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4 de agosto de 2026
O REI CORVO, de Maggie Stiefvater

Finalmente, chegamos ao final da Saga dos Garotos Corvos, finalmente, chegamos ao tão esperado desfecho das histórias de Blue, Gansey e companhia e, infelizmente, mais uma vez, dona Maggie Stiefvater decepcionou, mas decepcionou muito! 

O Rei Corvo começa uma semana após o término de Lírio Azul, Azul Lírio: Blue encontrou a mãe e o pai a tiracolo, para surpresa de todos; Colin Greenmantle fugiu com o rabinho entre as pernas ao se deparar com um perigo real, deixando a esposa, Piper, para morrer em Henrietta; Perséfone realmente morreu; e Gansey, Adam e Ronan sentem, cada dia mais, que precisam encontrar Glendower o quanto antes. 

Todos pensam que Piper morreu na caverna do adormecido que não deveria ser acordado, contudo, o que nós descobrimos é que ela não apenas está viva, como despertou um demônio com a ajuda de ninguém menos que Neeve, a tia desaparecida de Blue! O problema é que a supracitada tia se arrependeu de despertar um demônio, afinal, ninguém se dá bem ao fazer pactos, não é mesmo? E Maggie Stiefvater não foi nem um pouco generosa com essa personagem, só digo isso. 

Mais uma vez temos uma narrativa na qual “nada acontece” até que, BAM, tudo acontece, fim. Essa foi a sensação que tive enquanto lia O Rei Corvo. Sério, eu lia, lia e parecia que não tinha desenvolvimento, até ver que já estava em 50% do livro! Ai, tive um breve refresco ao ver o “desabrochar” do “relacionamento” de Adam e Ronan, porém, tudo se resumiu a uns dois beijões e um monte de palavras não ditas, mas sentidas. Que ranço! Sendo bem sincera aqui: tenho ranço de histórias que trazem personagens LGBTQAP+ e não mostram isso de forma clara e BEM DESENVOLVIDA, fiquei bem chateada e decepcionada mesmo! 

E falando em decepção…. minha gente, que final HORROROSO! Nossa, o resultado da busca por Glendower foi tão anticlimático, mas tão anticlimático que quase larguei o livro na hora. Só segui com a leitura porque faltava pouco para ela acabar. A “batalha” contra o demônio foi beeem morna e o final dos casais Blue e Gansey, Adam e Ronan foi no mínimo, insosso para caramba. 

Não gosto de falar mal de histórias que comecei gostando, mas não dá para fugir da realidade: para mim, a Saga dos Garotos Corvos só brilhou mesmo nos dois primeiros livros. Não pretendo ler o spin-off nem tão cedo, contudo, um dia volto para a escrita de Maggie Stiefvater


28 de julho de 2026
[RELENDO...] O MUNDO PÓS-ANIVERSÁRIO, DE LIONEL SHRIVER


Há algum tempo entrei em um processo de releitura de livros lidos há pelo menos uns dez anos. Um deles é o polêmico O mundo pós-aniversário da talentosíssima Lionel Shriver

Em O mundo pós-aniversário somos apresentados à Irina, uma mulher de 42 anos, ilustradora, que vive há nove anos com o namorado Lawrence; Ela o abandona após se apaixonar por um amigo deles, Ramsey, cinco anos mais velho e jogador profissional de Sinuca. Tudo começa após o aniversário de 47 anos dele. 

Não vou me estender na sinopse porque já fiz uma resenha sobre esse livro de Lionel Shriver, isso porque, dessa vez, quero focar em minhas reflexões sobre a obra. 

Quando li O mundo pós-aniversário há dez anos atrás, já havia percebido problemas de relacionamento contidos nele, porém, hoje, percebo o quão abusivos e tóxicos eles são. Todos os relacionamentos de Irina têm essa configuração e a rebaixam, desde sua mãe narcisista, até Ramsey, que não a respeita e muito menos apoia o trabalho dela. Ademais, ao meu ver, o fato de o pai de Irina ter abandonado a família quando ela era criança, a fez desenvolver uma dependência emocional muito grande em figuras masculinas, o que a faz procurar, em seus relacionamentos amorosos, mais uma figura paterna do que um parceiro, pois, no fundo, ela quer ser cuidada, ela precisa, palavras dela, que um homem a ampare e lhe dê suporte, por isso sua relação com Ramsey é tão tempestuosa. 

É realmente revoltante ver como, no fim, Lionel Shriver dá a entender que em um futuro próximo, Irina e Lawrence ficarão juntos novamente. Em termos narrativos, isso até pode ser interessante, mas é bem doentio, pois a impressão é de que Irina não aprende nada e continua sendo uma mulher de meia-idade infantil e à procura de uma figura paterna "perfeita", além de não conseguir nunca ficar sozinha. 

O mundo pós-aniversário não envelheceu bem. Quando questionada sobre os abusos sofridos nas mãos de Lawrence ou de Ramsey, Irina trata tudo como se fosse algo normal, como se fossem apenas “traços de personalidade” desses homens e isso é algo que incomoda demais! 

Ainda gosto muito da escrita de Lionel Shriver, só é muito triste pensar que existem várias mulheres na mesma situação de Irina, cujas vidas dependem da validação masculina, sem um verdadeiro propósito por si mesmas, sem um verdadeiro amor próprio. 


