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14 de julho de 2026
A SIGN OF AFFECTION, de Suu Morishita



Como eu já falei em um outro post,  A sign of affection ganhou meu coração de um jeito que não resisti e cacei os mangás pelas interwebs para saber a continuação da história de amor de Yuki e Itsuomi e, também, já estou adquirindo os volumes publicados pela New Pop, que está no sétimo atualmente. Agora, posso dizer com propriedade que tenho mais uma mangaká favorita e o nome dela é Suu Morishita

A sign of affection é um mangá criado por Suu Morishita, publicado na revista Dessert desde 2019, sem previsão de um final, a obra conta com 12 volumes até agora. A inspiração da autora para criar o relacionamento entre Yuki, uma jovem surda, e Itsuomi, um jovem com espírito de andarilho, veio da vida real, pois uma das amigas de Suu Morishita é surda e foi através dela que a autora teve contato com a cultura surda japonesa. 

Mangá e anime são bem parecidos, pois este último adapta o primeiro até o volume 6, capítulo 21, com algumas alterações na ordem de aparecimento de algumas informações, mas está tudo lá. O anime é ótimo. O mangá continua a partir do ponto em que Yuki e Itsuomi já estão namorando e decididos a realizarem seus sonhos juntos, mas vamos a um contexto, caso você não saiba nada sobre essa história nem tenha lido meu post sobre a animação. 

Em A sign of affection conhecemos Yuki, uma jovem universitária de cabelo rosa, super fofa e linda que tem uma particularidade: ela é surda. Um dia, no metrô, ela acaba conhecendo outro jovem universitário que a salva de uma situação embaraçosa, seu nome é Itsuomi e ele tem o espírito do andarilho, digo isso porque esse homem não esquenta canto em lugar nenhum, está sempre viajando, sempre mochilando, me dá preguiça só de pensar, mas enfim, Yuki o acha fascinante e logo fica super gamada nele, até porque ele se interessa pela cultura surda e decide aprender língua de sinais. 

Nos primeiros 4 volumes do mangá vemos a amizade deles sempre oscilar entre um possível romance, principalmente, porque Yuki está COMPLETAMENTE apaixonada por ele, nós, leitores, sabemos que o Itsuomi também é apaixonado por ela, afinal, o cara está muito empenhado em aprender língua de sinais japonesa o mais rápido possível para se comunicar melhor com ela, pois é a única pessoa surda que ele conhece ou já conheceu até hoje, contudo, como não poderia deixar de ser, a Yuki não vê isso. 

Ao longo dos próximos volumes vemos a  relação dos dois se aprofundar cada dia mais, até morar juntos eles vão e o capítulo no qual o Itsuomi conhece os pais da Yuki é hi-lá-rio apesar de ter um momento beeeem bad vibes no meio, pois, Suu Morishita deixa bem claro que a sociedade japonesa é bem preconceituosa e avessa a pessoas com deficiência, não são todos, mas sempre haverá aqueles que olharão feio para Yuki ou não vão querer ter contato com ela e seus familiares por causa da deficiência dela, sim é bizarro, eu sei, e fiquei muito revoltada com isso. 

Como eu já imaginava após concluir o anime, a continuação de A sign of affection me cativou de uma forma muito profunda. O traço de Suu Morishita é lindo e delicado, é tudo tão fofo!  É claro que por se tratar de um shoujo há bastante foco no romance, seja dos protagonistas, seja de seus amigos, mesmo assim, há crítica  social também, apesar de bem leve, e até o momento, não vi nenhuma red flag no comportamento de Itsuomi em relação a Yuki, eles são fofos e se possível, não quero que sua história acabe! Então é isso, gente, quando a New Pop alcançar a publicação original e tiver novos capítulos da história desses dois, vou atualizando por aqui.


