Mostrando postagens com marcador Young Adults. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Young Adults. Mostrar todas as postagens

4 de agosto de 2026
O REI CORVO, de Maggie Stiefvater

Finalmente, chegamos ao final da Saga dos Garotos Corvos, finalmente, chegamos ao tão esperado desfecho das histórias de Blue, Gansey e companhia e, infelizmente, mais uma vez, dona Maggie Stiefvater decepcionou, mas decepcionou muito! 

O Rei Corvo começa uma semana após o término de Lírio Azul, Azul Lírio: Blue encontrou a mãe e o pai a tiracolo, para surpresa de todos; Colin Greenmantle fugiu com o rabinho entre as pernas ao se deparar com um perigo real, deixando a esposa, Piper, para morrer em Henrietta; Perséfone realmente morreu; e Gansey, Adam e Ronan sentem, cada dia mais, que precisam encontrar Glendower o quanto antes. 

Todos pensam que Piper morreu na caverna do adormecido que não deveria ser acordado, contudo, o que nós descobrimos é que ela não apenas está viva, como despertou um demônio com a ajuda de ninguém menos que Neeve, a tia desaparecida de Blue! O problema é que a supracitada tia se arrependeu de despertar um demônio, afinal, ninguém se dá bem ao fazer pactos, não é mesmo? E Maggie Stiefvater não foi nem um pouco generosa com essa personagem, só digo isso. 

Mais uma vez temos uma narrativa na qual “nada acontece” até que, BAM, tudo acontece, fim. Essa foi a sensação que tive enquanto lia O Rei Corvo. Sério, eu lia, lia e parecia que não tinha desenvolvimento, até ver que já estava em 50% do livro! Ai, tive um breve refresco ao ver o “desabrochar” do “relacionamento” de Adam e Ronan, porém, tudo se resumiu a uns dois beijões e um monte de palavras não ditas, mas sentidas. Que ranço! Sendo bem sincera aqui: tenho ranço de histórias que trazem personagens LGBTQAP+ e não mostram isso de forma clara e BEM DESENVOLVIDA, fiquei bem chateada e decepcionada mesmo! 

E falando em decepção…. minha gente, que final HORROROSO! Nossa, o resultado da busca por Glendower foi tão anticlimático, mas tão anticlimático que quase larguei o livro na hora. Só segui com a leitura porque faltava pouco para ela acabar. A “batalha” contra o demônio foi beeem morna e o final dos casais Blue e Gansey, Adam e Ronan foi no mínimo, insosso para caramba. 

Não gosto de falar mal de histórias que comecei gostando, mas não dá para fugir da realidade: para mim, a Saga dos Garotos Corvos só brilhou mesmo nos dois primeiros livros. Não pretendo ler o spin-off nem tão cedo, contudo, um dia volto para a escrita de Maggie Stiefvater


14 de julho de 2026
A SIGN OF AFFECTION, de Suu Morishita



Como eu já falei em um outro post,  A sign of affection ganhou meu coração de um jeito que não resisti e cacei os mangás pelas interwebs para saber a continuação da história de amor de Yuki e Itsuomi e, também, já estou adquirindo os volumes publicados pela New Pop, que está no sétimo atualmente. Agora, posso dizer com propriedade que tenho mais uma mangaká favorita e o nome dela é Suu Morishita

A sign of affection é um mangá criado por Suu Morishita, publicado na revista Dessert desde 2019, sem previsão de um final, a obra conta com 12 volumes até agora. A inspiração da autora para criar o relacionamento entre Yuki, uma jovem surda, e Itsuomi, um jovem com espírito de andarilho, veio da vida real, pois uma das amigas de Suu Morishita é surda e foi através dela que a autora teve contato com a cultura surda japonesa. 

Mangá e anime são bem parecidos, pois este último adapta o primeiro até o volume 6, capítulo 21, com algumas alterações na ordem de aparecimento de algumas informações, mas está tudo lá. O anime é ótimo. O mangá continua a partir do ponto em que Yuki e Itsuomi já estão namorando e decididos a realizarem seus sonhos juntos, mas vamos a um contexto, caso você não saiba nada sobre essa história nem tenha lido meu post sobre a animação. 

Em A sign of affection conhecemos Yuki, uma jovem universitária de cabelo rosa, super fofa e linda que tem uma particularidade: ela é surda. Um dia, no metrô, ela acaba conhecendo outro jovem universitário que a salva de uma situação embaraçosa, seu nome é Itsuomi e ele tem o espírito do andarilho, digo isso porque esse homem não esquenta canto em lugar nenhum, está sempre viajando, sempre mochilando, me dá preguiça só de pensar, mas enfim, Yuki o acha fascinante e logo fica super gamada nele, até porque ele se interessa pela cultura surda e decide aprender língua de sinais. 

Nos primeiros 4 volumes do mangá vemos a amizade deles sempre oscilar entre um possível romance, principalmente, porque Yuki está COMPLETAMENTE apaixonada por ele, nós, leitores, sabemos que o Itsuomi também é apaixonado por ela, afinal, o cara está muito empenhado em aprender língua de sinais japonesa o mais rápido possível para se comunicar melhor com ela, pois é a única pessoa surda que ele conhece ou já conheceu até hoje, contudo, como não poderia deixar de ser, a Yuki não vê isso. 

Ao longo dos próximos volumes vemos a  relação dos dois se aprofundar cada dia mais, até morar juntos eles vão e o capítulo no qual o Itsuomi conhece os pais da Yuki é hi-lá-rio apesar de ter um momento beeeem bad vibes no meio, pois, Suu Morishita deixa bem claro que a sociedade japonesa é bem preconceituosa e avessa a pessoas com deficiência, não são todos, mas sempre haverá aqueles que olharão feio para Yuki ou não vão querer ter contato com ela e seus familiares por causa da deficiência dela, sim é bizarro, eu sei, e fiquei muito revoltada com isso. 