21 de julho de 2026
A DAMA DAS CAMÉLIAS, de Alexandre Dumas Filho



Se você pesquisar por Alexander Dumas, pai aqui no Livre Lendo, vai ver que eu não tenho uma opinião muito favorável ao autor, isso porque acho que ele enrolava demais em sua escrita, apesar de criar histórias mirabolantes e divertidas. Por esse motivo, protelei por muitos anos a leitura de A dama das camélias, a obra máxima de seu filho, Alexandre Dumas Filho e, para minha total surpresa, gostei bastante do texto e me vi envolvida por essa história. 

Para começo de conversa, A dama das camélias é quase que um roman à clef isso porque, aparentemente, Alexandre Dumas Filho inspirou-se em sua própria história de amor tórrido com uma cortesã famosa de sua época, Marie Duplessis, amante também do compositor Franz Liszt, a qual morreu bem jovem, no auge da fama e da beleza, para criar seus protagonistas, Marguerite Gautier e Armand Duval.

A história começa com um narrador em primeira pessoa que será o ouvinte desta narrativa, ele é um carinha aleatório que foi ao leilão dos bens móveis de uma famosa cortesã de Paris que morreu jovem e repentinamente e deixou uma dívida enorme. Ele, por impulso, compra um livro do espólio: Manon Lescaut, o qual tinha a dedicatória de um certo Armand Duval… Pois bem, pouco tempo depois, nosso narrador recebe a visita do senhor Duval e assim, Alexandre Dumas Filho nos brinda com uma cena gore no meio de um romance romântico, a qual eu não estava esperando de forma nenhuma e, sinceramente, fiquei um pouco estarrecida, pois, ele não poupa detalhes em relação à situação do corpo putrefato de Marguerite… 

Após recuperar-se do trauma de ver o corpo em decomposição da amada, e de ler uma carta póstuma escrita pela mesma e endereçada a ele, Armand decide contar sua história para o narrador, a fim de tentar superar a dor e a culpa de sua perda. 

Armand Duval é um jovem burguês daqueles bem no estilo “burguês safado”, sabe? Tem uma profissão, pois é formado em Direito, mas nunca trabalhou na vida, vive em Paris sustentado pelo pai e por uma pensão que recebeu de herança da mãe falecida, o cara não faz nada, nada, só se diverte, contudo, um belo dia ele conhece a famosa cortesã, Marguerite Gautier, A dama das camélias, e fica completamente apaixonado por ela. 

No começo, ele fica muito melindrado por sua situação financeira, já que não é rico, e pelo fato de Marguerite ser muito livre e espontânea e até mesmo tê-lo tratado de forma frívola, porém, ele está obcecado pela moça a arranja um jeito de fazer parte de seu ciclo de amizades. Marguerite, leva uma vida bem boêmia: dorme de madrugada, acorda bem tarde, bebe bastante, é cortesã, apesar de ter uma clientela seleta e nobre, e ainda por cima, sofre de tuberculose, mesmo sendo muito jovem, quando ela conhece Armand, tem apenas 22 anos e já quase morreu. 

Por causa da doença, inclusive, ela conhece um certo duque, que perdeu a filha para a tuberculose, cuja aparência era muito semelhante a de Marguerite, logo, ele meio que se torna um protetor da moça, não aceitando sua condição de cortesã, por isso, sua vida boêmia é mais discreta desde então e ele não pode saber de seus clientes. É nessa situação que ela e Armand se conhecem e se apaixonam e começam seu caso. 

Durante todo o período, que dura mais ou menos um ano, eles vivem um “amor” bem conturbado, pois Armand tem muito ciúmes de Marguerite e se martiriza por não ter condições de sustentá-la, mas, em momento algum, ele pensa em arranjar um emprego. Isso nunca passou pela cabeça dele, ele começa a fazer empréstimos, a jogar, mas trabalhar? Jamais. Até porque, ele precisa acompanhar a vida boêmia da amada…

Sendo bem sincera com vocês, a escrita de Alexandre Dumas Filho é muito mais fluida do que a do pai e sendo polêmica agora: nunca achei os textos de Alexandre Dumas essas pérolas da literatura que muita gente comenta por aí, na verdade, fiquei sem entender o porquê de compararem o filho de forma tão negativa. Ele entrega um romance romântico bem aos moldes dos de sua época e o faz de forma bem construída e nos entretém e nos faz refletir. Eu, pelo menos, passei muita raiva com  Armand, que é um homem chato, abusivo, irritante, medíocre. Nossa, insuportável. 

Já a situação de Marguerite irrita por causa da visão que a sociedade tinha de cortesãs, afinal, é dito que o duque se dispôs a pagar todas as dívidas da moça e lhe dar uma vida confortável e ela é recriminada por todos e dizem que a justificativa dela para não sair da “profissão” é porque a vida de jovem casta era muito chata, mas, gente, sendo realistas, só sendo muito doida para se colocar a mercê de um velho desconhecido e ainda por cima rico, né? Pelo menos como cortesã ela tinha a própria casa, escolhia os clientes, tinha uma certa liberdade. Eu entendo Marguerite, ela se via presa, encurralada por todos os lados, por isso o ciúmes e o egoísmo de Armand são tão enervantes! Ele não sabe quem ela realmente é, ele tem apenas uma idealização e quando ela deixa de corresponder às expectativas dele, ele simplesmente aceita e vai embora, voltando apenas ao saber de sua morte. 