7 de julho de 2026
HONNOU SWITCH, de Kujira



A cultura pop ocidental é cheia de livros e filmes que retratam o surgimento do amor entre amigos de infância ou de longa data: Simplesmente acontece, O casamento do meu melhor amigo, Teto para dois etc. O que todas essas obras têm em comum além do mote é a total falta de comunicação entre os ditos amigos que não aceitam seus sentimentos e lutam incansavelmente contra eles, causando situações constrangedoras e absurdas, sofrendo e fazendo os outros sofrerem, algo que poderia ser facilmente consertado se eles dissessem o que sentem uns pelos outros. Sendo bem sincera, esse tipo de história me dá canseira, por isso, quando li a resenha da Priih, do blog Infinitas Vidas sobre um mangá contando o desenvolvimento da relação amorosa entre dois melhores amigos, sem mimimi, sem enrolação e com COMUNICAÇÃO, eu pensei, preciso ler isso! O mangá é Honnou Switch, no inglês Changes of heart, da autora Kujira.

O mangá começa de forma bem frenética porque nossa protagonista, Koyori, uma mulher de 26 anos, está desiludida e muito chateada porque seu namorado e também chefe terminou com ela porque a estava traindo esse tempo todo e a outra está grávida. Desconsolada, ela vai chorar as pitangas no ombro de seu melhor amigo, Hijiri, o qual ela conhece desde quando estavam na creche. Eles sempre foram vizinhos, seus pais são amigos, eles sempre tiveram relacionamentos amorosos com outras pessoas e, para Koyori, era impossível acontecer algo romântico entre ela e o amigo, até que, depois de muito beberem e ela reclamar que mesmo namorando já não fazia sexo há um bom tempo, Hijiri se oferece e ela, bêbada, aceita. No dia seguinte, como seria de se esperar em QUALQUER HISTÓRIA DESSA TEMÁTICA, ela acorda desnorteada e pede para que eles esqueçam tudo o que aconteceu e continuem sendo apenas amigos. É a partir daqui que a história sai totalmente da zona clichê. 

Na minha humilde opinião, Kujira inovou muito ao fazer com que Hijiri seja um homem adulto que age como tal e vai conversar abertamente com Koyori. Ele não se ofende, não fica melindrado, não faz joguinhos, ele apenas diz a real: ele é apaixonado pela amiga desde a adolescência, contudo, ela nunca deu uma abertura para que ele pudesse se confessar e agora que ambos estão solteiros e fizeram o melhor sexo de suas vidas, ele quer tentar um relacionamento com ela, afinal, eles são melhores amigos, já conhecem muito um ao outro, por que não tentar? É claro que eles terão alguns vários conflitos, pois ambos se conhecem como melhores amigos, a dinâmica de casal muda essa relação, só que o respeito, o amor, o companheirismo e a confiança estão presentes em cada momento dessa relação e é muito lindo e fofo de ver. 

Koyori é bem reservada e tem muitas inibições e receios por causa de relacionamentos anteriores e também por toda carga que é infligida a nós mulheres no geral, Hijiri é mais aberto e paciente, respeitando o espaço dela e mostrando sempre o quanto ela é amada, mesmo ele tendo também suas inseguranças e ciúmes. Em nenhum momento Honnou Switch me fez revirar os olhos ou desacreditar da história, muito pelo contrário, o relacionamento de Koyori e Hijiri é bem crível, apesar deles transarem demais mesmo quando estão super cansados depois de um dia longo de trabalho, isso é um pouco forçado, mas passo pano porque eles são um casal fofo e 0% tóxico, ou seja, precisam ser exaltados. 

A leitura de Honnou Switch foi uma grata surpresa. Li todos os 8 volumes em inglês porque, infelizmente, aqui no Brasil eles ainda não foram publicados,  o que é realmente uma pena, pois essa história é muito linda e traz um quentinho ao coração. Não conhecia a escrita de Kujira, mas ela já me conquistou e, sério, queria ler muito mais sobre Koyori e Hijiri, meu casal hétero favorito. 


3 de março de 2026
O ATENEU, DE Raul Pompeia e MARCELLO QUINTANILHA



A releitura de clássicos da literatura sempre causa alguma polêmica, principalmente quando inserida na escola. Infelizmente é muito difícil para nós professores engajarmos nossos alunos nessas leituras. Por esse motivo fiquei feliz ao ver adaptações para quadrinhos desses clássicos e a primeira que li foi O Ateneu, de Raul Pompeia, adaptada por Marcello Quintanilha

Antes de trazer meu ponto de vista sobre a obra, vamos à sinopse: Sérgio, um homem adulto, relembra o tempo em que estudou nO Ateneu, internato de grande prestígio na cidade do Rio de Janeiro do final do século XIX. Contudo, essas memórias não são saudosistas, pelo contrário, são dolorosas e muito traumáticas. 

