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31 de outubro de 2025
NOSFERATU, DE JOE HILL



    O Natal é uma das épocas do ano mais aguardadas pelas crianças. É nesse dia que elas deveriam ganhar presentes, comerem bem, ficarem acordadas até tarde e terem momentos agradáveis com a família. Joe Hill, no entanto, subverte e, na verdade, perverte tudo isso em Nosferatu. Aqui, seria melhor que o natal não existisse...
    O livro começa mostrando-nos o assassino condenado, Charles Manx, esse é o Nosferatu, em coma, em um hospital penitenciário. Ele está lá há mais de dez anos, contudo, existe algo nele que amedronta as enfermeiras, principalmente, aquelas que têm filhos pequenos. .
    A narrativa dá um salto para o passado e vai para o final dos anos 1980 e início dos 90, onde conhecemos Victória McQueen, também conhecida como Pirralha que, ao ganhar de presente dos pais uma bicicleta nova, vê sua vida mudar, ou melhor, desmoronar completamente. 
    Joe Hill, como acontece em A estrada da noite, traz, novamente, o conceito de pessoas singulares cujos "poderes" estão relacionados a caminhos/portais. Vic consegue, ao pedalar sua bicicleta, ir a qualquer lugar e encontrar algo perdido. Seus problemas de verdade começam, quando, na adolescência, após o divórcio caótico dos pais, ela decide pedalar em busca de problemas... Pois ela encontra Charles Manx, o Nosferatu. Pelo título da narrativa, as características do vilão e a forma como Vic encontra uma de suas vítimas, já é possível traçar o modus operandi dele e seus objetivos. Joe Hill traz uma complexidade grande a seus personagens, não sendo nem um pouco maniqueísta em suas descrições. 
    A pirralha tem seu primeiro confronto com o Nosferatu e sai vitoriosa: ele é preso e condenado à prisão perpétua, entretanto, algo quebrou dentro dela e, na vida adulta, casada e com um filho, ela está perdida e desequilibrada. Vic começa a receber telefonemas das crianças raptadas por Manx e levadas para a "Terra do Natal", elas a acusam de tê-lo roubado delas. A jovem perde a cabeça por isso e causa um incêndio em sua casa, é diagnosticada com esquizofrenia e pouco a pouco vai afastando seu marido e filho. 
    Após a morte de sua mãe, porém, Vic decide passar mais tenho com o filho, aluga uma casa de campo para passarem o verão e começa a consertar uma moto. Infelizmente, Manx desperta de seu coma, foge e vai atrás dela em busca de vingança: ele levará o filho dela para a "Terra do Natal". A partir daí, inicia-se a busca frenética de Vic para salvar seu menino e destruir Mnx e seu carro amaldiçoado. 
     Nosferatu está bem longe de ser uma leitura leve ou fluída, Joe Hill começa a narrativa bem e a termina de modo eletrizante, contudo, o "meio" é um pouco arrastado; ademais, a protagonista sofre tanto até metade do livro que a outra metade torna-se bem pessimista, porque a gente sabe que ela vai sofrer ainda mais... 
    Se você gosta do Natal, essa obra não é recomendada para você. O vilão usa dessa festividade e de seus elementos para destruir vidas. É tudo muito pesado e violento. Minha conclusão: Nosferatu é muito bem escrito, mas não pretendo relê-lo nunca mais na minha vida. 






24 de outubro de 2025
O FANTASMA DA ÓPERA



Até esse ano, meu único contato com O Fantasma da Ópera foi através do filme homônimo de 2004. Na época, lembro de ter gostado da adaptação principalmente por causa da atriz Emmy Rossum, a qual eu conhecia pela série Shameless, que eu adorava. Muito tempo passou e acabei comprando a belíssima edição da Editora Pandorga, fiquei muito encantada por ela e resolvi fazer essa leitura, que, infelizmente, não foi tão encantadora quanto seu projeto gráfico… 

Gaston Leroux foi um jornalista e romancista muito famoso em sua época e ele, tal como muitas outras pessoas, ficava intrigado com os diversos acidentes misteriosos ocorridos na opulenta Ópera Garnier e em suas galerias e lagos subterrâneos. Unindo o útil ao agradável, ele publica, então, em 1909, O Fantasma da Ópera, um romance que deve ter sido fascinante, mas não envelheceu nem um pouco bem.

