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9 de junho de 2026
[EU ASSISTI] LOUCOS UM PELO OUTRO


Há bastante tempo eu não assistia a uma série coreana na Netflix e confesso ter visto a capa de Loucos um pelo outro várias vezes, mas não lhe prestei muita atenção, quem me convenceu a assistir a essa produção foi o Samu!

Lançada em 2021 em colaboração com a Netflix, Loucos um pelo outro narra a história de Lee Min-kyung e No Hwio, dois adultos de trinta e poucos anos que precisam manter acompanhamento psicológico e o fazem na mesma clínica. 

Lee Min-kyung vai lá para tratar sua incapacidade de confiar em outras pessoas e uma mania de perseguição adquiridas após ter sido brutalmente espancada por um ex-namorado após ela decidir terminar quando descobriu que o cara era casado, além disso, ele publicou nudes dela, o que a fez perder o emprego e ficar mal vista, precisando se mudar às pressas.

Já  No Hwio é um policial e está tratando sua “personalidade violenta”, pois quase matou uma pessoa durante uma investigação. O que ninguém sabe é que ele fez isso por ter presenciado o quase assassinato de seu parceiro e sente-se muito culpado por este ainda estar em coma. Ele também perde o emprego, é abandonado pela noiva e ainda é visto com desconfiança pelos pais que o acham um fracassado. 

Loucos um pelo outro sabe dosar muito bem as cenas hilárias com momentos mais sóbrios e sombrios. O tema dos transtornos psicológicos é abordado de forma séria, mas sem ser panfletária, e o modo como a sociedade coreana é retratada é bem real e diferente do que vemos nas comédias românticas com foco em relacionamentos amorosos. 

Os protagonistas têm uma química apaixonante! É difícil explicar, mas eles parecem mesmo terem sido feitos um para o outro. Infelizmente, Loucos um pelo outro tem apenas 13 episódios, o que é uma pena, pois a história de Lee Min-kyung e No Hwio é muito interessante e eles se tornaram, para mim e para o Samu, um casal muito querido. 





26 de maio de 2026
[EU ASSISTI] AGATHA DESDE SEMPRE




Você aí, millennial, lembra quando a gente era criança e assistia filmes na televisão como Abracadabra, Halloweentown, Jovens Bruxas ou séries como Os feiticeiros de Waverly Place ou As visões da Raven? Pois é, eu não esperava, mas Agatha desde sempre, uma série do Universo Marvel, tem essa pegada e, mais incrível ainda, eu gostei! 

A última produção da Marvel que assisti, antes de Agatha desde sempre, foi Eternos, e eu detestei. Eita, filme chato da gota! Por isso não dei atenção a nenhum outro trabalho do estúdio, passei batido por Loki e WandaVision, apesar de saber que muito provavelmente gostaria dessas obras, só que não estava com tempo para me arriscar.

Como dito acima, Agatha desde sempre tem muito essa atmosfera de obra televisiva do começo dos Anos 2000, chegando a ser até bastante cartunesca e exagerada em alguns vários pontos, credito isso ao fato de que, ao meu ver, todo mundo na produção estava se divertindo muito com esse trabalho! É visível o quando a atriz que interpreta a personagem-título, Kathryn Hahn se diverte com esse papel e os demais membros do elenco não ficam atrás. As atuações são canastronas? São. Mas tem a Patti LuPone, gente! Como não gostar? 

Agatha desde sempre começa algum tempo depois do final de Doutor Estranho e o Multiverso da Loucura, pois, Wanda Maximoff é tida como morta e descobrimos (no caso eu né, porque quem viu WandaVision já sabia) que ela amaldiçoou a infame bruxa matadora de bruxas, Agatha Harkness, a viver em uma realidade alternativa dentro de sua cabeça, sem nunca se dar conta disso. A nossa anti-heroína é salva, porém, por um garoto, interpretado pelo querido Joe Locke (o Charlie de Heartstopper) que é um jovem bruxo, sedento por poder e vai ao encontro dela porque quer encontrar O caminho das bruxas e ele sabe que ela foi a única a completar os desafios e sair de lá com vida. 