Como eu já imaginava após concluir o anime, a continuação de A sign of affection me cativou de uma forma muito profunda. O traço de Suu Morishita é lindo e delicado, é tudo tão fofo!  É claro que por se tratar de um shoujo há bastante foco no romance, seja dos protagonistas, seja de seus amigos, mesmo assim, há crítica  social também, apesar de bem leve, e até o momento, não vi nenhuma red flag no comportamento de Itsuomi em relação a Yuki, eles são fofos e se possível, não quero que sua história acabe! Então é isso, gente, quando a New Pop alcançar a publicação original e tiver novos capítulos da história desses dois, vou atualizando por aqui.


30 de junho de 2026
[ANIMA] MY LOVE STORY WITH YAMADA-KUN AT LV 999



Os animes shoujo sempre tiveram um lugar especial no meu coração, principalmente, quando eu era adolescente, público-alvo desse tipo de história. Hoje, adulta, com mais de 30 anos, não sou mais tão fã do gênero, contudo, ultimamente, tenho assistido algumas boas histórias, apesar de clichês, e MY LOVE STORY WITH YAMADA-KUN AT LV 999 se encaixa perfeitamente nessa categoria e foi uma grata surpresa. 

Ao longo de apenas 12 episódios, (para a tristeza de muitos, incluindo a mim) acompanhamos um recorte da vida de Akane Kinoshita, uma jovem universitária de 20 anos que saiu de sua cidade no interior para morar sozinha em Tóquio por causa dos estudos. Lá, na cidade grande, ela começa um namoro, porém, já nos primeiros dois minutos do primeiro episódio, o rapaz termina com ela alegando estar apaixonado por uma outra garota que conheceu em um jogo que ambos, ele e Akane, começaram a jogar juntos. A garota fica arrasada com isso e decide voltar sua atenção ao joguinho, numa tentativa de reencontrar o ex. Entretanto, ela começa a gostar do jogo e faz amigos por lá e é assim que MY LOVE STORY WITH YAMADA-KUN AT LV999 começa. 

Akane faz parte de uma guilda com pessoas muito queridas e fofas e acaba fazendo amizade com todas elas, em especial, com Akito Yamada, um jovem estudante do Ensino Médio, de 17 anos, e jogador profissional. Eles se conhecem pessoalmente de forma bem aleatória em um evento do jogo, no qual Akane foi só para ver se encontrava o ex, mas a partir desse evento, ela e Akito passam a ter uma certa amizade, visto que a moça dorme na casa dele por estar bêbada demais para voltar a sua própria. Mesmo sendo bem introvertido e anti social, Yamada vai aos poucos sendo vencido pelo jeito fofo, carismático e gentil de Akane, enquanto ela acha o jeito dele bem difícil de entender. 

MY LOVE STORY WITH YAMADA-KUN AT LV999 foi uma grata surpresa porque, a construção da relação de Akane e Yamada é muito bonita, além disso, as amizades que a protagonista faz no jogo são muito fofas e sinceras, só que a série também traz algumas críticas aos perigos de conhecer pessoas pela internet, o que achei plausível e muito importante, mesmo sendo feito de forma superficial. Recomendo muito esse anime para todos os fãs de shoujo, mas sem aquelas pataquadas de bullying bizarras e relacionamentos abusivos e tóxicos. 


23 de junho de 2026
LÍRIO AZUL, AZUL LÍRIO, de Maggie Stiefvater




Pois bem, não me aguentei e engatei a leitura de Lírio Azul, Azul Lírio, terceiro volume da Saga dos Garotos Corvos, mas, dessa vez, a leitura não foi assim não deslumbrante e o brilho da escrita de Maggie Stiefvater se esvaiu aos poucos para mim… 

Lírio Azul, Azul Lírio começa exatamente um mês após o desaparecimento de Maura Sargent, a mãe de Blue. A garota está muito, mas muito brava com a mãe, além de muito preocupada também. Os sentimentos se misturam e entrelaçam e a estão fazendo enlouquecer! Em contrapartida, os garotos corvos também estão todos muito preocupados com a mãe dela e cada dia mais desesperados por encontrar Glendower, pois todos eles sentem que algo grande e muito ruim está pairando ao seu redor. 

Eles não estão errados. Chegam à pequena cidade de Henrietta o casal Greenmantle, formado por Colin e Piper. O primeiro era o “chefe” do Senhor Cinzento e foi ele o mandante da morte do pai de Ronan. Ele se torna professor de latim na Academia Aglionby. Piper, parece ser uma típica socialite cabeça de vento, loura e padrão, mas, minhas amigas, essa mulher é um PE-RI-GO! Obviamente, esses dois vão inaugurar um triplex de preocupação e revolta na cabeça dos nossos corvos. 

Em meio às buscas pela mãe de Blue e pelo túmulo de Glendower, o grupo se depara com uma profecia na qual existem três adormecidos, um que deve ser acordado, um que não deve ser acordado e outro que não importa se acordar ou não. É assim que eles encontram, de modo até que bem fácil, um suposto túmulo do Rei Corvo, contudo, a pessoa na tumba é a filha de mais de 600 anos do cara, que ficou lá presa e ACORDADA esse tempo todo! A jovem é uma incógnita para todos, mas não parece ser de todo má… 

Quem é má mesmo é a Piper, socorro, que pessoinha mais sem noção e insuportável! Ai, gente, li o livro todo colocando a cara da Blake Lively nessa personagem… Enfim, uma coisa que percebi lendo de forma meio que contínua a Saga dos Garotos Corvos, é que não acontece muita coisa na narrativa, sabe? A Maggie Stiefvater tem essa capacidade única de escrever um livro no qual quase nada acontece, até 70% da história, mas você continua preso à leitura porque quer saber o que vai acontecer com os personagens, o que eles estão fazendo, pensando, é bem estranho. Dessa vez, contudo, não gostei tanto dessa leitura e achei que a narrativa foi parada demais. É lógico que lerei o final, até porque quero muito saber se eles encontrarão o Glendower e se Ronan vai se declarar para o Adam… Só que não estou mais com aquela empolgação….