Em O Fantasma da Ópera, acompanhamos, através do próprio Gaston Leroux, como narrador observador, na forma de uma “reportagem”, o misterioso caso do desaparecimento da soprano Christine Daaé e algumas mortes inexplicáveis que ocorreram na mesma noite. 

O narrador começa nos mostrando que os diretores anteriores da ópera se aposentaram e novos assumiram seu lugar, contudo, eles só sabiam sobre a existência de uma figura excêntrica: O Fantasma da Ópera, alguém que domina verdadeiramente o local; todos o temiam e, inclusive, os diretores anteriores lhe pagavam um salário e reservavam-lhe um camarote inclusive para assistir a todas as apresentações, mas por que isso, você se pergunta?  Porque se não o fizessem o “fantasma”, conhecedor de todas as passagens secretas e subterrâneas do teatro, poderia sabotar as produções e causar acidentes fatais… Os novos diretores não acreditam nisso e muitos crimes acabam decorrendo dessa descrença… 

Depois de saber desse cenário, conhecemos nossa protagonista, Christine Daaé, uma jovem bailarina, aspirante a cantora que guarda um grande segredo: ela tem aulas de canto com uma figura misteriosa que ela chama de seu “Anjo da Música”, posteriormente, de forma bem ruim, ela descobre ser este O Fantasma da Ópera que, para piorar, fica completamente obcecado por ela. Além disso, em sua grande estreia como “prima donna”, a jovem reencontra um antigo amigo, o visconde Raoul de Chagny, o qual também é obcecado por ela e muito, muito ciumento e controlador. Enfim, Christine está presa a um triângulo amoroso terrível, até porque essas duas figuras masculinas opressoras vão se digladiar pelo “amor” da moça, ocasionando algumas tragédias. 

Como deixei transparecer desde o começo, não gostei nem um pouco de O Fantasma da Ópera. A narrativa de Leroux é bem enfadonha; Ele traz muitas descrições, para mim, desinteressantes, sobre a arquitetura da Ópera Garnier, sobre os “sentimentos” de Raoul por Christine, e toda a lenga-lenga dos novos diretores que não acreditam no fantasma. Foi muito pedante ler essa obra, gente, sério. A edição da Pandorga é linda, deslumbrante mesmo! As ilustrações, o projeto editorial, tudo é muito bonito, meu problema mesmo foi com a história que não me agradou em nada. O modo como o fantasma e Raoul tratam Christine é horrível. Ela é uma moça super talentosa, desimpedida, que poderia brilhar como cantora, mas é sempre lançada para trás por um dos dois. É ridículo. Tenho muita experiência com a leitura de clássicos e gosto muito da grande maioria daqueles que li, contudo, esse não me agradou em nada e não consigo recomendá-lo a ninguém.



7 de outubro de 2025
A ESTRADA DA NOITE

Ano passado, o Halloween por aqui flopou grande. Fiz um post ressurgindo das cinzas como uma fênix, para depois ficar dois meses sem escrever por aqui. Na época eu ainda não estava preparada para voltar, a cabeça estava focada em outras coisas (minha segunda graduação, uma pós, trabalho), mas agora é real oficial: teremos o Mês do Halloween aqui no Livre Lendo e para começar, vou escrever sobre um livro que dividiu minhas opiniões. 



