Mais ou menos entre 2012 e 2013, não me lembro ao certo, li pela primeira vez uma obra de André Vianco, autor muito popular entre os góticos da minha época. O livro em questão foi O Senhor da Chuva e gostei bastante dele. Inspirados por uma leitura coletiva, o Samu e eu decidimos ler Os Sete (para ele foi uma releitura) para redescobrir a escrita desse autor.
No final dos anos ‘90, a pacata cidade de Amarração, no litoral do Rio Grande do Sul é palco de eventos inexplicáveis e terrivelmente sangrentos. Thiago e César, dois grandes amigos e mergulhadores, descobrem uma caravela muito antiga e cheia de artefatos valiosos; interessados no dinheiro, eles e outro amigo, Olavo, entram em contato com Eliana, estudante de História em uma grande universidade de Porto Alegre, assim, eles conseguem verba para retirar a embarcação do fundo do mar e lucrar ainda mais.
Contudo, algo intrigava muito os pesquisadores da universidade e os demais envolvidos: uma enorme caixa de prata pura, lacrada, repleta de símbolos religiosos e com avisos para não ser aberta jamais, pois ali estava preso o próprio mal… Obviamente eles abrem a caixa e são surpreendidos com sete corpos mumificados, muito provavelmente, os donos dos sete nomes escritos na caixa: Inverno, Acordador, Gentil, Tempestade, Espelho, Lobo e Sétimo. O doutor Delvechio, líder da pesquisa e professor do Departamento de História, acredita serem estas múmias vítimas injustiçadas pela Inquisição de Portugal… Ele não poderia estar mais errado…
Durante a abertura da caixa, Eliana acidenta-se e um pouco de seu sangue cai em um dos espécimes. Nem a jovem, nem ninguém imaginava a sucessão de tragédias que resultaria desse evento banal, isso porque as sete múmias eram, na verdade, sete vampiros muito temidos durante o período das Grandes Navegações.
Conhecidos como Os Sete do Rio D’Ouro, eles assombraram a vida de muitos em seus tempos áureos e foram detidos a custo pela Coroa Portuguesa. Agora, o primeiro deles a despertar, Inverno, quer acordar os irmãos e vingar-se dos seres humanos pelos quase 500 anos de enclausuramento. Ademais, ele quer transformar Eliana, como uma forma de “agradecimento”, afinal, foi por causa do sangue dela que ele acordou.
A partir daqui uma série de acontecimentos bizarros vai assolar a outrora pacata cidade de Amarração: uma onda de frio congelante, mortos despertando no IML, tempestades, uma fera gigantesca à solta… Enquanto Thiago e Eliana fogem para a casa da irmã do rapaz em São Paulo e ficam por lá, longe de toda a ação. César e Olavo, por não terem se refugiado em outro estado, passam por perrengues maiores, mas quem realmente tem destaque são os vampiros! A narração em terceira pessoa acompanha de perto as ações e pensamentos desses seres, dando a eles uma profundidade muito interessante, fazendo jus ao título do livro. Infelizmente, porém, os momentos focados nos humanos são pedantes, enquanto os vampiros brilham (sem piadinha) em suas cenas.
Ao longo de toda a narrativa de Os Sete, um mistério se desdobra: Sétimo. Esse vampiro é o mais temido de todos, temido até mesmo por seus semelhantes, o que cria uma tensão muito grande, mas esta é TOTALMENTE FRUSTRADA. Há muitos problemas de coerência e de continuidade nesse livro. A impressão é de que não houve nenhuma revisão editorial antes da publicação. Sabemos que foi publicada uma nova edição de Os Sete pela editora Aleph, contudo, não tivemos acesso a ela. Torcemos para que André Vianco tenha revisto e retirado esses erros que empobreceram o desenvolvimento da narrativa.
Se fosse para dar uma nota para Os Sete, seria 7,0. A história começa morna e arrastada, depois engata e fica frenética, para tornar-se arrastada de novo e, por fim, terminar de modo frustrante. Não estou com vontade de ler as continuações, mas pretendo, daqui a algum tempo, ler esta história de novo, mas na nova edição para comparar com essa primeira.



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