28 de abril de 2026
O TARÔ E A JORNADA DO HERÓI, de Hajo Banzhaf



No ano passado tomei uma das melhores decisões da minha vida enquanto leitora: assinei o Kindle Unlimited (KU para os íntimos) e agora tenho contato com uma infinidade de obras que se fosse para eu procurá-las à esmo pelo site da Amazon ou em alguma livraria, perderia muito tempo e, talvez, não conseguisse lê-las. A primeira dessa leva foi O Tarô e a jornada do herói, escrito por Hajo Banzhaf, um livro que mescla Psicologia Analítica (amoooo) com Tarô (amo ainda mas) em uma profunda análise dos arcanos maiores e da nossa jornada pessoal na vida. 

Gosto muito, muito mesmo de Tarô e de um ano para cá tenho esse enorme desejo de estudá-lo mesmo e melhorar minhas interpretações dessa ferramenta oracular milenar e como também gosto de estudar a Psicologia Analítica de Jung, achei que O Tarô e a jornada do herói seria um ótimo ponto de partida para os meus estudos e eu não poderia estar mais certa! 

Nesse livro, o autor, Hajo Banzhaf, começa nos dando um panorama geral da história do Tarô, como surgiu, seus possíveis significados em algumas várias culturas, sua divisão em arcanos maiores e menores, suas correlações com a astrologia, elementos da natureza, da magia e alquimia, enfim, é uma ótima introdução para quem não sabe nada de nada do assunto. Depois, ele já nos explica o conceito da Jornada do herói, de Joseph Campbell, aliado aos conceitos junguianos e já nos avisa que o Tarô é uma ferramenta de conhecimento profundo sobre a psiquê humana e pode nos ajudar, e muito a nos entendermos nesse mundo. 

As análises começam com a carta de número zero, O Louco (representando a nós, heróis e heroínas) e terminam com a última carta, a de número 21, O Mundo, representando o fim de um ciclo e o início de outro, trazendo para nós de forma bem real a ciclicidade da vida. Durante as análises, Hajo Banzhaf aponta para o fato de que a jornada do herói pelos arcanos maiores é dividida em duas etapas: a jornada diurna, solar, de energia masculina; e a jornada noturna, lunar, de energia feminina. TODOS nós passamos pelas duas etapas, pois, segundo a Psicologia Analítica todos nós temos uma contraparte a depender de nossa identificação de gênero, sendo  masculina ou feminina dentro de nós, sendo estas o Animus e a Anima.

A jornada diurna e solar compreende as primeiras cartas dos arcanos maiores: O Mago, A Sacerdotisa, A Imperatriz, O Imperador, O Hierofante, Os Enamorados, O Carro, A Justiça e O Eremita. Nesse caminho, o objetivo do herói ou da heroína é desbravar o mundo, sair do conforto e da proteção da casa dos pais e se provar, mostrar do que é capaz (podendo isso ser para o bem ou para o mal), testar seus limites, desenvolver seu potencial sempre voltado para o exterior, aquilo que queremos mostrar e provar para os outros, sendo assim, o EGO domina esse trecho da aventura de nossas vidas.

A jornada noturna, por outro lado, é um mergulho em nosso inconsciente, ao chegamos no ponto O Eremita, já conhecemos muito bem nosso potencial transformador, contudo, passamos a querer entender quem nós somos de verdade, esse ponto do caminho é um retorno às origens, mas de forma reflexiva, passando pelas últimas cartas do tarô: A Roda da fortuna, A Força, O Pendurado, A Morte, A Temperança, O Diabo, A Torre, A Estrela, A Lua, O Sol, O Julgamento e O Mundo.  A ordem das cartas A Força e A Temperança foi propositalmente invertida pelo autor e durante a leitura, ele explica o porquê. Nesse momento, analisamos profundamente quem somos e temos contato com as nossas sombras, nesse trecho do caminho, o EGO vai se confrontar com o SELF, o inconsciente, tudo aquilo que sentimos, pensamos e somos, mas não queremos conhecer, não queremos saber, temos medo, nojo, só que, ainda assim, as sombras fazem parte de nós e um indivíduo só pode tornar-se pleno ao aprender a aceitar e lidar esses aspectos incômodos de si mesmo. 