    Há anos que ouvia falarem sobre o trabalho de Joe Hill, contudo, foi só após ter contato com Locke & Key que decidi, de fato, conhecer a carreira desse autor e comecei pela leitura de A estrada da noite
    Atualmente é comum vermos, em thrillers e romances policiais em geral, protagonistas controversos e anti-heroicos e Judas Coyne é exatamente assim. Ex-vocalista de uma banda de hard rock, ou heavy metal (o narrador não especifica) de muito sucesso, um grande babaca, machista, rico, na casa dos 50 anos, namorando uma garota de vinte. Esse é Judas Coyne. Além de todas essas características, o cara mantem uma coleção bem bizarra em sua casa (que inclui até mesmo uma fita snuff) Por causa disso, ao ser avisado por seu assistente do leilão de um fantasma em um site, "logicamente", ele decide arrematá-lo e fica muito satisfeito com isso. 
    No anúncio do leilão, uma mulher dizia ter perdido o pai recentemente e que este estava assombrando sua casa através de seu antigo paletó. O dito cujo chega via correio até a casa de Jude, em Nova Iorque, de algum lugar da Flórida, e já vem causando. Ao levá-lo até sua casa, nosso astro do rock sente algo estranho, mas não dá atenção a isso, e mesmo quando sua namorada, Geórgia, machuca o dedo em um alfinete invisível no paletó e fica com um ferimento bem feio, ele ainda não se liga, isso só vai acontecer durante a madrugada quando Jude vê o fantasma e fica mortificado de medo. 
  Depois desse primeiro encontro assustador, ele tenta devolver o fantasma e entra em contato com sua filha descobrindo ter sido vítima de um golpe: o fantasma era padrasto de uma de suas ex-namoradas, a qual ele abandonou por esta ter depressão... A jovem cometeu suicídio e agora seus familiares querem vingar-se de Jude por ser o "culpado" disso. 
    É assim que a jornada do decadente outrora astro do rock pelA estrada da noite começa, pois o fantasma almeja levá-lo por ela e não poupará ninguém que fique no caminho de sua vingança. Ao longo dessa road trip macabra vemos o quanto Jude amadurece e assume seus erros e procura repará-los. Ademais, tanto ele quanto sua ex-namorada e a namorada atual tiveram infâncias miseráveis e, no final, todos eles têm motivos para temer e, ao mesmo tempo, ansiar pelA estrada da noite.
   Não esperava muito desse livro, mas gostei do estilo de narrar de Joe Hill. Minha percepção foi de que ele enrola menos que seu pai, desculpem-me os fãs de Stephen King! Eu acho que uma divagação aqui e outra acolá, um pouco de descrição detalhada lá pelas tantas, ok; fazer isso em todos os capítulos de um romance, aí não dá, é forçar demais a amizade e, pelo menos, isso não há em A estrada da noite. É um livro de leitura bem tranquila e, em mim, não deu medo, só ranço dos personagens mesmo. 




16 de setembro de 2025
BOM DIA, VERÔNICA



 