No começo, Agatha não quer ajudá-lo, porém, ela fica intrigada com o fato de o garoto ter um sigilo que impede qualquer bruxa de saber seu nome e origem, logo, ela lhe diz precisar de um coven e lá vão eles atrás de outras bruxas. O coven é formado, entretanto, durante o ritual, o qual nos apresenta a icônica música The ballad of the witches’ road, sete bruxas de Salém, descendentes das originais que, nesse multiverso, foram mortas pela Agatha, a encontram e querem vingança. O portal para o caminho se abre e todas entram, sem pensar muito, para se salvar da ameaça. 

Dentro do caminho, que é muito bonito e completamente construído com efeitos práticos, tudo lá está ali de verdade, zero CGI, as bruxas e o garoto devem passar por algumas provas de aptidão de suas práticas mágicas, até chegar ao final do caminho onde receberão aquilo que mais querem. 

Eu, como fã da Feiticeira Escarlate, já sabia mais ou menos onde esse Caminho das Bruxas ia dar e como ele surgiu, mas ver isso em tela foi mágico! Agatha desde sempre tem uma carinha de produção de baixo-orçamento dos anos 2000 e as atrizes estão bem overacting, mas não sei, a série me cativou e por mais vergonha alheia que eu sentisse com as caretas e gargalhadas de Kathryn Hahn, eu adorei a experiência de assistir a essa produção e me diverti muito durante os dois dias que levei para vê-la, afinal, são apenas 9 episódios e alguns deles têm duração de sitcom. 

Enfim, Agatha desde sempre é uma série bonita, com uma vibe Abracadabra e Jovens Bruxas que me deixou nostálgica e  me fez passar pano para várias coisas que achei cringe, mas dane-se, a produção é boa, é bem feita, a história é divertida e te prende do início ao fim, The ballad of the witches’ road é um hino divônico e eu espero que tenha uma segunda temporada, ou uma série específica do garoto, pois, ele promete, só digo isso. 

12 de maio de 2026
[EU ASSISTI] DARK

...e o meme da Nazaré confusa em cada episódio...



A possibilidade de voltar no tempo e tentar modificar algo no passado para influenciar o presente ou o futuro é algo bem explorado em diversas obras da cultura pop, mas nenhuma delas conseguiu fazê-lo com o nível de complexidade alcançado pela série Dark, produção alemã distribuída pela Netflix. 

No dia 21 de junho de 2019, Michael Kahnwald comete suicídio sem nenhum motivo aparente. Por causa disso, seu filho adolescente, Jonas, tem uma crise e fica internado em uma clínica psiquiátrica por alguns meses. Quando ele retorna para sua cidade, Winden, descobre que tudo está diferente e que um de seus colegas desapareceu há semanas, causando grande comoção. 

O garoto desaparecido, Éric, vendia drogas na escola e, a fim de tentar pegar o suprimento dele, o melhor amigo de Jonas, Bartosz, chama o amigo, a namorada, Martha, e o irmão dela, Magnus, para procurar essas drogas dentro da floresta à noite. 

Ao chegar lá, eles são surpreendidos por um barulho estranho vindo das cavernas de Winden, as quais são ligadas ao terreno da usina nuclear da cidade. Todos fogem, contudo, o irmão caçula de Martha e Magnus, Mikkel, que não poderia ficar sozinho em casa e foi levado pelo irmão mais velho, desaparece misteriosamente, tornando tudo ainda mais sombrio nas vidas de todos. 

