18 de agosto de 2026
ELRIC DE MELNIBONÉ, DE MICHAEL MOORCOCK


Desde que assisti ao vídeo do canal Pipoca & Nanquim sobre Elric de Melniboné fiquei muito interessada por essa obra, mas só pude ter contato com a escrita de Michael Moorcock recentemente. 

Narrado em terceira pessoa, Elric de Melniboné propõe-se a contar a história da personagem título a partir do primeiro ano de seu reinado. Elric é um jovem, na casa dos 20 anos, imperador, ou melhor, rei, de Melniboné, um arquipélago outrora império que dominou cruelmente todo o mundo conhecido por 10 mil anos. Contudo, há mais ou menos 300 anos, entrou em declínio e hoje é praticamente um reino eremita, tendo pouco contato com os reinos humanos chamados ironicamente por eles de “Reinos Jovens”. 

Os melniboneanos não são humanos. São uma raça que se assemelha fisicamente a nós, porém, sua crueldade e individualismo beira ao que consideramos psicopatia. Elric, no entanto, é diferente. Ele possui uma consciência, se arrepende das crueldades que, como rei, deve cometer ou permitir que outros cometam, além de acreditar que existe algo mais importante do que só satisfazer seus desejos egoístas implacavelmente, o que é muito mal visto por sua sociedade naturalmente cruel. 

Para piorar, Elric de Melniboné é tido como amaldiçoado, porque, após seu nascimento, sua mãe morreu, seu pai tornou-se introspectivo e nunca mais casou, enquanto que o menino nasceu albino e extremamente doente, sendo mantido vivo através de diversas poções mágicas que devem ser tomadas diariamente, logo, ao assumir o trono, o jovem é tido por muitos como fraco, incapaz e pouco confiável. 

A pessoa que mais instiga essas desconfianças na corte é Yyrcon, primo de Elric, e seu sucessor ao trono. Ele é tudo o que um melniboneano deve ser aos olhos de seu povo: egoísta, arrogante e sobretudo cruel, muito cruel. A fim de conquistar o trono para si, ele se aproveita de um momento de fraqueza de nosso protagonista e o joga ao mar, fazendo com que Elric seja tido como morto e Yyrcon coroado em seu lugar. 

Elric de Melniboné, entretanto, consegue salvar-se invocando os elementais da água. Ao voltar, ele decide vingar-se do primo à maneira melniboneana, mas este é mais rápido e foge levando consigo a amada do rei, Cymoril. Desesperado e sentindo-se culpado pelo destino da jovem, Elric recorre a um último recurso ambíguo e perigoso: ele invoca um demônio, senhor do Caos, tornando-se escravo dele para conseguir salvar o amor de sua vida. 

Michael Moorcock é um ótimo contador de histórias! Apesar de ambientar Elric de Melniboné no que seria o correspondente ao período da nossa Baixa Idade Média, seu texto não traz arcaísmos, ou preciosismos, muito pelo contrário, a linguagem usada pelo narrador e pelas personagens é clara e objetiva, tornando a leitura fluida e divertida e, mesmo trazendo a crueldade como tema muito presente, não há descrições gráficas de torturas ou algo que o valha. 

Iniciei Elric de Melniboné com altas expectativas e, felizmente, estas não foram frustradas e estou engajada a continuar acompanhando as aventuras do rei albino. Se você gosta de alta fantasia e aventura, esse livro é para você com certeza!


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