A dama das camélias é uma livro bem escrito, mas com uma visão bem machista das mulheres e de relacionamentos amorosos, seria muito bom dizer que é algo específico da época, mas, até hoje vemos homens querendo ditar o que é uma mulher “de valor”, e como mulheres perdem esse “valor” rapidamente e logo são deixadas no esquecimento. 


14 de julho de 2026
A SIGN OF AFFECTION, de Suu Morishita



Como eu já falei em um outro post,  A sign of affection ganhou meu coração de um jeito que não resisti e cacei os mangás pelas interwebs para saber a continuação da história de amor de Yuki e Itsuomi e, também, já estou adquirindo os volumes publicados pela New Pop, que está no sétimo atualmente. Agora, posso dizer com propriedade que tenho mais uma mangaká favorita e o nome dela é Suu Morishita

A sign of affection é um mangá criado por Suu Morishita, publicado na revista Dessert desde 2019, sem previsão de um final, a obra conta com 12 volumes até agora. A inspiração da autora para criar o relacionamento entre Yuki, uma jovem surda, e Itsuomi, um jovem com espírito de andarilho, veio da vida real, pois uma das amigas de Suu Morishita é surda e foi através dela que a autora teve contato com a cultura surda japonesa. 

Mangá e anime são bem parecidos, pois este último adapta o primeiro até o volume 6, capítulo 21, com algumas alterações na ordem de aparecimento de algumas informações, mas está tudo lá. O anime é ótimo. O mangá continua a partir do ponto em que Yuki e Itsuomi já estão namorando e decididos a realizarem seus sonhos juntos, mas vamos a um contexto, caso você não saiba nada sobre essa história nem tenha lido meu post sobre a animação. 

Em A sign of affection conhecemos Yuki, uma jovem universitária de cabelo rosa, super fofa e linda que tem uma particularidade: ela é surda. Um dia, no metrô, ela acaba conhecendo outro jovem universitário que a salva de uma situação embaraçosa, seu nome é Itsuomi e ele tem o espírito do andarilho, digo isso porque esse homem não esquenta canto em lugar nenhum, está sempre viajando, sempre mochilando, me dá preguiça só de pensar, mas enfim, Yuki o acha fascinante e logo fica super gamada nele, até porque ele se interessa pela cultura surda e decide aprender língua de sinais. 

Nos primeiros 4 volumes do mangá vemos a amizade deles sempre oscilar entre um possível romance, principalmente, porque Yuki está COMPLETAMENTE apaixonada por ele, nós, leitores, sabemos que o Itsuomi também é apaixonado por ela, afinal, o cara está muito empenhado em aprender língua de sinais japonesa o mais rápido possível para se comunicar melhor com ela, pois é a única pessoa surda que ele conhece ou já conheceu até hoje, contudo, como não poderia deixar de ser, a Yuki não vê isso. 

Ao longo dos próximos volumes vemos a  relação dos dois se aprofundar cada dia mais, até morar juntos eles vão e o capítulo no qual o Itsuomi conhece os pais da Yuki é hi-lá-rio apesar de ter um momento beeeem bad vibes no meio, pois, Suu Morishita deixa bem claro que a sociedade japonesa é bem preconceituosa e avessa a pessoas com deficiência, não são todos, mas sempre haverá aqueles que olharão feio para Yuki ou não vão querer ter contato com ela e seus familiares por causa da deficiência dela, sim é bizarro, eu sei, e fiquei muito revoltada com isso. 

Como eu já imaginava após concluir o anime, a continuação de A sign of affection me cativou de uma forma muito profunda. O traço de Suu Morishita é lindo e delicado, é tudo tão fofo!  É claro que por se tratar de um shoujo há bastante foco no romance, seja dos protagonistas, seja de seus amigos, mesmo assim, há crítica  social também, apesar de bem leve, e até o momento, não vi nenhuma red flag no comportamento de Itsuomi em relação a Yuki, eles são fofos e se possível, não quero que sua história acabe! Então é isso, gente, quando a New Pop alcançar a publicação original e tiver novos capítulos da história desses dois, vou atualizando por aqui.


7 de julho de 2026
HONNOU SWITCH, de Kujira



A cultura pop ocidental é cheia de livros e filmes que retratam o surgimento do amor entre amigos de infância ou de longa data: Simplesmente acontece, O casamento do meu melhor amigo, Teto para dois etc. O que todas essas obras têm em comum além do mote é a total falta de comunicação entre os ditos amigos que não aceitam seus sentimentos e lutam incansavelmente contra eles, causando situações constrangedoras e absurdas, sofrendo e fazendo os outros sofrerem, algo que poderia ser facilmente consertado se eles dissessem o que sentem uns pelos outros. Sendo bem sincera, esse tipo de história me dá canseira, por isso, quando li a resenha da Priih, do blog Infinitas Vidas sobre um mangá contando o desenvolvimento da relação amorosa entre dois melhores amigos, sem mimimi, sem enrolação e com COMUNICAÇÃO, eu pensei, preciso ler isso! O mangá é Honnou Switch, no inglês Changes of heart, da autora Kujira.

