21 de julho de 2026
A DAMA DAS CAMÉLIAS, de Alexandre Dumas Filho



Se você pesquisar por Alexander Dumas, pai aqui no Livre Lendo, vai ver que eu não tenho uma opinião muito favorável ao autor, isso porque acho que ele enrolava demais em sua escrita, apesar de criar histórias mirabolantes e divertidas. Por esse motivo, protelei por muitos anos a leitura de A dama das camélias, a obra máxima de seu filho, Alexandre Dumas Filho e, para minha total surpresa, gostei bastante do texto e me vi envolvida por essa história. 

Para começo de conversa, A dama das camélias é quase que um roman à clef isso porque, aparentemente, Alexandre Dumas Filho inspirou-se em sua própria história de amor tórrido com uma cortesã famosa de sua época, Marie Duplessis, amante também do compositor Franz Liszt, a qual morreu bem jovem, no auge da fama e da beleza, para criar seus protagonistas, Marguerite Gautier e Armand Duval.

A história começa com um narrador em primeira pessoa que será o ouvinte desta narrativa, ele é um carinha aleatório que foi ao leilão dos bens móveis de uma famosa cortesã de Paris que morreu jovem e repentinamente e deixou uma dívida enorme. Ele, por impulso, compra um livro do espólio: Manon Lescaut, o qual tinha a dedicatória de um certo Armand Duval… Pois bem, pouco tempo depois, nosso narrador recebe a visita do senhor Duval e assim, Alexandre Dumas Filho nos brinda com uma cena gore no meio de um romance romântico, a qual eu não estava esperando de forma nenhuma e, sinceramente, fiquei um pouco estarrecida, pois, ele não poupa detalhes em relação à situação do corpo putrefato de Marguerite… 

Após recuperar-se do trauma de ver o corpo em decomposição da amada, e de ler uma carta póstuma escrita pela mesma e endereçada a ele, Armand decide contar sua história para o narrador, a fim de tentar superar a dor e a culpa de sua perda. 

Armand Duval é um jovem burguês daqueles bem no estilo “burguês safado”, sabe? Tem uma profissão, pois é formado em Direito, mas nunca trabalhou na vida, vive em Paris sustentado pelo pai e por uma pensão que recebeu de herança da mãe falecida, o cara não faz nada, nada, só se diverte, contudo, um belo dia ele conhece a famosa cortesã, Marguerite Gautier, A dama das camélias, e fica completamente apaixonado por ela. 

No começo, ele fica muito melindrado por sua situação financeira, já que não é rico, e pelo fato de Marguerite ser muito livre e espontânea e até mesmo tê-lo tratado de forma frívola, porém, ele está obcecado pela moça a arranja um jeito de fazer parte de seu ciclo de amizades. Marguerite, leva uma vida bem boêmia: dorme de madrugada, acorda bem tarde, bebe bastante, é cortesã, apesar de ter uma clientela seleta e nobre, e ainda por cima, sofre de tuberculose, mesmo sendo muito jovem, quando ela conhece Armand, tem apenas 22 anos e já quase morreu. 

Por causa da doença, inclusive, ela conhece um certo duque, que perdeu a filha para a tuberculose, cuja aparência era muito semelhante a de Marguerite, logo, ele meio que se torna um protetor da moça, não aceitando sua condição de cortesã, por isso, sua vida boêmia é mais discreta desde então e ele não pode saber de seus clientes. É nessa situação que ela e Armand se conhecem e se apaixonam e começam seu caso. 

Durante todo o período, que dura mais ou menos um ano, eles vivem um “amor” bem conturbado, pois Armand tem muito ciúmes de Marguerite e se martiriza por não ter condições de sustentá-la, mas, em momento algum, ele pensa em arranjar um emprego. Isso nunca passou pela cabeça dele, ele começa a fazer empréstimos, a jogar, mas trabalhar? Jamais. Até porque, ele precisa acompanhar a vida boêmia da amada…

Sendo bem sincera com vocês, a escrita de Alexandre Dumas Filho é muito mais fluida do que a do pai e sendo polêmica agora: nunca achei os textos de Alexandre Dumas essas pérolas da literatura que muita gente comenta por aí, na verdade, fiquei sem entender o porquê de compararem o filho de forma tão negativa. Ele entrega um romance romântico bem aos moldes dos de sua época e o faz de forma bem construída e nos entretém e nos faz refletir. Eu, pelo menos, passei muita raiva com  Armand, que é um homem chato, abusivo, irritante, medíocre. Nossa, insuportável. 