O caminho lunar e noturno é, de certa forma, muito maior, mais complexo e mais profundo do que o diurno, mostrar-se para o mundo acaba sendo fácil, voltar-se para si mesmo e se conhecer e aprender a lidar com suas “imperfeições” é que é bem difícil, demanda muito tempo, paciência e amor consigo mesmo. Com certeza, O Tarô e a jornada do herói deixou mais claros os horizontes por aqui e me permitiu nortear bem como quero prosseguir com meus estudos sobre o Tarô e sobre a Psicologia Analítica também. Se você se interessa por ambos os assuntos, acredito que a escrita de Hajo Banzhaf é bem acessível e ele explica muito bem os conceitos básicos do trabalho de Jung, além de recomendar várias referências bibliográficas. Essa leitura vale muito a pena e é um bom começo para quem quer conhecer melhor a si mesmo e está disposto ou disposta a confrontar suas sombras e, quem sabe, tornar-se amigo delas, ou, pelo menos, ter uma relação de cordialidade. 

Então é isso, gente! Que leitura! Digam nos comentários: em qual parte do caminho vocês acham que estão?


21 de abril de 2026
[ANIMA] SANGUE DE ZEUS - todas as temporadas



Uma das minhas maiores paixões literárias, além de contos de fadas e suas releituras, é claro, é mitologia. Gente, como eu gosto de ler sobre mitologias! Comecei esse interesse na adolescência, com a grega e romana, depois passei para nórdica, celta, indígena, africana, asiática e por aí vai. Logicamente, uma série animada sobre esse assunto não passaria despercebida e já vou avisando que vou rasgar muita seda para Sangue de Zeus e darei muitos spoilers

Meu primeiro contato com essa obra foi através de um shorts no YouTube. Estava eu passando pelos vários vídeos curtinhos, quando me deparo com uma cena tocante de despedida entre Hades e Perséfone, para quem não conhece o mito original, Hades, senhor do Submundo, sequestra Coré, deusa da Primavera, filha de sua irmã de sua irmã, Deméter (sim, os deuses gregos eram bem incestuosos, tanto é que Coré é filha de Zeus com Deméter, ambos irmãos), por causa disso, a deusa fica devastada e começa a devastar a Terra também, para aplacar sua ira fica decidido que Coré, agora Perséfone, ficará seis meses no Hades (período do Outono e Inverno) e seis meses na superfície (período da Primavera e do Verão). Aquele shorts de Sangue de Zeus subverteu o mito de uma maneira tão instigante que não me contive e decidi assisti-lo, mas essa cena só aparece na segunda temporada hahahaha. 

Na primeira temporada de Sangue de Zeus, somos apresentados a Heron, o nosso herói. Um rapaz humilde que vive em situação de miséria ao lado de sua mãe, Electra, e um velho. Eles são rejeitados pela comunidade local, pois, após a chegada de Electra com seu bebê de colo e nenhum marido, todo o vale foi coberto por nuvens espessas, impedindo a passagem da luz do sol, o que fez os aldeões acreditarem ser ela uma feiticeira e seu filho um bastardo. 

Na verdade, ao longo dessa primeira temporada de Sangue de Zeus, descobrimos que Electra teve um caso com o Senhor do Olimpo e deu à luz a gêmeos, contudo, ela já era casada e um dos filhos era do marido. Zeus salva a vida dela e de sua criança escondendo-os no vale, até porque ele tem um medo mortal da esposa, Hera. Mas, a outra criança ele não salva, pois queria Electra apenas para si a para seu filho. Anos passam, e o outro garoto se torna o vilão desse primeiro arco, Serafim, um demônio, criado pelo sangue de um titã, ou seja, um inimigo dos deuses do Olimpo. Nessa primeira temporada, vemos Heron aprendendo o que é ser filho de um deus e se ressentido muito por seu pai ter feito o que fez com sua mãe; ele também descobre como os deuses são egoístas e caprichosos, no sentido, de serem mesquinhos mesmo, o que o faz nutrir muito rancor contra eles, contudo, ele é um herói, por isso sempre faz o que é certo, e o certo aqui é destruir os demônios que ameaçam as vidas das pessoas. 