O mangá começa de forma bem frenética porque nossa protagonista, Koyori, uma mulher de 26 anos, está desiludida e muito chateada porque seu namorado e também chefe terminou com ela porque a estava traindo esse tempo todo e a outra está grávida. Desconsolada, ela vai chorar as pitangas no ombro de seu melhor amigo, Hijiri, o qual ela conhece desde quando estavam na creche. Eles sempre foram vizinhos, seus pais são amigos, eles sempre tiveram relacionamentos amorosos com outras pessoas e, para Koyori, era impossível acontecer algo romântico entre ela e o amigo, até que, depois de muito beberem e ela reclamar que mesmo namorando já não fazia sexo há um bom tempo, Hijiri se oferece e ela, bêbada, aceita. No dia seguinte, como seria de se esperar em QUALQUER HISTÓRIA DESSA TEMÁTICA, ela acorda desnorteada e pede para que eles esqueçam tudo o que aconteceu e continuem sendo apenas amigos. É a partir daqui que a história sai totalmente da zona clichê. 

Na minha humilde opinião, Kujira inovou muito ao fazer com que Hijiri seja um homem adulto que age como tal e vai conversar abertamente com Koyori. Ele não se ofende, não fica melindrado, não faz joguinhos, ele apenas diz a real: ele é apaixonado pela amiga desde a adolescência, contudo, ela nunca deu uma abertura para que ele pudesse se confessar e agora que ambos estão solteiros e fizeram o melhor sexo de suas vidas, ele quer tentar um relacionamento com ela, afinal, eles são melhores amigos, já conhecem muito um ao outro, por que não tentar? É claro que eles terão alguns vários conflitos, pois ambos se conhecem como melhores amigos, a dinâmica de casal muda essa relação, só que o respeito, o amor, o companheirismo e a confiança estão presentes em cada momento dessa relação e é muito lindo e fofo de ver. 

Koyori é bem reservada e tem muitas inibições e receios por causa de relacionamentos anteriores e também por toda carga que é infligida a nós mulheres no geral, Hijiri é mais aberto e paciente, respeitando o espaço dela e mostrando sempre o quanto ela é amada, mesmo ele tendo também suas inseguranças e ciúmes. Em nenhum momento Honnou Switch me fez revirar os olhos ou desacreditar da história, muito pelo contrário, o relacionamento de Koyori e Hijiri é bem crível, apesar deles transarem demais mesmo quando estão super cansados depois de um dia longo de trabalho, isso é um pouco forçado, mas passo pano porque eles são um casal fofo e 0% tóxico, ou seja, precisam ser exaltados. 

A leitura de Honnou Switch foi uma grata surpresa. Li todos os 8 volumes em inglês porque, infelizmente, aqui no Brasil eles ainda não foram publicados,  o que é realmente uma pena, pois essa história é muito linda e traz um quentinho ao coração. Não conhecia a escrita de Kujira, mas ela já me conquistou e, sério, queria ler muito mais sobre Koyori e Hijiri, meu casal hétero favorito. 


23 de junho de 2026
LÍRIO AZUL, AZUL LÍRIO, de Maggie Stiefvater




Pois bem, não me aguentei e engatei a leitura de Lírio Azul, Azul Lírio, terceiro volume da Saga dos Garotos Corvos, mas, dessa vez, a leitura não foi assim não deslumbrante e o brilho da escrita de Maggie Stiefvater se esvaiu aos poucos para mim… 

Lírio Azul, Azul Lírio começa exatamente um mês após o desaparecimento de Maura Sargent, a mãe de Blue. A garota está muito, mas muito brava com a mãe, além de muito preocupada também. Os sentimentos se misturam e entrelaçam e a estão fazendo enlouquecer! Em contrapartida, os garotos corvos também estão todos muito preocupados com a mãe dela e cada dia mais desesperados por encontrar Glendower, pois todos eles sentem que algo grande e muito ruim está pairando ao seu redor. 

Eles não estão errados. Chegam à pequena cidade de Henrietta o casal Greenmantle, formado por Colin e Piper. O primeiro era o “chefe” do Senhor Cinzento e foi ele o mandante da morte do pai de Ronan. Ele se torna professor de latim na Academia Aglionby. Piper, parece ser uma típica socialite cabeça de vento, loura e padrão, mas, minhas amigas, essa mulher é um PE-RI-GO! Obviamente, esses dois vão inaugurar um triplex de preocupação e revolta na cabeça dos nossos corvos. 

Em meio às buscas pela mãe de Blue e pelo túmulo de Glendower, o grupo se depara com uma profecia na qual existem três adormecidos, um que deve ser acordado, um que não deve ser acordado e outro que não importa se acordar ou não. É assim que eles encontram, de modo até que bem fácil, um suposto túmulo do Rei Corvo, contudo, a pessoa na tumba é a filha de mais de 600 anos do cara, que ficou lá presa e ACORDADA esse tempo todo! A jovem é uma incógnita para todos, mas não parece ser de todo má… 

Quem é má mesmo é a Piper, socorro, que pessoinha mais sem noção e insuportável! Ai, gente, li o livro todo colocando a cara da Blake Lively nessa personagem… Enfim, uma coisa que percebi lendo de forma meio que contínua a Saga dos Garotos Corvos, é que não acontece muita coisa na narrativa, sabe? A Maggie Stiefvater tem essa capacidade única de escrever um livro no qual quase nada acontece, até 70% da história, mas você continua preso à leitura porque quer saber o que vai acontecer com os personagens, o que eles estão fazendo, pensando, é bem estranho. Dessa vez, contudo, não gostei tanto dessa leitura e achei que a narrativa foi parada demais. É lógico que lerei o final, até porque quero muito saber se eles encontrarão o Glendower e se Ronan vai se declarar para o Adam… Só que não estou mais com aquela empolgação….