Já a situação de Marguerite irrita por causa da visão que a sociedade tinha de cortesãs, afinal, é dito que o duque se dispôs a pagar todas as dívidas da moça e lhe dar uma vida confortável e ela é recriminada por todos e dizem que a justificativa dela para não sair da “profissão” é porque a vida de jovem casta era muito chata, mas, gente, sendo realistas, só sendo muito doida para se colocar a mercê de um velho desconhecido e ainda por cima rico, né? Pelo menos como cortesã ela tinha a própria casa, escolhia os clientes, tinha uma certa liberdade. Eu entendo Marguerite, ela se via presa, encurralada por todos os lados, por isso o ciúmes e o egoísmo de Armand são tão enervantes! Ele não sabe quem ela realmente é, ele tem apenas uma idealização e quando ela deixa de corresponder às expectativas dele, ele simplesmente aceita e vai embora, voltando apenas ao saber de sua morte. 

A dama das camélias é uma livro bem escrito, mas com uma visão bem machista das mulheres e de relacionamentos amorosos, seria muito bom dizer que é algo específico da época, mas, até hoje vemos homens querendo ditar o que é uma mulher “de valor”, e como mulheres perdem esse “valor” rapidamente e logo são deixadas no esquecimento. 


14 de julho de 2026
A SIGN OF AFFECTION, de Suu Morishita



Como eu já falei em um outro post,  A sign of affection ganhou meu coração de um jeito que não resisti e cacei os mangás pelas interwebs para saber a continuação da história de amor de Yuki e Itsuomi e, também, já estou adquirindo os volumes publicados pela New Pop, que está no sétimo atualmente. Agora, posso dizer com propriedade que tenho mais uma mangaká favorita e o nome dela é Suu Morishita

A sign of affection é um mangá criado por Suu Morishita, publicado na revista Dessert desde 2019, sem previsão de um final, a obra conta com 12 volumes até agora. A inspiração da autora para criar o relacionamento entre Yuki, uma jovem surda, e Itsuomi, um jovem com espírito de andarilho, veio da vida real, pois uma das amigas de Suu Morishita é surda e foi através dela que a autora teve contato com a cultura surda japonesa. 

Mangá e anime são bem parecidos, pois este último adapta o primeiro até o volume 6, capítulo 21, com algumas alterações na ordem de aparecimento de algumas informações, mas está tudo lá. O anime é ótimo. O mangá continua a partir do ponto em que Yuki e Itsuomi já estão namorando e decididos a realizarem seus sonhos juntos, mas vamos a um contexto, caso você não saiba nada sobre essa história nem tenha lido meu post sobre a animação. 

Em A sign of affection conhecemos Yuki, uma jovem universitária de cabelo rosa, super fofa e linda que tem uma particularidade: ela é surda. Um dia, no metrô, ela acaba conhecendo outro jovem universitário que a salva de uma situação embaraçosa, seu nome é Itsuomi e ele tem o espírito do andarilho, digo isso porque esse homem não esquenta canto em lugar nenhum, está sempre viajando, sempre mochilando, me dá preguiça só de pensar, mas enfim, Yuki o acha fascinante e logo fica super gamada nele, até porque ele se interessa pela cultura surda e decide aprender língua de sinais. 

Nos primeiros 4 volumes do mangá vemos a amizade deles sempre oscilar entre um possível romance, principalmente, porque Yuki está COMPLETAMENTE apaixonada por ele, nós, leitores, sabemos que o Itsuomi também é apaixonado por ela, afinal, o cara está muito empenhado em aprender língua de sinais japonesa o mais rápido possível para se comunicar melhor com ela, pois é a única pessoa surda que ele conhece ou já conheceu até hoje, contudo, como não poderia deixar de ser, a Yuki não vê isso. 

Ao longo dos próximos volumes vemos a  relação dos dois se aprofundar cada dia mais, até morar juntos eles vão e o capítulo no qual o Itsuomi conhece os pais da Yuki é hi-lá-rio apesar de ter um momento beeeem bad vibes no meio, pois, Suu Morishita deixa bem claro que a sociedade japonesa é bem preconceituosa e avessa a pessoas com deficiência, não são todos, mas sempre haverá aqueles que olharão feio para Yuki ou não vão querer ter contato com ela e seus familiares por causa da deficiência dela, sim é bizarro, eu sei, e fiquei muito revoltada com isso. 

