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21 de julho de 2026
A DAMA DAS CAMÉLIAS, de Alexandre Dumas Filho



Se você pesquisar por Alexander Dumas, pai aqui no Livre Lendo, vai ver que eu não tenho uma opinião muito favorável ao autor, isso porque acho que ele enrolava demais em sua escrita, apesar de criar histórias mirabolantes e divertidas. Por esse motivo, protelei por muitos anos a leitura de A dama das camélias, a obra máxima de seu filho, Alexandre Dumas Filho e, para minha total surpresa, gostei bastante do texto e me vi envolvida por essa história. 

Para começo de conversa, A dama das camélias é quase que um roman à clef isso porque, aparentemente, Alexandre Dumas Filho inspirou-se em sua própria história de amor tórrido com uma cortesã famosa de sua época, Marie Duplessis, amante também do compositor Franz Liszt, a qual morreu bem jovem, no auge da fama e da beleza, para criar seus protagonistas, Marguerite Gautier e Armand Duval.

A história começa com um narrador em primeira pessoa que será o ouvinte desta narrativa, ele é um carinha aleatório que foi ao leilão dos bens móveis de uma famosa cortesã de Paris que morreu jovem e repentinamente e deixou uma dívida enorme. Ele, por impulso, compra um livro do espólio: Manon Lescaut, o qual tinha a dedicatória de um certo Armand Duval… Pois bem, pouco tempo depois, nosso narrador recebe a visita do senhor Duval e assim, Alexandre Dumas Filho nos brinda com uma cena gore no meio de um romance romântico, a qual eu não estava esperando de forma nenhuma e, sinceramente, fiquei um pouco estarrecida, pois, ele não poupa detalhes em relação à situação do corpo putrefato de Marguerite… 

Após recuperar-se do trauma de ver o corpo em decomposição da amada, e de ler uma carta póstuma escrita pela mesma e endereçada a ele, Armand decide contar sua história para o narrador, a fim de tentar superar a dor e a culpa de sua perda. 

Armand Duval é um jovem burguês daqueles bem no estilo “burguês safado”, sabe? Tem uma profissão, pois é formado em Direito, mas nunca trabalhou na vida, vive em Paris sustentado pelo pai e por uma pensão que recebeu de herança da mãe falecida, o cara não faz nada, nada, só se diverte, contudo, um belo dia ele conhece a famosa cortesã, Marguerite Gautier, A dama das camélias, e fica completamente apaixonado por ela. 

No começo, ele fica muito melindrado por sua situação financeira, já que não é rico, e pelo fato de Marguerite ser muito livre e espontânea e até mesmo tê-lo tratado de forma frívola, porém, ele está obcecado pela moça a arranja um jeito de fazer parte de seu ciclo de amizades. Marguerite, leva uma vida bem boêmia: dorme de madrugada, acorda bem tarde, bebe bastante, é cortesã, apesar de ter uma clientela seleta e nobre, e ainda por cima, sofre de tuberculose, mesmo sendo muito jovem, quando ela conhece Armand, tem apenas 22 anos e já quase morreu. 

Por causa da doença, inclusive, ela conhece um certo duque, que perdeu a filha para a tuberculose, cuja aparência era muito semelhante a de Marguerite, logo, ele meio que se torna um protetor da moça, não aceitando sua condição de cortesã, por isso, sua vida boêmia é mais discreta desde então e ele não pode saber de seus clientes. É nessa situação que ela e Armand se conhecem e se apaixonam e começam seu caso. 

Durante todo o período, que dura mais ou menos um ano, eles vivem um “amor” bem conturbado, pois Armand tem muito ciúmes de Marguerite e se martiriza por não ter condições de sustentá-la, mas, em momento algum, ele pensa em arranjar um emprego. Isso nunca passou pela cabeça dele, ele começa a fazer empréstimos, a jogar, mas trabalhar? Jamais. Até porque, ele precisa acompanhar a vida boêmia da amada…

Sendo bem sincera com vocês, a escrita de Alexandre Dumas Filho é muito mais fluida do que a do pai e sendo polêmica agora: nunca achei os textos de Alexandre Dumas essas pérolas da literatura que muita gente comenta por aí, na verdade, fiquei sem entender o porquê de compararem o filho de forma tão negativa. Ele entrega um romance romântico bem aos moldes dos de sua época e o faz de forma bem construída e nos entretém e nos faz refletir. Eu, pelo menos, passei muita raiva com  Armand, que é um homem chato, abusivo, irritante, medíocre. Nossa, insuportável. 

Já a situação de Marguerite irrita por causa da visão que a sociedade tinha de cortesãs, afinal, é dito que o duque se dispôs a pagar todas as dívidas da moça e lhe dar uma vida confortável e ela é recriminada por todos e dizem que a justificativa dela para não sair da “profissão” é porque a vida de jovem casta era muito chata, mas, gente, sendo realistas, só sendo muito doida para se colocar a mercê de um velho desconhecido e ainda por cima rico, né? Pelo menos como cortesã ela tinha a própria casa, escolhia os clientes, tinha uma certa liberdade. Eu entendo Marguerite, ela se via presa, encurralada por todos os lados, por isso o ciúmes e o egoísmo de Armand são tão enervantes! Ele não sabe quem ela realmente é, ele tem apenas uma idealização e quando ela deixa de corresponder às expectativas dele, ele simplesmente aceita e vai embora, voltando apenas ao saber de sua morte. 