19 de maio de 2026
LADRÕES DE SONHOS, de Maggie Stiefvater




Pois bem, não me aguentei e deixei todas as outras leituras de lado para dar atenção ao segundo volume da tetralogia de Maggie Stiefvater: Ladrões de sonhos. Já posso dizer que, se o volume anterior já foi cheio de aventura, esse, querides, é cheio de aventuras e de perigos também! 

Ladrões de sonhos começa alguns meses após o final do primeiro livro, ou seja, a Linha Ley foi despertada pelo sacrifício de um dos garotos e Ronan revela um segredo surpreendente: ele pode retirar coisas de seus sonhos! Inclusive, seu corvo de estimação, Motosserra, foi retirado de um deles. 

Se existiam pessoas inescrupulosas atrás de Glendower, obviamente, existem também aquelas atrás do que vão chamar de “Greywaren”, que elas não sabem o que é, mas sabem o que faz: materializa sonhos… 

Ao longo de Ladrões de sonhos, vamos nos aprofundar mais na história de vida de Ronan e entender porque ele é um cara chato para cassete e super violento. Para mim, independente de tudo o que ele passou, não justifico suas ações irracíveis e mesmo depois de saber que ele é do Vale, ainda assim, não gosto dele, como disse, o cara é chato para cassete! 

Além de desenvolvê-lo bem, Maggie Stiefvater também dará um pouco mais de atenção ao triângulo amoroso Adam-Blue-Gansey e dá um desfecho, por hora, satisfatório para eles, afinal, existem coisas muito mais importantes acontecendo e assassinos estão à espreita atrás deles. 

Como o segundo volume de uma série, Ladrões de sonhos cumpre seu papel muito bem ao introduzir um novo conceito, uma nova busca/ferramenta para os protagonistas e desenvolver um pouco mais suas relações. O final, mais uma vez, é chocante. Maggie Stiefvater faz a gente de trouxa ao jogar na nossa cara mais uma informação bombástica e você fica com a sensação de “preciso ler o próximo livro logo!” Vou tentar me segurar, já que tenho outras três leituras em andamento no momento e também quero muito concluí-las. Estou encantada por essa série e muito feliz por ter encontrado mais um YA recentemente que me entreteu e não feriu nenhum direito humano ou romantizou situações/relacionamentos abusivos. 


5 de maio de 2026
[RELENDO...] 1984, de George Orwell


1984 é para mim, sem sombra de dúvidas, a melhor distopia já escrita até hoje; e olha que eu já li várias! George Orwell teceu com maestria esta história comovente e aterradora, a qual sobreviveu com louvor à minha releitura após trezes anos. 

Não deveria ter demorado tanto tempo para reler 1984! Com certeza esse é o tipo de leitura que deve ser feita com frequência, mas independente da década em que você a ler, ela infelizmente parece nunca perder sua atualidade… 

Em 1984 acompanhamos Winston Smith, um homem próximo aos 40 anos que vive numa Londres distópica dominada por um partido autocrático extremamente controlador e doentio. Apesar de saber que isso pode lhe trazer sérios problemas, Winston compra um caderno e começa a anotar seus dias nele, suas impressões e reflexões sobre o mundo e sobre o controle do partido. 

No mundo de 1984 todos são vigiados constantemente através de televisores, câmeras, escutas, microfones, enfim, ninguém tem privacidade. Sentimentos e emoções, fora os de devoção ao partido, são fortemente desencorajados e o objetivo é que tais instintos humanos deixem de existir com o tempo. 

Winston com seu diário e pensamentos subversivos sobre uma revolução encabeçada pelos “proletas” (quase trabalhadora que não faz parte do partido) começam a chamar a atenção de outras pessoas, o que pode significar que ele terá aliados ou inimigos muito poderosos… 

1984 é uma narrativa pungente. Um verdadeiro soco no estômago. A forma como George Orwell narra a vida cercada de miséria e imundície dos membros do partido e dos proletas, a alienação intelectual imposta a eles à níveis grotescos, beirando a insanidade, as descrições de torturas psicológicas, tudo é muito vívido e por isso mesmo extremamente doloroso de se acompanhar, mas, está é, como dito antes, uma leitura necessária e muito atual. 


28 de abril de 2026
O TARÔ E A JORNADA DO HERÓI, de Hajo Banzhaf



No ano passado tomei uma das melhores decisões da minha vida enquanto leitora: assinei o Kindle Unlimited (KU para os íntimos) e agora tenho contato com uma infinidade de obras que se fosse para eu procurá-las à esmo pelo site da Amazon ou em alguma livraria, perderia muito tempo e, talvez, não conseguisse lê-las. A primeira dessa leva foi O Tarô e a jornada do herói, escrito por Hajo Banzhaf, um livro que mescla Psicologia Analítica (amoooo) com Tarô (amo ainda mais) em uma profunda análise dos arcanos maiores e da nossa jornada pessoal na vida. 

