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28 de julho de 2026
[RELENDO...] O MUNDO PÓS-ANIVERSÁRIO, DE LIONEL SHRIVER


Há algum tempo entrei em um processo de releitura de livros lidos há pelo menos uns dez anos. Um deles é o polêmico O mundo pós-aniversário da talentosíssima Lionel Shriver

Em O mundo pós-aniversário somos apresentados à Irina, uma mulher de 42 anos, ilustradora, que vive há nove anos com o namorado Lawrence; Ela o abandona após se apaixonar por um amigo deles, Ramsey, cinco anos mais velho e jogador profissional de Sinuca. Tudo começa após o aniversário de 47 anos dele. 

Não vou me estender na sinopse porque já fiz uma resenha sobre esse livro de Lionel Shriver, isso porque, dessa vez, quero focar em minhas reflexões sobre a obra. 

Quando li O mundo pós-aniversário há dez anos atrás, já havia percebido problemas de relacionamento contidos nele, porém, hoje, percebo o quão abusivos e tóxicos eles são. Todos os relacionamentos de Irina têm essa configuração e a rebaixam, desde sua mãe narcisista, até Ramsey, que não a respeita e muito menos apoia o trabalho dela. Ademais, ao meu ver, o fato de o pai de Irina ter abandonado a família quando ela era criança, a fez desenvolver uma dependência emocional muito grande em figuras masculinas, o que a faz procurar, em seus relacionamentos amorosos, mais uma figura paterna do que um parceiro, pois, no fundo, ela quer ser cuidada, ela precisa, palavras dela, que um homem a ampare e lhe dê suporte, por isso sua relação com Ramsey é tão tempestuosa. 

É realmente revoltante ver como, no fim, Lionel Shriver dá a entender que em um futuro próximo, Irina e Lawrence ficarão juntos novamente. Em termos narrativos, isso até pode ser interessante, mas é bem doentio, pois a impressão é de que Irina não aprende nada e continua sendo uma mulher de meia-idade infantil e à procura de uma figura paterna "perfeita", além de não conseguir nunca ficar sozinha. 

O mundo pós-aniversário não envelheceu bem. Quando questionada sobre os abusos sofridos nas mãos de Lawrence ou de Ramsey, Irina trata tudo como se fosse algo normal, como se fossem apenas “traços de personalidade” desses homens e isso é algo que incomoda demais! 

Ainda gosto muito da escrita de Lionel Shriver, só é muito triste pensar que existem várias mulheres na mesma situação de Irina, cujas vidas dependem da validação masculina, sem um verdadeiro propósito por si mesmas, sem um verdadeiro amor próprio. 


5 de maio de 2026
[RELENDO...] 1984, de George Orwell


1984 é para mim, sem sombra de dúvidas, a melhor distopia já escrita até hoje; e olha que eu já li várias! George Orwell teceu com maestria esta história comovente e aterradora, a qual sobreviveu com louvor à minha releitura após trezes anos. 

Não deveria ter demorado tanto tempo para reler 1984! Com certeza esse é o tipo de leitura que deve ser feita com frequência, mas independente da década em que você a ler, ela infelizmente parece nunca perder sua atualidade… 

Em 1984 acompanhamos Winston Smith, um homem próximo aos 40 anos que vive numa Londres distópica dominada por um partido autocrático extremamente controlador e doentio. Apesar de saber que isso pode lhe trazer sérios problemas, Winston compra um caderno e começa a anotar seus dias nele, suas impressões e reflexões sobre o mundo e sobre o controle do partido. 

No mundo de 1984 todos são vigiados constantemente através de televisores, câmeras, escutas, microfones, enfim, ninguém tem privacidade. Sentimentos e emoções, fora os de devoção ao partido, são fortemente desencorajados e o objetivo é que tais instintos humanos deixem de existir com o tempo. 