16 de junho de 2026
[ANIMA] Honey lemon soda




Ano passado, eu voltei com tudo a assistir animes! Sempre fui muito fã de desenhos animados e gosto muito, muito mesmo da estética japonesa, logo, zapeando pelo Crunchyroll encontrei Honey Lemon Soda e confesso que, na primeira vez que dei play, não consegui passar do segundo episódio, mas decidi assisti-lo até o final, mais como um estudo de caso mesmo e foi um entretenimento ok. 

Em Honey Lemon Soda acompanhamos a vida escolar de Uka Ishimori, uma garota de 15 anos recém formada no Ensino Fundamental II, bonita, muito inteligente e muito amada e protegida pelos pais, o único problema na vida dela foi o bullying pesado que sofreu durante anos na escola e que deixou marcas profundas em sua autoestima e autoimagem. Acostumada a ser a garotinha perfeita dos pais, Uka nunca contou a eles os abusos sofridos e estava pronta para aceitar fazer o Ensino Médio em um colégio de prestígio, mas tudo muda uma noite quando ela conhece um rapaz muito bonito, de cabelos descoloridos que a convida a estudar em uma escola mais voltada para Artes. 

Contrariando pela primeira vez as expectativas de todos, ela não faz a prova da escola de prestígio e vai para a outra, tornando-se assim colega de turma do garoto misterioso, Kai Miura. No começo, ela pensa que conseguirá passar uma borracha em tudo o que aconteceu durante sua infância e pré-adolescência, contudo, alguns bullers também estão estudando nessa mesma escola e, após anos se retraindo e sendo ignorada, Uka não sabe como fazer amigos e se impor. É nesse momento que, mais uma vez, Kai surge e dá umas sacudidas na garota. Ele a defende, mas não quer que ela se torne dependente dele, ele quer que ela use sua voz, se imponha, diga o quer, o que pensa, que faça amigos e pare de pensar só no que os outros querem e comece a pensar um pouco mais em si. Demora, porém, ao longo de 12 episódios vemos a evolução de Uka para se encontrar, entender a si mesma e começar a se impor mais, além é claro, de iniciar um romance com Kai, afinal, é um anime shoujo. 

Quando falei que continuei assistindo Honey Lemon Soda como um estudo de caso, é porque eu queria ver como seria desenvolvida a personalidade de sua protagonista e qual não foi a minha surpresa, infelizmente, quando constatei que ela não tem personalidade alguma antes de conhecer Kai! Tudo o que acontece na vida de Uka, todas as mudanças nela mesma, toda a sua evolução são ocasionadas pelo rapaz. A impressão que fica é que se ele não tivesse estendido a mão para ela naquela noite aleatória, ela nunca teria mudado e ficaria sempre sendo uma pessoa infeliz e passiva, fazendo tudo o que os pais mandavam sem nunca questionar nada. E isso, minha gente, é bem preocupante. 

Sendo bem sincera com vocês, narrativas e roteiros que têm como mote relacionamentos com dependência emocional SEMPRE me deixam desesperada e confusa. Eu não consigo entender como uma pessoa pode não ter um hobby, algo que goste de fazer, sonhos, objetivos, paixões e tudo em sua vida girar em torno de uma outra pessoa, ou mesmo, a pessoa começar a viver de fato sua vida somente quando apaixona-se por alguém. Acho isso bizarro demais, por esse motivo demorei para assistir Honey Lemon Soda. A cada episódio eu ficava mais e mais revoltada com a passividade da protagonista, pois, até mesmo quando ela começa a se impor e a lutar pelo que ela quer, não o faz por si mesma, mas pelo que espera que o garoto pense dela, e o pior: Uka além de inteligente é ótima em esportes, ela gosta de plantas, é uma ótima desenhista, é uma ótima amiga, mas isso não é desenvolvido na história, parece que não tem relevância, sabe? De novo, bizarro. 

Honey Lemon Soda é um anime com traços e cores muito bonitas, isso ninguém pode negar. O design das personagens é lindo mesmo. Contudo, me preocupa saber que adolescentes ou mesmo adultos ainda imaturos tenham contato com essa obra e não saibam interpretar toda a problemática em torno dela e acabem achando que é só mais um anime bonitinho, o que não é problema, a não ser que o ideal de relacionamento do espectador se torne o mostrado na obra, aí, minha gente, o negócio pode ficar sinistro… Enfim, se você gosta de romances colegiais, mas não tem problemas com dependência emocional, pode assistir Honey Lemon Soda em segurança, agora, se tiver, ele pode trazer muitos gatilhos.


2 de junho de 2026
[ANIMA] A SIGN OF AFFECTION



Lá estava eu doentinha no começo de 2025 e, toda vez que fico doente em casa, eu começo a maratonar alguma série ou anime, pois é só nesse estado que consigo ficar parada assistindo horas a fio. Assim, zapeando pela Crunchyroll me deparei com um anime cujo traço me fez lembrar o de outro muito querido e decidi começar a assisti-lo já, o nome da obra que capturou meu coração? A sign of affection. 