Gosto muito, muito mesmo de Tarô e de um ano para cá tenho esse enorme desejo de estudá-lo mesmo e melhorar minhas interpretações dessa ferramenta oracular milenar e como também gosto de estudar a Psicologia Analítica de Jung, achei que O Tarô e a jornada do herói seria um ótimo ponto de partida para os meus estudos e eu não poderia estar mais certa! 

Nesse livro, o autor, Hajo Banzhaf, começa nos dando um panorama geral da história do Tarô, como surgiu, seus possíveis significados em algumas várias culturas, sua divisão em arcanos maiores e menores, suas correlações com a astrologia, elementos da natureza, da magia e alquimia, enfim, é uma ótima introdução para quem não sabe nada de nada do assunto. Depois, ele já nos explica o conceito da Jornada do herói, de Joseph Campbell, aliado aos conceitos junguianos e já nos avisa que o Tarô é uma ferramenta de conhecimento profundo sobre a psiquê humana e pode nos ajudar, e muito a nos entendermos nesse mundo. 

As análises começam com a carta de número zero, O Louco (representando a nós, heróis e heroínas) e terminam com a última carta, a de número 21, O Mundo, representando o fim de um ciclo e o início de outro, trazendo para nós de forma bem real a ciclicidade da vida. Durante as análises, Hajo Banzhaf aponta para o fato de que a jornada do herói pelos arcanos maiores é dividida em duas etapas: a jornada diurna, solar, de energia masculina; e a jornada noturna, lunar, de energia feminina. TODOS nós passamos pelas duas etapas, pois, segundo a Psicologia Analítica todos nós temos uma contraparte a depender de nossa identificação de gênero, sendo  masculina ou feminina dentro de nós, sendo estas o Animus e a Anima.

A jornada diurna e solar compreende as primeiras cartas dos arcanos maiores: O Mago, A Sacerdotisa, A Imperatriz, O Imperador, O Hierofante, Os Enamorados, O Carro, A Justiça e O Eremita. Nesse caminho, o objetivo do herói ou da heroína é desbravar o mundo, sair do conforto e da proteção da casa dos pais e se provar, mostrar do que é capaz (podendo isso ser para o bem ou para o mal), testar seus limites, desenvolver seu potencial sempre voltado para o exterior, aquilo que queremos mostrar e provar para os outros, sendo assim, o EGO domina esse trecho da aventura de nossas vidas.

A jornada noturna, por outro lado, é um mergulho em nosso inconsciente, ao chegamos no ponto O Eremita, já conhecemos muito bem nosso potencial transformador, contudo, passamos a querer entender quem nós somos de verdade, esse ponto do caminho é um retorno às origens, mas de forma reflexiva, passando pelas últimas cartas do tarô: A Roda da fortuna, A Força, O Pendurado, A Morte, A Temperança, O Diabo, A Torre, A Estrela, A Lua, O Sol, O Julgamento e O Mundo.  A ordem das cartas A Força e A Temperança foi propositalmente invertida pelo autor e durante a leitura, ele explica o porquê. Nesse momento, analisamos profundamente quem somos e temos contato com as nossas sombras, nesse trecho do caminho, o EGO vai se confrontar com o SELF, o inconsciente, tudo aquilo que sentimos, pensamos e somos, mas não queremos conhecer, não queremos saber, temos medo, nojo, só que, ainda assim, as sombras fazem parte de nós e um indivíduo só pode tornar-se pleno ao aprender a aceitar e lidar esses aspectos incômodos de si mesmo. 

O caminho lunar e noturno é, de certa forma, muito maior, mais complexo e mais profundo do que o diurno, mostrar-se para o mundo acaba sendo fácil, voltar-se para si mesmo e se conhecer e aprender a lidar com suas “imperfeições” é que é bem difícil, demanda muito tempo, paciência e amor consigo mesmo. Com certeza, O Tarô e a jornada do herói deixou mais claros os horizontes por aqui e me permitiu nortear bem como quero prosseguir com meus estudos sobre o Tarô e sobre a Psicologia Analítica também. Se você se interessa por ambos os assuntos, acredito que a escrita de Hajo Banzhaf é bem acessível e ele explica muito bem os conceitos básicos do trabalho de Jung, além de recomendar várias referências bibliográficas. Essa leitura vale muito a pena e é um bom começo para quem quer conhecer melhor a si mesmo e está disposto ou disposta a confrontar suas sombras e, quem sabe, tornar-se amigo delas, ou, pelo menos, ter uma relação de cordialidade. 

Então é isso, gente! Que leitura! Digam nos comentários: em qual parte do caminho vocês acham que estão?


14 de abril de 2026
[RELENDO...] A REVOLUÇÃO DOS BICHOS, de George Orwell


Fazia muitos anos desde que li A Revolução dos Bichos pela primeira vez, afinal, foi uma das leituras obrigatórias em minha graduação em Letras e eu já me formei há uns bons 10 anos. George Orwell já era um autor querido, visto que a primeira distopia que li foi 1984 e apesar de já conhecer a escrita dele eu não estava preparada para o que encontrei nesse livro e a releitura não deixou nem um pouco de me surpreender e horrorizar. 

Em A Revolução dos Bichos, somos apresentados a uma narrativa na qual George Orwell alegoriza  a criação da União Soviética; como no início as intenções de Lênin eram boas, mas, com sua morte, Stalin entrou no poder e estabeleceu um período de verdadeiro terror.