Com o passar dos episódios, descobrimos que Mikkel entrou na caverna e ao atravessar para o outro lado, chegou ao ano de 1986 e ficará preso lá até crescer, casar-se com Hanna Kramer e tornar-se pai de Jonas… 

Isso mesmo, Mikkel, irmão caçula dos amigos de Jonas, é o pai do próprio Jonas. Muito confuso e absurdo? Sim! Contudo, a série explica isso: acontece que em 1986 ocorre uma explosão na usina nuclear, criando um “Buraco de Minhoca”, que seria uma espécie de passagem no tempo, e a mesma interliga os anos de 1953, 1986 e 2019 como se esses períodos históricos coexistissem em uma mesma linha do tempo, como se não houvesse mais presente, passado ou futuro, e sim apenas o tempo. É esse fenômeno que torna possível a existência de paradoxos temporais como o de Mikkel e Jonas. 

Todas as personagens vivenciam o loop temporal causado por essa explosão nuclear, interligando cada uma das principais famílias de Winden: os Nielsen, os Doppler, os Tiedemann e os Kahnwald

Eu fiquei completamente viciada em Dark! Assisti e li várias explicações sobre as extensas e confusas árvores genealógicas da série e mesmo achando que o final não teve sentido em uma coisa muito específica, eu amei cada minuto assistido! Essa é de longe a melhor série de ficção científica que assisti até hoje! 


24 de março de 2026
[EU ASSISTI] - NAMORADO POR ASSINATURA

 


A sociedade sul-coreana está passando por uma crise de natalidade real e nunca antes vista. As mulheres de lá não querem mais se casar e ter filhos, isso porque os homens de seu país, segundo as próprias e os dados levantados por pesquisadores, são extremamente machistas, desrespeitosos e violentos com elas, além disso, o custo de vida é muito alto e quando casadas, essas mulheres têm jornadas exaustivas, pois precisam conciliar de 10 a 12 horas de trabalho, com os afazeres domésticos e, se tiverem filhos, perdem a carreira e passam a ser totalmente dependentes do marido. É assustador. 

É com esse viés social que surgiu a minissérie Namorado por assinatura, produção lançada esse mês, disponível na Netflix e estrelada por Jisoo, uma das integrantes do grupo BLACKPINK (in your area). Nesta comédia romântica com pitadas de enemies to lovers, conhecemos Mi-rae (personagem de Jisoo), uma jovem editora beirando os 30, que trabalha em um empresa de webtoons e tem uma vida bem regrada e solitária, pois, por causa do trabalho, ela só tem três horas livres por dia. 



Mi-rae já teve um namorado que conheceu na faculdade, mas eles terminaram. Por que ele era péssimo com ela, como as mulheres reais alegam serem os homens sul-coreanos, Dedéia? Nãaaaaaaaaaao, minha irmã. Eles terminaram porque Mi-rae era péssima com o namorado. ELA é que não era atenciosa, ELA é que não ligava muito para o relacionamento deles, ELA é que o deixava inseguro, ELA é que colocou a carreira em primeiro lugar. Enfim, a culpa do término foi dela…  

No momento em que a narrativa começa, Mi-rae está muito irritada e chateada porque o ex seguiu em frente e vai se casar com uma outra colega da faculdade e, aliado a isso, ela se vê obrigada a trabalhar com uma autora insuportável, que sempre atrasa as entregas, obrigando seu editor a fazer muita hora extra, logo, quando recebe a proposta de testar uma nova aplicação chamada Namorado por assinatura, na qual entrará em uma realidade virtual para viver altas aventuras românticas, no começo, ela vê isso com bastante desconfiança, mas depois de tanto estresse, ela embarca com tudo nesse Titanic. 



