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15 de setembro de 2026
[ANIMA] FRIEREN E A JORNADA PARA O ALÉM


Comecei a assistir Frieren e a jornada para o além totalmente influenciada por um vídeo do canal Quadrinhos na Sarjeta. Como estou participando de encontros mensais para jogar RPG com os amigos, fiquei muito interessada por esse anime que tem todos os elementos desse jogo que eu tanto amo!

Em Frieren e a jornada para o além, conhecemos a personagem título, uma maga elfa e seu grupo de amigos, o herói, Himmel, o anão, Eisen e o clérigo, Heiter. Eles estão voltando de uma bem sucedida missão para matar o Rei Demônio, que durou 10 anos. Agora, em meio a paz e as glórias, eles se separam, mas decidem se reencontrar dali há 50 anos para saberem como vão suas vidas. 

Ao longo desse tempo, Frieren viaja muito, sozinha, sempre, e vê 50 anos se passarem como se não fossem absolutamente nada, visto ela ser uma elfa, uma imortal, que nunca envelhece e só morrerá caso seja ferida mortalmente em batalha. Ao voltar para a cidade de Himmel, ela se surpreende ao encontrar não mais o seu amigo, o jovem e belo herói, mas sim um senhorzinho bem idoso. Os outros também estão todos idosos. Frieren começa a perceber como o tempo passa diferente para os humanos e tem uma certa “coceirinha” de incômodo. Isso para ela é totalmente estranho, pois, nesse mundo, elfos não sentem como os humanos, eles não fazem, no geral, ligações de amizade, amor ou parentesco, na verdade, eles são uma raça em extinção, tanto é que, até esse momento, nossa protagonista só conheceu uma outra elfa além dela mesma, a mestra de sua mestra. 

Após a morte de Himmel, Frieren decide visitar seus outros outrora companheiros. Ao chegar a casa de Heiter, ela descobre que ele se tornou um senhor bem responsável e adotou uma menininha órfã de guerra, a pequena Fern. Heiter, sabe que logo morrerá e que ambas ficarão sozinhas, por isso ele cria um ardil para manter a elfa em sua casa e fazê-la ensinar magia à menina. Frieren é OBCECADA por encontrar novas magias e coleciona grimórios, além de outras bugigangas, logo, Heiter apresenta para ela um suposto livro que não pode ser decifrado, ela se interessa, e passam-se uns bons 5 anos sem que ela perceba. 

A partir daí, Fern já é uma adolescente, exímia maga, logo, não será mais um “peso” para Frieren, o papel de Heiter foi cumprido e agora ele pode descansar em paz. As duas partem por aí a esmo, fazendo pequenos trabalhos, até encontrarem o jovem guerreiro, Stark, aprendiz rebelde e desgarrado de Eisen. Juntos, os três decidem viajar rumo ao extremo norte do mundo conhecido, para as antigas terras do Rei Demônio, pois, aparentemente, os tempos de paz estão com seus dias contados… 

Eu amei a experiência de assistir Frieren e a jornada para o além! O anime é lindo e a história é encantadora e emocionante! Destaque para o arco da prova para mago de primeira classe! Nossa, cada episódio era uma surpresa e emoção diferentes! Estou ansiosa para assistir à próxima temporada! 


11 de agosto de 2026
[LISTA] CLICHÊS DE ANIMES/MANGÁS SHOUJO - PARTE 1

 



Antes de mais nada, para quem não está familiarizado com a nomenclatura Shoujo, estes são mangás/animes voltados para o público feminino jovem e tem como foco a vida cotidiana das personagens, seu desenvolvimento pessoal e emocional, além de seu amadurecimento. Eu assisti e li tantos shoujos nos últimos tempos que comecei a perceber uma certa recorrência de situações que aparecem em cada anime ou mangá que tive acesso recentemente. Esse negócio me fez pensar tanto que resolvi fazer essa postagem para discutir com outras pessoas sobre esses clichês de animes/mangás shoujo.


Pessoa doente que precisa ser cuidada


Anime: Toradora

Gente, sempre, sempre vai ter um episódio no qual um dos protagonistas fica gripado e o outro vai cuidar, rendendo momentos fofos nos quais FINALMENTE o que cuida percebe o amor que sente pelo outro. 


Triângulo amoroso


Anime: A sign of affection

Em quase todo anime shoujo vamos presenciar, para a minha eterna infelicidade e ranço, um triângulo amoroso! Quando parece que as coisas vão se acertar entre os protagonistas, do nada, repito, do nada, aparece uma alma sebosa que é apaixonada por um deles desde a infância e agora chegou para causar! Ranço. 


O garoto é o queridinho de todas 


Anime: Kimi ni Todoke


Geralmente, a cada 5 shoujos, quatro vão ter o garoto popular por quem todas as meninas da escola são apaixonadas e elas decidem fazer um “pacto” de não pegação no qual ninguém se declara para ele, obviamente, a protagonista do anime nunca sabe disso… 


Separação forçada 


Anime: Horimiya

Essa já não aparece em todos os shoujos, mas já vi em pelo menos uns 5. Há em algum momento da história, uma separação entre os protagonistas, seja porque um se mudou de cidade, seja porque foi viajar com a família, seja porque mudou de escola, enfim, a separação sempre traz insegurança para os corações dos adolescentes. 


