24 de março de 2026
[EU ASSISTI] - NAMORADO POR ASSINATURA

 


A sociedade sul-coreana está passando por uma crise de natalidade real e nunca antes vista. As mulheres de lá não querem mais se casar e ter filhos, isso porque os homens de seu país, segundo as próprias e os dados levantados por pesquisadores, são extremamente machistas, desrespeitosos e violentos com elas, além disso, o custo de vida é muito alto e quando casadas, essas mulheres têm jornadas exaustivas, pois precisam conciliar de 10 a 12 horas de trabalho, com os afazeres domésticos e, se tiverem filhos, perdem a carreira e passam a ser totalmente dependentes do marido. É assustador. 

É com esse viés social que surgiu a minissérie Namorado por assinatura, produção lançada esse mês, disponível na Netflix e estrelada por Jisoo, uma das integrantes do grupo BLACKPINK (in your area). Nesta comédia romântica com pitadas de enemies to lovers, conhecemos Mi-rae (personagem de Jisoo), uma jovem editora beirando os 30, que trabalha em um empresa de webtoons e tem uma vida bem regrada e solitária, pois, por causa do trabalho, ela só tem três horas livres por dia. 



Mi-rae já teve um namorado que conheceu na faculdade, mas eles terminaram. Por que ele era péssimo com ela, como as mulheres reais alegam serem os homens sul-coreanos, Dedéia? Nãaaaaaaaaaao, minha irmã. Eles terminaram porque Mi-rae era péssima com o namorado. ELA é que não era atenciosa, ELA é que não ligava muito para o relacionamento deles, ELA é que o deixava inseguro, ELA é que colocou a carreira em primeiro lugar. Enfim, a culpa do término foi dela…  

No momento em que a narrativa começa, Mi-rae está muito irritada e chateada porque o ex seguiu em frente e vai se casar com uma outra colega da faculdade e, aliado a isso, ela se vê obrigada a trabalhar com uma autora insuportável, que sempre atrasa as entregas, obrigando seu editor a fazer muita hora extra, logo, quando recebe a proposta de testar uma nova aplicação chamada Namorado por assinatura, na qual entrará em uma realidade virtual para viver altas aventuras românticas, no começo, ela vê isso com bastante desconfiança, mas depois de tanto estresse, ela embarca com tudo nesse Titanic. 



Quando começa a usar ativamente o Namorado por assinatura em suas poucas horas livres, Mi-rae passa a ter experiências que ela não imaginava serem possíveis na vida real e se envolve emocionalmente com uma das IAs. O esquema em Namorado por assinatura é quase um RPG. Ela tem uma “ficha” e vai entrando nas histórias, conhecendo os caras e interpretando uma nova personagem. As coisas mudam, quando Mi-rae finalmente percebe que seu Namorado por assinatura não é uma exclusividade dela, ela se sente traída e tenta cancelar o plano, mas eis que surge uma funcionalidade bônus: o namorado exclusivo! Uma IA criada a partir de um questionário extenso, que promete ser o homem perfeito para a assinante. É óbvio que Mi-rae aceita esse “presente” e ao recebê-lo, ela quase caí para trás. 



Isso acontece porque o homem ideal para ela, de acordo com suas respostas, é idêntico a seu colega de trabalho e principal rival, Kyeong-nam, o qual já se declarou para ela, e a mesma lhe deu um fora, diga-se de passagem. É a partir daí que a cabeça de Mi-rae vai ficando mais e mais confusa e nós espectadores vamos ficando com mais e mais raiva, pois essa série nos faz ter pena de homem hétero, padrão e privilegiado, fala sério! 

Comecei a assistir Namorado por assinatura pensando que o enredo teria alguma crítica a como as IAs têm um potencial bem negativo em nossas vidas e podem nos manipular facilmente, contudo, o objetivo dessa minissérie, na minha percepção, foi ser tão somente uma propaganda para laçar mulheres ( o golpe está aí, cai quem quer..). Eu explico: é muito bizarro como todos os homens dessa produção são uns queridos. Todos eles, sem exceção, são respeitosos, carinhosos e amorosos; o problema são as mulheres, elas é que são “exigentes” demais! Mi-rae não para de trabalhar, sua melhor amiga não se decide por ninguém, enfim, o problema está sempre nelas, os homens estão ali abertos para um relacionamento amoroso profundo e duradouro. Isso é muito problemático. 