Lançado em 2024, A sign of affection é um anime baseado em uma série de mangá iniciada em 2019 e sem conclusão até hoje. Já aviso vocês de que ele conta com apenas 12 episódios, o que é bom, já que dá para maratonar, mas ruim, pois você fica com aquele gostinho de quero mais, já que a história é muito bonitinha e o traço, como disse antes, é muito lindo!  

Mas vamos à história: em A sign of affection, conhecemos Yuki, uma jovem universitária surda, que conhece Itsuomi, um cara que é a personificação do "espírito do andarilho”. Eles estudam na mesma faculdade e até tem uma amiga em comum, mas só se conhecem mesmo no metrô, quando Yuki é abordada por um turista perdido que não entende quando ela sinaliza ser surda, nesse momento, Itsuomi aparece, ajuda o cara e mostra interesse pela língua de sinais, contudo, cada um vai para um lado e Yuki fica muito, muito gamada nele. 

Na faculdade, ela conta para sua amiga, Rin, sobre o ocorrido e a mesma diz conhecer Itsuomi e saber onde ele trabalha, inclusive, ela tem uma paixonite pelo patrão do cara, logo, as duas fazem o quê? Vão atrás deles para simular um encontro “casual”. Itsuomi fica surpreso e muito feliz ao ver Yuki e eles iniciam uma amizade na qual ele começa a conhecer mais sobre ela e a cultura surda e Yuki começa a conhecer mais sobre ele e suas viagens, porque ô homem que viaja, misericórdia, que preguiça! 

Desde o primeiro capítulo de A sign of affection é visível como Yuki está apaixonada, gamada, caída, com os quatro pneus arriados pelo Itsuomi, algo que deixa as tias, como eu, um pouco preocupadas, só que ao conhecer mais sobre a vida da garota, não dá para julgar: Yuki nasceu surda e ninguém, repito, ninguém em sua família sabe língua de sinais! Eles simplesmente não viram nenhum motivo para aprender e só se comunicam com ela por texto e leitura labial, algo que, para uma pessoa surda, não é nada fácil de se aprender, tá! O único amigo que a Yuki tem que sabe língua de sinais sempre foi um babaca com ela e desconfio que ela só manteve essa amizade por ele ser a ÚNICA pessoa não surda ao seu redor que sabia língua de sinais, por isso, quando um cara lindo e gentil demonstra interesse em aprender língua de sinais e aprender sobre a cultura surda, é meio óbvio que ela ia gamar né? 

Itsuomi, no entanto, já é um pouco mais contrito. No começo, temos a mesma dúvida da protagonista, visto que ele sabe pelo menos 3 línguas fluentemente e já está estudando outras 3, é fácil interpretar seu interesse pela  língua de sinais como algo puramente acadêmico, mas a cada novo episódio, percebemos como ele também quer estar com a Yuki o tempo todo, como tudo o que ela faz também o fascina e talvez por ser um cara mais viajado e desapegado, ele não demonstre essa fascinação de forma tão óbvia quanto ela. 

Confesso que até os 3 últimos episódios eu estava esperando ver alguma red flag em Itsuomi, porém, o único que realmente me irritou foi o melhor amigo de infância da Yuki, Oshi. Que carinha mais chato, gente! Ele se apaixonou pela menina quando eles  eram crianças, aprendeu língua de sinais por causa disso e acha que pode controlar a vida da garota, não quer que ela tenha contato com outras pessoas, inclusive, pasmem, ele diz com todas as letras que a faculdade NÃO É LUGAR PARA ELA! Vocês estão passades? Pois eu também fiquei! Considerando, contudo, o histórico familiar da Yuki, ela mantém essa “amizade” bizarra mesmo se incomodando com as atitudes de Oshi. 

Gostei muito de A sign of affection e fiquei bem decepcionada ao constatar ter caído no golpe do anime de 12 episódios que não tem renovação! hahahaha agora é procurar pelos mangás, pois quero continuar acompanhando a história de Yuki e Itsuomi. E você? Já conhecia A sign of affection? Ficou com vontade de assistir esse anime?




19 de maio de 2026
LADRÕES DE SONHOS, de Maggie Stiefvater




Pois bem, não me aguentei e deixei todas as outras leituras de lado para dar atenção ao segundo volume da tetralogia de Maggie Stiefvater: Ladrões de sonhos. Já posso dizer que, se o volume anterior já foi cheio de aventura, esse, querides, é cheio de aventuras e de perigos também! 

Ladrões de sonhos começa alguns meses após o final do primeiro livro, ou seja, a Linha Ley foi despertada pelo sacrifício de um dos garotos e Ronan revela um segredo surpreendente: ele pode retirar coisas de seus sonhos! Inclusive, seu corvo de estimação, Motosserra, foi retirado de um deles. 

Se existiam pessoas inescrupulosas atrás de Glendower, obviamente, existem também aquelas atrás do que vão chamar de “Greywaren”, que elas não sabem o que é, mas sabem o que faz: materializa sonhos… 

Ao longo de Ladrões de sonhos, vamos nos aprofundar mais na história de vida de Ronan e entender porque ele é um cara chato para cassete e super violento. Para mim, independente de tudo o que ele passou, não justifico suas ações irracíveis e mesmo depois de saber que ele é do Vale, ainda assim, não gosto dele, como disse, o cara é chato para cassete! 

Além de desenvolvê-lo bem, Maggie Stiefvater também dará um pouco mais de atenção ao triângulo amoroso Adam-Blue-Gansey e dá um desfecho, por hora, satisfatório para eles, afinal, existem coisas muito mais importantes acontecendo e assassinos estão à espreita atrás deles. 