Então, minha gente. Ilustrei o post com alguns dos meus animes shoujo favoritos, mas aceito sugestões de vocês também. Vai ter mais clichês na parte 2! =D





30 de junho de 2026
[ANIMA] MY LOVE STORY WITH YAMADA-KUN AT LV 999



Os animes shoujo sempre tiveram um lugar especial no meu coração, principalmente, quando eu era adolescente, público-alvo desse tipo de história. Hoje, adulta, com mais de 30 anos, não sou mais tão fã do gênero, contudo, ultimamente, tenho assistido algumas boas histórias, apesar de clichês, e MY LOVE STORY WITH YAMADA-KUN AT LV 999 se encaixa perfeitamente nessa categoria e foi uma grata surpresa. 

Ao longo de apenas 12 episódios, (para a tristeza de muitos, incluindo a mim) acompanhamos um recorte da vida de Akane Kinoshita, uma jovem universitária de 20 anos que saiu de sua cidade no interior para morar sozinha em Tóquio por causa dos estudos. Lá, na cidade grande, ela começa um namoro, porém, já nos primeiros dois minutos do primeiro episódio, o rapaz termina com ela alegando estar apaixonado por uma outra garota que conheceu em um jogo que ambos, ele e Akane, começaram a jogar juntos. A garota fica arrasada com isso e decide voltar sua atenção ao joguinho, numa tentativa de reencontrar o ex. Entretanto, ela começa a gostar do jogo e faz amigos por lá e é assim que MY LOVE STORY WITH YAMADA-KUN AT LV999 começa. 

Akane faz parte de uma guilda com pessoas muito queridas e fofas e acaba fazendo amizade com todas elas, em especial, com Akito Yamada, um jovem estudante do Ensino Médio, de 17 anos, e jogador profissional. Eles se conhecem pessoalmente de forma bem aleatória em um evento do jogo, no qual Akane foi só para ver se encontrava o ex, mas a partir desse evento, ela e Akito passam a ter uma certa amizade, visto que a moça dorme na casa dele por estar bêbada demais para voltar a sua própria. Mesmo sendo bem introvertido e anti social, Yamada vai aos poucos sendo vencido pelo jeito fofo, carismático e gentil de Akane, enquanto ela acha o jeito dele bem difícil de entender. 

MY LOVE STORY WITH YAMADA-KUN AT LV999 foi uma grata surpresa porque, a construção da relação de Akane e Yamada é muito bonita, além disso, as amizades que a protagonista faz no jogo são muito fofas e sinceras, só que a série também traz algumas críticas aos perigos de conhecer pessoas pela internet, o que achei plausível e muito importante, mesmo sendo feito de forma superficial. Recomendo muito esse anime para todos os fãs de shoujo, mas sem aquelas pataquadas de bullying bizarras e relacionamentos abusivos e tóxicos. 


16 de junho de 2026
[ANIMA] Honey lemon soda




Ano passado, eu voltei com tudo a assistir animes! Sempre fui muito fã de desenhos animados e gosto muito, muito mesmo da estética japonesa, logo, zapeando pelo Crunchyroll encontrei Honey Lemon Soda e confesso que, na primeira vez que dei play, não consegui passar do segundo episódio, mas decidi assisti-lo até o final, mais como um estudo de caso mesmo e foi um entretenimento ok. 

Em Honey Lemon Soda acompanhamos a vida escolar de Uka Ishimori, uma garota de 15 anos recém formada no Ensino Fundamental II, bonita, muito inteligente e muito amada e protegida pelos pais, o único problema na vida dela foi o bullying pesado que sofreu durante anos na escola e que deixou marcas profundas em sua autoestima e autoimagem. Acostumada a ser a garotinha perfeita dos pais, Uka nunca contou a eles os abusos sofridos e estava pronta para aceitar fazer o Ensino Médio em um colégio de prestígio, mas tudo muda uma noite quando ela conhece um rapaz muito bonito, de cabelos descoloridos que a convida a estudar em uma escola mais voltada para Artes. 

Contrariando pela primeira vez as expectativas de todos, ela não faz a prova da escola de prestígio e vai para a outra, tornando-se assim colega de turma do garoto misterioso, Kai Miura. No começo, ela pensa que conseguirá passar uma borracha em tudo o que aconteceu durante sua infância e pré-adolescência, contudo, alguns bullers também estão estudando nessa mesma escola e, após anos se retraindo e sendo ignorada, Uka não sabe como fazer amigos e se impor. É nesse momento que, mais uma vez, Kai surge e dá umas sacudidas na garota. Ele a defende, mas não quer que ela se torne dependente dele, ele quer que ela use sua voz, se imponha, diga o quer, o que pensa, que faça amigos e pare de pensar só no que os outros querem e comece a pensar um pouco mais em si. Demora, porém, ao longo de 12 episódios vemos a evolução de Uka para se encontrar, entender a si mesma e começar a se impor mais, além é claro, de iniciar um romance com Kai, afinal, é um anime shoujo. 

Quando falei que continuei assistindo Honey Lemon Soda como um estudo de caso, é porque eu queria ver como seria desenvolvida a personalidade de sua protagonista e qual não foi a minha surpresa, infelizmente, quando constatei que ela não tem personalidade alguma antes de conhecer Kai! Tudo o que acontece na vida de Uka, todas as mudanças nela mesma, toda a sua evolução são ocasionadas pelo rapaz. A impressão que fica é que se ele não tivesse estendido a mão para ela naquela noite aleatória, ela nunca teria mudado e ficaria sempre sendo uma pessoa infeliz e passiva, fazendo tudo o que os pais mandavam sem nunca questionar nada. E isso, minha gente, é bem preocupante. 