Você odeia os homens, Dedéia? Sim, não! Eu até tenho pai, tenho irmãos, sou casada com um homem! Brincadeiras a parte, minha crítica não é uma declaração de ódio aos homens, mas sim, uma reflexão sobre mecanismos de manipulação de massa que estão sendo fortemente usados para reverter um dilema social que poderia ser resolvido se os homens respeitassem as mulheres e nos tratassem como seres humanos de direitos e deveres e não como meras incubadoras e objetos de desejo e satisfação. 

Se você é fã de carteirinha de K-Dramas, isso não é a questão aqui. O problema é o número alarmante de mulheres jovens que estão deixando seus países, suas famílias, seus empregos, suas redes de apoio para encontrar um “amor coreano” e saem da Coreia do Sul frustradas e com profundas marcas físicas ou psicológicas por causa disso. As reportagens e os relatos reais, de mulheres reais, são sinistros e muito, muito preocupantes. Por esse motivo, o enredo construído em Namorado por assinatura me deixou tão aborrecida. 



Isso porque nem discorri sobre o fato de a rivalidade em Mi-rae e Kyeong-nam estar só na cabeça dela, na verdade ele é só um homem apaixonado que não sabe como expressar seus sentimentos para a mulher amada… e ela confunde isso com indiferença, superioridade, antipatia e arrogância (aham, sei…). 

Namorado por assinatura  é uma produção muito bonita visualmente, tem um estilo bem característico de cores e ambientes que cativam o público feminino: muita cor, mas sem saturação, ambientes acolhedores, nem parece que esse povo vive em uma das capitais mais caras do Leste Asiático, visto que a galera está sempre indo beber, curtindo, comendo bem, morando bem, podendo gastar a vontade… É só dar uma pesquisada bem básica, gente, que vocês vão ver que a realidade em Seul não é nem um pouco parecida com a descrita no drama…

E eu sei que existem sim casos de casamentos bem sucedidos entre homens sul-coreanos e mulheres sul-coreanas ou com mulheres estrangeiras, mas esse não é o ponto, minha preocupação, como dito acima, é com uma mulher sair de seu país ludibriada por essa mega exposição a uma sociedade fake e ao chegar lá se frustrar, gastar todas as economias e ainda achar que o problema é ela, que ela só não viveu o amor coreano porque ela errou! O erro não é do cara escroto que a tratou como um lixo e acha que isso é normal. 

Enfim, na minha humilde opinião, não tenho interesse nesse tipo de produção, já falei aqui de alguns dramas coreanos bem legais e que saem dessa propaganda “pega turista” e me senti enganada ao concluir Namorado por assinatura, pois tanto eu quanto o Samu esperávamos algo beeeem diferente, ingenuidade nossa, né? Em uma sociedade carregada de Red pills, trad wives e “conservadores”, dificilmente uma produção dramática se comprometeria a mostrar como de fato é a realidade das mulheres e dos homens sul-coreanos e como as barreiras sociais que os impedem de ter relacionamentos saudáveis estão justamente nesses movimentos e em uma mentalidade machista e misógina que existe há séculos e que ninguém, além de algumas mulheres, quer e luta ativamente para que acabe. 



17 de março de 2026
OS GAROTOS CORVOS, DE Maggie Stiefvater

 



Sabe aquele tipo de livro que você bate o olho, lê a sinopse e tem a certeza de que vai gostar da história? Mas por algum motivo estranho, sempre protela a leitura? Pois bem, esse é o caso de Os garotos corvos para mim! Há anos olho para a capa desse livro e penso “um dia vou lê-lo” e, finalmente, esse dia chegou e minha intuição estava certa: amei a história criada por Maggie Stiefvater e é claro que já adquiri os demais volumes! 

Em Os garotos corvos a autora faz uso de um recurso narrativo semelhante ao usado pelas autoras de Bruxaria, ao contrário delas, porém, Maggie Stiefvater o faz de maneira muito respeitosa e verossimilhante, pois aqui o mote da história é conduzido pelas Linhas de Ley e seu suposto (no volume confirmado) poder enérgico e místico e como as localidades por onde elas passam são muito influenciadas por sua magia. 