Como o segundo volume de uma série, Ladrões de sonhos cumpre seu papel muito bem ao introduzir um novo conceito, uma nova busca/ferramenta para os protagonistas e desenvolver um pouco mais suas relações. O final, mais uma vez, é chocante. Maggie Stiefvater faz a gente de trouxa ao jogar na nossa cara mais uma informação bombástica e você fica com a sensação de “preciso ler o próximo livro logo!” Vou tentar me segurar, já que tenho outras três leituras em andamento no momento e também quero muito concluí-las. Estou encantada por essa série e muito feliz por ter encontrado mais um YA recentemente que me entreteu e não feriu nenhum direito humano ou romantizou situações/relacionamentos abusivos. 


17 de março de 2026
OS GAROTOS CORVOS, DE Maggie Stiefvater

 



Sabe aquele tipo de livro que você bate o olho, lê a sinopse e tem a certeza de que vai gostar da história? Mas por algum motivo estranho, sempre protela a leitura? Pois bem, esse é o caso de Os garotos corvos para mim! Há anos olho para a capa desse livro e penso “um dia vou lê-lo” e, finalmente, esse dia chegou e minha intuição estava certa: amei a história criada por Maggie Stiefvater e é claro que já adquiri os demais volumes! 

Em Os garotos corvos a autora faz uso de um recurso narrativo semelhante ao usado pelas autoras de Bruxaria, ao contrário delas, porém, Maggie Stiefvater o faz de maneira muito respeitosa e verossimilhante, pois aqui o mote da história é conduzido pelas Linhas de Ley e seu suposto (no volume confirmado) poder enérgico e místico e como as localidades por onde elas passam são muito influenciadas por sua magia. 

Maggie Stiefvater começa a história nos apresentado a Blue Sargent, uma adolescente de 16 anos que tem uma vida bem incomum. Apesar de morar na pacata cidade de Henrietta, Virginia, Blue vem de uma extensa linhagem de médiuns, sendo sua mãe uma cartomante, sua tia uma médium pop com um programa na TV e as melhores amigas de sua mãe também sendo médiuns, logo, nossa protagonista não se encaixa muito bem na sociedade moralista de onde mora e acaba não tendo muitos amigos, ou melhor, nenhum amigo. Ademais, a casa de Blue é uma grande e acolhedora confusão feminina, com sua mãe, as amigas dela, sua prima Orla, a própria Blue e, posteriormente, sua misteriosa tia; assim, a menina passa anos sem se importar muito com o fato de ser uma outsider, afinal, já tem bastante amor e companheirismo em sua vida com as mulheres que a cercam, contudo, há algo que intriga e irrita Blue ao mesmo tempo: Os garotos corvos

Richard Gansey, ou só Gansey, como ele prefere, é nosso outro adolescente protagonista, mas, diferente de Blue, ele é muito popular, o típico garoto boa praça que fala com todo mundo e é bem quisto por todos, além de ser podre de rico. O garoto é tão rico que acaba sendo um pouco sem noção para as outras pessoas, meros mortais, que não têm os mesmos privilégios que só muito dinheiro pode proporcionar e que para Gansey são absurdamente normais e corriqueiros. Como não poderia deixar de ser, ele é um dOs garotos corvos, afinal, esse é um apelido dado a todos os estudantes da Escola para garotos Aglionby, uma instituição de elite onde só estudam os mais ricos e abastados, ou garotos pobres muito, muito inteligentes e esforçados. 


Mas como essas duas pessoas tão diferentes têm seus destinos interligados? 


Todos os anos, na noite da Véspera do Dia de São Marcos, Blue e sua mãe vão até o terreno de uma antiga igreja abandonada da cidade a fim de observar uma espécie de “procissão das almas” que passa por um caminho específico que é uma Linha de Ley. Nessa noite em específico, algo muito estranho acontece, porque, mesmo vindo de uma linhagem de médiuns, Blue nunca apresentou mediunidade, ela “apenas” consegue aumentar os poderes paranormais de outras pessoas, mas nessa noite ela consegue ver uma alma, a de Gansey, e isso é muito preocupante já que desde os seus 5 anos a garota é assombrada por uma profecia que diz que ela vai matar ou ser responsável pela morte de seu verdadeiro amor se o beijar e, segundo sua tia, só há duas explicações para um não médium ver uma alma na Véspera do Dia de São Marcos: ou você vai matá-la, ou ela é o seu grande amor. 

Gansey, por acaso, está muito envolvido com questões paranormais já que ele é um caçador de Linhas de Ley e por esse motivo está em Henrietta. Ele busca comprovar que a lenda do rei galês “Glendower” é real e pretende lhe fazer um pedido quando encontrar seu túmulo e despertá-lo. Obviamente, ele não está sozinho, contando com a ajuda de seus amigos: o esquentadinho, Ronan; o certinho, Adam e o esquecível, Noah. Esses são Os garotos corvos do título e eles vão contar com a ajuda de Blue para tentar encontrar esse “Santo Graal”, eles só não sabem que existem outras pessoas bem inescrupulosas que também estão atrás de ter seus desejos realizados e serão capazes de qualquer coisa para isso. 

Eu simplesmente amei cada minuto dessa leitura! Imaginava que iria gostar dessa história, só não imaginava que ficaria tão fascinada pela escrita de Maggie Stiefvater! Comecei a leitura sem grandes expectativas e terminei totalmente deslumbrada e ansiosa para continuar com o próximo volume. Se você gosta de narrativas de fantasia urbana, uma leve pitada de romance adolescente, personagens cativantes, mistérios e plot twists, com certeza Os garotos corvos é a leitura perfeita para você! É entretenimento de qualidade em todos os capítulos! 