Na segunda temporada, a que eu estava esperando, Heron está aprendendo a ser um semideus ao lado de seus meios-irmãos outros bastardos de Zeus. Enquanto isso, no Submundo, Hades e Perséfone arquitetam um plano para destronar Zeus e Hera para que possam eles mesmos se tornarem os Senhores dos Céus, podendo assim ficar juntos sem a restrição dos seis meses, para isso, eles precisarão da ajuda de Serafim, pois, seu plano depende do sangue dos gigantes… Gostei bastante dessa temporada de Sangue de Zeus, achei bem eletrizante mesmo como eles introduzem as figuras dos gigantes e o desenrolar da guerra entre os Olimpianos e eles me pegou de surpresa. 

Logo em seguida, já engatei na terceira temporada e aqui temos o final do arco de Heron e Serafim e todo o aprendizado dos dois. Por causa dos últimos acontecimentos que culminaram em um desastre bem grande, a deusa Gaia decide vingar-se dos olimpianos por suas corrupções e permite que Cronos se liberte. A partir daí é um "Zeus nos acuda"! Cronos está com sangue nos olhos, liberta todos os titãs e decide que vai acabar com os deuses do Olimpo um por um, enquanto isso, Serafim quer apenas uma coisa: libertar sua outrora amada da condenação de viver em um limbo sem poder entrar no submundo, para isso, ele contará com a ajuda de Heron e vemos como os irmãos amadurecem e deixam seus ressentimentos de lado para enfim, alcançarem a justiça. 

Eu devorei Sangue de Zeus tal como Cronos devorou todos os seus filhos na mitologia grega! Mas já aviso que essa série é muito sanguinária, tem muita, muita violência, é sangue e tripas voando para todo lado, logo, não assista comendo. No mais, gostei do modo como os roteiristas caracterizam os deuses gregos, como criaturas com poderes sobre-humanos, mas essencialmente muito humanas em suas atitudes e personalidades. Achei tudo bem verossímil e gostei do final dos irmãos, só senti falta de ver o Serafim com a amada dele, Gorgor, mas entendi que naquele momento ele precisava pedir perdão à mãe por tudo o que fez.



16 de abril de 2026
[Respondendo a Tag] - O BOM DO OUTONO

 


Eita como faz tempo que não se responde uma tag nesse Livre Lendo, hein! Nossa, eu sempre respondia várias e com frequência, mas, de uns tempos para cá não achava nenhuma que me chamasse atenção, até que em 2025, encontrei O BOM DO OUTONO, criação original da Helaina Carvalho, no blog dela, o Mente Hipercriativa e como eu amo essa estação, suas cores, seus sabores e o Mabon, decidi respondê-la, no caso, um ano depois… (é de conhecimento geral que sou marcha-lenta…). 



1. Temperaturas amenas: uma história sem muito drama

Apesar da série Anne with an E desenvolver muitas pautas sociais, Anne de Green Gables não tem muitos dramas, salvo o final do livro, no qual um personagem muito querido morre, mas tirando isso, é uma narrativa bem tranquila e divertida! 


 2. Roupas aconchegantes: uma história de aquecer o coração


Sem sombra de dúvidas, A sign of affection é uma narrativa muito fofa e linda! Sempre estou relendo e reassistindo! A história de amor entre Yuki, uma garota surda e Itsuomi, a personificação do espírito do andarilho poliglota é muito querida para mim e sempre aquece meu coraçãozinho. 


3. Chocolate quente: um personagem favorito

Ô perguntinha capciosa, hein, dona Helaina! Já tive muitos personagens favoritos ao longo da vida, mas acho que, no momento, tenho gostado e admirado muito a Anne Shirley. Ela é sonhadora, idealista, mas na hora do vamos ver, resolve as paradas. Gosto muito dela! 


4. Nevoeiro: clima tenso durante toda a história

Um livro que faz você ler e ler e não conseguir parar até que os personagens estejam minimamente em uma situação menos periclitante é Battle Royale! Gente, coitados desses adolescentes! É brutal! 