Sendo bem sincera com vocês, narrativas e roteiros que têm como mote relacionamentos com dependência emocional SEMPRE me deixam desesperada e confusa. Eu não consigo entender como uma pessoa pode não ter um hobby, algo que goste de fazer, sonhos, objetivos, paixões e tudo em sua vida girar em torno de uma outra pessoa, ou mesmo, a pessoa começar a viver de fato sua vida somente quando apaixona-se por alguém. Acho isso bizarro demais, por esse motivo demorei para assistir Honey Lemon Soda. A cada episódio eu ficava mais e mais revoltada com a passividade da protagonista, pois, até mesmo quando ela começa a se impor e a lutar pelo que ela quer, não o faz por si mesma, mas pelo que espera que o garoto pense dela, e o pior: Uka além de inteligente é ótima em esportes, ela gosta de plantas, é uma ótima desenhista, é uma ótima amiga, mas isso não é desenvolvido na história, parece que não tem relevância, sabe? De novo, bizarro. 

Honey Lemon Soda é um anime com traços e cores muito bonitas, isso ninguém pode negar. O design das personagens é lindo mesmo. Contudo, me preocupa saber que adolescentes ou mesmo adultos ainda imaturos tenham contato com essa obra e não saibam interpretar toda a problemática em torno dela e acabem achando que é só mais um anime bonitinho, o que não é problema, a não ser que o ideal de relacionamento do espectador se torne o mostrado na obra, aí, minha gente, o negócio pode ficar sinistro… Enfim, se você gosta de romances colegiais, mas não tem problemas com dependência emocional, pode assistir Honey Lemon Soda em segurança, agora, se tiver, ele pode trazer muitos gatilhos.


2 de junho de 2026
[ANIMA] A SIGN OF AFFECTION



Lá estava eu doentinha no começo de 2025 e, toda vez que fico doente em casa, eu começo a maratonar alguma série ou anime, pois é só nesse estado que consigo ficar parada assistindo horas a fio. Assim, zapeando pela Crunchyroll me deparei com um anime cujo traço me fez lembrar o de outro muito querido e decidi começar a assisti-lo já, o nome da obra que capturou meu coração? A sign of affection. 

Lançado em 2024, A sign of affection é um anime baseado em uma série de mangá iniciada em 2019 e sem conclusão até hoje. Já aviso vocês de que ele conta com apenas 12 episódios, o que é bom, já que dá para maratonar, mas ruim, pois você fica com aquele gostinho de quero mais, já que a história é muito bonitinha e o traço, como disse antes, é muito lindo!  

Mas vamos à história: em A sign of affection, conhecemos Yuki, uma jovem universitária surda, que conhece Itsuomi, um cara que é a personificação do "espírito do andarilho”. Eles estudam na mesma faculdade e até tem uma amiga em comum, mas só se conhecem mesmo no metrô, quando Yuki é abordada por um turista perdido que não entende quando ela sinaliza ser surda, nesse momento, Itsuomi aparece, ajuda o cara e mostra interesse pela língua de sinais, contudo, cada um vai para um lado e Yuki fica muito, muito gamada nele. 

Na faculdade, ela conta para sua amiga, Rin, sobre o ocorrido e a mesma diz conhecer Itsuomi e saber onde ele trabalha, inclusive, ela tem uma paixonite pelo patrão do cara, logo, as duas fazem o quê? Vão atrás deles para simular um encontro “casual”. Itsuomi fica surpreso e muito feliz ao ver Yuki e eles iniciam uma amizade na qual ele começa a conhecer mais sobre ela e a cultura surda e Yuki começa a conhecer mais sobre ele e suas viagens, porque ô homem que viaja, misericórdia, que preguiça! 

Desde o primeiro capítulo de A sign of affection é visível como Yuki está apaixonada, gamada, caída, com os quatro pneus arriados pelo Itsuomi, algo que deixa as tias, como eu, um pouco preocupadas, só que ao conhecer mais sobre a vida da garota, não dá para julgar: Yuki nasceu surda e ninguém, repito, ninguém em sua família sabe língua de sinais! Eles simplesmente não viram nenhum motivo para aprender e só se comunicam com ela por texto e leitura labial, algo que, para uma pessoa surda, não é nada fácil de se aprender, tá! O único amigo que a Yuki tem que sabe língua de sinais sempre foi um babaca com ela e desconfio que ela só manteve essa amizade por ele ser a ÚNICA pessoa não surda ao seu redor que sabia língua de sinais, por isso, quando um cara lindo e gentil demonstra interesse em aprender língua de sinais e aprender sobre a cultura surda, é meio óbvio que ela ia gamar né? 

Itsuomi, no entanto, já é um pouco mais contrito. No começo, temos a mesma dúvida da protagonista, visto que ele sabe pelo menos 3 línguas fluentemente e já está estudando outras 3, é fácil interpretar seu interesse pela  língua de sinais como algo puramente acadêmico, mas a cada novo episódio, percebemos como ele também quer estar com a Yuki o tempo todo, como tudo o que ela faz também o fascina e talvez por ser um cara mais viajado e desapegado, ele não demonstre essa fascinação de forma tão óbvia quanto ela. 