10 de fevereiro de 2026
[ANIMA] TAISHO OTOME FAIRY TALE

 Esse é o ano dos animes aqui no Livre Lendo! =D 



Eu tenho duas grandes paixões culturais: contos de fadas e os anos 1920! Não importa a que cultura ou nacionalidade essas temáticas pertençam, eu vou consumir esses produtos culturais vorazmente e as chances de eu amar essas histórias é de 100%. Sabendo disso, não é nenhuma surpresa que, zapeando pelo Crunchyroll encontrei a pérola delicada e preciosa que é Taisho Otome Fairy Tale. Que shoujo fofinho, gente! 

Antes de falar da narrativa de Taisho Otome Fairy Tale vamos a alguns fatos históricos: a Era Taisho foi um período de grande expansão industrial no Japão e durou de 1912 a 1926, por esse motivo as histórias que se passam nesse período, tais como Demon Slayer, mostram um dualismo entre o estilo japonês tradicional e um estilo mais ocidentalizado, pois foi nessa época que o país “abriu suas portas” para o ocidente. 

Em Taisho Otome Fairy Tale vamos conhecer o jovem Tamahiko Shima, um adolescente rico de uma família de prestígio que, ao sofrer um acidente de carro, no qual sua mãe perde a vida e ele fica com um dos braços inutilizado, vê sua vida mudar completamente, pois seu pai e suas irmãs passam a desprezá-lo, chegando a expulsá-lo de casa, mandando-o para o interior do país e dizendo aos vizinhos que o jovem morrera junto com a mãe no acidente. É bem bizarro. 

Como Tamahiko está enfermo e nunca precisou se cuidar sozinho, seu pai arranja uma noiva para ele, a jovem Yuzuki Tachibana, uma menina meiga, gentil e muito prestativa, que aceita ser entregue como noiva de um desconhecido para pagar uma dívida que seu pai tinha com a família Shima. Para nós pode parecer estranho, mas esse tipo de arranjo era beeeem comum no Japão da Era Taisho, inclusive já resenhei O último voo das borboletas que mostra um lado mais obscuro e cruel dessas transações nas quais meninas eram usadas como mercadorias por suas famílias. 

Ao chegar a casa dos Shima no interior, em meio a uma tempestade de neve, Yuzuki, se depara com um Tamahiko desiludido com a vida e completamente entregue à depressão. Com o passar do tempo, Yuzu vai mostrando para ele o quanto ele é uma pessoa merecedora de amor e carinho e ele imediatamente se afeiçoa pela garota incrível que ela é. 

Esses dois formam um casal muito fofinho e por serem apenas noivos e viverem no interior do Japão, apesar de morarem sozinhos, Tamahiko é muito, muito respeitoso com a Yuzu e nunca força absolutamente nada com ela, é bem bonito ver como os dois fazem bem um ao outro e como, com o passar do tempo, o rapaz recupera o movimento do braço, volta a estudar e decide tornar-se professor do pequeno vilarejo, ajudando muitas famílias com isso. 

O desenvolvimento da história deixa bem claro como Yuzu é a força motriz por trás de todas as mudanças em Tamahiko e em outros personagens também. Sem ela, nosso protagonista teria se entregado ao desespero e à solidão, e também pudera né, gente, o menino é morto em vida pela própria família! 

Taisho Otome Fairy Tale é um anime lindo e conta com apenas 12 episódios, podendo ser maratonado em um final de semana fácil, fácil. Gostei bastante dessa história e os últimos três episódios foram surpreendentes porque a narrativa entrega um plot twist que a gente não espera e ficamos desesperados junto com o protagonista por causa disso. Com certeza, esse anime já ganhou um lugar especial na minha memória sobre obras que retratam os anos 1920!


3 de fevereiro de 2026
HERDEIRO DE SEVENWATERS, de Juliet Marillier



Ah! Como é bom continuar a leitura da Saga de Sevenwaters, de Juliet Marillier! A sensação para mim é de estar voltando para casa depois de um longo, longo afastamento. Em Herdeiro de Sevenwaters somos transportados mais uma vez para a densa e misteriosa floresta, agora, cheia de intrigas e perigos. 

A história de Herdeiro de Sevenwaters se passa alguns anos após os acontecimentos de Filha da Profecia. Aqui, vamos acompanhar Clodagh, terceira filha de Lorde Sean e Lady Aisling. A jovem é encarregada de cuidar do forte e das demais irmãs e da mãe que está grávida e esta é uma gravidez que gera grande ansiedade em todos, pois Aisling não é mais tão jovem e acredita piamente que após seis filhas, terá um menino, o Herdeiro de Sevenwaters

É durante o casamento de sua irmã gêmea que Clodagh conhece os amigos Aidan e Cathal, dois jovens guerreiros do grupo de seu primo. Ela se encanta pelas maneiras gentis do primeiro e se irrita e ao mesmo tempo fica intrigada com as maneiras rudes e não muito sociáveis do segundo. Após as festividades, sua mãe dá à luz a um menino forte e saudável, cujo nome será Finbar, todos ficam felizes pois mãe e filho estão bem, contudo, essa alegria não dura muito tempo: um dos territórios de Sevenwaters é atacado e muitas pessoas morrem e, sob a proteção de Clodagh, o bebê Finbar é sequestrado e, em seu lugar é deixado um changeling, que para todos parece apenas um boneco de galhos e folhas, sendo nossa protagonista a única que pode vê-lo como um ser vivo real que respira e chora. 

A partir deste ponto, sentindo-se muito culpada e confusa, Clodagh decide iniciar sua jornada para o Outro Mundo a fim de resgatar o irmão, inesperadamente, porém, ela encontra Cathal no meio do caminho, o mesmo havia fugido sem deixar qualquer explicação e agora é um suspeito de todos os crimes ocorridos em Sevenwaters, mas o rapaz misterioso deixa claro que ficará ao lado dela e a protegerá custe o que custar. 