5. Ventos: uma reviravolta chocante

Nunca Minta foi um dos thrillers mais recentes que li e meu primeiro contato com a escrita de Freida McFadden. Tudo ali me prendeu: os personagens, a situação de estar presa em uma casa desconhecida, no meio de uma nevasca, sem comunicação com o mundo exterior e ainda com a ameaça de algum estranho escondido por lá… Nossa, pesadelo total! E quando o plot twist se apresenta, cara, eu não imaginava, nem de longe! Fiquei completamente estarrecida com o final dessa história, que é muito, muito bom!

 


6. Dias mais curtos: final com gostinho de quero mais

Apesar de ser uma obra um pouquinho extensa, Kamisama Hajimemashita deixou um gostinho de quero mais para mim, porque eu realmente queria ver mais da vida da Nanami e do Tomoe! 


7. Noites de filme: livro que deveria virar filme

Eu gostaria muito que O circo da noite se tornasse um filme ou série… Por motivos de que esse é o melhor livro de fantasia que já li na vida e vou sempre falar bem dele e sempre vou dar um jeito de incluí-lo em qualquer conversa sobre livros ou tag. Leiam, é perfeito. De nada.


8. Meias coloridas: crianças protagonistas

Matilda né, gente! Vocês tinham alguma dúvida? Eu amo Matilda! Que livro delicinha de ler e que filme mais querido! Sou apaixonada pela história dessa menininha leitora que adquire poderes psíquicos de tanto ler! Ainda tenho esperança de ser contemplada um dia, mercúrio em Peixes…. me deixa sonhar! hahahahahaha


Então é isso, pessoal! Adorei responder essa tag! Depois, passem lá no Mente Hipercriativa para ler as respostas da Helaina. Já peguei várias dicas de leitura muito boas com ela!


14 de abril de 2026
A REVOLUÇÃO DOS BICHOS, de George Orwell


Fazia muitos anos desde que li A Revolução dos Bichos pela primeira vez, afinal, foi uma das leituras obrigatórias em minha graduação em Letras e eu já me formei há uns bons 10 anos. George Orwell já era um autor querido, visto que a primeira distopia que li foi 1984 e apesar de já conhecer a escrita dele eu não estava preparada para o que encontrei nesse livro e a releitura não deixou nem um pouco de me surpreender e horrorizar. 

Em A Revolução dos Bichos, somos apresentados a uma narrativa na qual George Orwell alegoriza  a criação da União Soviética; como no início as intenções de Lênin eram boas, mas, com sua morte, Stalin entrou no poder e estabeleceu um período de verdadeiro terror.

Na alegoria, tudo começa na Granja do Solar, em uma noite comum, o porco já idoso, Major, reúne os animais e lhes conta seu último sonho: ele via os animais vivendo livres, sendo donos de si, sem terem humanos controlando suas vidas e explorando seu trabalho. Pouco tempo depois, ele morre, mas a semente da revolução já havia sido plantada e os porcos Bola de Neve e Napoleão se unem aos demais animais da granja para expulsar os humanos e dar início a uma comunidade formada apenas por animais, onde o trabalho é compartilhado por todos, além de seus frutos. Assim tem início A Revolução dos Bichos, contudo, como esta trata-se de uma alegoria de acontecimentos históricos, já sabemos onde isso vai dar infelizmente. 

George Orwell demarca muito bem os papéis dos animais com as figuras históricas que representam: o porco Major, seria Lênin; Bola de Neve, Trótski; Napoleão, Stalin; os cavalos, são a população que acredita piamente nos ideais da revolução, sem entendê-los muito bem, porém, sem sua força, a mesma jamais seria possível; as ovelhas representam a mídia partidária que divulga sem questionar tudo o que é dito pelo governo, e por aí vai. 

No começo de A Revolução dos Bichos vemos o início de uma utopia acontecer: os animais agora vivem bem alimentados, trabalham dentro de seus limites, tem lazer e tranquilidade, mas isso não dura muito tempo, pois Napoleão consegue tirar Bola de Neve da jogada bem rápido e assume o controle total da granja e é a partir daí que vemos o começo do fim desta utopia. 

É muito triste ver como seria simples tornar as vidas dos cidadãos boas, se os governantes realmente tivessem esse objetivo, infelizmente, porém, o único que pensava no bem dos animais era Bola de Neve, Napoleão, seduzido pelo poder e pelo orgulho decide ir pelo caminho da exploração, assemelhando-se, ou melhor, sendo até pior do que os humanos. 