Confesso que até os 3 últimos episódios eu estava esperando ver alguma red flag em Itsuomi, porém, o único que realmente me irritou foi o melhor amigo de infância da Yuki, Oshi. Que carinha mais chato, gente! Ele se apaixonou pela menina quando eles  eram crianças, aprendeu língua de sinais por causa disso e acha que pode controlar a vida da garota, não quer que ela tenha contato com outras pessoas, inclusive, pasmem, ele diz com todas as letras que a faculdade NÃO É LUGAR PARA ELA! Vocês estão passades? Pois eu também fiquei! Considerando, contudo, o histórico familiar da Yuki, ela mantém essa “amizade” bizarra mesmo se incomodando com as atitudes de Oshi. 

Gostei muito de A sign of affection e fiquei bem decepcionada ao constatar ter caído no golpe do anime de 12 episódios que não tem renovação! hahahaha agora é procurar pelos mangás, pois quero continuar acompanhando a história de Yuki e Itsuomi. E você? Já conhecia A sign of affection? Ficou com vontade de assistir esse anime?




21 de abril de 2026
[ANIMA] SANGUE DE ZEUS - todas as temporadas



Uma das minhas maiores paixões literárias, além de contos de fadas e suas releituras, é claro, é mitologia. Gente, como eu gosto de ler sobre mitologias! Comecei esse interesse na adolescência, com a grega e romana, depois passei para nórdica, celta, indígena, africana, asiática e por aí vai. Logicamente, uma série animada sobre esse assunto não passaria despercebida e já vou avisando que vou rasgar muita seda para Sangue de Zeus e darei muitos spoilers

Meu primeiro contato com essa obra foi através de um shorts no YouTube. Estava eu passando pelos vários vídeos curtinhos, quando me deparo com uma cena tocante de despedida entre Hades e Perséfone, para quem não conhece o mito original, Hades, senhor do Submundo, sequestra Coré, deusa da Primavera, filha de sua irmã de sua irmã, Deméter (sim, os deuses gregos eram bem incestuosos, tanto é que Coré é filha de Zeus com Deméter, ambos irmãos), por causa disso, a deusa fica devastada e começa a devastar a Terra também, para aplacar sua ira fica decidido que Coré, agora Perséfone, ficará seis meses no Hades (período do Outono e Inverno) e seis meses na superfície (período da Primavera e do Verão). Aquele shorts de Sangue de Zeus subverteu o mito de uma maneira tão instigante que não me contive e decidi assisti-lo, mas essa cena só aparece na segunda temporada hahahaha. 

Na primeira temporada de Sangue de Zeus, somos apresentados a Heron, o nosso herói. Um rapaz humilde que vive em situação de miséria ao lado de sua mãe, Electra, e um velho. Eles são rejeitados pela comunidade local, pois, após a chegada de Electra com seu bebê de colo e nenhum marido, todo o vale foi coberto por nuvens espessas, impedindo a passagem da luz do sol, o que fez os aldeões acreditarem ser ela uma feiticeira e seu filho um bastardo. 

Na verdade, ao longo dessa primeira temporada de Sangue de Zeus, descobrimos que Electra teve um caso com o Senhor do Olimpo e deu à luz a gêmeos, contudo, ela já era casada e um dos filhos era do marido. Zeus salva a vida dela e de sua criança escondendo-os no vale, até porque ele tem um medo mortal da esposa, Hera. Mas, a outra criança ele não salva, pois queria Electra apenas para si a para seu filho. Anos passam, e o outro garoto se torna o vilão desse primeiro arco, Serafim, um demônio, criado pelo sangue de um titã, ou seja, um inimigo dos deuses do Olimpo. Nessa primeira temporada, vemos Heron aprendendo o que é ser filho de um deus e se ressentido muito por seu pai ter feito o que fez com sua mãe; ele também descobre como os deuses são egoístas e caprichosos, no sentido, de serem mesquinhos mesmo, o que o faz nutrir muito rancor contra eles, contudo, ele é um herói, por isso sempre faz o que é certo, e o certo aqui é destruir os demônios que ameaçam as vidas das pessoas. 

Na segunda temporada, a que eu estava esperando, Heron está aprendendo a ser um semideus ao lado de seus meios-irmãos outros bastardos de Zeus. Enquanto isso, no Submundo, Hades e Perséfone arquitetam um plano para destronar Zeus e Hera para que possam eles mesmos se tornarem os Senhores dos Céus, podendo assim ficar juntos sem a restrição dos seis meses, para isso, eles precisarão da ajuda de Serafim, pois, seu plano depende do sangue dos gigantes… Gostei bastante dessa temporada de Sangue de Zeus, achei bem eletrizante mesmo como eles introduzem as figuras dos gigantes e o desenrolar da guerra entre os Olimpianos e eles me pegou de surpresa. 

