A releitura de clássicos da literatura sempre causa alguma polêmica, principalmente quando inserida na escola. Infelizmente é muito difícil para nós professores engajarmos nossos alunos nessas leituras. Por esse motivo fiquei feliz ao ver adaptações para quadrinhos desses clássicos e a primeira que li foi O Ateneu, de Raul Pompeia, adaptada por Marcello Quintanilha.
Antes de trazer meu ponto de vista sobre a obra, vamos à sinopse: Sérgio, um homem adulto, relembra o tempo em que estudou nO Ateneu, internato de grande prestígio na cidade do Rio de Janeiro do final do século XIX. Contudo, essas memórias não são saudosistas, pelo contrário, são dolorosas e muito traumáticas.
O Ateneu era um ambiente extremamente hostil, comandado por um diretor egocêntrico e cheio de figuras abusivas. Não era de forma alguma um “templo do saber”. As lembranças de Sérgio são muito tristes e trazem até momentos de quase abuso infantil tanto por parte de colegas, quanto da esposa do diretor…
Falando agora sobre a adaptação de Marcelo Quintanilha, acredito que a leitura ficou ainda mais difícil para o jovem leitor, pois quase não há diálogos entre as personagens e os pensamentos de Sérgio são bem formais e complexos.
Entendo que Marcelo Quintanilha não quis modificar o texto de Raul Pompeia, mas se o objetivo era atrair um público mais jovem, dificilmente será alcançado. Quanto às ilustrações, é tudo muito lindo! As cores usadas por Quintanilha dão a O Ateneu um aspecto ora onírico, ora de pesadelo, muito condizentes com o conteúdo crítico e memorialista da narrativa de Raul Pompeia.
Sinceramente, gostei da leitura de O Ateneu. Só não acho que esta será tão interessante para os jovens leitores sem o devido contexto pesquisado ou explicado durante aulas de Literatura. Agora, como apoio das supracitadas, essa HQ pode ser sim uma maneira eficaz de introduzir um clássico da nossa literatura sem ser traumatizante.


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