Como eu já imaginava após concluir o anime, a continuação de A sign of affection me cativou de uma forma muito profunda. O traço de Suu Morishita é lindo e delicado, é tudo tão fofo!  É claro que por se tratar de um shoujo há bastante foco no romance, seja dos protagonistas, seja de seus amigos, mesmo assim, há crítica  social também, apesar de bem leve, e até o momento, não vi nenhuma red flag no comportamento de Itsuomi em relação a Yuki, eles são fofos e se possível, não quero que sua história acabe! Então é isso, gente, quando a New Pop alcançar a publicação original e tiver novos capítulos da história desses dois, vou atualizando por aqui.


7 de julho de 2026
HONNOU SWITCH, de Kujira



A cultura pop ocidental é cheia de livros e filmes que retratam o surgimento do amor entre amigos de infância ou de longa data: Simplesmente acontece, O casamento do meu melhor amigo, Teto para dois etc. O que todas essas obras têm em comum além do mote é a total falta de comunicação entre os ditos amigos que não aceitam seus sentimentos e lutam incansavelmente contra eles, causando situações constrangedoras e absurdas, sofrendo e fazendo os outros sofrerem, algo que poderia ser facilmente consertado se eles dissessem o que sentem uns pelos outros. Sendo bem sincera, esse tipo de história me dá canseira, por isso, quando li a resenha da Priih, do blog Infinitas Vidas sobre um mangá contando o desenvolvimento da relação amorosa entre dois melhores amigos, sem mimimi, sem enrolação e com COMUNICAÇÃO, eu pensei, preciso ler isso! O mangá é Honnou Switch, no inglês Changes of heart, da autora Kujira.

O mangá começa de forma bem frenética porque nossa protagonista, Koyori, uma mulher de 26 anos, está desiludida e muito chateada porque seu namorado e também chefe terminou com ela porque a estava traindo esse tempo todo e a outra está grávida. Desconsolada, ela vai chorar as pitangas no ombro de seu melhor amigo, Hijiri, o qual ela conhece desde quando estavam na creche. Eles sempre foram vizinhos, seus pais são amigos, eles sempre tiveram relacionamentos amorosos com outras pessoas e, para Koyori, era impossível acontecer algo romântico entre ela e o amigo, até que, depois de muito beberem e ela reclamar que mesmo namorando já não fazia sexo há um bom tempo, Hijiri se oferece e ela, bêbada, aceita. No dia seguinte, como seria de se esperar em QUALQUER HISTÓRIA DESSA TEMÁTICA, ela acorda desnorteada e pede para que eles esqueçam tudo o que aconteceu e continuem sendo apenas amigos. É a partir daqui que a história sai totalmente da zona clichê. 

Na minha humilde opinião, Kujira inovou muito ao fazer com que Hijiri seja um homem adulto que age como tal e vai conversar abertamente com Koyori. Ele não se ofende, não fica melindrado, não faz joguinhos, ele apenas diz a real: ele é apaixonado pela amiga desde a adolescência, contudo, ela nunca deu uma abertura para que ele pudesse se confessar e agora que ambos estão solteiros e fizeram o melhor sexo de suas vidas, ele quer tentar um relacionamento com ela, afinal, eles são melhores amigos, já conhecem muito um ao outro, por que não tentar? É claro que eles terão alguns vários conflitos, pois ambos se conhecem como melhores amigos, a dinâmica de casal muda essa relação, só que o respeito, o amor, o companheirismo e a confiança estão presentes em cada momento dessa relação e é muito lindo e fofo de ver. 

Koyori é bem reservada e tem muitas inibições e receios por causa de relacionamentos anteriores e também por toda carga que é infligida a nós mulheres no geral, Hijiri é mais aberto e paciente, respeitando o espaço dela e mostrando sempre o quanto ela é amada, mesmo ele tendo também suas inseguranças e ciúmes. Em nenhum momento Honnou Switch me fez revirar os olhos ou desacreditar da história, muito pelo contrário, o relacionamento de Koyori e Hijiri é bem crível, apesar deles transarem demais mesmo quando estão super cansados depois de um dia longo de trabalho, isso é um pouco forçado, mas passo pano porque eles são um casal fofo e 0% tóxico, ou seja, precisam ser exaltados. 