Logo em seguida, já engatei na terceira temporada e aqui temos o final do arco de Heron e Serafim e todo o aprendizado dos dois. Por causa dos últimos acontecimentos que culminaram em um desastre bem grande, a deusa Gaia decide vingar-se dos olimpianos por suas corrupções e permite que Cronos se liberte. A partir daí é um "Zeus nos acuda"! Cronos está com sangue nos olhos, liberta todos os titãs e decide que vai acabar com os deuses do Olimpo um por um, enquanto isso, Serafim quer apenas uma coisa: libertar sua outrora amada da condenação de viver em um limbo sem poder entrar no submundo, para isso, ele contará com a ajuda de Heron e vemos como os irmãos amadurecem e deixam seus ressentimentos de lado para enfim, alcançarem a justiça. 

Eu devorei Sangue de Zeus tal como Cronos devorou todos os seus filhos na mitologia grega! Mas já aviso que essa série é muito sanguinária, tem muita, muita violência, é sangue e tripas voando para todo lado, logo, não assista comendo. No mais, gostei do modo como os roteiristas caracterizam os deuses gregos, como criaturas com poderes sobre-humanos, mas essencialmente muito humanas em suas atitudes e personalidades. Achei tudo bem verossímil e gostei do final dos irmãos, só senti falta de ver o Serafim com a amada dele, Gorgor, mas entendi que naquele momento ele precisava pedir perdão à mãe por tudo o que fez.



7 de abril de 2026
[ANIMA] Heaven Official 's Blessing




Animação chinesa lançada pela Netflix no começo de abril de 2021, Heaven Official 's Blessing conta com duas temporadas; neste post vou falar apenas da primeira, que tem 12 episódios e um especial. 

Em Heaven Official‘s Blessing acompanhamos as aventuras do príncipe herdeiro Xie Lian que, em vida, foi muito querido por seus súditos, logo, após uma morte prematura, ele ascende ao Reino Celestial, contudo, não tem muita sorte nisso e acaba sendo banido de lá duas vezes. 

Mesmo assim, Xie Lian consegue ascender uma terceira vez, já criando confusão de novo… Por isso é designado à tarefa de ser um Oficial Celestial na Terra para resolver problemas relacionados à fantasmas, demônios etc. 

Essa primeira temporada de Heaven Official 's Blessing tem dois arcos; No primeiro, Xie Lian deve enfrentar um fantasma que está matando jovens noivas. É aqui que ele conhece Hua Cheng, um rei fantasma extremamente poderoso e interessado no príncipe herdeiro. Eles continuam a jornada juntos e  ajudando um ao outro, eles acabam por se apaixonar e vemos cenas de carinho muito bonitas e delicadas entre eles. 

Heaven Official 's Blessing é uma animação muito bonita, mas, verdade seja dita: é muito difícil distinguir os celestiais uns dos outros! Isso porque o traço é idêntico! Outro ponto complicado é a questão da cultura chinesa em relação à vida pós-morte, que pode ser bem confusa para quem não conhece nada sobre o assunto. 

Em suma, gostei muito dessa primeira temporada de Heaven Official 's Blessing e apesar de não estar mais disponível na Netflix por aqui, você pode assistir a essa animação facilmente na Crunchyroll, vai valer a pena!




10 de março de 2026
[ANIMA] DIÁRIOS DE UMA APOTECÁRIA



Narrativas nas quais protagonistas femininas lidam com venenos têm um lugar especial no meu coração, por isso, quando conheci Diários de uma Apotecária não me aguentei e devorei os 24 episódios da primeira temporada com um interesse e curiosidade genuínos, pois essa história é muito, muito instigante e divertida! 

Em Diários de uma Apotecária acompanhamos a trajetória de MaoMao, uma jovem apotecária (farmacêutica) viciada em fazer experimentos em si mesma, filha adotiva de um também apotecário e médico, que, por um infeliz descuido, acaba sendo sequestrada e vendida para o Palácio para ser serviçal, em um reino fictício chamado Li, que se assemelha à China Imperial. Pois é, minha gente, a vida das mulheres não era nem um pouco fácil antigamente… Não que hoje seja muito melhor, mas, pelo menos, acredito que não somos mais vendidas por aí como se fossemos tomate. 

Trabalhando no palácio já há alguns meses, MaoMao está conformada com sua situação, afinal, ela é uma moça pobre e sem relevância política, e contar que foi sequestrada pode apenas piorar sua situação, então, ela segue trabalhando, até que, um dia, os filhos de duas das principais concubinas do Imperador ficam doentes e elas também. Intrigada com a situação, nossa protagonista começa uma investigação, descobre a causa da doença (um envenenamento acidental) e salva a vida de uma das crianças e de ambas as mães. 

Por causa de suas descobertas, MaoMao chama a atenção de Jinshi, um suposto eunuco muito influente no Palácio que é encarregado de cuidar da segurança das principais concubinas do Imperador. Juntos, MaoMao e Jinshi vão desvendar diversos mistérios usando a astúcia, sagacidade e conhecimento científico da primeira e a influência e carisma do segundo. 

Diários de uma Apotecária é aquela típica série na qual cada episódio traz um mistério novo a ser desvendado e tudo vai se interligando com as histórias dos protagonistas. Ademais, se você já assistiu a algum filme ou série chinesa sobre o período imperial, sabe que nessa época as intrigas palacianas corriam soltas, logo, os serviços prestados por MaoMao vão salvar muitas vidas importantes e a história vai caminhando para diversas conspirações perigosas nas quais a coitada vai ficar bem no meio! 

Eu adorei assistir Diários de uma Apotecária e espero poder assistir em breve as próximas temporadas!