O Ateneu era um ambiente extremamente hostil, comandado por um diretor egocêntrico e cheio de figuras abusivas. Não era de forma alguma um “templo do saber”. As lembranças de Sérgio são muito tristes e trazem até momentos de quase abuso infantil tanto por parte de colegas, quanto da esposa do diretor… 

Falando agora sobre a adaptação de Marcelo Quintanilha, acredito que a leitura ficou ainda mais difícil para o jovem leitor, pois quase não há diálogos entre as personagens e os pensamentos de Sérgio são bem formais e complexos. 

Entendo que Marcelo Quintanilha não quis modificar o texto de Raul Pompeia, mas se o objetivo era atrair um público mais jovem, dificilmente será alcançado. Quanto às ilustrações, é tudo muito lindo! As cores usadas por Quintanilha dão a O Ateneu um aspecto ora onírico, ora de pesadelo, muito condizentes com o conteúdo crítico e memorialista da narrativa de Raul Pompeia

Sinceramente, gostei da leitura de O Ateneu. Só não acho que esta será tão interessante para os jovens leitores sem o devido contexto pesquisado ou explicado durante aulas de Literatura. Agora, como apoio das supracitadas, essa HQ pode ser sim uma maneira eficaz de introduzir um clássico da nossa literatura sem ser traumatizante. 


28 de outubro de 2025
O CORVO

 



    Quando eu falo que sou marcha lenta, o povo acha que é história, mas eu sou mesmo e tenho como provar: em 2018 a editora DarkSide lançou O corvo, hq escrita e ilustrada por James O'Barr. Comprei meu exemplar em 2019 e o li no ano passado e vou publicar a resenha por aqui hoje. Hahaha Essa é única risadinha que darei nesse post, porque a história de hoje é pesada e muito triste.
    Acontece que há anos quero ler O corvo, o problema é que eu sempre protelava essa leitura porque sabia que ela me impactaria e me deixaria um pouco arrasada e eu estava certa. A trama desenvolvida por James O'Barr é violenta, trágica e nem um pouco bonita (por causa do tema e porque os traços dele são bem estranhos e muito carregados de nanquim).  
    Caso você não saiba, James O'Barr passou por um trauma muito grande que o fez, para expurgar toda a dor e culpa, iniciar a criação de O corvo: a então namorada dele da época, a qual ele chama de "a garota que era Shelly" sofre um acidente de carro e morre na hora, ela havia saído para resolver um problema de James, logo, ele se sentiu culpado pela morte dela durante muitos anos. Isso é bem tangível em toda a obra, a dor, o sofrimento, a culpa, o sentimento de raiva e revolta. 
    Em O corvo acompanhamos a história de vingança de Eric, um rapaz que vivia com sua noiva em uma das cidades mais perigosas dos Estados Unidos. Uma noite, quando o motor do carro deles para de funcionar, o casal é abordado por uma gangue, são roubados, atiram em Eric a queima roupa e sua noiva, Shelly, é brutalmente violentada e assassinada, é uma cena horrível de se ver. 
    É a partir daí, com a ajuda de uma entidade sobrenatural que assume a forma de um corvo, que Eric irá traçar seu plano de vingança: ele matará todos os envolvidos no assassinato violento de sua amada para só assim poder descansar em paz ao lado dela. E, no meio do caminho, ele também ajudará uma garotinha. 
    A leitura de O corvo até seria rápida, afinal, é uma hq, só que a temática e as cenas violentas te obrigam a parar um pouco, fazer outra coisa, ler algo mais leve e depois voltar. Falei antes sobre o traço esquisito de James O'Barr, mas é notável como ele o suaviza e torna mais equilibrado quando Eric relembra os bons momentos com Shelly, tornando-os belos e oníricos e a realidade ainda mais perturbadora. 
    Gostei de O corvo, pretendo reler essa obra? Jamais. As impressões que ela me deixou serão difíceis de apagar, logo, não pretendo passar por isso de novo. Não estou aqui criticando negativamente o trabalho de James O'Barr, muito pelo contrário! A obra é tão verdadeira e pungente que eu simplesmente não conseguiria acompanhar o sofrimento de Eric e Shelly mais uma vez.