Maggie Stiefvater começa a história nos apresentado a Blue Sargent, uma adolescente de 16 anos que tem uma vida bem incomum. Apesar de morar na pacata cidade de Henrietta, Virginia, Blue vem de uma extensa linhagem de médiuns, sendo sua mãe uma cartomante, sua tia uma médium pop com um programa na TV e as melhores amigas de sua mãe também sendo médiuns, logo, nossa protagonista não se encaixa muito bem na sociedade moralista de onde mora e acaba não tendo muitos amigos, ou melhor, nenhum amigo. Ademais, a casa de Blue é uma grande e acolhedora confusão feminina, com sua mãe, as amigas dela, sua prima Orla, a própria Blue e, posteriormente, sua misteriosa tia; assim, a menina passa anos sem se importar muito com o fato de ser uma outsider, afinal, já tem bastante amor e companheirismo em sua vida com as mulheres que a cercam, contudo, há algo que intriga e irrita Blue ao mesmo tempo: Os garotos corvos

Richard Gansey, ou só Gansey, como ele prefere, é nosso outro adolescente protagonista, mas, diferente de Blue, ele é muito popular, o típico garoto boa praça que fala com todo mundo e é bem quisto por todos, além de ser podre de rico. O garoto é tão rico que acaba sendo um pouco sem noção para as outras pessoas, meros mortais, que não têm os mesmos privilégios que só muito dinheiro pode proporcionar e que para Gansey são absurdamente normais e corriqueiros. Como não poderia deixar de ser, ele é um dOs garotos corvos, afinal, esse é um apelido dado a todos os estudantes da Escola para garotos Aglionby, uma instituição de elite onde só estudam os mais ricos e abastados, ou garotos pobres muito, muito inteligentes e esforçados. 


Mas como essas duas pessoas tão diferentes têm seus destinos interligados? 


Todos os anos, na noite da Véspera do Dia de São Marcos, Blue e sua mãe vão até o terreno de uma antiga igreja abandonada da cidade a fim de observar uma espécie de “procissão das almas” que passa por um caminho específico que é uma Linha de Ley. Nessa noite em específico, algo muito estranho acontece, porque, mesmo vindo de uma linhagem de médiuns, Blue nunca apresentou mediunidade, ela “apenas” consegue aumentar os poderes paranormais de outras pessoas, mas nessa noite ela consegue ver uma alma, a de Gansey, e isso é muito preocupante já que desde os seus 5 anos a garota é assombrada por uma profecia que diz que ela vai matar ou ser responsável pela morte de seu verdadeiro amor se o beijar e, segundo sua tia, só há duas explicações para um não médium ver uma alma na Véspera do Dia de São Marcos: ou você vai matá-la, ou ela é o seu grande amor. 

Gansey, por acaso, está muito envolvido com questões paranormais já que ele é um caçador de Linhas de Ley e por esse motivo está em Henrietta. Ele busca comprovar que a lenda do rei galês “Glendower” é real e pretende lhe fazer um pedido quando encontrar seu túmulo e despertá-lo. Obviamente, ele não está sozinho, contando com a ajuda de seus amigos: o esquentadinho, Ronan; o certinho, Adam e o esquecível, Noah. Esses são Os garotos corvos do título e eles vão contar com a ajuda de Blue para tentar encontrar esse “Santo Graal”, eles só não sabem que existem outras pessoas bem inescrupulosas que também estão atrás de ter seus desejos realizados e serão capazes de qualquer coisa para isso. 

Eu simplesmente amei cada minuto dessa leitura! Imaginava que iria gostar dessa história, só não imaginava que ficaria tão fascinada pela escrita de Maggie Stiefvater! Comecei a leitura sem grandes expectativas e terminei totalmente deslumbrada e ansiosa para continuar com o próximo volume. Se você gosta de narrativas de fantasia urbana, uma leve pitada de romance adolescente, personagens cativantes, mistérios e plot twists, com certeza Os garotos corvos é a leitura perfeita para você! É entretenimento de qualidade em todos os capítulos! 


10 de março de 2026
[ANIMA] DIÁRIOS DE UMA APOTECÁRIA



Narrativas nas quais protagonistas femininas lidam com venenos têm um lugar especial no meu coração, por isso, quando conheci Diários de uma Apotecária não me aguentei e devorei os 24 episódios da primeira temporada com um interesse e curiosidade genuínos, pois essa história é muito, muito instigante e divertida! 