10 de fevereiro de 2026
[ANIMA] TAISHO OTOME FAIRY TALE

 Esse é o ano dos animes aqui no Livre Lendo! =D 



Eu tenho duas grandes paixões culturais: contos de fadas e os anos 1920! Não importa a que cultura ou nacionalidade essas temáticas pertençam, eu vou consumir esses produtos culturais vorazmente e as chances de eu amar essas histórias é de 100%. Sabendo disso, não é nenhuma surpresa que, zapeando pelo Crunchyroll encontrei a pérola delicada e preciosa que é Taisho Otome Fairy Tale. Que shoujo fofinho, gente! 

Antes de falar da narrativa de Taisho Otome Fairy Tale vamos a alguns fatos históricos: a Era Taisho foi um período de grande expansão industrial no Japão e durou de 1912 a 1926, por esse motivo as histórias que se passam nesse período, tais como Demon Slayer, mostram um dualismo entre o estilo japonês tradicional e um estilo mais ocidentalizado, pois foi nessa época que o país “abriu suas portas” para o ocidente. 

Em Taisho Otome Fairy Tale vamos conhecer o jovem Tamahiko Shima, um adolescente rico de uma família de prestígio que, ao sofrer um acidente de carro, no qual sua mãe perde a vida e ele fica com um dos braços inutilizado, vê sua vida mudar completamente, pois seu pai e suas irmãs passam a desprezá-lo, chegando a expulsá-lo de casa, mandando-o para o interior do país e dizendo aos vizinhos que o jovem morrera junto com a mãe no acidente. É bem bizarro. 

Como Tamahiko está enfermo e nunca precisou se cuidar sozinho, seu pai arranja uma noiva para ele, a jovem Yuzuki Tachibana, uma menina meiga, gentil e muito prestativa, que aceita ser entregue como noiva de um desconhecido para pagar uma dívida que seu pai tinha com a família Shima. Para nós pode parecer estranho, mas esse tipo de arranjo era beeeem comum no Japão da Era Taisho, inclusive já resenhei O último voo das borboletas que mostra um lado mais obscuro e cruel dessas transações nas quais meninas eram usadas como mercadorias por suas famílias. 

Ao chegar a casa dos Shima no interior, em meio a uma tempestade de neve, Yuzuki, se depara com um Tamahiko desiludido com a vida e completamente entregue à depressão. Com o passar do tempo, Yuzu vai mostrando para ele o quanto ele é uma pessoa merecedora de amor e carinho e ele imediatamente se afeiçoa pela garota incrível que ela é. 

Esses dois formam um casal muito fofinho e por serem apenas noivos e viverem no interior do Japão, apesar de morarem sozinhos, Tamahiko é muito, muito respeitoso com a Yuzu e nunca força absolutamente nada com ela, é bem bonito ver como os dois fazem bem um ao outro e como, com o passar do tempo, o rapaz recupera o movimento do braço, volta a estudar e decide tornar-se professor do pequeno vilarejo, ajudando muitas famílias com isso. 

O desenvolvimento da história deixa bem claro como Yuzu é a força motriz por trás de todas as mudanças em Tamahiko e em outros personagens também. Sem ela, nosso protagonista teria se entregado ao desespero e à solidão, e também pudera né, gente, o menino é morto em vida pela própria família! 

Taisho Otome Fairy Tale é um anime lindo e conta com apenas 12 episódios, podendo ser maratonado em um final de semana fácil, fácil. Gostei bastante dessa história e os últimos três episódios foram surpreendentes porque a narrativa entrega um plot twist que a gente não espera e ficamos desesperados junto com o protagonista por causa disso. Com certeza, esse anime já ganhou um lugar especial na minha memória sobre obras que retratam os anos 1920!


6 de janeiro de 2026
[ANIMA] TORADORA

 O que acontece quando o tigre e o dragão param de brigar e se apaixonam? 



        Socorro! Eu realmente sou muito marcha lenta quando o assunto é assistir as coisas! Conheci Toradora logo de seu lançamento, entre 2008 e 2009, quando ainda era adolescente, e nunca terminei! Os anos passaram e esse anime super fofinho entrou no catálogo da Netflix e, finalmente, consegui assisti-lo até o fim.
        Em Toradora conhecemos os adolescentes Ryuji Takasu e Taiga Aiasaka, que não têm uma popularidade positiva na escola; ele, porque, apesar de ser um dos melhores alunos e um filho maravilhoso e extremamente responsável, tem cara de "bad boy", por isso quase todos têm medo dele; enquanto ela é a "tigresa de bolso", pois arranja briga com todo mundo e é muito baixinha. 

        As únicas pessoas que não temem nossos protagonistas são Yusaku Kitamura e Minori Kushieda, ambos interesses amorosos deles e são seus totais opostos, sendo muito queridos e admirados por todos na escola. Esse interesse ajuda a aproximar Ryuji e Taiga e eles criam uma relação de amizade muito forte. Os dois têm problemas familiares sérios, porém, diferentes, o que vai fortalecendo ainda mais esse relacionamento conturbado e divertido bem parecido com Lovely Complex

        Toradora traz traços muito fofos e um foco grande na comédia, ainda assim, também faz muitos questionamentos interessantes e importantes sobre relacionamentos familiares e problemas comuns da adolescência. Adorei esse anime! Foi muito divertido acompanhar seus 25 episódios e fiquei feliz por ter consigo assisti-lo até o fim dessa vez. Em nenhum momento se torna cansativo, muito pelo contrário, se você estiver em um dia de bobeira, vai acabar maratonando metade dele sem nem perceber. Então fica ai a dica de um shoujo super fofinho e divertido para assistir nesse verão! 