Em Herdeiro de Sevenwaters descobrimos que os Seres da Floresta já não são mais governados por criaturas benevolentes, mas sim pelo sádico Mac Dara, responsável pela troca dos bebês. Ninguém entende o porquê dele ter feito isso, mas uma coisa é certa: Cathal está realmente envolvido nesse mistério… 

Como dito antes, é muito bom voltar a essa narrativa, a esses personagens! A escrita de Juliet Marillier me é muito querida! Não existe um único livro dela que eu não tenha gostado e, inclusive, estou devendo as resenhas de alguns deles (um dia organizo bem direitinho essa saga por aqui). Acompanhar a aventura de Clodagh, uma garota bem comum, pelo Outro Mundo e o modo como ela se descobre uma excelente estrategista é muito envolvente e divertido, sério, não conseguia parar de ler esse livro! Herdeiro de Sevenwaters é uma leitura fluida e muito cativante, com certeza, ao lado de Filho das Sombras, é uma de minhas histórias favoritas dessa autora. 


27 de janeiro de 2026
NICK E CHARLIE, de Alice Oseman

 Como pode um casal fictício ser tão querido e tão apaixonante?!




É isso, aproveitei minhas férias para ler Nick e Charlie, uma novela de Heartstopper e fiquei completamente estarrecida com o desenvolvimento e a escrita de Alice Oseman neste volume! Eu já tinha lido as cinco hqs da série (você pode ver minha opinião sobre elas clicando aqui), mas ler o texto em prosa é um pouco diferente e eu gostei do estilo narrativo da autora. 

Em Nick e Charlie, acompanhamos o nosso casal favorito logo após os acontecimentos do volume 5 de Heartstopper - Mais fortes juntos: Nick está super animado com a mudança para a faculdade e não para de falar sobre isso, e Charlie está pirando porque não aguenta mais ouvir o namorado falando sobre como será incrível a vida universitária e se sente uma péssima pessoa por causa disso. 

Aqui, Alice Oseman desenvolve um pouco mais aquele conceito já introduzido em Mais fortes juntos, o de que Charlie e Nick não precisam ficar grudados o tempo todo para provar que se amam. Além disso, ela mostra como o relacionamento deles se parece para os outros: simplesmente épico! Enquanto que ambos acreditam que são um casal bem chato e têm muita insegurança pensando que o outro também acha isso  e vai querer terminar.

Outro ponto interessante em Nick e Charlie é como as redes sociais podem ser tóxicas, pois é através delas que Charlie começa a ficar incomodado com a iminência de um relacionamento à distância, todo mundo em seu Tumblr diz que isso não vai dar certo, que é melhor ele e o Nick terminarem logo de uma vez para evitar uma dor futura… Sério, é muito irritante isso! E nós conhecemos o nosso Char, ele é bem inseguro quando o assunto é acreditar no amor das pessoas por ele, logo, ele sofre e acaba fazendo o coitado do Nick sofrer bastante neste volume. 

Falando nisso, uma salva de palmas para Alice Oseman, ela criou uma cena de discussão entre Nick e Charlie que foi triste demais de ler e muito, muito impactante. Eu não esperava que eles fossem brigar de verdade. No volume 4 de Heartstopper, acontecem algumas discussões entre eles, mas, no quadrinho, não sabemos o que foi dito, a autora só nos mostra as cenas; Ler o que eles disseram e pensaram depois da briga foi bem triste, contudo, necessário para o amadurecimento dos dois. 

Nick e Charlie é uma história curtinha, tem apenas 164 páginas e as li em uma tarde. Aqui vemos a relação desses dois queridos se fortalecer ainda mais! Estou muito, muito ansiosa para ler o capítulo final da história deles! Espero que a dona Alice Oseman não me decepcione! 


18 de novembro de 2025
FILHOS DE SANGUE E OSSO

 


    Sempre fui apaixonada pelo gênero fantasia, tanto que os primeiros romances lidos por mim foram Harry Potter e Tristão e Isolda, contudo, fiquei encucada com algo: até então nunca lera um livro desse gênero escrito por um autor ou autora negro ou negra. Ao pesquisar mais encontrei uma lista com alguns títulos bem interessantes e decidi iniciar essas leituras por Filhos de sangue e osso, da autora Tomi Adeyemi
    Algo que já me encantou de cara na escrita de Tomi Adeyemi é o fato de, apesar de trazer uma narração em 1ª pessoa, ela divide o foco narrativo em mais de uma personagem, algo bem fora da curva em se tratando de um young adult.  Filhos de sangue e osso inicia apresentado Zélie, uma jovem divinal residente do Reino de Orisha; Sendo estigmatizada socialmente por suas origens, ela tem muito medo de ser afastada de sua família e transformada em escrava. 
    Os divinais são pessoas negras de cabelos brancos e olhos prateados. Essas características mostram que eles foram abençoados pelos Deuses. Quando completavam 13 anos, os divinais tornavam-se majis e eram enviados a templos específicos dedicados ao Deus que lhe conferiu o dom da cura, ou de controlar fogo, água, ar ou mesmo controlar os mortos. A partir do ponto onde se inicia Filhos de sangue e osso, porém, a magia não existe mais; desapareceu e com isso, o rei de Orisha, Saran, liderou uma grande ofensiva matando todos os majis e transformando seus filhos e filhas em órfãos e escória da sociedade.
    Zélie cresce sem mãe e com muito medo do futuro, mas o destino colocará sob sua proteção, Amari, a filha do rei, que descobriu algo horrível: seu pai foi o responsável por "acabar" com a magia, para fazer isso ele roubou três artefatos mágicos usados para realizar um ritual de ligação com os Deuses, agora, um deles está nas mãos de Amari que, junto a Zélie e o irmão dela, Tzaim, pretende trazer a magia de volta ao reino. 
   Tomi Adeyemi acerta muito nas alegorias criadas em Filhos de sangue e osso. As personagens não são maniqueístas e até o grande vilão possui camadas e seu herdeiro, Inan, também esconde muitos dilemas e segredos. Já vivei fã da escrita dessa autora! E saber que ela teve como uma de suas inspirações o Candomblé baiano é ainda mais incrível! Filhos de sangue e osso foi uma leitura maravilhosa e a recomendo a todos os fãs de fantasia e mitologia. 