17 de outubro de 2025
MORDIDA

 



    Há alguns anos, uma outrora amiga me falou sobre o livro Mordida, que, na época, ainda não tinha sido publicado aqui no Brasil. Por ser grande fã das tirinhas de Sarah Andersen, esperei ansiosamente pelo lançamento e, ao vê-lo na livraria, não resisti e comprei, mas deveria ter esperado um pouco mais....
    Acho que vou ser polêmica agora, mas lá vai: paguei R$ 79,90 em Mordida. Não me arrependi de adquiri-lo, contudo, penso que seria melhor tê-lo comprado depois, pois terminei a leitura em exatas duas horas. E sim, eu sei que essa obra foi lançada em 2021, porém, fiz a primeira leitura em 2022 e estou publicando a resenha só agora por motivo do hiatus do blog. 


    Conhecendo o trabalho de Sarah Andersen, não sei por que esperei que Mordida fosse um romance ou uma graphic novel. Acho que o modo como a outrora amiga falou da história me fez criar essas expectativas e, bem, quebrei a cara...
    Mordida tem como protagonista a vampira Elsie que começou um relacionamento com o lobisomem Jimmy. Ao longo de 106 páginas, acompanhamos a rotina romântica e um pouco macabra do casal, tudo com o traço lindo e charmoso de Sarah Andersen. Além disso, as tiras são marcadas pelo humor ácido característico da autora e umas boas pitadas de subcultura gótica que nós por aqui tanto amamos! 


    A editora Seguinte está de parabéns pelo projeto. O livro tem capa dura e um acabamento em tecido que ressalta ainda mais a arte de Sarah Andersen e dá um ar mais clássico e chic para a edição. Sinceramente, gostei de Mordida, mas seria muito mais legal acompanhar a história de Elsie se ela tivesse um desenvolvimento maior. 






8 de julho de 2025
POR DEUS OU PELO ACASO


    A editora Pipoca & Nanquim tem trazido ao mercado brasileiro uma ótima seleção de quadrinhos e romances com grandes autores e ilustradores, mas em Por Deus ou pelo acaso, de Becky Cloonan, o acerto não foi tão grande assim. 
    Não conheço nenhuma outra obra de Becky Cloonan, por isso, não posso falar com muita propriedade sobre seu trabalho, contudo, Por Deus ou pelo acaso não me surpreendeu muito em termos de construção do enredo; gostei muito mesmo das ilustrações, são lindas! O problema é que comprei um quadrinho para ler sua história também, não apenas para apreciar suas imagens. 
    Por Deus ou pelo acaso traz três historietas bem curtinhas tendo como plano de fundo um contexto medieval e místico, com criaturas mitológicas tais como lobisomens e selkies. Se bem desenvolvidas, as narrativas de Becky Cloonan seriam muito envolventes e instigantes. Do jeito que ficou parece, em relação à escrita, um protótipo com o começo e o fim de três histórias, faltando o desenvolvimento delas. 
    Como dito antes, as ilustrações de Por Deus ou pelo acaso são muito lindas, pena a escrita de Becky Cloonan ter sido totalmente esquecível para mim. Tenho outras obras da editora Pipoca & Nanquim aqui em casa e espero que as próximas leituras sejam mais interessantes.