    Tal como seu título, Bom dia, Verônica começa de forma bem prosaica e corriqueira: nossa personagem-título é uma paulistana, concursada como escrivã, esposa, mãe relapsa de suas crianças, vaidosa, leonina, enfim, tudo bem normal, só que não! Verônica não trabalha de fato como escrivã, mas sim como secretária do delegado da Delegacia de Homicídios, havendo um segredo por trás disso... Em seu local de trabalho, ela se depara com todo tipo de situação escabrosa, como o caso de Marta Campos...
    Ao chegar ao escritório para mais um dia de trabalho, Verônica vê uma mulher sair desesperada do escritório de seu chefe. A moça tenta ajudá-la, mas já é tarde demais, a outra se joga da janela, tirando a própria vida, suas últimas palavras: "talvez agora ele possa me amar". Intrigada, nossa protagonista descobre que a suicida fora à delegacia a fim de prestar queixa contra um golpista que conheceu on-line, depois a dopou, roubou e ainda lhe transmitiu uma ist bem bizarra. O delegado faz galhofa da pobre e iludida mulher. Não lhe restando mais nada, ela salta. Verônica, entretanto, não a deixa à deriva e jura para si mesma que encontrará o pilantra custe o que custar. 
    A narrativa de Bom dia, Verônica sofre então um desvio. Passamos a acompanhar, através de um narrador em 3ª pessoa, uma mulher cujo nome é Janete, mas bem poderia ser Amélia, afinal, ela representa muito bem o estereótipo "bela, recatada e do lar" adicionando as suas predicações apenas um marido psicopata, viciado em matar mulheres pobres, e ela sendo sua cúmplice forçadamente, vivendo no ciclo vicioso de um relacionamento abusivo, criminoso e muito, muito perigoso. 
    Ao ver Verônica na televisão falando sobre Marta Campos, Janete sente-se encorajada a quebrar o ciclo hediondo e tenta contato com a "policial". A partir daí, ela travará uma batalha interna intensa e desleal para tentar livrar-se de Brandão, seu marido psicopata. 
Desse ponto em diante, a narrativa de Bom dia, Verônica se alterna entre capítulo de Verônica e de Janete; nos da primeira, vemos suas tentativas desesperadas de encontrar o golpista, descobrindo seus hábitos macabros e o significado das últimas palavras de Marta; nos da segunda, assistimos sua rotina, ainda mais macabra nos dias escolhidos por Brandão para torturar e matar mulheres. 
    Durante a leitura de Bom dia, Verônica foi quase impossível não associar a personagem-título à Fátima da série Califado (a qual pretendo falar aqui em novembro), ambas têm o mesmo modo de agir: ajudar a vítima colocando seus interesses em primeiro lugar, não parando para pensar o quão perigosa uma investigação "extraoficial" pode ser para quem dorme com o inimigo, ademais, ambas enganam as vítimas dizendo terem o apoio da polícia, sendo a realidade bem diferente disso. 
    Bom dia, Verônica foi uma grata surpresa. Há alguns pontos difusos na trama? Sim. Os autores, entretanto, conseguiram criar uma narrativa tão densa e eletrizante que os "defeitos" não estragam a experiência de leitura. 
    Verônica e Janete são ambas personagens ambíguas, longe de serem  as "mocinhas" de um clichê policial, elas são mulheres, em suma, reprimidas de alguma forma, tentando se libertar, e com muito medo de falhar miseravelmente...
    O desfecho de Bom dia, Verônica é agridoce, sendo coerente com tudo o que nos foi apresentado sobre essas personagens, tornando o enredo ainda mais interessante. Se você gosta de romances policiais, suspense e protagonismo feminino, leia esse livro, certifique-se, contudo, de não deixá-lo guardado em uma caixinha depois...

4 de fevereiro de 2025
NUNCA MINTA, de Freida McFadden

 E como a verdade pode ser mil vezes pior do que uma mentira bem contada...




Imagine a situação: você é uma mulher recém-casada com um homem que não fala sobre a família, na verdade, no casamento de vocês não havia quase ninguém do lado dele, ele não tem amigos e o seus dizem que ele é uma grande red flag, mas mesmo assim você se casa com ele muito rápido. Vocês estão apaixonados e ele prospera no trabalho, apesar de você estar desempregada, e então decidem comprar uma casa maior, afinal, vocês querem ter uma família. Chegando lá, vocês vão pegos de surpresa por uma tempestade de neve e ficam presos nessa casa, que está à venda porque a antiga dona desapareceu há três anos e, aparentemente, vocês não estão sozinhos lá… 


Essa é a premissa de Nunca minta, primeiro livro que li da autora Freida McFadden, um nome muito promissor do gênero thriller atualmente. Quem me apresentou a ela foi o Samu. Ele entrou em uma leitura compartilhada e essa foi a obra escolhida, ele leu e insistiu para que eu lesse também, pois esse é o tipo de história que faz sua cabeça explodir. 