Em Diários de uma Apotecária acompanhamos a trajetória de MaoMao, uma jovem apotecária (farmacêutica) viciada em fazer experimentos em si mesma, filha adotiva de um também apotecário e médico, que, por um infeliz descuido, acaba sendo sequestrada e vendida para o Palácio para ser serviçal, em um reino fictício chamado Li, que se assemelha à China Imperial. Pois é, minha gente, a vida das mulheres não era nem um pouco fácil antigamente… Não que hoje seja muito melhor, mas, pelo menos, acredito que não somos mais vendidas por aí como se fossemos tomate. 

Trabalhando no palácio já há alguns meses, MaoMao está conformada com sua situação, afinal, ela é uma moça pobre e sem relevância política, e contar que foi sequestrada pode apenas piorar sua situação, então, ela segue trabalhando, até que, um dia, os filhos de duas das principais concubinas do Imperador ficam doentes e elas também. Intrigada com a situação, nossa protagonista começa uma investigação, descobre a causa da doença (um envenenamento acidental) e salva a vida de uma das crianças e de ambas as mães. 

Por causa de suas descobertas, MaoMao chama a atenção de Jinshi, um suposto eunuco muito influente no Palácio que é encarregado de cuidar da segurança das principais concubinas do Imperador. Juntos, MaoMao e Jinshi vão desvendar diversos mistérios usando a astúcia, sagacidade e conhecimento científico da primeira e a influência e carisma do segundo. 

Diários de uma Apotecária é aquela típica série na qual cada episódio traz um mistério novo a ser desvendado e tudo vai se interligando com as histórias dos protagonistas. Ademais, se você já assistiu a algum filme ou série chinesa sobre o período imperial, sabe que nessa época as intrigas palacianas corriam soltas, logo, os serviços prestados por MaoMao vão salvar muitas vidas importantes e a história vai caminhando para diversas conspirações perigosas nas quais a coitada vai ficar bem no meio! 

Eu adorei assistir Diários de uma Apotecária e espero poder assistir em breve as próximas temporadas!


5 de março de 2026
[Eu assisti] Nada de novo no front (1930)


Olá, pessoal! Lá vem o Samu, vulgo euzinho, trazendo mais resenha de filme de guerra... 😓



Juro pra vocês que não sou fã desse tipo de filme, mas como eu me propus a assistir todos os vencedores de melhor filme do Oscar, então não tinha como escapar, sabe? Então, vamos lá! O filme da vez é Nada de Novo no Front (1930), dirigido pelo Lewis Milestone.


Trata-se de uma história baseada no livro homônimo do autor alemão Erich Maria Remarque, que vai abordar os horrores da Primeira Guerra Mundial. Eu li esse livro já tem uns quatro ou cinco anos, então não me lembro muito bem dos detalhes, mas posso dizer que o filme é bem fiel ao livro.


O filme começa numa sala de aula, na Alemanha, onde o professor está fazendo um baita discurso para os alunos, tentando convencê-los da importância de se alistar no exército. Sendo assim, toda aquela ladainha de heroismo e coragem contamina a cabecinha dos meninos, fazendo-os trocar os livros por fuzis.


No quartel, eles passam por um treinamento muito duro, promovido pelo sargento Himmelstoss, o homem que costumava ser o carteiro no bairro onde os meninos moravam. Nesse ponto, eles ainda não têm noção do que é a guerra e agem como se tudo aquilo fosse uma brincadeira, uma aventura emocionante. Mas essa visão vai mudar depois de alguns meses, quando eles concluem o treinamento e são finalmente mandados como um destacamento no front de batalha.


Por ser um filme, os personagens não têm tanta profundidade quanto no livro. Enquanto que no livro a gente reconhece cada um deles logo nos primeiros capítulos, no caso do filme eu só comecei a entender quem era quem da metade para o final. Isso porque o filme foca muito mais em demonstrar o contexto precário dos soldados na guerra, para só depois passar para uma visão mais micro.