Na alegoria, tudo começa na Granja do Solar, em uma noite comum, o porco já idoso, Major, reúne os animais e lhes conta seu último sonho: ele via os animais vivendo livres, sendo donos de si, sem terem humanos controlando suas vidas e explorando seu trabalho. Pouco tempo depois, ele morre, mas a semente da revolução já havia sido plantada e os porcos Bola de Neve e Napoleão se unem aos demais animais da granja para expulsar os humanos e dar início a uma comunidade formada apenas por animais, onde o trabalho é compartilhado por todos, além de seus frutos. Assim tem início A Revolução dos Bichos, contudo, como esta trata-se de uma alegoria de acontecimentos históricos, já sabemos onde isso vai dar infelizmente. 

George Orwell demarca muito bem os papéis dos animais com as figuras históricas que representam: o porco Major, seria Lênin; Bola de Neve, Trótski; Napoleão, Stalin; os cavalos, são a população que acredita piamente nos ideais da revolução, sem entendê-los muito bem, porém, sem sua força, a mesma jamais seria possível; as ovelhas representam a mídia partidária que divulga sem questionar tudo o que é dito pelo governo, e por aí vai. 

No começo de A Revolução dos Bichos vemos o início de uma utopia acontecer: os animais agora vivem bem alimentados, trabalham dentro de seus limites, tem lazer e tranquilidade, mas isso não dura muito tempo, pois Napoleão consegue tirar Bola de Neve da jogada bem rápido e assume o controle total da granja e é a partir daí que vemos o começo do fim desta utopia. 

É muito triste ver como seria simples tornar as vidas dos cidadãos boas, se os governantes realmente tivessem esse objetivo, infelizmente, porém, o único que pensava no bem dos animais era Bola de Neve, Napoleão, seduzido pelo poder e pelo orgulho decide ir pelo caminho da exploração, assemelhando-se, ou melhor, sendo até pior do que os humanos. 

Eu tinha muitas lembranças de ter ficado bem incomodada com essa leitura e, hoje, a sensação continua a mesma. Em sua alegoria, George Orwell deixa bem clara a sua decepção com a União Soviética, até porque, ele era um comunista assumido que até pegou em armas contra a ditadura Franquista, na Espanha.

A Revolução dos Bichos é uma obra magnífica, curtinha e muito importante de ser lida, estudada e comentada. Se você não conhece muito sobre a Revolução Russa e a União Soviética, indico que você ouça os episódios: 013, 041, 104 e 141 do podcast HISTÓRIA FM, neles, professores doutores em História discutem e explicam muito bem como se deu a Revolução Russa, quem foi Stalin, como a União Soviética acabou, tudo baseado em FATOS HISTÓRICOS, vale muito a pena para complementar a leitura literária e ajudar ainda mais no entendimento da trama. Afinal, conhecer a nossa história deveria nos proteger de cometer os mesmos erros do passado… 


31 de março de 2026
A BIBLIOTECA INVISÍVEL, DE GENEVIEVE COGMAN


 

Vamos testar agora a minha memória, que já não é mais a mesma de antes, falando sobre um livro cuja leitura conclui há algum tempo… A Biblioteca Invisível, de Genevieve Cogman, que longe de ser uma história chata, ou enfadonha, só não ganhou um lugar aqui antes porque ano passado estive muito sobrecarregada com o trabalho. 

Nesse livro, Genevieve Cogman nos apresenta a um mundo, ou melhor, a vários mundos onde a magia existe, ou não; em maior ou em menor escala e em todos eles há livros: os mais diferentes, controversos e perigosos exemplares e cabe à Biblioteca Invisível a função de reunir e proteger todos eles. 

Conhecemos, então, Irene, nossa protagonista e bibliotecária júnior; nessa função, a jovem deve cumprir missões entrando de maneira furtiva em outros mundos e “conseguindo”, do modo mais conveniente e rápido possível, o livro solicitado por A Biblioteca Invisível, entretanto, o que a moça quer mesmo é tornar-se pesquisadora e deixar as aventuras de lado. 

Assim que retorna de uma missão, LITERALMENTE, ela é enviada para outra! Não dá tempo nem de ir ao banheiro! (hahahahaha, coitada!) Dessa vez, em um mundo onde magia e ciência caminham lado a lado, em uma Londres Vitoriana e steampunk. Lá, com a ajuda de seu mais novo assistente, Kai, nossa bibliotecária deve capturar uma versão de um livro dos Irmãos Grimm, sobre a qual ninguém quer dar detalhes, mas que com certeza é muito importante. 

Nesse mundo, Irene e Kai se vêem rodeados por intrigas, roubos e sociedades secretas, além de terem a ameaça adicional de Alberich, um ex-bibliotecário que uniu-se às forças do Caos e que também está atrás do livro e não medirá esforços, nem crueldades para consegui-lo. 

A obra de Genevieve Cogman foi uma grata surpresa para mim, pois não se trata apenas de um livro de capa bonita e só. A Biblioteca Invisível é uma leitura instigante e divertida na qual, felizmente, o foco da protagonista está todo voltado para o sucesso de sua missão e não sobre romance, inclusive, Irene rejeita as investidas de Kai, por acreditar que isso poderia comprometer o trabalho deles. 