Pois bem, fiz a leitura, mas confesso não ter me engajado rapidamente com o relato da recém-casada Tricia e da desaparecida psiquiatra Doutora Adrienne Hale, um tenho esse problema em ler em inglês, na minha cabeça, quando leio nessa língua, estou estudando, sabe? Foi por esse motivo que demorei a mergulhar nessa história, até porque a escrita de Freida McFadden é eletrizante e objetiva, a mulher não fica enrolando não, tudo o que é escrito, será usado à frente, não há excessos, todas as informações são relevantes, contudo, não te preparam para os plot twists da trama, porque sim, há mais de um! 

Em Nunca minta, Freida McFadden nos apresenta ao enredo, alternando capítulos no presente, nos quais Tricia está pirando dentro de uma casa imensa, na qual ela sente que não está sozinha com seu marido, e ele, de forma paternalista, fala que ela está sendo exagerada e paranóica e que não há ninguém lá além deles… Será mesmo? Com capítulos do passado, nos quais a Doutora Adrienne ainda não está desaparecida e vemos como ela lidava com seus pacientes e como um deles se tornou uma pedra em seu sapato, perseguindo-a e a ameaçando com um vídeo comprometedor dela… E tendo acesso, juntamente com a curiosa Tricia, à algumas gravações das sessões de terapia que a doutora gravava sem a autorização de seus pacientes, algo não muito profissional e bem antiético, não é mesmo? 

Com essas informações, você já deve ter percebido que Freida McFadden cria personagens bem ambíguos e não muito cativantes, logo, nós desconfiamos bastante de quase todos eles e antipatizamos com a maioria também… E como dito, anteriormente, nada, absolutamente nada te prepara para os plot twists de Nunca minta. Sério. Você pode pensar nas mais loucas alternativas para o que aconteceu com a doutora: Morreu? Desapareceu apenas? Qual foi a motivação? Nada, repito, nada do que você pensar vai chegar perto da verdade…

Acho desnecessário dizer que amei essa leitura e, tal como aconteceu com A última festa, passei uma madrugada em claro lendo os últimos capítulos de Nunca minta e “pirei muito na batatinha” com o final, agora, quero ler outros romances de Freida McFadden, virei fã!


31 de dezembro de 2024
A ÚLTIMA FESTA

 UM SUSPENSE PARA "ANIMAR" SEU FINAL DE ANO




        Ah, as festas de final de ano! São momentos ou para se divertir, confraternizar com os amigos e familiares, vestir roupas brancas e desejar a paz mundial, ou para se estressar com familiares escrotos, ter momentos de "climão" por causa de desavenças ideológicas e por que não festejar com amigos que, na verdade, você já não se identifica tanto e talvez, até quisesse que um deles já não existisse mais... 
        É com esse plano de fundo de festas de final de ano que a autora Lucy Foley constrói A última festa. Aqui, acompanhamos um grupo de amigos dos tempos da faculdade que ao longo dos anos criou, na vida adulta, uma tradição de sempre passar o Réveillon juntos e a cada ano um membro do grupo escolhe a viagem e o que farão durante esse recesso, tudo muito legal não é mesmo? No começo a gente até admira essas amizades que perduraram até a vida adulta, mas só no começo mesmo... 
        No ano em que se passa A última festa, a pessoa responsável por organizar a viagem é Emma, namorada de Mark, e a mais nova no grupo.  Ela decide levá-los a uma espécie de hotel-fazenda no meio do nada nas Terras Altas escocesas. Lá, em apenas três dias através dos pensamentos de Emma, Katie e Miranda (membros do grupo); e Heather (funcionária do estabelecimento) veremos como funciona toda a dinâmica abusiva e tóxica entre esses "amigos". Segredos serão revelados e um assassinato ocorre e as perguntas que ficam são: Quem matou? Quem foi a vítima? Qual foi a motivação do assassino? 
        Não sou lá muito fã de livros narrados em primeira pessoa, contudo, quando o assunto é thriller, ai, a coisa muda completamente! Adorei os capítulos intercalados entre esses quatro pontos de vista tão distintos. Lucy Foley em alguns outros capítulos faz uso da terceira pessoa para mostrar o ponto de vista de um segundo funcionário do local, deixando tudo ainda mais intrigante. 

