24 de outubro de 2026
[EU ASSISTI] NOSFERATU, de F.W. MURNAU


Há anos ouço sobre Nosferatu, de F.W. Murnau, lançado em 1922, mas, sendo bem sincera, só senti vontade de assisti-lo realmente por causa da nova versão dirigida por Robert Eggers (diretor que eu particularmente adoro). Pois bem, propus ao Samu assistirmos ao filme no final de semana e, infelizmente, como uma obra de horror, ele é uma comédia bem engraçada. 

Nosferatu está envolto em uma grande polêmica visto que, acredito eu, ele seja o primeiro grande plágio do cinema, pois é sabido ser esse roteiro baseado no livro Drácula, de Bram Stoker, cuja viúva não vendeu ou cedeu os direitos de adaptação para o diretor, F. W. Murnau, logo, o mesmo “criou” seu próprio vampirão conde da Transilvânia, tornando-o uma versão mais bestial de vampiro, que pelo fato de só ter tido três versões até agora para o cinema, contra as mais de vinte e tantas de Drácula, não caiu tão bem assim no gosto popular. 

É lógico que o fato de que Nosferatu nem deveria existir hoje, afinal, a família de Bram Stocker ganhou o processo de plágio e solicitou que todas as cópias do longa fossem destruídas, contudo, conseguimos assisti-lo no Youtube, ou seja, nem todas foram perdidas; é algo que contribuiu para o ostracismo da obra, e a produção também não se ajuda… 

Nessa primeira versão de Nosferatu, acompanhamos o jovem e recém-casado Hutter, viajando para a Transilvânia a fim de vender uma mansão para um nobre de lá. O absurdo já começa no fato de o querido fazer uma viagem da Alemanha à Transilvânia a cavalo e o roteiro faz parecer como se fosse uma viagem curtinha, o que não é o caso. Chegando lá, ele já percebe que os locais têm medo do tal conde Orlok, seu cliente, mas como um bom exemplo de homem “esclarecido” do século XIX, Hutter não liga para isso e vai ao encontro do estranho. 

Um ponto que para mim e para o Samu foi muito cômico, foi o modo como Hutter lida com a situação vivenciada no castelo do conde. Gente, em momento nenhum o querido fica preso lá, muito pelo contrário: Orlok some durante o dia, não há mais ninguém no castelo inteiro além dos dois, todos os portões estão abertos, inclusive, ele manda uma carta para a esposa, enfim, não tem desculpas para ele permanecer nessa “festa estranha com gente esquisita” depois de conseguir a assinatura do cliente, no entanto, ele fica, é mordido, percebe a cilada na qual se meteu, vê a criatura saindo de lá com vários caixões cheios de terra, deixando os portões abertos, e ele “foge” pela janela, cai de uma altura de 15 centímetros e fica hospitalizado por dias… Não tem como não rir, gente. Sério, não dá.

Depois disso, o negócio fica beeeem chato, porque, se você já leu Drácula, é tudo bem repetitivo: o vampiro mata uma galera durante sua viagem de navio até a Alemanha (o que nos fez pensar no porquê Hutter, sabendo o quão perigoso o conde é, voltou para seu país a cavalo, super curtindo o trajeto) chega lá e quer pegar a esposa de Hutter a todo custo, (ela é meio desequilibrada, super alheia a vida e bem impressionável) e o final é aquele mesmo desfecho defendido por Edgar Allan Poe… 

Achamos o filme engraçado em alguns momentos, mas um pouco cansativo. Não há nada de muito deslumbrante em sua cinematografia, contudo; O gabinete do Doutor Caligari e Metropolis são exemplos muito mais emblemáticos para o Expressionismo Alemão no cinema, na nossa opinião, claro. Então é isso, assistimos ao Nosferatu, de 1922, para termos mais embasamento ao assistir ao remake de Eggers, espero gostar desse, pois A Bruxa é um dos meus filmes de horror favoritos!


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