Eu tinha muitas lembranças de ter ficado bem incomodada com essa leitura e, hoje, a sensação continua a mesma. Em sua alegoria, George Orwell deixa bem clara a sua decepção com a União Soviética, até porque, ele era um comunista assumido que até pegou em armas contra a ditadura Franquista, na Espanha.

A Revolução dos Bichos é uma obra magnífica, curtinha e muito importante de ser lida, estudada e comentada. Se você não conhece muito sobre a Revolução Russa e a União Soviética, indico que você ouça os episódios: 013, 041, 104 e 141 do podcast HISTÓRIA FM, neles, professores doutores em História discutem e explicam muito bem como se deu a Revolução Russa, quem foi Stalin, como a União Soviética acabou, tudo baseado em FATOS HISTÓRICOS, vale muito a pena para complementar a leitura literária e ajudar ainda mais no entendimento da trama. Afinal, conhecer a nossa história deveria nos proteger de cometer os mesmos erros do passado… 


7 de abril de 2026
[ANIMA] Heaven Official 's Blessing




Animação chinesa lançada pela Netflix no começo de abril de 2021, Heaven Official 's Blessing conta com duas temporadas; neste post vou falar apenas da primeira, que tem 12 episódios e um especial. 

Em Heaven Official‘s Blessing acompanhamos as aventuras do príncipe herdeiro Xie Lian que, em vida, foi muito querido por seus súditos, logo, após uma morte prematura, ele ascende ao Reino Celestial, contudo, não tem muita sorte nisso e acaba sendo banido de lá duas vezes. 

Mesmo assim, Xie Lian consegue ascender uma terceira vez, já criando confusão de novo… Por isso é designado à tarefa de ser um Oficial Celestial na Terra para resolver problemas relacionados à fantasmas, demônios etc. 

Essa primeira temporada de Heaven Official 's Blessing tem dois arcos; No primeiro, Xie Lian deve enfrentar um fantasma que está matando jovens noivas. É aqui que ele conhece Hua Cheng, um rei fantasma extremamente poderoso e interessado no príncipe herdeiro. Eles continuam a jornada juntos e  ajudando um ao outro, eles acabam por se apaixonar e vemos cenas de carinho muito bonitas e delicadas entre eles. 

Heaven Official 's Blessing é uma animação muito bonita, mas, verdade seja dita: é muito difícil distinguir os celestiais uns dos outros! Isso porque o traço é idêntico! Outro ponto complicado é a questão da cultura chinesa em relação à vida pós-morte, que pode ser bem confusa para quem não conhece nada sobre o assunto. 

Em suma, gostei muito dessa primeira temporada de Heaven Official 's Blessing e apesar de não estar mais disponível na Netflix por aqui, você pode assistir a essa animação facilmente na Crunchyroll, vai valer a pena!




2 de abril de 2026
[EU ASSISTI] CIMARRON (1931)



Olá, pessoal! Samu aqui, trazendo a indicação de mais um filme vencedor de Oscar na categoria de Melhor Filme. Não sou muito fã de filmes com essa temática de faroeste, mas Cimarron (1931) conseguiu prender minha atenção até o final. Não que ele seja um baita filme de tirar o fôlego, mas acontece tanto absurdo que me fez querer saber até onde o maluco do protagonista iria chegar.


Dirigido por Wesley Ruggles, a história segue as aventuras (e desventuras) do valente jornalista Yancey Cravat e sua família. Tudo começa no ano de 1889, quando nosso herói fica sabendo de um grande evento que ocorreria em breve, e ficaria conhecido na História dos Estados Unidos como A Corrida pela Terra de Oklahoma. Sendo assim, o filme inteiro vai retratar esse período histórico da expansão pelo território oeste do continente norte-americano, que durou de 1889 até 1929.


Desse modo, apesar de todas as objeções da família, Yancey está empolgado, decidido a abandonar a vida atual e seguir viagem para o oeste em busca de um novo lar. Ele convence a esposa, Sabra, e o filho, e ambos partem nessa jornada rumo à terra desconhecida. Chegando ao novo lugar, a primeira impressão do casal não é das melhores: muita confusão pelas ruas, bares cheios de homens mal-encarados, brigas, tumulto e balas perdidas.



