13 de janeiro de 2026
O COLECIONADOR DE DESEJOS, de Mia Sheridan

 



A narrativa de O colecionador de desejos começa com um flashback no qual conhecemos os irmãos Jonah e Justin Chamberlain, ambos advogados e ricos, pois veem de uma antiga família sulista,  o primeiro querendo subir na carreira a todo custo, o segundo sendo mais “humanista” e aceitando trabalhar em casos sem receber remuneração quando os clientes são pobres. Justin vai até o escritório do irmão para alertá-lo de não aceitar defender um possível estuprador e serial killer, contudo, o irmão mais novo, arrogante, típico advogado que nunca perdeu um caso (alguma semelhança com O advogado do diabo?) não dá ouvidos ao outro, defende o cara, ele é absolvido e uma grande tragédia advém disso…

Oito anos se passam, conhecemos Clara, uma jovem bailarina que acabou de se mudar para Nova Orleans a fim de trabalhar na companhia de dança de lá, ela está bem deslocada, não conseguiu fazer muitos amigos além de uma vizinha idosa e, para piorar, seu pai está internado em uma casa de repouso porque tem Alzheimer em estado avançado.

Um dia, conversando com a vizinha, Clara ouve a história do “muro que chora”: basicamente, a lenda remonta aos tempos da escravidão nos Estados Unidos, alguns anos antes da Guerra de Secessão, onde Angelina, uma jovem escravizada, e Jonh, um rapaz branco de família rica, se apaixonam, mas, por causa dos preconceitos da época, não conseguem ficar juntos, a moça se suicida e ele é amaldiçoado pela mãe dela, uma sacerdotisa vodu. Algum tempo depois, surge a prática, entre os locais, de colocar papeizinhos com desejos no muro, acreditando que o espírito de Angelina irá realizá-los até que o seu próprio seja realizado. 

Clara vai até lá e acaba conhecendo Jonah, agora um recluso que não se mostra para o mundo exterior há oito anos, pois, após os eventos trágicos, ficou com metade do rosto desfigurado e perdeu a carreira de advogado. Por mais “arisco” que ele seja, Clara vai, pouco a pouco, ganhando sua confiança e eles dão início a uma amizade que se transforma em paixão, contudo, Jonah não consegue aceitar o amor de Clara devido a sua condição atual, o que vai gerar muitos problemas para os dois… 

O colecionador de desejos é narrado em 3ª pessoa, o foco do narrador muda a cada capítulo passando de Clara a Jonah e também nos mostrando o passado de Angelina e John, o grande mistério da trama. Como dito antes, nunca tinha lido nada de Mia Sheridan e posso dizer que é uma obra “interessante”. É um romance bem rápido de se acompanhar, o li em dois dias apesar de suas mais de 400 páginas, mas achei o modo como a autora trata o tema da escravidão e da situação das pessoas negras escravizadas nas plantações sulistas muito superficial. O fato de ambos os protagonistas serem brancos e só os coadjuvantes serem pessoas negras também me deixou desconfortável.  Afinal, por que um dos protagonistas não poderia ser uma pessoa negra? O que impediria isso? Clara é uma bailarina, Jonah, um advogado… Enfim, não quero ser chata, só acho que precisamos começar a fazer mais esses questionamentos nas produções culturais que consumimos. 

No mais, Mia Sheridan tem uma escrita fluida e criou um romance com uma história de amor que bebe bastante das fontes de O fantasma da ópera, A bela e a fera e um pouco de Crepúsculo? Visto que em dado momento, Jonah começa a perseguir Clara? Achei O colecionador de desejos problemático em vários níveis, se você desligar o senso crítico, vai curtir a leitura de boa, agora, se for analisar as ações das personagens… ai, meu amigo e minha amiga, você vai pegar ranço de todos eles! Incluindo a autora.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sua opinião é muito importante! =D