A leitura de Honnou Switch foi uma grata surpresa. Li todos os 8 volumes em inglês porque, infelizmente, aqui no Brasil eles ainda não foram publicados,  o que é realmente uma pena, pois essa história é muito linda e traz um quentinho ao coração. Não conhecia a escrita de Kujira, mas ela já me conquistou e, sério, queria ler muito mais sobre Koyori e Hijiri, meu casal hétero favorito. 


2 de julho de 2026
[EU ASSISTI] ACONTECEU NAQUELA NOITE (1934)



Oi, pessoal! Samu aqui, e hoje venho comentar sobre esse filme sensacional que ganhou o Oscar de 1935. Aconteceu Naquela Noite me fez dar altas risadas com as loucuras que vão acontecendo. Sabe aquele tipo de história cujo início acontece tudo bem plausível e, na medida em que as coisas desenrolam, vai tomando um rumo cada vez mais absurdo? Então... é esse filme inteiro!


Bem, os protagonistas são o jornalista Peter Warne, interpretado pelo Clark Gable bafo de cebola, e a socialite Ellie Andrews, personagem da Claudette Colbert. Sendo assim,  Peter está a procura de um furo de notícia, e o encontra ao descobrir que Ellie, a filha de um ricaço da alta sociedade, fugiu do pai para se encontrar com o noivo, um almofadinhas chamado King Westley. Detalhe que o pai dela não aceita de jeito nenhum esse relacionamento dos dois, por isso a fuga.


A Ellie é 1000% doidona, então ela decide pegar um busão fretado para atravessar o estado até os braços do quimbimbe dela. (Só um adendo: quimbimbe pode significar "namorado, crush, peguete, ficante, emoção, PA" ou qualquer outra palavra do gênero. Mais detalhes você encontra no livro Novíssimo Dicionário de Palavras Inventadas pela Mãe da Andréa).




O ponto é que Peter também está no busão que a Ellie tomou, sendo assim, eles acabam se conhecendo. Os primeiros contatos entre eles são bem cômicos: como eu disso, ela é uma doida, e ele também não fica atrás. É aquela típica trope enemies-to-lovers, em que a dupla se estapeia até umas horas, mas no fim acabam se apaixonando. Mesmo assim, Peter promete ajudar Ellie a chegar na casa do noivo.


Contudo, de certa forma a Ellie é uma fugitiva e o pai dela coloca vários capangas atrás da menina. E a situação se agrava quando um dos passageiros reconhece Ellie como sendo a socialite desaparecida, comprometendo assim a road trip que eles estavam realizando. Daí pra frente as maluquices do filme vão escalando bem rápido e o final é muito engraçado!


Enfim, Aconteceu Naquela Noite tem muitas cenas icônicas. Apesar de ser um filme velhão, vale muito a pena assistir ainda hoje. Pra mim, faz todo o sentido ele ter ganhado todos os Oscars que recebeu.




30 de junho de 2026
[ANIMA] MY LOVE STORY WITH YAMADA-KUN AT LV 999



Os animes shoujo sempre tiveram um lugar especial no meu coração, principalmente, quando eu era adolescente, público-alvo desse tipo de história. Hoje, adulta, com mais de 30 anos, não sou mais tão fã do gênero, contudo, ultimamente, tenho assistido algumas boas histórias, apesar de clichês, e MY LOVE STORY WITH YAMADA-KUN AT LV 999 se encaixa perfeitamente nessa categoria e foi uma grata surpresa. 

Ao longo de apenas 12 episódios, (para a tristeza de muitos, incluindo a mim) acompanhamos um recorte da vida de Akane Kinoshita, uma jovem universitária de 20 anos que saiu de sua cidade no interior para morar sozinha em Tóquio por causa dos estudos. Lá, na cidade grande, ela começa um namoro, porém, já nos primeiros dois minutos do primeiro episódio, o rapaz termina com ela alegando estar apaixonado por uma outra garota que conheceu em um jogo que ambos, ele e Akane, começaram a jogar juntos. A garota fica arrasada com isso e decide voltar sua atenção ao joguinho, numa tentativa de reencontrar o ex. Entretanto, ela começa a gostar do jogo e faz amigos por lá e é assim que MY LOVE STORY WITH YAMADA-KUN AT LV999 começa. 