29 de julho de 2025
[EU ASSISTI] MEMÓRIAS DE IDHÚN


     A Espanha tem se mostrado, nos últimos anos, muito competente no quesito entretenimento em suas parcerias com a Netflix. La Casa de Papel, As telefonistas, e Elite são alguns exemplos disso, mas em 2020, a animação Memórias de Idhún entrou no catálogo do streaming e parece que não fez muito alarde não... Por aqui, como gostamos de fantasia, decidimos dar uma chance e, é claro, foi amor à primeira vista! 
    Memórias de Idhún começa de forma frenética nos apresentando a um de nossos protagonistas, Jack, perdendo os pais e quase sendo assassinado também pelo vilão, Kirtash. Contudo, o jovem é salvo por dois homens misteriosos: o príncipe Alsan e o mago Shail. Eles o levam a uma outra dimensão, uma espécie de santuário onde Jack conhece também, Victória, e descobre suas verdadeiras origens. 
   Idhún é um planeta em uma dimensão paralela à Terra, na qual a magia existe. Infelizmente, porém, magos e semimagos nunca foram muito bem vistos por lá e sempre tiveram de fugir, eventualmente. Há três anos, um tirano dominou o planeta e incumbiu a seu filho, Kirtash, a missão de encontrar as últimas duas fontes de magia de Idhún enviadas para a Terra: um unicórnio e um dragão. No meio do caminho, ele também deve matar os refugiados que encontrar. É assim que os caminhos de Jack, Victória, Alsan, Shail e Kirtash se cruzam, com este último tentando eliminá-los, mas curiosamente, de forma bem inesperada, ele se apaixona por Victória, o que, óbvio, complica toda a missão... 
    Memórias de Idhún tem apenas 10 episódios divididos em duas temporadas. A animação é bem interessante e nos apresenta uma história que, apesar de seguir os clichês da jornada do herói e ter um triângulo amoroso entre adolescentes, instiga nossa curiosidade em saber mais sobre Idhún e seus habitantes. Mesmo não sendo inovadora, a Netflix acertou ao trazer memórias de Idhún para o seu catálogo, mas, como não poderia deixar de ser em se tratando desse streaming, não há notícias de uma terceira temporada... o que é uma grande sacanagem! E nenhum dos livros que originaram a animação foi publicado aqui no Brasil, ou seja, essa é uma indicação perigosa... Pois se você gostar, vai ficar sofrendo como eu. 

15 de julho de 2025
[ANIMA] MEU CASAMENTO FELIZ


 

Não sei vocês, mas sempre que estou meio deprê, ou chateada, ou doente, eu gosto de deitar no sofá e assistir a uma animação fofinha e colorida para dar aquele quentinho do coração. Foi em uma dessas ocasiões que conheci Meu Casamento Feliz, produção da Netflix. 

Em Meu Casamento Feliz somos apresentados a um Japão da Era Taisho um pouco diferente, isso porque nessa trama existem pessoas que conseguem usar magia e elas são muito importantes cheias de prestígio nessa sociedade. Miyo Saimori é filha de Shinichi Saimori e Sumi Usuba, esta última sendo membro da lendária e temida família Usuba por causa de seus poderes psíquicos de controle da mente e dos sonhos; Sumi aceita casar-se com Saimori apenas para tira sua família da decadência financeira e morre alguns poucos anos após o nascimento de sua única filha. 

Meu Casamento Feliz traz uma versão japonesa e ambientada na Era Taisho com elementos de fantasia do conto Cinderela, já que após a morte de sua primeira esposa, Saimori se casa com seu primeiro amor e esta mulher irá hostilizar e infernizar Miyo durante toda a vida da garota, inclusive aceitando uma proposta de casamento seu consentimento da mesma com Kiyoka Kudo, conhecido por ser rude e cruel com todas as noivas que seus pais arranjaram para ele. Nossa protagonista vai sozinha e desamparada até a casa de seu prometido e, no começo, também é muito hostilizada por ele, mas com o tempo os dois começam a se entender e Kiyoka percebe que ela não é uma metida; e Miyo percebe que ele não é cruel, é só uma pessoa traumatizada como ela e muito desconfiada. 

A primeira temporada de Meu Casamento Feliz é muito fofa e bonitinha, mesmo com todo o sofrimento que Miyo passa nas mãos do pai isentão e da madrasta e irmã encruadas. Contudo, as próximas temporadas já não me conquistaram tanto assim: Miyo é mais uma vez hostilizada por uma figura feminina, agora, a mãe de Kiyoka, o que eu, particularmente, achei desnecessário e muito sofrido de assistir. 

A trama política envolvendo a família real e a família Usuba é muito instigante, só que o protagonismo de Miyo é muito eclipsado pela personalidade de “menina bela, recatada e do lar” que ela tem. É muito desconfortável ver como ela não consegue alcançar o máximo de seu poder porque está sempre esperando ser salva e depois se sente culpada por precisar de ajuda. É muito sofrimento com um traço bonito, colorido e delicado. Perdi o feeling de Meu Casamento Feliz. Comecei gostando muito na primeira temporada e agora peguei ranço, até porque comprei em pré-venda os primeiros volumes do mangá e até agora nada da dona Panini me enviar! Sério, peguei abuso mesmo dessa série e da editora e não pretendo comprar mais nada dela!