30 de setembro de 2025
NADA


    No início da década de 1990, em uma cidadezinha do interior da Dinamarca, um grupo de adolescentes é confrontado por seu colega de classe, Pierre Anthon, ao declarar que Nada importa e saindo da escola para nunca mais voltar. É assim que nossa narradora, Agnes, uma das integrantes da turma, começa sua narrativa pungente e aterradora.
    Ao ver a capa de Nada, de Janne Teller, é impossível imaginar compará-lo a O senhor das moscas, contudo, mesmo não se passando em uma ilha deserta, o grupo de jovens desse livro chega a extremos absurdos. Por causa das provocações de Pierre Anthon, os demais membros de sua turma escolar decidem criar uma "pilha de significado"; nela, eles devem depositar aquilo que lhes é mais importante no mundo, a fim de mostrar ao outro que não existe só o Nada
    A pilha começa com pequenas coisas: livros, sapatos favoritos, depois vai se enchendo com elementos mais mórbidos: a virgindade de uma garota, o caixão do irmão morto de outra, a cabeça de uma cachorra, um hamster que morre de frio e por ai vai... 
    A "pilha de significados" passa a ser um meio para humilhar e se vingar de outra pessoa. Mesmo sabendo que ao pedir algo o colega poderá sofrer sérios castigos, ou mesmo ter sua moral colocada à prova, o pedido deve ser realizado em nome do significado, na luta contra o Nada
    Ao longo dos meses que seguem, eles iniciam a pilha em agosto e a concluem em dezembro, o grupo se perde muito nessa busca e a narrativa vai ganhando ares muito mórbidos, culminando em um final chocante, tal como em O senhor das moscas...
    Além de tudo isso, Nada também reflete sobre o papel insignificante que a religião tem nos países nórdicos. A forma como símbolos religiosos são depredados pode ser incomoda até para quem não acredita neles (como é o meu caso). 
    Em suma, Nada é uma obra dúbia, que engana o leitor pela capa, e o faz embarcar em uma história inicialmente "simples" que vai se tornando cada vez mais complexa e tétrica, culminando em um final trágico e melancólico. 

2 de setembro de 2025
SEM CORAÇÃO

 


    Mais uma história deliciosamente narrada em 3ª pessoa! É muita alegria para uma leitora só! Até porque eu não esperava nada desse livro escrito por Marissa Meyer, e mesmo assim fui completamente arrebatada por Sem coração

    Sem coração já começa com uma premissa muito apreciada por mim, que adoro uma boa releitura de contos de fadas, ainda mais quando ela se propõe a narrar a vida pregressa de uma personagem, tal como Marissa Meyer faz aqui. Neste livro acompanhamos a trajetória de Catherine, uma jovem nobre do Reino de Copas que tem o sonho de se tornar empreendedora, abrindo sua própria confeitaria, mas seus pais têm outros planos para o futuro da filha. 
    Marissa Meyer esbanja criatividade e verossimilhança ao unir as três histórias mais famosas de Lewis Caroll em Sem coração, isso porque ela detalha bem a vida e as personagens meio insanas de Copas, vulgo País das Maravilhas, além de trazer, através do espelho, do Reino de Xadrez, o interesse amoroso de nossa protagonista e ainda acrescentar o jaguadarte para dar ainda mais tempero a essa narrativa. 
    É muito interessante e triste, ao mesmo tempo, acompanhar a vida de Catherine, pois a jovem é muito gente boa e seu sonho é genuíno e muito próximo da nossa realidade. Infelizmente, seus pais decidem que a querem casada com o rei de Copas e, para piorar a situação, o próprio também quer isso. Se esse dilema já não fosse dramático o suficiente, surge na vida de nossa futura vilã, Jert, o novo bobo da corte, um jovem enigmático e muito bonito que fará de tudo para ter o coração de nossa aspirante a confeiteira, talvez, não no bom sentido... Além de tudo isso, Marissa Meyer ainda traz a ameaça do jaguadarte que denuncia de forma sutil a completa incapacidade de rei de Copas de governar sozinho. 
    Sem coração foi uma das melhores releituras de contos de fadas que li até hoje. Personagens cativantes, enredo envolvente, narrador em 3ª pessoa, reviravoltas, final impactante, enfim, Marissa Meyer acertou muito aqui! Até porque ela nos faz ficar interessados em uma futura vilã e nós já sabemos que nada do que ela quer acontecerá, senão, ela não seria quem é em Alice no País das Maravilhas, logo, o desenvolvimento de Catherine é de suma importância para manter o leitor atento e das demais personagens também, e isso a autora faz muito bem tornando-as ambíguas desde o começo. 
    Um pequeno detalhe colocado por Marissa Meyer em seus agradecimentos fez todo o sentido para mim e tornou esse livro ainda mais instigante: essa narrativa foi inspirada em Wicked, de Gregory Maguire. É impossível não ver as semelhanças entre os estilos de narrar e isso é um elogio! Sem coração é um romance incrível, não tão incrível quando sua inspiração, mas chega bem perto! Se você gosta de young adults e está de saco cheio dos mesmos triângulos amorosos enfadonhos e protagonistas chatas, dê uma chance a esse livro, ele vai surpreender você!