Akane faz parte de uma guilda com pessoas muito queridas e fofas e acaba fazendo amizade com todas elas, em especial, com Akito Yamada, um jovem estudante do Ensino Médio, de 17 anos, e jogador profissional. Eles se conhecem pessoalmente de forma bem aleatória em um evento do jogo, no qual Akane foi só para ver se encontrava o ex, mas a partir desse evento, ela e Akito passam a ter uma certa amizade, visto que a moça dorme na casa dele por estar bêbada demais para voltar a sua própria. Mesmo sendo bem introvertido e anti social, Yamada vai aos poucos sendo vencido pelo jeito fofo, carismático e gentil de Akane, enquanto ela acha o jeito dele bem difícil de entender. 

MY LOVE STORY WITH YAMADA-KUN AT LV999 foi uma grata surpresa porque, a construção da relação de Akane e Yamada é muito bonita, além disso, as amizades que a protagonista faz no jogo são muito fofas e sinceras, só que a série também traz algumas críticas aos perigos de conhecer pessoas pela internet, o que achei plausível e muito importante, mesmo sendo feito de forma superficial. Recomendo muito esse anime para todos os fãs de shoujo, mas sem aquelas pataquadas de bullying bizarras e relacionamentos abusivos e tóxicos. 


23 de junho de 2026
LÍRIO AZUL, AZUL LÍRIO, de Maggie Stiefvater




Pois bem, não me aguentei e engatei a leitura de Lírio Azul, Azul Lírio, terceiro volume da Saga dos Garotos Corvos, mas, dessa vez, a leitura não foi assim não deslumbrante e o brilho da escrita de Maggie Stiefvater se esvaiu aos poucos para mim… 

Lírio Azul, Azul Lírio começa exatamente um mês após o desaparecimento de Maura Sargent, a mãe de Blue. A garota está muito, mas muito brava com a mãe, além de muito preocupada também. Os sentimentos se misturam e entrelaçam e a estão fazendo enlouquecer! Em contrapartida, os garotos corvos também estão todos muito preocupados com a mãe dela e cada dia mais desesperados por encontrar Glendower, pois todos eles sentem que algo grande e muito ruim está pairando ao seu redor. 

Eles não estão errados. Chegam à pequena cidade de Henrietta o casal Greenmantle, formado por Colin e Piper. O primeiro era o “chefe” do Senhor Cinzento e foi ele o mandante da morte do pai de Ronan. Ele se torna professor de latim na Academia Aglionby. Piper, parece ser uma típica socialite cabeça de vento, loura e padrão, mas, minhas amigas, essa mulher é um PE-RI-GO! Obviamente, esses dois vão inaugurar um triplex de preocupação e revolta na cabeça dos nossos corvos. 

Em meio às buscas pela mãe de Blue e pelo túmulo de Glendower, o grupo se depara com uma profecia na qual existem três adormecidos, um que deve ser acordado, um que não deve ser acordado e outro que não importa se acordar ou não. É assim que eles encontram, de modo até que bem fácil, um suposto túmulo do Rei Corvo, contudo, a pessoa na tumba é a filha de mais de 600 anos do cara, que ficou lá presa e ACORDADA esse tempo todo! A jovem é uma incógnita para todos, mas não parece ser de todo má… 

Quem é má mesmo é a Piper, socorro, que pessoinha mais sem noção e insuportável! Ai, gente, li o livro todo colocando a cara da Blake Lively nessa personagem… Enfim, uma coisa que percebi lendo de forma meio que contínua a Saga dos Garotos Corvos, é que não acontece muita coisa na narrativa, sabe? A Maggie Stiefvater tem essa capacidade única de escrever um livro no qual quase nada acontece, até 70% da história, mas você continua preso à leitura porque quer saber o que vai acontecer com os personagens, o que eles estão fazendo, pensando, é bem estranho. Dessa vez, contudo, não gostei tanto dessa leitura e achei que a narrativa foi parada demais. É lógico que lerei o final, até porque quero muito saber se eles encontrarão o Glendower e se Ronan vai se declarar para o Adam… Só que não estou mais com aquela empolgação….


