podre. Contudo, desde criança… digo, desde mais novo, Percy sempre estudou em colégios internos daqueles que o condenadinho mora na escola e só volta para casa nas férias. Ou seja, apesar de amar muito a mãe, o Percy está meio que acostumado a ficar meses e meses longe dela.


A vida do nosso herói é um tanto complicada, pois vira e mexe acontece uns bagulhos inexplicáveis (tipo o Harry Potter antes de conhecer Hogwarts, sabe? Os primeiros capítulos da história são bem nessa vibe). O fato é que todo ano acontece alguma parada sem sentido que vira motivo para o Percy ser expulso da escola, sendo assim agora ele está na sexta série e essa é a sexta escola que frequenta. Nesse início do livro nós leitores somos apresentados aos personagens e aos mistérios que cercam o protagonista, como por exemplo o porquê de a professora de Geometria ter explodido no meio da excursão ao museu ou por que a caneta emprestada do professor de História se transformou em uma espada.


Após esses capítulos iniciais e uma cena de perseguição das mais eletrizantes envolvendo um minotauro brabíssimo, Percy chega em um acampamento bem diferentão e lá ele descobre uma coisa arrebatadora: os deuses gregos que Percy estudou tanto na escola são reais! Sendo assim, o lugar onde ele está agora, conhecido como Acampamento Meio-sangue, trata-se de um refúgio para os filhos dos deuses, visando protegê-los da ameaça dos monstros do Hades. Pois é, nosso herói mirim (de 12 anos) é um semideus. Sendo assim, após uns 30% da história, Percy recebe uma missão bem importante: acontece que Zeus, o deus dos deuses, teve o raio roubado e caberá a Percy Jackson resolver esse problema.


Confesso que daí pra frente o livro ficou meio chatinho, pois tudo virou uma road trip pelas cidades do Estados Unidos. Percy se junta com seus amigos Grover e Annabeth e esse trio parada dura inicia uma viagem passando por Nova York, Las Vegas, Los Angeles e por aí vai. Como eu não curto muito esse tipo de road trip, achei a parte mais fraquinha da história. Contudo, o final é bem legal! Vai aparecer o Hades e o Olimpo, e a resolução de tudo é muito empolgante com direito a várias cenas de ação e aventura.


Existem alguns pontos que achei forçado, sabe? Por exemplo, é difícil imaginar um garotinho da idade de Percy fazer a maioria das coisas que ele faz (e aqui estou falando de matar monstros de 2 metros de altura na base da porrada). Apesar de nosso herói não estar sozinho, muitas vezes as cenas ficam difíceis de engolir por causa dessa questão da idade dos personagens. Se eles fossem uns 3 ou 4 anos mais velhos, quem sabe as coisas ficassem mais verossímeis, né? De qualquer modo, eu gostei da história e pretendo continuar com a leitura da saga.


30 de dezembro de 2025
[EU ASSISTI] OVOS VERDES COM PRESUNTO

 



    Sabe aquele tipo de série que já te cativa na abertura? Pois é, foi essa a sensação com a muito divertida e super maluca, Ovos verdes com presunto, série animada da Netflix, adaptação de um livro do incrível Doctor Seuss

    Pode ser um pouco repetitivo eu falar sempre de produções da Netflix, mas sou assinante, então, preciso aproveitar o que ela tem a oferecer. A inflação chegou até nos streamings, minha gente, tá uma loucura! 

    E falando em loucura, isso define bem as adaptações dos textos do icônico Doctor Seuss, visto que O Grinch, um dos meus filmes de Natal favoritos, tem essa mesma pegada de rimas, um pouco de loucura, muitos absurdos e diversão garantida. 

    Ovos verdes e presunto começa com o sequestro de um animal raro do zoológico de Gorfolândia: a Galirafa. Enquanto todos os jornais noticiam isso, somos apresentados a João Sei-Não, um inventor mal sucedido que vê sua última tentativa de participar da importante Snerzfeira ser frustrada. Humilhado, ele vai a uma lanchonete comer e acaba conhecendo o simpático e irritante Romeu Sou-Eu. Eles conversam um pouco e distraídos acabam trocando suas malas e é a partir daí que toda a aventura começa, pois quem roubou a galirafa foi Romeu! E João vai descobrir isso da pior maneira...

    No dia seguinte, ele tenta devolver o animal, mas é supreendido por uma dupla mal encarada que se auto-intitula "Os malvados", sem saída, João e Romeu fogem juntos e se unem para levar a galirafa de volta a seu habitat natural. Paralelamente a isso, conhecemos Michelle, uma mãe sufocante e super protetora e sua filha, E.B., uma menina com sede de aventura. Não me perguntem como, mas elas vão entrar nessa confusão também. 