25 de março de 2025
[ANIMA] BEASTARS

 ... e como "o lobo bom" parece ser mais uma obra inspirada em Crepúsculo...


        Conheci a premissa de Beastars através dessa análise do canal Quadrinhos da Sarjeta e achei a história bem interessante, mas sabe quando você sente que já leu ou viu algo parecido, e não lembra a referência? Pois bem, assisti ao anime, que está disponível na Netflix, e comentei com uma amiga, e ela me vem com o seguinte: "nossa, essa história lembra muito Crepúsculo, só que com animais falantes." E não é que parece mesmo? E eu vou explicar por quê.  

          Beastars  - o lobo bom, como ficou conhecido aqui no Brasil, é uma animação com três temporadas. A série é adaptação do mangá de mesmo nome escrito e ilustrado pela autora Paru Itagaki e tem como protagonistas um lobo cinzento, Legoshi, uma coelha anã branca, Haru, e um veado vermelho, Louis, todos cursando o ensino médio na mesma instituição de ensino. 



       O mais instigante em Beastars é essa reimaginação da nossa sociedade, agora com animais, ou seja, não existem humanos; e carnívoros e herbívoros coexistem, em tese, pacificamente. Só que, sabendo ser essa um espelho da nossa própria sociedade real, a gente já entende que não é bem assim... Até por que o primeiro episódio da primeira temporada começa com um assassinato: um estudante carnívoro devorou um estudante herbívoro, sendo este último um grande amigo de Legoshi, o que deixará o lobo bom muito desolado e desacreditado de sua "classe". 

        As reviravoltas não param por ai e é nesse momento que o elemento Crepúsculo se apresenta na narrativa, isso porque Legoshi vai sentir uma atração irresistível pela coelha anã branca, Haru, contudo, ela, diferente de Bella Swan não é uma mosca morta, e sim uma verdadeira predadora sexual que não se deixa intimidar por ninguém, muito menos por um lobo cinzento com o triplo de seu tamanho. Haru é uma personagem complexa que tenta driblar sua condição de herbívoro fraco e diminuto sendo uma predadora onde ela consegue: na cama; isso causa a ela muita solidão, visto que as outras fêmeas têm muita raiva e despeito por ela, contudo, para Haru, é melhor estar sozinha do que cercada de pessoas que tenham tão somente pena dela. 



        Legoshi vai entrar em um dilema moral muito grande, pois ele não sabe se sente atração pela coelhinha porque ela é mesmo muito atraente, ou porque ele quer devorá-la, no sentido literal e carnívoro da palavra mesmo. No final da primeira temporada ele consegue ter uma delimitação maior de seus sentimentos, porém, sua estatura e força ainda o assustam muito e ele não se deixa ficar com a Haru por medo de machucá-la e esse medo se mostra totalmente plausível, quando, no começo da segunda temporada, descobrimos quem matou Tem (o jovem herbívoro devorado no primeiro episódio) e vemos outras situações assustadoras envolvendo um casal formado por uma herbívora e um carnívoro. 

        Beastars é uma obra muito interessante, divertida com diversas reflexões políticas e sociais e  que reflete muito bem, de forma alegórica, o racismo estrutural da sociedade, a luta de classes, a desigualdade e a corrupção, mas juntamente a tudo isso traz também uma nova interpretação do dilema imaginado por Stephanie Meyer, em Crepúsculo, e o faz de uma maneira plausível, linda e super instigante, nossa, é perfeito. 

        Espero que você, fã de Beastars, não veja essa comparação como algo negativo, ela só é o que é. É tolice negar que Crepúsculo não influenciou a produção literária de 2008 para cá e é muito legal encontrar uma obra que o fez de maneira a não testar a nossa inteligência, usando pautas sociais de maneira responsável e nos dando um entretenimento de qualidade que não apenas cumpre a função estética da arte, mas também a catártica, ou seja, nos faz refletir, nos faz avaliar a sociedade ao nosso redor e vê-la com outros olhos. 



        Além do improvável casal, outra personagem de grande destaque na trama é Louis, a trajetória de vida dele, de pequeno cervo vítima de tráfico no mercado ilegal de carne, à filho adotivo de uma das famílias de herbívoros mais rica, poderosa e influente nessa sociedade é cheia de altos e baixos e reviravoltas; sendo bem sincera com vocês nunca teria imaginado o destino que Louis tem na segunda temporada, nunca mesmo. Ele é a pessoa mais lúcida e pé no chão dentre os protagonistas, até porque Louis não pensa apenas em seus dilemas pessoais tal como Legoshi e Haru, ele pensa no todo, no futuro dessa coexistência tênue e facilmente quebrável entre herbívoros e carnívoros e isso, meus querides, é incrível demais. 

        Só posso dizer que Beastars vai deixar saudade e já estou me preparando para adquirir os mangás e analisar a fonte da adaptação que tanto gostei e admirei. E você? Já assistiu Beastars? Gostou? Não gostou? Diz para gente nos comentários.