        A escrita de Lucy Foley é prazerosa de ler e a construção das personagens Emma, Katie e Miranda é memorável. A profundidade dada a elas só perde o brilho no final da história, que poderia ter sido melhor executado. Apesar dessa pequena ressalva, A última festa é um thriller maravilhoso e vale muito a pena ser lido. 



PS.: Feliz Ano Novo, pessoas! Tudo de bom para todos nós e que 2025 seja um ano melhor do que foi 2024!

24 de novembro de 2018
Blasfêmia - Pathy dos Reis e Maria Carolina Passos


Há quase dois anos atrás, em uma conversa com alguns alunos sobre leitura, um deles disse estar lendo, na época, um romance policial chamado Blasfêmia, escrito pela youtuber Pathy dos Reis e por Maria Carolina Passos. Fiquei intrigada pelo título e pela capa sombria, beirando o macabro. Passou-se bastante tempo desde a conversa que tive com esse aluno, mas li o livro e vou falar um pouco sobre ele agora. 

[...] "Não era um bom ambiente para recomeçar, e ela sabia disso como ninguém. Não tinha mais uma família e foi em Salina que a perdeu." [...] 

Blasfêmia começa em agosto de 1997. A recém-divorciada jornalista Claire Price está voltando para casa após mais de uma década, contudo, o que seria uma chance de recomeçar, acaba trazendo de volta toda a dor e sofrimento que a fizeram partir sem olhar para trás... 
Em setembro de 1984, em uma manhã terrivelmente quente, ela preparava-se par mais um dia entediante de sua vida devotada à religião mórmon. Sem nenhuma perspectiva de futuro fora dos limites da pequena e pacata cidade de Salina, no interior de Utah, onde nada acontece, todos se conhecem, uma pequena elite burguesa faz o que quer e todos são sufocados pela religião, a jovem de vinte anos passa seus dias trabalhando como voluntária. 
Claire não sabia, mas essa seria a última manhã tranquila de sua vida... Isso porque, ao sair de casa, ela se depara com uma cena chocante: o assassinato brutal e sem explicação de seu único irmão, algo que destruiu toda a sua família... 
Ao chegar a cidade, ela vai trabalhar no jornal de seu outrora melhor amigo e começa uma investigação paralela a da polícia acerca da morte de mais um adolescente, sob circunstâncias parecidas com a de seu irmão. Enquanto isso, precisa lidar com as pessoas abelhudas, os fantasmas do passado e o estresse pós-traumático carregado de confusão e situações estranhas. E eu paro por aqui.
Foto do site oficial do livro
Para uma primeira incursão literária, Pathy dos Reis fez um bom trabalho ao lado de Maria Carolina Passos. Blasfêmia consegue ser um romance policial empolgante e instigante em vários momentos, porém há também algumas falhas na construção do mistério, já vi piores, mas elas estão lá e podem incomodar leitores mais entusiastas do gênero...
Fiquei realmente surpresa com o final da trama, pois, apesar de ser algo já visto em outros textos do gênero, não foi evidenciado durante o desenvolvimento da história, nada levava a crer que a motivação do assassino fosse a mostrada no desfecho e isso foi bom. 
Só me incomodei muito mesmo com a ambientação de Blasfêmia ser nos E.U.A. e tudo ser americanizado. Sei lá, achei estranho e ainda concordo com Renato Russo: se estamos no Brasil, vamos falar em português! Mas cada um faz as suas escolhas. Só estou dando minha opinião sobre seus resultados...
Não sei se meu parecer favorável se dá por causa de uma recente leitura frustrada, no entanto acho que gostei mesmo de Blasfêmia apesar das incoerências, essa narrativa conseguiu me fisgar e entreter, logo, recomendo aos que tem vontade de conhecer o gênero romance policial e ainda não tiveram oportunidade. 

Então é isso! Já conheciam o livro Blasfêmia? Gostaram da premissa da história? Digam nos comentários.