Sabra fica desesperada com a situação e deseja voltar para o antigo lar, contudo Yancey continua otimista e, graças a essa postura dele, nos dias que se seguem o casal consegue enfim se estabelecer. Anos se passam e Yancey, com sua atitude de liderança e altruismo, começa a ser notado pela população de Oklahoma como uma pessoa de respeito.


Nessa altura, seu jornal Oklahoma Wigwam ganha notoriedade e a família prospera, comemorando o nascimento da filha caçula. Contudo, em um determinado momento da história, uma gangue de foras da lei aparecem tocando o terror na cidade, e Yancey entra no confronto. Daí é um tiroteio lascado que culmina na saída do herói da cidade, indo para a luta no território Cherokee, deixando a família para trás. 


Olhando para a estrutura da narrativa, podemos dividi-la em três arcos: a corrida e estabelecimento no Território de Oklahoma, a ascenção da família Cravat na cidade e, por fim, a decisão de Yancey de buscar novas aventuras e as consequências dessa atitude. Uma coisa que descobri só depois é que Cimarron foi uma adaptação do livro homônimo, escrito pela autora Edna Ferber. Fiquei curioso, talvez eu leia esse livro no futuro, se eu o encontrar. E é isso! Recomendo o filme para uma sessão pipoca em um domingo à tarde.




31 de março de 2026
A BIBLIOTECA INVISÍVEL, DE GENEVIEVE COGMAN


 

Vamos testar agora a minha memória, que já não é mais a mesma de antes, falando sobre um livro cuja leitura conclui há algum tempo… A Biblioteca Invisível, de Genevieve Cogman, que longe de ser uma história chata, ou enfadonha, só não ganhou um lugar aqui antes porque ano passado estive muito sobrecarregada com o trabalho. 

Nesse livro, Genevieve Cogman nos apresenta a um mundo, ou melhor, a vários mundos onde a magia existe, ou não; em maior ou em menor escala e em todos eles há livros: os mais diferentes, controversos e perigosos exemplares e cabe à Biblioteca Invisível a função de reunir e proteger todos eles. 

Conhecemos, então, Irene, nossa protagonista e bibliotecária júnior; nessa função, a jovem deve cumprir missões entrando de maneira furtiva em outros mundos e “conseguindo”, do modo mais conveniente e rápido possível, o livro solicitado por A Biblioteca Invisível, entretanto, o que a moça quer mesmo é tornar-se pesquisadora e deixar as aventuras de lado. 

Assim que retorna de uma missão, LITERALMENTE, ela é enviada para outra! Não dá tempo nem de ir ao banheiro! (hahahahaha, coitada!) Dessa vez, em um mundo onde magia e ciência caminham lado a lado, em uma Londres Vitoriana e steampunk. Lá, com a ajuda de seu mais novo assistente, Kai, nossa bibliotecária deve capturar uma versão de um livro dos Irmãos Grimm, sobre a qual ninguém quer dar detalhes, mas que com certeza é muito importante. 

Nesse mundo, Irene e Kai se vêem rodeados por intrigas, roubos e sociedades secretas, além de terem a ameaça adicional de Alberich, um ex-bibliotecário que uniu-se às forças do Caos e que também está atrás do livro e não medirá esforços, nem crueldades para consegui-lo. 

A obra de Genevieve Cogman foi uma grata surpresa para mim, pois não se trata apenas de um livro de capa bonita e só. A Biblioteca Invisível é uma leitura instigante e divertida na qual, felizmente, o foco da protagonista está todo voltado para o sucesso de sua missão e não sobre romance, inclusive, Irene rejeita as investidas de Kai, por acreditar que isso poderia comprometer o trabalho deles. 

Ainda bem que Genevieve Cogman nos entrega uma narrativa divertida, repleta de aventuras e mistérios, com uma protagonista feminina bem construída e nos deixa ansiosos para conhecer mais sobre os diversos mundos e para acompanhar Irene em cada etapa de sua fascinante jornada!