Quando começa a usar ativamente o Namorado por assinatura em suas poucas horas livres, Mi-rae passa a ter experiências que ela não imaginava serem possíveis na vida real e se envolve emocionalmente com uma das IAs. O esquema em Namorado por assinatura é quase um RPG. Ela tem uma “ficha” e vai entrando nas histórias, conhecendo os caras e interpretando uma nova personagem. As coisas mudam, quando Mi-rae finalmente percebe que seu Namorado por assinatura não é uma exclusividade dela, ela se sente traída e tenta cancelar o plano, mas eis que surge uma funcionalidade bônus: o namorado exclusivo! Uma IA criada a partir de um questionário extenso, que promete ser o homem perfeito para a assinante. É óbvio que Mi-rae aceita esse “presente” e ao recebê-lo, ela quase caí para trás. 



Isso acontece porque o homem ideal para ela, de acordo com suas respostas, é idêntico a seu colega de trabalho e principal rival, Kyeong-nam, o qual já se declarou para ela, e a mesma lhe deu um fora, diga-se de passagem. É a partir daí que a cabeça de Mi-rae vai ficando mais e mais confusa e nós espectadores vamos ficando com mais e mais raiva, pois essa série nos faz ter pena de homem hétero, padrão e privilegiado, fala sério! 

Comecei a assistir Namorado por assinatura pensando que o enredo teria alguma crítica a como as IAs têm um potencial bem negativo em nossas vidas e podem nos manipular facilmente, contudo, o objetivo dessa minissérie, na minha percepção, foi ser tão somente uma propaganda para laçar mulheres ( o golpe está aí, cai quem quer..). Eu explico: é muito bizarro como todos os homens dessa produção são uns queridos. Todos eles, sem exceção, são respeitosos, carinhosos e amorosos; o problema são as mulheres, elas é que são “exigentes” demais! Mi-rae não para de trabalhar, sua melhor amiga não se decide por ninguém, enfim, o problema está sempre nelas, os homens estão ali abertos para um relacionamento amoroso profundo e duradouro. Isso é muito problemático. 

Você odeia os homens, Dedéia? Sim, não! Eu até tenho pai, tenho irmãos, sou casada com um homem! Brincadeiras a parte, minha crítica não é uma declaração de ódio aos homens, mas sim, uma reflexão sobre mecanismos de manipulação de massa que estão sendo fortemente usados para reverter um dilema social que poderia ser resolvido se os homens respeitassem as mulheres e nos tratassem como seres humanos de direitos e deveres e não como meras incubadoras e objetos de desejo e satisfação. 

Se você é fã de carteirinha de K-Dramas, isso não é a questão aqui. O problema é o número alarmante de mulheres jovens que estão deixando seus países, suas famílias, seus empregos, suas redes de apoio para encontrar um “amor coreano” e saem da Coreia do Sul frustradas e com profundas marcas físicas ou psicológicas por causa disso. As reportagens e os relatos reais, de mulheres reais, são sinistros e muito, muito preocupantes. Por esse motivo, o enredo construído em Namorado por assinatura me deixou tão aborrecida. 



Isso porque nem discorri sobre o fato de a rivalidade em Mi-rae e Kyeong-nam estar só na cabeça dela, na verdade ele é só um homem apaixonado que não sabe como expressar seus sentimentos para a mulher amada… e ela confunde isso com indiferença, superioridade, antipatia e arrogância (aham, sei…). 

Namorado por assinatura  é uma produção muito bonita visualmente, tem um estilo bem característico de cores e ambientes que cativam o público feminino: muita cor, mas sem saturação, ambientes acolhedores, nem parece que esse povo vive em uma das capitais mais caras do Leste Asiático, visto que a galera está sempre indo beber, curtindo, comendo bem, morando bem, podendo gastar a vontade… É só dar uma pesquisada bem básica, gente, que vocês vão ver que a realidade em Seul não é nem um pouco parecida com a descrita no drama…

E eu sei que existem sim casos de casamentos bem sucedidos entre homens sul-coreanos e mulheres sul-coreanas ou com mulheres estrangeiras, mas esse não é o ponto, minha preocupação, como dito acima, é com uma mulher sair de seu país ludibriada por essa mega exposição a uma sociedade fake e ao chegar lá se frustrar, gastar todas as economias e ainda achar que o problema é ela, que ela só não viveu o amor coreano porque ela errou! O erro não é do cara escroto que a tratou como um lixo e acha que isso é normal. 