O final é chocante, não só pelas mortes, mas pela reflexão que Paul, o protagonista, faz nas últimas cenas. Ele se dá conta de que, para aquela geração de adolescentes alemães, já não haveria futuro mesmo depois que a guerra terminasse, pois as pessoas normais da sociedade jamais entenderiam os horrores que eles tiveram de enfrentar. è um desfecho bem pesado, tanto no livro quanto no filme.


Enfim, considero Nada de Novo no Front (1930) uma adaptação excelente, que envelheceu muito bem. Talvez, num futuro não tão próximo, eu me anime para assistir a versão que saiu mais recente pela Netflix.




3 de março de 2026
O ATENEU, DE Raul Pompeia e MARCELLO QUINTANILHA



A releitura de clássicos da literatura sempre causa alguma polêmica, principalmente quando inserida na escola. Infelizmente é muito difícil para nós professores engajarmos nossos alunos nessas leituras. Por esse motivo fiquei feliz ao ver adaptações para quadrinhos desses clássicos e a primeira que li foi O Ateneu, de Raul Pompeia, adaptada por Marcello Quintanilha

Antes de trazer meu ponto de vista sobre a obra, vamos à sinopse: Sérgio, um homem adulto, relembra o tempo em que estudou nO Ateneu, internato de grande prestígio na cidade do Rio de Janeiro do final do século XIX. Contudo, essas memórias não são saudosistas, pelo contrário, são dolorosas e muito traumáticas. 

O Ateneu era um ambiente extremamente hostil, comandado por um diretor egocêntrico e cheio de figuras abusivas. Não era de forma alguma um “templo do saber”. As lembranças de Sérgio são muito tristes e trazem até momentos de quase abuso infantil tanto por parte de colegas, quanto da esposa do diretor… 

Falando agora sobre a adaptação de Marcelo Quintanilha, acredito que a leitura ficou ainda mais difícil para o jovem leitor, pois quase não há diálogos entre as personagens e os pensamentos de Sérgio são bem formais e complexos. 

Entendo que Marcelo Quintanilha não quis modificar o texto de Raul Pompeia, mas se o objetivo era atrair um público mais jovem, dificilmente será alcançado. Quanto às ilustrações, é tudo muito lindo! As cores usadas por Quintanilha dão a O Ateneu um aspecto ora onírico, ora de pesadelo, muito condizentes com o conteúdo crítico e memorialista da narrativa de Raul Pompeia

Sinceramente, gostei da leitura de O Ateneu. Só não acho que esta será tão interessante para os jovens leitores sem o devido contexto pesquisado ou explicado durante aulas de Literatura. Agora, como apoio das supracitadas, essa HQ pode ser sim uma maneira eficaz de introduzir um clássico da nossa literatura sem ser traumatizante. 


24 de fevereiro de 2026
[ANIMA] MY DRESS-UP DARLING



No ano passado, comecei a assistir muitos animes e a ler muitos mangás e acabei pegando, no Instagram, a recomendação de My Dress-Up Darling e resolvi dar uma chance para essa história. 

Em My Dress-Up Darling, conhecemos Wakana Gojo, um garoto do Ensino Médio com aquele mesmo perfil de sempre: super tímido, sem amigos, sofria bullying na infância, por causa disso na adolescência é solitário… O diferencial dele é ser um artista. Gojo trabalha na loja de seu avô criando bonecas Hina, uma arte muito antiga e respeitada no país e muito linda também. O problema é que além de não ter amigos, o rapaz acredita não ter muito talento para o ofício de artesão, apesar de ser completamente apaixonado pelas bonecas desde a infância, sendo este o motivo de todo o bullying do qual foi alvo. 

Conhecemos também Marin Kitagawa, adivinhem? O total oposto dele! Ela é super popular, cheia de amigas e admiradores, linda, confiante e muito estilosa. Os caminhos desses dois se cruzam porque Marin descobre que Gojo sabe costurar e ela quer se tornar uma cosplayer e, apesar da timidez, ele decide ajudá-la a realizar seu sonho e é assim que My Dress-Up Darling começa. 

Essa história poderia ser só mais um anime shoujo padrão, mas, My Dress-Up Darling tem um conteúdo bem sugestivo, porque os cosplays que Marin quer fazer são, em sua maioria, de jogos pornográficos, isso mesmo, não são nem eróticos, são pornôs mesmo, e isso é falado de forma bem natural por ela no anime, algo que achei até inovador. O problema é que os corpos femininos são muito objetificados aqui, o que incomoda bastante e o modo como Marin fala também é muito sugestivo e incômodo. 