Winston com seu diário e pensamentos subversivos sobre uma revolução encabeçada pelos “proletas” (quase trabalhadora que não faz parte do partido) começam a chamar a atenção de outras pessoas, o que pode significar que ele terá aliados ou inimigos muito poderosos… 

1984 é uma narrativa pungente. Um verdadeiro soco no estômago. A forma como George Orwell narra a vida cercada de miséria e imundície dos membros do partido e dos proletas, a alienação intelectual imposta a eles à níveis grotescos, beirando a insanidade, as descrições de torturas psicológicas, tudo é muito vívido e por isso mesmo extremamente doloroso de se acompanhar, mas, está é, como dito antes, uma leitura necessária e muito atual. 


14 de abril de 2026
[RELENDO...] A REVOLUÇÃO DOS BICHOS, de George Orwell


Fazia muitos anos desde que li A Revolução dos Bichos pela primeira vez, afinal, foi uma das leituras obrigatórias em minha graduação em Letras e eu já me formei há uns bons 10 anos. George Orwell já era um autor querido, visto que a primeira distopia que li foi 1984 e apesar de já conhecer a escrita dele eu não estava preparada para o que encontrei nesse livro e a releitura não deixou nem um pouco de me surpreender e horrorizar. 

Em A Revolução dos Bichos, somos apresentados a uma narrativa na qual George Orwell alegoriza  a criação da União Soviética; como no início as intenções de Lênin eram boas, mas, com sua morte, Stalin entrou no poder e estabeleceu um período de verdadeiro terror.

Na alegoria, tudo começa na Granja do Solar, em uma noite comum, o porco já idoso, Major, reúne os animais e lhes conta seu último sonho: ele via os animais vivendo livres, sendo donos de si, sem terem humanos controlando suas vidas e explorando seu trabalho. Pouco tempo depois, ele morre, mas a semente da revolução já havia sido plantada e os porcos Bola de Neve e Napoleão se unem aos demais animais da granja para expulsar os humanos e dar início a uma comunidade formada apenas por animais, onde o trabalho é compartilhado por todos, além de seus frutos. Assim tem início A Revolução dos Bichos, contudo, como esta trata-se de uma alegoria de acontecimentos históricos, já sabemos onde isso vai dar infelizmente. 

George Orwell demarca muito bem os papéis dos animais com as figuras históricas que representam: o porco Major, seria Lênin; Bola de Neve, Trótski; Napoleão, Stalin; os cavalos, são a população que acredita piamente nos ideais da revolução, sem entendê-los muito bem, porém, sem sua força, a mesma jamais seria possível; as ovelhas representam a mídia partidária que divulga sem questionar tudo o que é dito pelo governo, e por aí vai. 

No começo de A Revolução dos Bichos vemos o início de uma utopia acontecer: os animais agora vivem bem alimentados, trabalham dentro de seus limites, tem lazer e tranquilidade, mas isso não dura muito tempo, pois Napoleão consegue tirar Bola de Neve da jogada bem rápido e assume o controle total da granja e é a partir daí que vemos o começo do fim desta utopia. 

É muito triste ver como seria simples tornar as vidas dos cidadãos boas, se os governantes realmente tivessem esse objetivo, infelizmente, porém, o único que pensava no bem dos animais era Bola de Neve, Napoleão, seduzido pelo poder e pelo orgulho decide ir pelo caminho da exploração, assemelhando-se, ou melhor, sendo até pior do que os humanos. 

Eu tinha muitas lembranças de ter ficado bem incomodada com essa leitura e, hoje, a sensação continua a mesma. Em sua alegoria, George Orwell deixa bem clara a sua decepção com a União Soviética, até porque, ele era um comunista assumido que até pegou em armas contra a ditadura Franquista, na Espanha.

A Revolução dos Bichos é uma obra magnífica, curtinha e muito importante de ser lida, estudada e comentada. Se você não conhece muito sobre a Revolução Russa e a União Soviética, indico que você ouça os episódios: 013, 041, 104 e 141 do podcast HISTÓRIA FM, neles, professores doutores em História discutem e explicam muito bem como se deu a Revolução Russa, quem foi Stalin, como a União Soviética acabou, tudo baseado em FATOS HISTÓRICOS, vale muito a pena para complementar a leitura literária e ajudar ainda mais no entendimento da trama. Afinal, conhecer a nossa história deveria nos proteger de cometer os mesmos erros do passado… 


1 de julho de 2025
O MORRO DOS VENTOS UIVANTES

E não, esse livro não é uma história de amor e, se você estiver em um relacionamento com alguém minimamente parecido com Heathcliff, ou Catherine, fuja para as montanhas, porque é uma cilada, Bino!



