Sou uma grande entusiasta do gênero ficção científica. Gosto muito mesmo. Esse é um ramo da fantasia que muito me interessa e sempre me faz ficar horas, dias, meses e até anos refletindo e discutindo sobre os temas das leituras, mas, infelizmente, algumas vezes, a ficção científica me decepciona. A primeira e única vez que isso tinha acontecido foi com A máquina diferencial (gosto muito mesmo de steampunk, menos nesse livro) e a segunda foi com O homem do Castelo Alto, de Philip K. Dick.
Essa leitura foi mais uma recomendação do canal Pipoca & Nanquim. Como já tinha a edição comemorativa de Blade Runner (aka Androides sonham com ovelhas elétricas?) um dos mais famosos títulos de Philip K. Dick, mas ainda não li, porque tudo a seu tempo… Gostei da resenha deles, vi que O homem do Castelo Alto estava no Kindle Unlimited (aka KU) e pensei, por que não? Pois é, por que né, Andréa?
Pois bem, caso você não saiba absolutamente nada sobre essa obra e tenha se assustado com o símbolo estampado em sua capa, lá vai: Philip K. Dick reimagina, nesse livro, os desdobramentos da Segunda Guerra Mundial, de modo que, nessa narrativa O Eixo venceu, e a Guerra Fria e a Corrida Espacial e toda a colonização e capitalismo selvagem ocorrem, só que Alemanha Nazist@ x Império do Japão, logo, ao invés de ser a Alemanha o país dividido entre E.U.A e União Soviética, vemos os E.U.A sendo divididos entre Alemanha e Japão. A história de O homem do Castelo Alto se passa na parte japonesa dos E.U.A e percebemos como estes aculturaram os norte-americanos quase que completamente, pois tudo o que é “norte-americano” é visto como “exótico”, objetos banais como um relógio de plástico do Mickey Mouse viram itens de colecionadores de arte e de antiguidades. É assim que conhecemos alguns dos personagens centrais da trama: Robert Childan, um vendedor desses artigos, nazista convicto, bem insuportável; Frank Frink, um metalúrgico que trabalha em uma fábrica que produz alguns dos “artigos autênticos” que o Sr. Childan e outros antiquários vendem, ele foi casado com Juliana, contudo, ela o largou e foi trabalhar como instrutora de judô; além disso, Frink é judeu e passou por algumas cirurgias plásticas e mudou de nome para fugir dos nazist@s, ele não tem pretensões na vida e consulta todos os dias o I-Ching (O livro das Mutações), um oráculo chinês, ele não faz NADA sem consultar esse livro antes. Conhecemos também o Sr. Tagomi, um oficial do Governo Japonês nos E.U.A que se vê metido em uma trama política bem interessante e mortal, cujo fim pode gerar uma reviravolta sem precedentes na Guerra Fria.
Mas você deve estar se perguntando, tá, e O homem do Castelo Alto? Quem é? Pois bem, é através de Juliana que sabemos quem é esse homem: ele é o autor de um livro chamado “O gafanhoto torna-se pesado”, o qual reimagina seu mundo como se o Eixo tivesse perdido a Segunda Guerra Mundial e os Aliados é que tivessem vencido e a Guerra Fria fosse entre E.U.A e União Soviética, genial, certo? Essa metalinguagem é realmente de encher os olhos e de nos fazer pensar bastante, uma pena que a execução da obra tenha deixado tanto a desejar.
Aos que leram e gostaram de O homem do Castelo Alto, um alerta: minha OPINIÃO PESSOAL vai ser bem impopular, já que eu definitivamente não gostei desse livro. Philip K. Dick construiu sua narrativa em 15 capítulos, os 9 primeiros são compostos por um grande “nada acontece, feijoada” os capítulo 10 a 13 são eletrizantes e cheios de reviravoltas nas conspirações políticas, o 14 nos faz ficar com a pulga atrás da orelha, pois faltam apenas dois capítulos para acabar a leitura e muita coisa precisa acontecer nesse curto espaço de tempo, e o capítulo 15 termina com um banho de água fria tosco que fez eu me sentir uma grande idiota, por isso eu não consegui gostar dessa história, fiquei bem decepcionada mesmo, então, vou soltar altos spoilers a partir de agora, se você ainda quiser ler esse livro, sugiro que não leia os próximos parágrafos.
**********ALERTA DE SPOILER*********
Vamos lá, Frank Frink é pego pelos nazi por culpa indireta do Sr. Childan, mas é solto, por um golpe do destino, pelo Sr. Tagomi que estava puto com os nazi; É isso, adeus personagem. O Sr. Tagomi se descobre dentro de um esquema de espionagem vindo de uma célula do partido que quer impedir que a outra jogue bombas de hidrogênio por todo o território japonês consolidando de vez a loucura nazi pelo extermínio; Ele mata um homem, tem um momento muito louco com uma joia feita pelo Frank Frink (que ele nem sabe que existe) e tem um vislumbre do mundo como nós conhecemos e fica bem, bem assustado, depois de um tempo acaba sofrendo uma parada cardíaca; Fim do personagem;
Juliana conhece um suposto italiano que depois se revela um espião nazi que tem como objetivo assassinar O homem do Castelo Alto, ela fazendo jus a etimologia da palavra fã, mata o cara e vai correndo até o escritor para lhe alertar sobre a conspiração e para lhe perguntar por que ele escreveu aquele livro: É uma “revelação”? Foi ele mesmo quem o escreveu ou foi consultando o I-Ching que ele teve essas “revelações”? O cara não responde nada com nada e o livro acaba assim. Eu achei péssimo. E você? Já leu O homem do Castelo Alto? Tem outras obras de Philip K. Dick para indicar que sejam menos negativamente surpreendentes?