Enfim, na minha humilde opinião, não tenho interesse nesse tipo de produção, já falei aqui de alguns dramas coreanos bem legais e que saem dessa propaganda “pega turista” e me senti enganada ao concluir Namorado por assinatura, pois tanto eu quanto o Samu esperávamos algo beeeem diferente, ingenuidade nossa, né? Em uma sociedade carregada de Red pills, trad wives e “conservadores”, dificilmente uma produção dramática se comprometeria a mostrar como de fato é a realidade das mulheres e dos homens sul-coreanos e como as barreiras sociais que os impedem de ter relacionamentos saudáveis estão justamente nesses movimentos e em uma mentalidade machista e misógina que existe há séculos e que ninguém, além de algumas mulheres, quer e luta ativamente para que acabe. 



30 de dezembro de 2025
[EU ASSISTI] OVOS VERDES COM PRESUNTO

 



    Sabe aquele tipo de série que já te cativa na abertura? Pois é, foi essa a sensação com a muito divertida e super maluca, Ovos verdes com presunto, série animada da Netflix, adaptação de um livro do incrível Doctor Seuss

    Pode ser um pouco repetitivo eu falar sempre de produções da Netflix, mas sou assinante, então, preciso aproveitar o que ela tem a oferecer. A inflação chegou até nos streamings, minha gente, tá uma loucura! 

    E falando em loucura, isso define bem as adaptações dos textos do icônico Doctor Seuss, visto que O Grinch, um dos meus filmes de Natal favoritos, tem essa mesma pegada de rimas, um pouco de loucura, muitos absurdos e diversão garantida. 

    Ovos verdes e presunto começa com o sequestro de um animal raro do zoológico de Gorfolândia: a Galirafa. Enquanto todos os jornais noticiam isso, somos apresentados a João Sei-Não, um inventor mal sucedido que vê sua última tentativa de participar da importante Snerzfeira ser frustrada. Humilhado, ele vai a uma lanchonete comer e acaba conhecendo o simpático e irritante Romeu Sou-Eu. Eles conversam um pouco e distraídos acabam trocando suas malas e é a partir daí que toda a aventura começa, pois quem roubou a galirafa foi Romeu! E João vai descobrir isso da pior maneira...

    No dia seguinte, ele tenta devolver o animal, mas é supreendido por uma dupla mal encarada que se auto-intitula "Os malvados", sem saída, João e Romeu fogem juntos e se unem para levar a galirafa de volta a seu habitat natural. Paralelamente a isso, conhecemos Michelle, uma mãe sufocante e super protetora e sua filha, E.B., uma menina com sede de aventura. Não me perguntem como, mas elas vão entrar nessa confusão também. 

    Ao longo dos 13 episódios de Ovos verdes com presunto percebemos a evolução dessas personagens e ficamos cativados por causa de todas as trapalhadas nas quais elas se metem. Para incentivar ainda mais nossa curiosidade, cada episódio termina com um cliffhanger e com o último não poderia ser diferente! Deixando um gancho e tanto para a segunda temporada. 

    Ovos verdes e presunto traz uma história simples e bem pensada em todos os detalhes, tornando-se única. Apesar de conhecer a escrita de Doctor Seuss estou chocada com a criatividade dessa produção até agora! Essa é o tipo de série animada que vai agradar a todos os públicos com certeza! 

Então é isso, minha gente! Feliz Ano Novo e que 2026 traga muitas realizações para todos nós! 