    Uma das obras mais arrebatadoras e intrigantes da literatura inglesa, O morro dos ventos uivantes mostrou, com a escrita magistral de Emily Brontë, que as mulheres do período vitoriano tinham muito a dizer e por mais restritas que fossem suas vidas, quando se tem criatividade e talento, nada pode deter uma mente brilhante; e mostrou também um relacionamento tóxico e abusivo horroroso que as pessoas nos anos 2000 resgataram e romantizaram como algo fofo, socorro! 
    O morro dos ventos uivantes começa com a chegada de um cavalheiro à propriedade homônima, devido a uma nevasca. Lá, ele encontra o dono da casa, Heathcliff, um homem rude, arrogante e nada hospitaleiro que lhe suscita muita curiosidade, sendo esta saciada pela governanta, Nelly, nossa narradora observadora. 
    Passamos a acompanhar então, do ponto de vista dela, a história de amor, ódio e vingança de Heathcliff contra a família de sua suposta "amada", Catherine. Contudo, nem sempre foi assim: ao ser adotado pelo outrora proprietário de O morro dos ventos uivantes, Heathcliff prometia ter um bom futuro, após a morte de seu benfeitor, entretanto, o garoto é lançado ao descaso total e à selvageria, fomentando assim, cada vez mais, seu ódio, sendo a última gota d'agua, o casamento de sua "amada" com um vizinho rico. 
    Ao longo da narrativa, dividida em duas partes, Emily Brontë nos leva a um passado sombrio, cheio de ódio e manipulação por parte de Heathcliff e de Catherine, que não era nenhuma santa. Tudo isso através do olhar ambíguo de Nelly, ela mesma sempre se isentando de qualquer responsabilidade moral quanto aos absurdos que presencia, algo plausível, visto ela ser uma empregada pobre, facilmente substituível caso desagradasse aos patrões. 
    Muitos anos se passam e Heathcliff arquiteta um plano terrível para acabar com o futuro da família de Catherine e de seu marido também, chegando, inclusive, a seduzir a irmã mais nova do rapaz, prendê-la em um relacionamento violento e abusivo, fazer um filho nela e depois tirar-lhe a criança e criar o menino quase como um indigente, tamanho ódio ele nutria por aquela família... Minha gente, esse homem não é rancoroso, ele come o rancor dele com farinha todos os dias, isso sim! 
    Por causa de seu alto grau de drama e tramoias, O morro dos ventos uivantes é até hoje uma das obras mais instigantes da literatura inglesa. Se você gosta dos romances de época atuais, dê uma chance a esse clássico, tenho certeza de que ele vai alugar um triplex na sua cabeça como fez e faz com a minha toda vez que o leio, inclusive, já perdi as contas de quantas vezes li essa obra e em todas não deixo de me surpreender com o ódio de Heathcliff e com as manipulações de Catherine.


7 de janeiro de 2025
Anne de Green Gables


        Eu sou completamente apaixonada pela série Anne with an E e fiquei muito decepcionada com o cancelamento dela. Meus lamentos foram tantos que o Samu comprou os cinco primeiros livros da série escrita pela autora Lucy Maud Montgomery, lançados aqui no Brasil pela querida editora Pedrazul  e é óbvio que eu já devorei todos eles e pretendo comprar os demais cinco ainda esse ano. 

        Anne de Green Gables começa com a decisão dos irmãos reclusos e "solteirões", Mathew e Marilla Cuthbert de "adotar" um menino para ajudá-los nas tarefas de sua fazenda, mas ao chegar na estação para buscar a criança, Mathew encontra uma menina de 11 anos, cabelos ruivos, muitas sardas e uma imaginação esplendida, essa é Anne Shirley, a nossa querida Anne de Green Gables

        O ano é 1876 e a história se passa na paradisíaca Ilha do Príncipe Eduardo, um lugar cheio de natureza, bem cottagecore mesmo, onde Lucy Maud Montgomery escolheu criar a fictícia Avonlea, uma cidade típica de interior: todo mundo se conhece, a grande maioria é avessa a forasteiros e pessoas diferentes, além das personagens arquetípicas como a fofoqueira (Rachel Lindh), os "criadores de caso", como os Pye e, claro, a travessa "cabecinha de vento", Anne. 

