Fazia muitos anos desde que li A Revolução dos Bichos pela primeira vez, afinal, foi uma das leituras obrigatórias em minha graduação em Letras e eu já me formei há uns bons 10 anos. George Orwell já era um autor querido, visto que a primeira distopia que li foi 1984 e apesar de já conhecer a escrita dele eu não estava preparada para o que encontrei nesse livro e a releitura não deixou nem um pouco de me surpreender e horrorizar.
Em A Revolução dos Bichos, somos apresentados a uma narrativa na qual George Orwell alegoriza a criação da União Soviética; como no início as intenções de Lênin eram boas, mas, com sua morte, Stalin entrou no poder e estabeleceu um período de verdadeiro terror.
Na alegoria, tudo começa na Granja do Solar, em uma noite comum, o porco já idoso, Major, reúne os animais e lhes conta seu último sonho: ele via os animais vivendo livres, sendo donos de si, sem terem humanos controlando suas vidas e explorando seu trabalho. Pouco tempo depois, ele morre, mas a semente da revolução já havia sido plantada e os porcos Bola de Neve e Napoleão se unem aos demais animais da granja para expulsar os humanos e dar início a uma comunidade formada apenas por animais, onde o trabalho é compartilhado por todos, além de seus frutos. Assim tem início A Revolução dos Bichos, contudo, como esta trata-se de uma alegoria de acontecimentos históricos, já sabemos onde isso vai dar infelizmente.
George Orwell demarca muito bem os papéis dos animais com as figuras históricas que representam: o porco Major, seria Lênin; Bola de Neve, Trótski; Napoleão, Stalin; os cavalos, são a população que acredita piamente nos ideais da revolução, sem entendê-los muito bem, porém, sem sua força, a mesma jamais seria possível; as ovelhas representam a mídia partidária que divulga sem questionar tudo o que é dito pelo governo, e por aí vai.
No começo de A Revolução dos Bichos vemos o início de uma utopia acontecer: os animais agora vivem bem alimentados, trabalham dentro de seus limites, tem lazer e tranquilidade, mas isso não dura muito tempo, pois Napoleão consegue tirar Bola de Neve da jogada bem rápido e assume o controle total da granja e é a partir daí que vemos o começo do fim desta utopia.
É muito triste ver como seria simples tornar as vidas dos cidadãos boas, se os governantes realmente tivessem esse objetivo, infelizmente, porém, o único que pensava no bem dos animais era Bola de Neve, Napoleão, seduzido pelo poder e pelo orgulho decide ir pelo caminho da exploração, assemelhando-se, ou melhor, sendo até pior do que os humanos.
Eu tinha muitas lembranças de ter ficado bem incomodada com essa leitura e, hoje, a sensação continua a mesma. Em sua alegoria, George Orwell deixa bem clara a sua decepção com a União Soviética, até porque, ele era um comunista assumido que até pegou em armas contra a ditadura Franquista, na Espanha.
A Revolução dos Bichos é uma obra magnífica, curtinha e muito importante de ser lida, estudada e comentada. Se você não conhece muito sobre a Revolução Russa e a União Soviética, indico que você ouça os episódios: 013, 041, 104 e 141 do podcast HISTÓRIA FM, neles, professores doutores em História discutem e explicam muito bem como se deu a Revolução Russa, quem foi Stalin, como a União Soviética acabou, tudo baseado em FATOS HISTÓRICOS, vale muito a pena para complementar a leitura literária e ajudar ainda mais no entendimento da trama. Afinal, conhecer a nossa história deveria nos proteger de cometer os mesmos erros do passado…





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