24 de junho de 2025
AZUL É A COR MAIS QUENTE

 



    Conheci Azul é a cor mais quente através da apelativa adaptação cinematográfica de 2013. Não gostei do filme porque achei que as meninas foram muito objetificadas, mas queria conhecer a fonte da história. Como eu sou bem marcha lenta e nesse meio tempo fui engolida pela vida adulta, acabei não correndo atrás dessa HQ. No começo do ano passado, porém, meu marido (vulgo Samu) a comprou  e pude lê-la,  no final do ano, e constatei que a história de Clementine e Emma é muito linda e delicada, e muito, muito triste.
    Em Azul é a cor mais quente acompanhamos Clementine, uma adolescente de 16 anos e Emma, uma jovem universitária; a menina não entende os sentimentos que tem pela garota mais velha de vibrantes cabelos azuis e isso a atormenta muito, até porque seus pais são bem conservadores, além disso, Clem é bem tímida e reservada, começa a sair com um garoto e percebe não sentir por ele o que uma garota hétero sente por um cara quando está afim dele, já quando pensa em Emma... É avassalador. 
    Ao longo dos anos a amizade das duas  vai se desenvolvendo, mas além de Clem ter pais homofóbicos  e sentir na pele esse preconceito na escola só porque o pessoal sabe de sua amizade com Emma, uma garota abertamente lésbica, ainda tem o fato desta última estar em um relacionamento abusivo (de ambas as partes, que fique claro) com Sabine, há muitos anos. Emma também se apaixonou por Clem desde a primeira vez em que se viram, contudo, ela se sente presa à Sabine por causa de um sentimento equívoco de gratidão e, mesmo já tendo sido traída pela mesma, é difícil terminar essa relação. 
    Com o tempo, Clem e Emma se acertam, entretanto, isso não vem sem um preço: já falei acima que os pais da protagonista são homofóbicos, né... pois bem, eles não vão aceitar nem um pouco que sua única filha se relacione com outra mulher... e isso vai gerar em Clementine uma tristeza profunda. O preconceito contra a comunidade LGBTQIAP+ torna a vida de Clem muito, muito difícil, e acaba, ao longo dos anos,  eclipsando de alguma forma a felicidade que ela sentia por estar com a pessoa que amava, Emma. É desolador ver como a rejeição dos pais machuca a jovem demais, ao ponto de, na vida adulta, ela continuar com essa ferida aberta. 
    Azul é a cor mais quente, infelizmente, é bem curtinha e pode ser lida em uma tarde, mas não se engane, você vai carregar essa leitura por um bom tempo e vai terminá-la com uma melancolia incomoda, um incômodo genuíno de quem gostaria que essa história de amor não tivesse um ponto final.

8 de abril de 2025
O ÚLTIMO VOO DAS BORBOLETAS

 


[...] " Em algum lugar da nossa alma, sabemos que não suportamos mais uma separação como essa. Por isso, não somos boas com despedidas. Preferimos deixar as coisas sem um ponto final." [...] p 31. 


      Sempre acompanho as publicações do canal/editora Pipoca & Nanquim e logo que assisti ao vídeo sobre O último voo das borboletas e Luz que fenece não perdi tempo, nem tive dúvidas: comprei ambas as hqs na pré-venda. Mas como vocês já sabem... Só realizei as leituras recentemente! hahahahaha

    Quando li O último voo das borboletas pela primeira vez eu não morava mais com meus pais. O Samu e eu alugávamos uma casinha de 20 m² e não tínhamos espaço para alocar todos os nossos livros, por isso, o mangá de Kan Takahama foi um de meus companheiros nessa primeira saga da vida adulta. 

     No vídeo, os meninos do Pipoca & Nanquim avisaram ser esta uma obra bem triste, no entanto, não dei ouvidos e embarquei na leitura de forma bem impetuosa, o que me obrigou a lê-lo mais vezes para captar de fato sua essência. 

    O último voo das borboletas narra uma história trágica, e bem poderia ter acontecido na realidade: nas primeiras páginas vemos um menino e uma menina brincando enquanto dois adultos fazem uma transação comercial; logo depois, conhecemos a bela tayu (prostituta de luxo) Kichou, no bairro de diversão de Maruyama, em Nagasaki. No decorrer da narrativa descobrimos que Kichou é a prostituta mais bem paga e cobiçada de toda a cidade. 

    Além disso, conhecemos um pouco do contexto histórico do Japão durante a segunda metade do século XIX, momento no qual o governo abriu seus portos para os estrangeiros, contudo, tal atitude dividiu opiniões e muitos japoneses relutavam em aceitar essa mudança. Kichou não é uma dessas pessoas e mantém um relacionamento com um médico holandês que está ensinando medicina ocidental a um jovem japonês. Esse garoto, Kenzo, odeia Kichou e credita a ela todos os infortúnios de sua família. 