        O mais interessante dessa série de livros é que Lucy Maud Montgomery nos propõe acompanhar toda a vida de Anne, da infância até a velhice. Enquanto a série televisiva nos mostrou a vida da jovem até os 16 anos, os livros nos apresentam aos netos dela, e pasmem: as três temporadas de Anne with an E nem chegam ao final de Anne de Green Gables, que termina com o retorno da nossa querida protagonista à casa após completar seu curso de magistério na Queen's Academy

        Por se tratar de uma narrativa escrita no início do século XX e ambientada em 1876, Lucy Maud Montgomery aborda de forma bem amena as consequências das trapalhadas de Anne e em pouco tempo ela se torna querida pela comunidade de Avonlea (salvo pelos Pye, mas ninguém gosta deles também) e motivo de orgulho para todos. É muito divertido acompanhar o crescimento da menina, que chega à Ilha do Príncipe Eduardo esquálida e em farrapos, para depois se tornar um símbolo do que um ambiente saudável e amoroso podem fazer a alguém. 

        Atentar-se à época em que Anne de Green Gables foi escrito e por quem foi escrito é muito importante para compreender a enorme quantidade de "lições de moral" contidas no enredo e a presença tímida de uma semente feminista encontrada nas ações e palavras de Anne e Marilla. Sei que para aqueles desacostumados com a leitura de clássicos do século XIX e começo do XX, e órfãos da série televisiva super conceitual e com diversas pautas sociais importantes sendo abordadas de maneira franca, pode ser estranho ver nossa Anne Shirley em uma versão menos empoderada, contudo, vá em frente e continue a leitura, pois a essência da ruivinha continua lá e, infelizmente, depois de tanto tempo, acredito que Anne with an E não terá mesmo continuação. Outra grande diferença entre as duas obras é que em Anne de Green Gables, Gilbert Blythe é claramente  apaixonado por Anne desde sempre e isso será bem desenvolvido ao longo dos demais volumes. 

        Sobre a edição da Pedrazul, as capas têm artes muito bonitas, o papel é amarelo e as letras de bom tamanho, o que ajuda bastante a vida de nós leitores míopes e astigmatas! Ademais, recebemos muitos marca-páginas junto com a compra, o que amei! 

        A escrita de Lucy Maud Montgomery consegue nos divertir e emocionar na mesma medida. Confesso ter chorado copiosamente durante a leitura do penúltimo capítulo desse livro e toda vez que o momento é mencionado nos demais, as lágrimas já começam a se formar em meus olhos, engraçado como personagens fictícios conseguem suscitar tantos sentimentos na gente! Assim é a nossa ruivinha, que mesmo crescida nunca deixará de ser a querida sonhadora Anne de Green Gables.

        

10 de dezembro de 2024
Trilogia WinterNight

aka 
Melhor trilogia de fantasia que li até hoje! 