25 de novembro de 2025
[EU ASSISTI] CALIFADO

 


    Após concluir algumas séries muito queridas, não estava encontrando algo que verdadeiramente me chamasse a atenção na Netflix, mas, sigo um canal chamado Sobre vivendo na Turquia, o qual fala muito a respeito de relacionamentos entre ocidentais e médio orientais e os quase sempre péssimos resultados disso; Lá, peguei a dica dessa maravilhosa e aterradora minissérie sueca: Califado

    Hoje em dia devido a quantidade enorme de conflitos no Oriente Médio, é muito comum vermos notícias sobre terrorismo ocorridos nesses lugares e sobre refugiados, contudo, é muito difícil conhecermos os diversos pontos de vista dentro dessas realidades. A minissérie Califado se propõe a fazer isso de um forma bem convincente. 

    Nessa produção sueca, somos apresentados a três mulheres muito diferentes, com três pontos em comum: são cidadãs suecas, muçulmanas e, de alguma forma, estão envolvidas com o Estado Islâmico. São elas: Parven, Fátima e Sulleika. 

    Já no primeiro episódio, conhecemos o drama de Parven, uma jovem mãe presa no Califado da Síria, sob o julgo do Estado Islâmico; desesperada com o fato de seu marido ter-se tornado um assassino e aterrorizada com a perspectiva dele matá-la, ao conseguir um celular, algo punível com a morte para uma mulher, ela liga para uma antiga professora que lhe dá o contato de uma policial. 

     Assim, surge em cena, Fátima, uma agente do serviço especial sueco. Ela enfrenta no momento uma certa falta de credibilidade no trabalho e acredita que, se conseguir retirar as informações certas de Parven, conseguirá deter um ataque terrorista de proporções jamais vistas na Suécia e ser vangloriada no trabalho. 

    Nesse meio tempo, seguimos os passos de Sulleika, uma adolescente de 15 anos, estudante em uma escola, aparentemente, para imigrantes. Lá, ela e sua melhor amiga, Kerima, fazem amizade com o jovem, inteligente, gentil, brilhante, sensível, galante, enfim, é boy magia que chama ainda, né? Ibrahim Haddad, o que elas não imaginavam é o quão envolvido com o Estado Islâmico ele estava... 

     Califado conta com apenas oito episódios eletrizantes e difíceis de largar. A cada um deles, vemos Parven com a sua vida por tris enquanto tenta descobrir informações que ajudem Fátima a tirá-la da Síria viva com sua filhinha. Ficamos revoltados com a total falta de empatia de Fátima que apensas pensa em sua carreira e não mede suas ações, podendo levar Parven, uma vítima, à morte. Também sentimos raiva e frustração ao ver Sulleika, sua irmã mais nova e Kerima serem, dia após dia, mais e mais influenciadas por Ibrahim a odiarem cristãos e qualquer não mulçumano, incluindo seus próprios pais,  e verem as ações do Estado Islâmico como honestas e corretas. 

    Todas essas mulheres correm sério risco de perder a vida e Califado tenta nos mostrar como é tênue a linha que separa a vítima que quer sair desesperadamente de seu cativeiro, com aquelas que decidem ir por vontade própria, após serem manipuladas, como cordeiros para o sacrifício... 

    Outro ponto muito importante é a discussão proposta por Califado acerca da forma como refugiados e imigrantes mulçumanos, em geral, são tratados no Ocidente: sempre com desconfiança, desdém, sem oportunidades de ascender economicamente... Essas injustiças são o escopo necessário para agentes do Estado Islâmico entrarem na vida de jovens fragilizados, sem perspectivas, recrutando-os com falsas promessas para mais do que a morte certa, seja no meio do fogo cruzado, seja dentro de casa submetendo-se a um marido abusivo. 

    Sem dúvidas, Califado é uma aposta muito acertada da Netflix, esse thriller eletrizante é difícil de largar até saber o destino de suas protagonistas. Se você se interessa pelo assunto, ou por esse gênero, não deixe de maratonar essa série, você não vai se arrepender. 