     Como dito antes, o mangá de Kan Takahama é muito triste. Principalmente quando compreendemos o drama vivido por Kichou e seu desfecho trágico. Muito mais do que um mangá com insinuação erótica, O último voo das borboletas nos mostra com um belíssimo traço e uma narração delicada, um recorte da história japonesa nem um pouco digno e bastante desesperador para as mulheres que eram vendidas para a prostituição por suas famílias e carregavam as marcas físicas e psicológicas disso por toda a vida. 

11 de março de 2025
Luz que fenece

 ... quando se chega ao fundo do poço, a única ação que resta é subir... 



        Acho que a essa altura do campeonato já deve ter se tornado piada o fato de eu ser bem marcha-lenta no quesito ler/assistir obras que quero muito. Sei lá o que acontece no meu cérebro ansioso, gente! Só sei que eu acabo protelando as coisas por anos, e foi o que fiz com Luz que fenece, da autora Barbara Baldi, a qual comprei na pré-venda em 2019! 

        Clara é uma jovem pianista com uma carreira promissora pela frente. Ela vive no countryside britânico com sua avó, a irmã mais velha e alguns fiéis empregados. A vida dela é boa e tranquila, sem grandes preocupações, até que a morte repentina de sua avó vai mudar tudo. 

        Luz que fenece, como o título deixa bem claro, vai nos fazer acompanhar um árduo caminho da protagonista Clara, afinal, ela, que antes tinha uma vida feliz e pacata, será obrigada a suportar uma carga pesadíssima e vai vendo pouco a pouco sua luz, seu brilho, se apagando. As desventuras começam após a abertura do testamento de sua avó, no qual a velha senhora deixou toda a sua fortuna em dinheiro para a neta mais velha e a propriedade da família para a neta mais nova, Clara. Por incrível que pareça isso deixou a irmã da jovem furiosa! Ela viu como uma afronta o fato de não ter ficado com a propriedade da família e vai embora com raiva da irmã e leva junto todo o dinheiro. 

        A partir desse evento, Clara se vê em maus lençóis, pois precisa administrar uma propriedade rural, com suas criações e plantações só que sem recursos financeiros. Logo, ela abandonará a promissora carreira de pianista e aos poucos vai perdendo todas as esperanças de que um dia poderá recuperar a glória da família, pois em seu caminho ela só vê decadência e mais decadência, mas como eu disse lá em cima: quando se chega ao fundo do poço, a única ação que resta é subir, por isso, Clara ainda terá algumas surpresas positivas em seu caminho... 

        Luz que fenece é uma história curtinha e muito bonita que, apesar de triste, consegue, em seu final, trazer uma mensagem positiva. Barbara Baldi criou uma narrativa singela, mas linda de se ler. Cada quadro é uma obra de arte e as paisagens congeladas que ela pinta são deslumbrantes e conseguem emular muito bem a desolação à qual Clara está imersa. Mais um obra da editora Pipoca & Nanquim que tive o prazer de adquirir e apreciar, a edição está belíssima e com a qualidade maravilhosa que já é marca registrada deles. Com certeza essa é uma obra para ler, refletir e apreciar. 

25 de fevereiro de 2025
HEARTSTOPPER VOL. 1, 2, 3, 4 E 5

 


      Não sei vocês, mas eu sou completamente apaixonada pela história de amor criada por Alice Oseman. Que mulher, que escritora! Sério! Charlie e Nick se tornaram fácil, fácil meu casal literário favorito. Tudo em Heartstopper é lindo, delicado, terno. Ah! que quentinho no coração poder falar desta série de quadrinhos tão querida! Espero que eu consiga trazer vocês para esse lado colorido, lindo e cheio de amor da força! 

      Conheci essa obra através da adaptação homônima da Netflix e fiquei encantada desde o trailer. A história de amor de Charlie e Nick e as histórias de seus amigos me conquistaram muito e quando uma amiga perguntou o que eu gostaria de ganhar de presente de aniversário em 2023,fui categórica: quero os quadrinhos de Heartstopper! E ela me deu mesmo! (obrigada, Adenis, sua linda!) Desde então tenho sido o mais marcha lenta possível na leitura porque não queria que acabasse, só que Alice Oseman já anunciou o término da série no 6º volume, por isso decidi falar um pouco do que achei de cada narrativa até aqui. 