        Que eu sou uma pessoa facilmente influenciável por capas de livros bonitas já é um fato consumado, mas ficar encantada por uma capa bonita, ler a história e ficar completamente apaixonada por ela a ponto de ler uma trilogia inteira em menos de uma semana, para mim, isso é novidade! E foi exatamente o que aconteceu entre mim e a incrível Trilogia Winternight, da autora estadunidense Katherine Arden
           Publicado aqui no Brasil em 2017, O Urso e o Rouxinol é o primeiro volume da Trilogia Winternight e traz o início da trajetória de nossa protagonista, Vasilisa Petrovna, uma garota cheia de mistérios e poderes. Ao nascer, Vasya perde a mãe, que não sobrevive ao parto, e é criada pelo pai, com a ajuda da ama Dunya e de seus irmãos mais velhos, Kolya, Sasha, Olga e Alyosha em uma Rússica medieval marcada por guerras contra os tártaros e disputas de poder entre príncipes na corte. Ao saber que estava grávida, a mãe da menina tem uma premonição de que a criança mudará as vidas de todos no país e por isso, mesmo sabendo que sua morte era quase certa, ela decide ter a última filha; Apesar de ser órfã, Vasya cresce até certo ponto feliz e com muita liberdade, sendo filha de um boiardo (senhor de terras e nobre russo); contudo, em um dia de explorações na floresta, ela acaba encontrando uma figura muito estranha: um homem maltrapilho preso a uma árvore. Ela, em sua inocência infantil, acorda o homem e é a partir daí que tudo em sua vida irá mudar e Vasya experimentará uma série de desventuras e aventuras também. 
        Após o incidente na floresta, o pai de nossa protagonista casa-se com a filha do Grão- Príncipe de Moscou e com ela vem junto um padre muito do maldito; Ambos terão como objetivo de vida transformar a da podre Vasya em um inferno, pois os dois não aceitam a liberdade, segurança e o paganismo que a menina continua a praticar mesmo vivendo em um país que aderiu ao cristianismo ortodoxo. Além disso, Vasya sabe que a crescente descrença nos seres antigos está levando sua terra à ruína e é assim que ela descobre sobre o Urso e sobre seu irmão gêmeo O rei do Inverno. 
        Morozko, aka Rei do Inverno era para Vasya apenas uma figura mitológica, porém ela descobre que ele é real e ainda mais: ela está ligada a ele e ambos precisarão lutar juntos para impedir que o Urso (o maltrapilho preso na árvore) consiga escapar de sua prisão e espalhar o caos e a morte por onde passar. 
        
Se em O urso e o Rouxinol acompanhamos a infância de Vasilisa, em A Menina na Torre, segundo volume da Trilogia Winternight, acompanhamos uma Vasya jovem adulta fugindo de casa após os terríveis acontecimentos do livro anterior, com direito a um ataque de upyri  (vampiros do folclore eslavo) e a morte do pai de seu pai, que se sacrifica para ajudá-la. Durante sua viagem, ela conhece Lady Meia-Noite, uma serva de Baba Yaga (ambas criaturas recorrentes no folclore russo e conhecidas por serem personagens do conto Vasilisa, a Bela), que oferece sua ajuda; além disso, a jovem fica cada dia mais próxima de Morozko, o que perturba a ambos; Para conseguir viajar em paz, se transforma em Vasili e é com esse disfarce que ela adentra os muros de Moscou e lá  vai se deparar com uma sociedade que restringe ainda mais suas mulheres, deixando-as trancadas em torres e vai lutar também contra um terrível feiticeiro, ter muitas perdas e muitas descobertas também.
       
Último volume da trilogia, O Inverno da Bruxa vemos uma Vasya traumatizada, cansada e mais madura, entendendo que para seu povo ter paz e sua terra prosperidade é preciso que haja um verdadeiro equilíbrio entre o Caos, representado pelo Urso, e a Ordem, representada por Morozko. Nesse livro, Katherine Arden se supera ao trazer um desenvolvimento verossímil para o relacionamento entre a protagonista e o Rei do Inverno, além de todos os desdobramentos da guerra contra os tártaros e como a Rússia se tornou um território onde Cristianismo e Paganismo encontraram um equilíbrio em sua coexistência. 
        Essa não se tornou uma de minhas séries literárias de fantasia favoritas por nada. O trabalho de pesquisa feito por Katherine Arden é primoroso! É palpável o quanto essa mulher estudou da história, da cultura medieval e do folclore russo para compor sua narrativa. É mesmo um trabalho maravilhoso e que deve ser lido por todos que, como eu, são apaixonados por contos de fadas e fantasia em geral. Sério, gente, essa leitura é deliciosa, impossível parar de ler até chegar ao fim e ver o resultado de todas as desventuras e aventuras dessa protagonista tão querida que é Vasilisa Petrovna. Eu amei essa experiência de leitura e pretendo reler no inverno do ano que vem. Esses livros representam bem aquele tipo de história que você pode ler todos os anos que sempre será uma aventura incrível todas as vezes.