20 de maio de 2025
[EU ASSISTI] Z: O COMEÇO DE TUDO

 


        Produzida pela Amazon Studios, Z: o começo de tudo mostra-nos a vida de Zelda Sayre, antes de tornar-se Fitzgerald, e o começo do turbulento casamento com o autor de O grande Gatsby nos dando a conhecer a jovem que ela foi, com todos os sonhos e protagonismo, sem estar à sombra do marido. 
         Os dois primeiros episódios da série (sendo 10 ao todo) focam bastante na jovem Zelda Sayre. Filha de um jurista de Montgomery, Alabama, ela pode se dar ao luxo de uma liberdade que não era bem vista nem concedida facilmente às mulheres do início do século XX. Mesmo o país participando da 1ª Gerra Mundial, ela não deixa de frequentar festas e participar de eventos sociais. Apesar de viver em uma cidade pequena e retrógrada, Zelda aproveita a vida a seu modo. 
        No último ano da guerra, ela conhece o aspirante a escritor, Scott Fitzgerald, que se encanta por ela à primeira vista e Zelda, por sua vez, também fica bem iludida pelas promessas de grandeza do galã. Ainda que esteja apaixonada, ela, contudo, decide que só casará com Scott quando o mesmo tornar-se um autor best-seller. Obviamente isso acontece, eles casam e a partir daí acompanhamos o caos de sua vida boêmia em Nova Iorque. 
        O fato é que Scott já tinha um certo desequilíbrio com o álcool e ao tornar-se famoso e ao mesmo tempo recém-casado, fica muito disputado e é sempre convidado para coquetéis, além de ter em seu círculo de amizade outros artistas famosos pela boêmia. A carreira dele começa a apagar o brilho de Zelda, que se vê obrigada a transformar completamente sua aparência e estilo, tornando-se a primeira melindrosa das Américas; exagerando seu lado festeiro para acompanhar o marido e sua trupe, contudo, ela não tem problemas com a bebida, ele sim... Enquanto festejam, os Fitzgerald esbanjam dinheiro e Scott não escreve uma linha sequer de seu próximo romance, algo que os deixa em uma situação financeira e emocional séria. 
      Z: o começo de tudo é um título bastante apropriado ao conteúdo da série, pois, fica bem claro que Scott Fitzgerald só alcançou o sucesso por usar trechos dos diários de Zelda em seu primeiro romance; ele também impediu que ela seguisse carreira como atriz, ou escritora porque, claramente, tinha medo de que ela se tornasse mais famosa e bem sucedida que ele, logo, a trama está bem longe de ser uma história de amor, e mais perto do retrato de um relacionamento tóxico e abusivo de ambas as partes, tornando-se mais prejudicial à mulher por causa da época e dos preconceitos sociais. 

      Para aqueles que, como eu,  também são fascinados pelos "Loucos anos 20", Z: o começo de tudo é encantadora. Os figurinos são deslumbrantes e a interpretação de Christina Ricci como Zelda é perfeita e magnética! É impossível não ficar impressionada quando ela entra em cena. Infelizmente, a série é de 2017 e não houve uma nova temporada, deixando a trajetória do casal em suspenso, mas, se você já conhece o final real dos dois, pode interpretar esse desfecho aberto como algo positivo e até esperançoso. 




6 de maio de 2025
ANNE with an E

 