Aparentemente, a futura história de amor entre Marin e Gojo será fofinha e tudo o mais, só que a objetificação de corpos femininos do anime não me deixou muito entusiasmada para assistir a uma próxima temporada de My Dress-Up Darling, ou mesmo para procurar pelos mangás, mas esses personagens formam um casal muito lindinho, isso não posso negar.  




10 de fevereiro de 2026
[ANIMA] TAISHO OTOME FAIRY TALE

 Esse é o ano dos animes aqui no Livre Lendo! =D 



Eu tenho duas grandes paixões culturais: contos de fadas e os anos 1920! Não importa a que cultura ou nacionalidade essas temáticas pertençam, eu vou consumir esses produtos culturais vorazmente e as chances de eu amar essas histórias é de 100%. Sabendo disso, não é nenhuma surpresa que, zapeando pelo Crunchyroll encontrei a pérola delicada e preciosa que é Taisho Otome Fairy Tale. Que shoujo fofinho, gente! 

Antes de falar da narrativa de Taisho Otome Fairy Tale vamos a alguns fatos históricos: a Era Taisho foi um período de grande expansão industrial no Japão e durou de 1912 a 1926, por esse motivo as histórias que se passam nesse período, tais como Demon Slayer, mostram um dualismo entre o estilo japonês tradicional e um estilo mais ocidentalizado, pois foi nessa época que o país “abriu suas portas” para o ocidente. 

Em Taisho Otome Fairy Tale vamos conhecer o jovem Tamahiko Shima, um adolescente rico de uma família de prestígio que, ao sofrer um acidente de carro, no qual sua mãe perde a vida e ele fica com um dos braços inutilizado, vê sua vida mudar completamente, pois seu pai e suas irmãs passam a desprezá-lo, chegando a expulsá-lo de casa, mandando-o para o interior do país e dizendo aos vizinhos que o jovem morrera junto com a mãe no acidente. É bem bizarro. 

Como Tamahiko está enfermo e nunca precisou se cuidar sozinho, seu pai arranja uma noiva para ele, a jovem Yuzuki Tachibana, uma menina meiga, gentil e muito prestativa, que aceita ser entregue como noiva de um desconhecido para pagar uma dívida que seu pai tinha com a família Shima. Para nós pode parecer estranho, mas esse tipo de arranjo era beeeem comum no Japão da Era Taisho, inclusive já resenhei O último voo das borboletas que mostra um lado mais obscuro e cruel dessas transações nas quais meninas eram usadas como mercadorias por suas famílias. 

Ao chegar a casa dos Shima no interior, em meio a uma tempestade de neve, Yuzuki, se depara com um Tamahiko desiludido com a vida e completamente entregue à depressão. Com o passar do tempo, Yuzu vai mostrando para ele o quanto ele é uma pessoa merecedora de amor e carinho e ele imediatamente se afeiçoa pela garota incrível que ela é. 

Esses dois formam um casal muito fofinho e por serem apenas noivos e viverem no interior do Japão, apesar de morarem sozinhos, Tamahiko é muito, muito respeitoso com a Yuzu e nunca força absolutamente nada com ela, é bem bonito ver como os dois fazem bem um ao outro e como, com o passar do tempo, o rapaz recupera o movimento do braço, volta a estudar e decide tornar-se professor do pequeno vilarejo, ajudando muitas famílias com isso. 

O desenvolvimento da história deixa bem claro como Yuzu é a força motriz por trás de todas as mudanças em Tamahiko e em outros personagens também. Sem ela, nosso protagonista teria se entregado ao desespero e à solidão, e também pudera né, gente, o menino é morto em vida pela própria família! 

Taisho Otome Fairy Tale é um anime lindo e conta com apenas 12 episódios, podendo ser maratonado em um final de semana fácil, fácil. Gostei bastante dessa história e os últimos três episódios foram surpreendentes porque a narrativa entrega um plot twist que a gente não espera e ficamos desesperados junto com o protagonista por causa disso. Com certeza, esse anime já ganhou um lugar especial na minha memória sobre obras que retratam os anos 1920!