Ainda bem que Genevieve Cogman nos entrega uma narrativa divertida, repleta de aventuras e mistérios, com uma protagonista feminina bem construída e nos deixa ansiosos para conhecer mais sobre os diversos mundos e para acompanhar Irene em cada etapa de sua fascinante jornada! 


17 de março de 2026
OS GAROTOS CORVOS, DE Maggie Stiefvater

 



Sabe aquele tipo de livro que você bate o olho, lê a sinopse e tem a certeza de que vai gostar da história? Mas por algum motivo estranho, sempre protela a leitura? Pois bem, esse é o caso de Os garotos corvos para mim! Há anos olho para a capa desse livro e penso “um dia vou lê-lo” e, finalmente, esse dia chegou e minha intuição estava certa: amei a história criada por Maggie Stiefvater e é claro que já adquiri os demais volumes! 

Em Os garotos corvos a autora faz uso de um recurso narrativo semelhante ao usado pelas autoras de Bruxaria, ao contrário delas, porém, Maggie Stiefvater o faz de maneira muito respeitosa e verossimilhante, pois aqui o mote da história é conduzido pelas Linhas de Ley e seu suposto (no volume confirmado) poder enérgico e místico e como as localidades por onde elas passam são muito influenciadas por sua magia. 

Maggie Stiefvater começa a história nos apresentado a Blue Sargent, uma adolescente de 16 anos que tem uma vida bem incomum. Apesar de morar na pacata cidade de Henrietta, Virginia, Blue vem de uma extensa linhagem de médiuns, sendo sua mãe uma cartomante, sua tia uma médium pop com um programa na TV e as melhores amigas de sua mãe também sendo médiuns, logo, nossa protagonista não se encaixa muito bem na sociedade moralista de onde mora e acaba não tendo muitos amigos, ou melhor, nenhum amigo. Ademais, a casa de Blue é uma grande e acolhedora confusão feminina, com sua mãe, as amigas dela, sua prima Orla, a própria Blue e, posteriormente, sua misteriosa tia; assim, a menina passa anos sem se importar muito com o fato de ser uma outsider, afinal, já tem bastante amor e companheirismo em sua vida com as mulheres que a cercam, contudo, há algo que intriga e irrita Blue ao mesmo tempo: Os garotos corvos

Richard Gansey, ou só Gansey, como ele prefere, é nosso outro adolescente protagonista, mas, diferente de Blue, ele é muito popular, o típico garoto boa praça que fala com todo mundo e é bem quisto por todos, além de ser podre de rico. O garoto é tão rico que acaba sendo um pouco sem noção para as outras pessoas, meros mortais, que não têm os mesmos privilégios que só muito dinheiro pode proporcionar e que para Gansey são absurdamente normais e corriqueiros. Como não poderia deixar de ser, ele é um dOs garotos corvos, afinal, esse é um apelido dado a todos os estudantes da Escola para garotos Aglionby, uma instituição de elite onde só estudam os mais ricos e abastados, ou garotos pobres muito, muito inteligentes e esforçados. 


Mas como essas duas pessoas tão diferentes têm seus destinos interligados? 


Todos os anos, na noite da Véspera do Dia de São Marcos, Blue e sua mãe vão até o terreno de uma antiga igreja abandonada da cidade a fim de observar uma espécie de “procissão das almas” que passa por um caminho específico que é uma Linha de Ley. Nessa noite em específico, algo muito estranho acontece, porque, mesmo vindo de uma linhagem de médiuns, Blue nunca apresentou mediunidade, ela “apenas” consegue aumentar os poderes paranormais de outras pessoas, mas nessa noite ela consegue ver uma alma, a de Gansey, e isso é muito preocupante já que desde os seus 5 anos a garota é assombrada por uma profecia que diz que ela vai matar ou ser responsável pela morte de seu verdadeiro amor se o beijar e, segundo sua tia, só há duas explicações para um não médium ver uma alma na Véspera do Dia de São Marcos: ou você vai matá-la, ou ela é o seu grande amor. 

Gansey, por acaso, está muito envolvido com questões paranormais já que ele é um caçador de Linhas de Ley e por esse motivo está em Henrietta. Ele busca comprovar que a lenda do rei galês “Glendower” é real e pretende lhe fazer um pedido quando encontrar seu túmulo e despertá-lo. Obviamente, ele não está sozinho, contando com a ajuda de seus amigos: o esquentadinho, Ronan; o certinho, Adam e o esquecível, Noah. Esses são Os garotos corvos do título e eles vão contar com a ajuda de Blue para tentar encontrar esse “Santo Graal”, eles só não sabem que existem outras pessoas bem inescrupulosas que também estão atrás de ter seus desejos realizados e serão capazes de qualquer coisa para isso. 

Eu simplesmente amei cada minuto dessa leitura! Imaginava que iria gostar dessa história, só não imaginava que ficaria tão fascinada pela escrita de Maggie Stiefvater! Comecei a leitura sem grandes expectativas e terminei totalmente deslumbrada e ansiosa para continuar com o próximo volume. Se você gosta de narrativas de fantasia urbana, uma leve pitada de romance adolescente, personagens cativantes, mistérios e plot twists, com certeza Os garotos corvos é a leitura perfeita para você! É entretenimento de qualidade em todos os capítulos!