    Em momentos difíceis e desesperadores é necessário procurar algo que nos traga alento, nos faça sorrir e sentir aquele tão desejado "quentinho no coração", para isso, não há nada melhor do que maratonar uma série linda e encantadora como Anne with an E, se, é claro, abraços quentinhos não estiverem disponíveis no momento. 
    Antes de discorrer sobre a história de Anne with an E e minhas opiniões a respeito dessa obra, preciso dizer como se deu nosso primeiro contato: no início de 2019 uma aluna me indicou a série; assisti metade do primeiro episódio e não gostei! achei Anne tão artificial! Contudo, casei e, ao passar longas horas sozinha após o trabalho (O Samu chegava mais tarde do que eu na época) e ler várias críticas positivas sobre a série, decidi dar mais uma chance à Anne with an E e maratonei as duas primeiras temporadas em uma semana, tal foi o efeito da ruivinha na minha vida. Vale lembrar que na época ainda não conhecia os livros de Lucy Maud Montgomery. 
    Em Anne with an E somos apresentados a dois irmãos de meia idade, Marilla e Mathew Cuthbert, moradores da propriedade rural, Green Gables, na cidade fictícia de Avonlea, na Ilha do Princípe Eduardo, um lugar de beleza natural estonteante. Por causa da idade, eles decidem adotar um menino para ajudá-los, porém, como não podem sair de lá devido ao trabalho, pedem a uma vizinha para ir ao orfanato encontrar uma "criança adequada". A vizinha se confunde e, para o espanto de Mathew e o horror de Marilla, traz uma menina magricela, ruivinha, cheia de sardas e de uma criatividade invejável, esta é Anne Shirley, a nossa Anne with an E
    Mesmo com toda a sua criatividade e doçura, por ser órfã, Anne já passou por muitos traumas que lhe deixaram marcas profundas, por isso, quando Marilla diz querer um menino, ou quando as pessoas de Avonlea a tratam com desdém e desprezo, isso aciona gatilhos em sua mente, deixando-a atordoada. 


    O encanto de Anne with an E está justamente no modo como a protagonista encara as situações adversas: sempre com a cabeça erguida, sendo positiva e bem impulsiva, esta última sempre lhe rendendo até mais problemas. Na verdade, quase todos os grandes dilemas a serem resolvidos são consequências de uma ação impensada da menina, até porque ela, como qualquer pessoa, não é perfeita, é um ser humano em constante evolução. 
    Ao se estabelecer em Avonlea após conquistar os corações dos Cuthbert, Anne faz algumas amizades, sendo as mais importantes a de Diana, sua "alma irmã"; Cole, um jovem artista gay; e Gilbert Blythe, que torna-se também seu interesse amoroso. 


    Na segunda temporada somos transportados, temporariamente, a uma "febre do outro" em Avonlea. Depois, conhecemos novas personagens que vão abalar as estruturas da pacata e preconceituosa cidade. 
    Já a terceira temporada, para tristeza e decepção de todos, começou com a péssima notícia de que seria a última, pois Anne with an E fora cancelada! Protelei bastante em assistir esse capítulo final da história da ruivinha na televisão, mas, enfim assisti. Nesse momento, Anne busca descobrir mais sobre seus pais e seu passado enquanto prepara-se para ingressar na universidade, além de, finalmente, assumir para si mesma que ama Gilbert Blythe, há também uma trama muito interessante sobre os indígenas canadenses que foram torturados e aculturados por décadas e esse terrível fato da história do Canadá começa nesse mesmo período, início do século XX. 
    O roteiro de Anne with an E é muito interessante, pois conseguiu introduzir temas como homofobia, feminismo, racismo, direito dos indígenas e bulliyng de forma muito atual, porém oscila ao tratar desses assuntos: apresenta-os de forma bem dramática para, depois, nos dar um desfecho pouco crível com a situação da época e, na última temporada, a situação dos indígenas fica totalmente em aberto. 
    Ainda assim, é impossível assistir a Anne with an E e não se deslumbrar por sua fotografia e trilha sonora. É tudo tão lindo e, aparentemente, muito carinho foi colocado nessa produção. Como dito antes, Anne nos cativa e encanta apesar de não trabalhar em profundidade as pautas sociais que introduz. 
    Mesmo correndo o risco de partir seu coração, porque só há três temporadas, dê uma chance a Anne with an E e permita-se embarcar nas encantadoras aventuras da ruivinha, até porque, como já mostrei, existe toda uma série de livros para você acompanhar depois.