Charlie Spring é um garoto introvertido que começa o Ensino Médio sofrendo muito bullying por ser gay; Nick Nelson é um garoto super popular, extrovertido, cheio de amigos com uma vida aparentemente perfeita. Os dois se conhecem na escola e iniciam uma amizade que logo se torna uma paixão platônica por parte do primeiro, e algo que gera grande insegurança e ansiedade para o segundo, visto que até então Nick se considerava hétero. Esse primeiro volume desenvolve essa amizade entre os dois e também nos apresenta aos amigos deles que não pessoas igualmente incríveis. 



Em Minha pessoa favorita, temos um foco maior em Nick e na descoberta e aceitação por parte dele de sua bissexualidade. Ao longo do enredo o vemos entender-se e aceitar os sentimentos que nutre por Charlie. Nesse volume, inclusive, a paixão deixa de ser platônica e eles começam a namorar, mas, por enquanto, em segredo, já que como foi "tirado do armário" à força e sofreu muito por causa disso, Charlie em momento algum pressiona Nick para que eles tornem pública a relação, muito pelo contrário, ele apoia o namorado nesse momento.




Um passo adiante começa com uma viagem de férias a Paris. Nesse capítulo, a trajetória de Charlie e Nick começa a ganhar tons um pouco menos fofinhos e "leves" visto que é nesse volume que descobrimos o distúrbio alimentar desenvolvido por Charlie. Eles ainda se divertem muito, ainda têm momentos lindos como casal e ao lado dos amigos, mas a sementinha de algo muito sério está lá e achei que a maneira como Alice Oseman trouxe essa temática, esse alerta, foi muito interessante e responsável.



De mãos dadas foi uma leitura difícil. Assisti primeiro a temporada da série na Netflix, por isso já estava meio preparada para o sofrimento de Charlie, mas, ainda assim, ler sobre a luta dele com seus transtornos mentais foi doloroso demais! Charlie é uma pessoa tão querida! Não queria vê-lo passar por tantos momentos desoladores. A mãe dele na hq é menos truculenta do que na série, porém, ela lida com a situação de um modo que acaba piorando as coisas para o filho. A relação dele com Nick continua mais forte do que nunca, contudo nosso querido golden retriever não pode fazer muito mais do que estar ali dando suporte emocional ao namorado enquanto ele passa por um período de internação. 

Mais fortes juntos se passa alguns meses após o retorno de Charlie de sua internação no hospital psiquiátrico. Agora, eles já estão no final do ano letivo e Nick precisa pesquisar faculdades e está completamente desesperado porque quer estudar em uma que fica mais longe, mas não quer se afastar de Charlie. Em contrapartida, eles também estão vivenciando novas experiências no campo sexual e têm algumas primeiras vezes... Esse volume, fica bem claro o discurso de que você não pode deixar que toda a sua vida gire em torno da de uma outra pessoa. Relacionamento não é isso. Amar alguém não significa se anular pela outra pessoa ou perder sua identidade por ela. É muito interessante e fofo ver como Nick e Charlie percebem isso de forma genuína e carinhosa. Não há ressentimentos ou abusos entre eles. Eles se amam e querem ver o outro feliz, logo, se Nick será mais feliz estudando a quase 5h de distância, eles vão ter um relacionamento à distância e se Charlie, daqui um ano, quiser estudar em outro lugar, ok. Amor é isso. Acho que a grande mensagem aqui é: você não precisa ficar grudado 24h por dia na pessoa que ama para provar o seu amor. Amar também é deixar ir. 


        Gostaria que tal como em Anne de Green Gables, pudéssemos acompanhar esses dois até ficarem velhinhos! Alice Oseman criou uma das histórias de amor mais lindas que já tive o prazer de ler e sem dúvida Heartstopper sempre terá um lugar especial no meu coração e ainda farei muitas releituras no futuro. Agora é esperar o último volume chegar e saboreá-lo aos pouquinhos.