A dama das camélias é uma livro bem escrito, mas com uma visão bem machista das mulheres e de relacionamentos amorosos, seria muito bom dizer que é algo específico da época, mas, até hoje vemos homens querendo ditar o que é uma mulher “de valor”, e como mulheres perdem esse “valor” rapidamente e logo são deixadas no esquecimento. 


3 de março de 2026
O ATENEU, DE Raul Pompeia e MARCELLO QUINTANILHA



A releitura de clássicos da literatura sempre causa alguma polêmica, principalmente quando inserida na escola. Infelizmente é muito difícil para nós professores engajarmos nossos alunos nessas leituras. Por esse motivo fiquei feliz ao ver adaptações para quadrinhos desses clássicos e a primeira que li foi O Ateneu, de Raul Pompeia, adaptada por Marcello Quintanilha

Antes de trazer meu ponto de vista sobre a obra, vamos à sinopse: Sérgio, um homem adulto, relembra o tempo em que estudou nO Ateneu, internato de grande prestígio na cidade do Rio de Janeiro do final do século XIX. Contudo, essas memórias não são saudosistas, pelo contrário, são dolorosas e muito traumáticas. 

O Ateneu era um ambiente extremamente hostil, comandado por um diretor egocêntrico e cheio de figuras abusivas. Não era de forma alguma um “templo do saber”. As lembranças de Sérgio são muito tristes e trazem até momentos de quase abuso infantil tanto por parte de colegas, quanto da esposa do diretor… 

Falando agora sobre a adaptação de Marcelo Quintanilha, acredito que a leitura ficou ainda mais difícil para o jovem leitor, pois quase não há diálogos entre as personagens e os pensamentos de Sérgio são bem formais e complexos. 

Entendo que Marcelo Quintanilha não quis modificar o texto de Raul Pompeia, mas se o objetivo era atrair um público mais jovem, dificilmente será alcançado. Quanto às ilustrações, é tudo muito lindo! As cores usadas por Quintanilha dão a O Ateneu um aspecto ora onírico, ora de pesadelo, muito condizentes com o conteúdo crítico e memorialista da narrativa de Raul Pompeia

Sinceramente, gostei da leitura de O Ateneu. Só não acho que esta será tão interessante para os jovens leitores sem o devido contexto pesquisado ou explicado durante aulas de Literatura. Agora, como apoio das supracitadas, essa HQ pode ser sim uma maneira eficaz de introduzir um clássico da nossa literatura sem ser traumatizante. 


30 de setembro de 2018
A Rainha Margot - Alexander Dumas, pai


Frustração. Esse foi o sentimento com o qual fiquei ao término de A Rainha Margot. Esse foi o terceiro livro de Alexander Dumas, pai que li e, não gosto de usar a expressão "nunca mais", porém enquanto eu me lembrar, não lerei mais nada desse autor. 
A enganação já começa pelo título. A Rainha Margot, aparentemente, deveria ter como protagonista essa personagem que tem uma história assaz interessante, contudo o "herói" aqui é o marido da jovem, Henrique de Bourbon, rei de Navarra. 
A história se passa antes, durante e após os acontecimentos da Noite de São Bartolomeu, conspiração engendrada pela mãe do rei de França, Catarina de Médicis, contra os protestantes, hoje chamados de "evangélicos", liderados por Henrique. 
A Rainha Margot até auxilia seu marido e o salva inúmeras vezes, mas não tem voz na história! A ação é toda de Henrique e de Catarina. No começo, o narrador nos apresenta a uma Margot inteligente, a frente de seu tempo, ambiciosa, que sabe o que quer: um trono e uma coroa. Algo inimaginável para uma quinta filha. Contudo, essa audácia fica só nos primeiros capítulos, porque com o decorrer da história, ela só age quando quer encontrar-se com o amante, ou para avisar o marido de algum plano da mãe. 
Ademais, o excesso de descrições e diálogos é EXTREMAMENTE massante! Alexander Dumas, pai poderia ter reduzido isso e desenvolvido melhor a história que torna-se frustrante a cada página e quando chega ao fim... É deprimente. 
Sei ser este o primeiro volume de uma trilogia, mas esperava o protagonismo de Margot, afinal, ela é a personagem-título e, como disse outrora, tem uma biografia que comprova sua vanguarda em pleno século XVI. Já li as sinopses dos demais livros e não me interessei por suas histórias, logo, não pretendo ler as continuações.
Fica então essa não dica. Se vocês quiserem conhecer essas figuras históricas interessantíssimas, sério, Margot e sua mãe, Catarina de Médicis, eram mulheres muito a frente de seu tempo, recomendo uma biografia ou livro acadêmico, porque A Rainha Margot de Alexander Dumas, pai não vale a pena.