    Ao longo dos 13 episódios de Ovos verdes com presunto percebemos a evolução dessas personagens e ficamos cativados por causa de todas as trapalhadas nas quais elas se metem. Para incentivar ainda mais nossa curiosidade, cada episódio termina com um cliffhanger e com o último não poderia ser diferente! Deixando um gancho e tanto para a segunda temporada. 

    Ovos verdes e presunto traz uma história simples e bem pensada em todos os detalhes, tornando-se única. Apesar de conhecer a escrita de Doctor Seuss estou chocada com a criatividade dessa produção até agora! Essa é o tipo de série animada que vai agradar a todos os públicos com certeza! 

Então é isso, minha gente! Feliz Ano Novo e que 2026 traga muitas realizações para todos nós! 


23 de dezembro de 2025
KRAMPUS

 O SENHOR DO YULE




As mitologias pagãs são muito ricas e interessantes. A relação dos seres humanos com a terra e seus recursos era de muito respeito e reverência no período pré-cristão, o que vemos depois disso, foi a humanidade enxergando a terra e seus recursos como algo de direito, que pode ser usada e abusada porque esta foi “dada” aos homens por Deus… O artista multitalentoso, Brom, inspirado pela curiosidade de sua esposa, descobriu uma antiga entidade que punia os maus e presenteava os bons, além de ajudar a espalhar a vida após os longos e duros meses de inverno, esse é Krampus, o senhor do Yule

Para aqueles que não sabem, não, o Natal não é o “aniversário” de Jesus, não mesmo. Na verdade, historicamente, o Natal é uma versão cristianizada de uma celebração pagã chamada Yule, na qual até hoje pagãos celebram como o solstício de inverno, momento no qual o frio do inverno dá lugar à luz e a esperança da primavera vindoura. 

Em Krampus, o senhor do Yule, vamos acompanhar a luta da personagem-título a fim de desmascarar e destronar o Papai Noel de seu reinado de mentiras e total desequilíbrio e desrespeito com a terra que nos nutre e protege. Ao lado de seus seguidores, os belsnickels, ele vai fazer de tudo para trazer de volta a tradição do Yuletide e acabar com a palhaçada criada por seu inimigo, obviamente, isso não será nada fácil... 

Além de Krampus, o senhor do Yule, acompanhamos também o protagonista Jesse, um músico fracassado, que não acredita em si mesmo, acabou de perder a esposa por causa disso, está morando em um trailer, sem emprego, sem dinheiro, sem moral, sem nada, seu desespero é tamanho que ele atenta contra a própria vida, mas, no último minuto, desiste e vê uma cena que vai mudar a sua vida para sempre: um homem "fantasiado" de Papai Noel corre e tem em seu encalço algumas figuras demoníacas que tentam matá-lo a todo custo. No meio da confusão, o saco do Papai Noel acaba caindo dentro do trailer de Jesse e ele descobre ser este um objeto mágico e muito poderoso. 

A partir desse ponto, nosso protagonista vai entrar em um vórtice de problemas e mais problemas, pois, se a vida dele já estava acabada, adicione a isso um envolvimento com gângsteres, o fato de sua ex-esposa estar “namorando” com um policial corrupto tão perigoso quanto o chefe da máfia local, e uma entidade poderosa, Krampus, o senhor do Yule, estar atrás dele para pegar seu saco mágico de volta… 

Brom mostra ter feito uma pesquisa extensa sobre as mitologias que envolvem essas entidades (Krampus e Papai Noel) e ele criou sua própria versão, muito interessante e verossímil, é quase impossível largar esse livro, tudo é tão interessante, tanto a parte mitológica, sendo Krampus e Papai Noel entidades nórdicas advindas do Ragnarök, quanto a aventura de Jesse em busca de recuperar a sua família e encontrar a si mesmo. 

Krampus, o senhor do Yule, é um livro de mais de 400 páginas, mas que você lê muito rápido, tamanha a fluidez narrativa de Brom. A edição da DarkSide ficou muito linda e impactante: capa dura, com uma diagramação ótima e com ilustrações belíssimas e um pouco perturbadoras do autor que também é ilustrador. Com certeza, se você é do tipo que gosta de uma boa subversão de tradições, esse livro é para você! E um Feliz Natal/Yuletide para vocês e lembrem-se: sejam bons e deixem doces nos seus sapatos como oferenda para Krampus, pois, caso não o façam, o castigo será cruel…