16 de junho de 2026
[ANIMA] Honey lemon soda




Ano passado, eu voltei com tudo a assistir animes! Sempre fui muito fã de desenhos animados e gosto muito, muito mesmo da estética japonesa, logo, zapeando pelo Crunchyroll encontrei Honey Lemon Soda e confesso que, na primeira vez que dei play, não consegui passar do segundo episódio, mas decidi assisti-lo até o final, mais como um estudo de caso mesmo e foi um entretenimento ok. 

Em Honey Lemon Soda acompanhamos a vida escolar de Uka Ishimori, uma garota de 15 anos recém formada no Ensino Fundamental II, bonita, muito inteligente e muito amada e protegida pelos pais, o único problema na vida dela foi o bullying pesado que sofreu durante anos na escola e que deixou marcas profundas em sua autoestima e autoimagem. Acostumada a ser a garotinha perfeita dos pais, Uka nunca contou a eles os abusos sofridos e estava pronta para aceitar fazer o Ensino Médio em um colégio de prestígio, mas tudo muda uma noite quando ela conhece um rapaz muito bonito, de cabelos descoloridos que a convida a estudar em uma escola mais voltada para Artes. 

Contrariando pela primeira vez as expectativas de todos, ela não faz a prova da escola de prestígio e vai para a outra, tornando-se assim colega de turma do garoto misterioso, Kai Miura. No começo, ela pensa que conseguirá passar uma borracha em tudo o que aconteceu durante sua infância e pré-adolescência, contudo, alguns bullers também estão estudando nessa mesma escola e, após anos se retraindo e sendo ignorada, Uka não sabe como fazer amigos e se impor. É nesse momento que, mais uma vez, Kai surge e dá umas sacudidas na garota. Ele a defende, mas não quer que ela se torne dependente dele, ele quer que ela use sua voz, se imponha, diga o quer, o que pensa, que faça amigos e pare de pensar só no que os outros querem e comece a pensar um pouco mais em si. Demora, porém, ao longo de 12 episódios vemos a evolução de Uka para se encontrar, entender a si mesma e começar a se impor mais, além é claro, de iniciar um romance com Kai, afinal, é um anime shoujo. 

Quando falei que continuei assistindo Honey Lemon Soda como um estudo de caso, é porque eu queria ver como seria desenvolvida a personalidade de sua protagonista e qual não foi a minha surpresa, infelizmente, quando constatei que ela não tem personalidade alguma antes de conhecer Kai! Tudo o que acontece na vida de Uka, todas as mudanças nela mesma, toda a sua evolução são ocasionadas pelo rapaz. A impressão que fica é que se ele não tivesse estendido a mão para ela naquela noite aleatória, ela nunca teria mudado e ficaria sempre sendo uma pessoa infeliz e passiva, fazendo tudo o que os pais mandavam sem nunca questionar nada. E isso, minha gente, é bem preocupante. 

Sendo bem sincera com vocês, narrativas e roteiros que têm como mote relacionamentos com dependência emocional SEMPRE me deixam desesperada e confusa. Eu não consigo entender como uma pessoa pode não ter um hobby, algo que goste de fazer, sonhos, objetivos, paixões e tudo em sua vida girar em torno de uma outra pessoa, ou mesmo, a pessoa começar a viver de fato sua vida somente quando apaixona-se por alguém. Acho isso bizarro demais, por esse motivo demorei para assistir Honey Lemon Soda. A cada episódio eu ficava mais e mais revoltada com a passividade da protagonista, pois, até mesmo quando ela começa a se impor e a lutar pelo que ela quer, não o faz por si mesma, mas pelo que espera que o garoto pense dela, e o pior: Uka além de inteligente é ótima em esportes, ela gosta de plantas, é uma ótima desenhista, é uma ótima amiga, mas isso não é desenvolvido na história, parece que não tem relevância, sabe? De novo, bizarro. 

Honey Lemon Soda é um anime com traços e cores muito bonitas, isso ninguém pode negar. O design das personagens é lindo mesmo. Contudo, me preocupa saber que adolescentes ou mesmo adultos ainda imaturos tenham contato com essa obra e não saibam interpretar toda a problemática em torno dela e acabem achando que é só mais um anime bonitinho, o que não é problema, a não ser que o ideal de relacionamento do espectador se torne o mostrado na obra, aí, minha gente, o negócio pode ficar sinistro… Enfim, se você gosta de romances colegiais, mas não tem problemas com dependência emocional, pode assistir Honey Lemon Soda em segurança, agora, se tiver, ele pode trazer muitos gatilhos.